Syren
9 Capítulo 8
Notas iniciais
POV ANTHONY
— Eu cansei disso Anthony, ela vai saber de tudo em breve. – gritou Sylena.
— Não faça isso, sabe o que vai me custar? – ela queria me punir, mas isso era demais.
— Não mais do que me custou guardar esse segredo durante esses anos.
E sem me dar tempo para responder, pegou sua bolsa e saiu correndo do escritório.
— Sylena, espere. – gritei. – Por favor.
Ela não respondeu e foi em direção à saída, pensei em segui-la, mas a visão de uma pessoa bem familiar sentada na mesa da minha secretaria me impediu.
O que Hailey estava fazendo aqui? Será que ouviu alguma coisa? Fiquei em pânico por um momento, então, decidi fingir que nada havia acontecido.
— Olá meu amor, que surpresa boa. – disse, me inclinando para beijar minha esposa.
— Vim para almoçarmos juntos, precisamos falar sobre as meninas. – respondeu ela.
— Claro, vou pegar minhas coisas e iremos. – entrei no escritório e peguei minha carteira, precisava ter mais cuidado, Hailey aparentemente não desconfia de nada e isso precisava continuar assim.
O almoço foi uma total perda de tempo. Hailey reclamou sobre as meninas, sobre meu trabalho, sobre suas clientes e todo o caos que estava tendo que lidar em casa. Despedi-me dela, prometendo não ficar trabalhando até tarde e voltei para o escritório, tinha muito trabalho ainda.
Cheguei em casa e fui recebido por uma Hailey irritada, me dizendo que eu estava atrasado para o jantar.
Sentei-me na mesa e notei que Riley não estava ali.
— Cadê sua irmã? – perguntei a Ally.
— No quarto dela, provavelmente. – deu de ombros.
Então vi Riley descendo as escadas e sorri, sentia falta de passar um tempo com minhas filhas.
O jantar foi extremamente tenso e não sabia exatamente o motivo, Hay estava brava, Ally estava completamente distraída e Ry parecia que não queria estar aqui.
Estava pensando em alguma maneira de aliviar esse clima ruim quando Hailey bateu na mesa e jogou uma foto para todos verem. Sylena.
— Que droga é essa, Anthony? – ela falou.
Eu não conseguia responder, ela parecia tão jovem na foto, com certeza tinha vindo da própria Sylena. Olhei para as meninas, será que elas sabiam?
— Querida, vamos conversar em particular... – tentei evitar essa discussão na frente delas, mas Hailey deu outro tapa na mesa.
— O que você está escondendo? – gritou. – Quem é essa mulher? O que ela anda fazendo no seu escritório e por que nossa filha tinha uma foto dela? – ela apontou para Riley.
Olhei para ela confuso, Sylena havia dado isso a ela? Contado a verdade?
— Eu achei a foto... No corredor. Caída no chão. – mentiu ela
Então a situação ficou ruim bem rápido, Hailey me encarou e disse com um tom frio que nunca havia usado comigo — Explique-se.
Permaneci em silencio, se algo que aprendi em todos os anos como advogado é que o só se abre a boca quando se tem uma boa mentira.
— É só uma cliente. – respondi. – Não sei como Ry achou essa foto. – não era uma boa mentira, mas era a única que consegui pensar.
— Sério? – Hailey ironizou. – É essa a sua explicação?
— Querida, por que eu mentiria? – falei. – Amo nossa família. Não tenho motivos...
Hailey se levantou.
— Perdi a fome.
Assim que ela saiu, comecei a pensar no que faria. Ally parecia tão chocada e Riley só voltou a encarar o prato, nós teríamos uma conversa assim que resolvesse as coisas com Hailey. Sylena ia pagar caro por isso.
POV ALYCIA
Terminei o jantar em choque. O que foi que aconteceu? Eles iriam se divorciar? O que a Riley sabia sobre isso? Quem era aquela mulher da foto? Ninguém iria me dizer agora, e a única pessoa com quem eu realmente queria falar me odiava. Precisava resolver as coisas com Ryan, rápido.
Depois de ignorar minha terceira ligação, decidi mandar uma mensagem e torcer.
Amor, precisamos conversar.
Sei que está bravo comigo e eu entendo, mas precisamos conversar. Sério.
Por favor, me responda.
Te amo, sua Ally
Quase três horas depois e nenhuma resposta, eu deveria saber que ele ficaria louco comigo. Eu o amava além da razão e por isso estava fazendo uma besteira atrás da outra. Deveria ter contado a verdade assim que chegou no hospital. Ele iria entender, não é? O problema era que eu não tinha certeza sobre essa resposta, e não poderia suportar que ele me odiasse pelo que aconteceu.
Estava quase adormecendo quando meu celular vibrou.
Tudo bem Alycia, podemos nos encontrar na sua casa amanhã depois da escola.
Droga, ele já deveria estar me odiando para me chamar de Alycia. Mas eu iria consertar tudo, contaria a verdade e lidaria com as consequências depois. Tyler poderia me ajudar a esclarecer as coisas, ia dar tudo certo. Me apressei em responder.
Claro, está perfeito.
Sei que tenho sido uma idiota nos últimos dias e realmente sinto muito.
Prometo que irei explicar tudo. Sinto sua falta.
Ele não fazia ideia de como esses dias tinham sido um inferno, e por um momento, me dei conta de que o divórcio dos meus pais não seria nada comparado a perdê-lo. Só a ideia disso acontecendo me deixava sem ar.
Alguns segundos depois recebi sua resposta, era tão curta e impessoal que me magoou mais do que deveria.
Ok, chego às 2:00.
Precisava resolver essa situação antes que enlouquecesse, assim poderia focar no que estava acontecendo com meus pais e em como Riley e eu, aparentemente, não estávamos sendo totalmente honestas uma com a outra. Me senti tão sobrecarregada que, sem querer, comecei a chorar. E entre lágrimas e preocupações, adormeci.
POV ANTHONY
Hailey tinha soltado aquela bomba no jantar e saiu correndo da mesa. Como eu ia consertar isso? Poderia contar metade da verdade e esperar que ela engolisse, enquanto isso, iria planejar nossas férias na Paris que ela tanto ama. E tinha Riley, como ela conseguiu aquela foto? Não era minha, como ela tinha afirmado. Será que Sylena era tão cruel a ponto de jogar minha filha contra mim? Pelo que me lembre, foi ela que me deixou com um bebê recém-nascido nos braços dizendo que não poderia ficar. Ela não tinha o direito de vir agora e exigir algo, muito menos perturbar minha família.
Decidi começar por Hailey, fui até nosso quarto e me surpreendi com a quantidade de malas espalhadas ao redor.
— Querida, precisamos conversar.
— Eu não quero mais ouvir mentiras, Anthony. – gritou.
Então reparei que não eram as coisas dela que estavam sendo embaladas, eram as minhas.
— Hailey, amor, não faça isso...
— Chega! Já que não consegue ser honesto comigo, então não deveria estar aqui. – ela fechou duas malas e colocou ao lado da porta. – Vá embora, Anthony, não torne as coisas mais difíceis.
— Só vou quando me deixar explicar. – respondi.
— Ok, me conte mais sobre a sua "cliente". – ela sentou na cama e cruzou os braços. – Adoraria saber o motivo daquela foto tão antiga estar no meio das suas coisas.
Respirei fundo e me sentei ao seu lado, isso ia ser complicado.
— Sylena e eu namoramos durante o ensino médio, ela era instável na época e, infelizmente, eu só descobri depois que terminamos.
— Como assim? – Hailey parecia menos agressiva depois da minha "confissão", então resolvi continuar.
— Ela tem alguns transtornos psicológicos, quando terminamos ela não aceitou isso bem e começou a me perseguir, me ameaçar. A irmã dela me contou que não era a primeira vez que isso acontecia e que ela teria que ser internada novamente, pois poderia se tornar perigosa. Fui para a faculdade, mas sempre procurava saber notícias dela, cheguei a ir algumas vezes na clínica conversar com os médicos, afinal, era culpa minha ela estar passando por aquilo. — Hay segurou a minha mão e disse baixinho — Não foi culpa sua.
Dei de ombros e continuei:
— Então, nós começamos a namorar. – olhei para ela e dei um leve sorriso. – Pouco tempo depois soube que ela tinha sido liberada e torci para que ficasse bem. A irmã dela me disse que ela estava morando na Europa e que estava feliz, então eu achei que isso tinha acabado. – suspirei. – Passei vários anos sem notícias dela, até uns meses atrás. Ela me mandou uma carta e quando não respondi, as ligações voltaram. Ela começou a aparecer no escritório e... Eu não sabia o que fazer! Não quero tomar nenhuma medida legal, pois sei que isso é uma doença e também não acho certo ela estar trancada em alguma clínica de novo por culpa minha. Mas agora isso está saindo do controle e eu estou perdido, amor. – olhei para Hailey que parecia comovida com a situação. — Eu não posso perder você, mas não quero arruinar ainda mais a vida dessa mulher doente.
Ela ponderou por alguns instantes e me abraçou.
— Resolveremos isso querido, juntos.
A abracei e suspirei aliviado, agora só precisaria lidar com Riley e isso estaria resolvido, de uma vez por todas.
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