Notas iniciais
Capítulo com um encontro muito importante pra trama, hahaha. ;) Boa leitura.

POV RILEY

Era sábado, dia da festa na piscina que toda a escola iria. Eu deveria estar animada para isso também, mas estava mais ansiosa para o encontro que teria com Sylena. Combinei com Henry que ele me buscaria em casa, iríamos falar com a mulher, e então curtiríamos o fim da festa.

Ele estacionou em frente à nossa casa pouco depois do almoço. Eu preferi fazer a refeição sozinha no meu quarto. Ainda estava ignorando Hailey. Não conseguia esquecer o que ela disse: “por que não pode ser como sua irmã?”. Foram as palavras mais cruéis que já ouvi por parte dela. Era como se eu não fosse boa o bastante. É claro. Não era sua filha de verdade.

Papai tentou conversas enquanto eu saía de casa, mas eu apenas forcei um sorriso.

— Está tudo bem. – menti. Se eu deixasse meus sentimentos falarem mais alto, acabaria gritando e perguntando o motivo de ter escondido sobre a existência de Sylena durante todos esses anos. Preferi evitar conflitos e saí de casa antes que perguntassem mais alguma coisa.

Henry abriu um sorriso quando entrei no carro. Beijou-me e me encarou, antes de questionar:

— Tem certeza de que é o que quer fazer?

Concordei com a cabeça.

— Por pior que a verdade possa ser, é a melhor escolha. – respondi.

Permaneci em silêncio enquanto ele dirigia. Henry também não tentou nenhuma vez puxar assunto. Fiquei agradecida por ele compreender que eu precisava de um tempo com meus próprios pensamentos. Não é fácil descobrir que sua mãe, na verdade, pode não ser sua verdadeira mãe, que seu pai é um traidor e mentiroso, que sua identidade pode estar em risco por isso...

Chegamos no lugar marcado em pouco tempo. Marcamos embaixo do píer. Era possível ouvir o barulho dos turistas animados com o pequeno parque de diversões lá em cima. Olhei para a praia. Havia tanta gente ali que não tive certeza que saberia dizer quem seria Sylena. Só então percebi o erro que cometi. Como nos reconheceríamos no meio dessa multidão de californianos e turistas?

Tentei não pensar nisso e iniciei uma conversa com Henry sobre a festa. O anfitrião era um dos garotos mais populares da escola, então todo mundo estaria lá. Eu, particularmente, não era muito ligada nessas coisas de popularidade, embora tivesse meu status na escola, e só compareceria àquela festa porque meu namorado queria muito ir. Não gostava de piscinas nem de gente bêbada.

Olhei para o relógio do meu celular. Já se passara uma hora. Nenhum sinal da mulher.

— Talvez ela não venha. – comentei, sentindo meu coração acelerar. Se ela não aparecesse, como eu descobriria a verdade?

— Calma. – Henry falou. – Vamos esperar mais um pouco. Ela deve estar a caminho.

Passei a próxima meia hora olhando para o relógio de dois em dois minutos. E a preocupação com a possibilidade de Sylena não aparecer se tornava cada vez mais forte. O aperto no coração se intensificou.

Então, finalmente eu a vi. Caminhava em nossa direção com uma expressão indecifrável. Não tive dúvidas de que era a minha mãe. Nossa aparência era extremamente parecida. Os mesmos cabelos castanhos, os mesmos olhos verdes... Até mesmo o sorriso. Notei, também, a semelhança entre Sylena e Hailey. Papai havia escolhido uma amante quase idêntica a esposa. Eu estava começando a ter raiva dele. Como pôde?

Henry segurou minha mão, conforme ela se aproximava. Era bom que ele estivesse ali para me dar apoio, eu precisava disso.

Quando ela chegou perto o bastante, sorriu.

— Sou Sylena. – falou.

— Sou Riley. – sorri de volta. – E esse é o meu namorado, Henry.

— Temos bastante o que conversar. – Sylena disse.

POV SYLENA

Estava muito atrasada para encontrar Riley, entre atrasos no voo e trânsito, pensei que não chegaria.

Enquanto caminhava até o píer, me lembrava de como havia deixado que a situação chegasse nesse extremo. Decidi que não tocaria nos reais motivos que me levaram a deixá-la, não hoje.

Comecei a procurar minha filha entre as pessoas, então eu a vi.

Não havia como confundir, era como se estivesse vendo uma versão feminina de Anthony. Ela estava de mãos dadas com um rapaz bonito, provavelmente o namorado que ela havia mencionado, Henry.

Me aproximei deles, ela parecia tão nervosa quanto eu, então dei um sorriso e me apresentei.

— Sou Sylena. – falei.

— Sou Riley. – ela sorriu de volta. – E esse é o meu namorado, Henry.

— Temos bastante o que conversar. – eu disse.

— Sim, tem um restaurante aqui perto, podemos conversar lá. – ela sugeriu.

— Seria ótimo. – sorri. – E me desculpem pelo atraso, tinha esquecido de como as coisas são loucas por aqui.

— Não se preocupe, o importante é que está aqui. – ela disse.

Conversamos trivialidades até chegar ao restaurante, o nervosismo era palpável. Sentamos e pedimos refrigerantes, queria ter pedido algo mais forte, mas não achei que causaria uma boa impressão.

— Então, você deve ter algumas perguntas para mim.

— Sim. – ela mordeu o lábio, como se estivesse tentando pensar se deveria dizer aquilo.

— Pode perguntar o que quiser, serei totalmente honesta com você. – coloquei minha mão em cima da dela e dei um sorriso encorajador.

Ela respirou fundo antes de me encarar.

— Quantos anos a senhora tem?

— Não o suficiente para ser chamada de senhora. – eu ri. – Tenho 40.

— Realmente, você não parece velha. – ela riu também.

— Nasceu onde?

— Jost Van Dyke, é uma ilha caribenha. – dei de ombros, tomando um gole de coca.

— Sério? – ela parecia realmente surpresa. – Sempre quis conhecer o Caribe, mas meu pai nunca... – ela interrompeu a frase no meio, sacudindo a cabeça.

— Você poderá me visitar sempre que quiser, adoraria te mostrar como lá é lindo. – sorri para ela, odiando pensar em como Anthony havia privado nossa filha de uma viagem que ela queria tanto só pela possibilidade de me encontrar por lá.

— Poderia ir durante as férias, pegar um bronzeado. – Henry brincou.

Riley revirou os olhos, mas sorriu mesmo assim. Eles ficavam bem juntos.

— Há quanto tempo vocês namoram? – me lembrei que ela mencionou que o relacionamento deles era escondido, ele parecia um bom rapaz, não entendi o motivo.

— Quase seis meses, mas não é como se pudéssemos realmente “namorar”. – ela deu de ombros. – Em geral, nossas saídas são encobertas pelos nossos irmãos.

— Precisamos dar um bom presente de natal para eles. – Henry riu. – Também tem irmãos? – ele me perguntou.

— Tenho várias irmãs, mas nenhuma de sangue. – respondi, pensando em como fazia tempo que não via várias delas.

— E seus pais? – perguntou Riley.

— Não conheci meu pai, e minha mãe morreu antes de você nascer. – não iria contar a ela que sua avó havia se matado quando eu tinha 12 anos, não faria diferença.

— Sinto muito. – ela disse. – Deve ter sido difícil crescer sozinha...

— Tive pessoas que me ajudaram muito, mas não foi a mesma coisa. – respondi.

— Foi por isso que você me deixou com o meu pai? Por que não tinha condições de ficar comigo?

Ela estava com uma expressão tão triste, queria mentir e dizer que tinha sido por isso, mas ela merecia honestidade, pelo menos da minha parte.

— Não, não foi por isso. – respirei fundo e peguei meu antigo diário no fundo da bolsa. – Comecei a escrever esse diário antes de conhecer o seu pai e terminei ele um pouco depois que você nasceu. – respirei fundo mais uma vez, tentando não chorar. – Quero que fique com ele, leia, tire suas conclusões e talvez no fim você entenda os meus motivos e me perdoe. Eu sei que nada vai mudar o que eu fiz, mas saiba que eu sempre pensei que isso seria o melhor. – entreguei o diário a ela.

Ela ficou muda, olhando aquela capa de couro gasta. Eu esperava sinceramente que ela entendesse, não queria perder minha filha sem ao menos conhecê-la.

— Eu irei, muito obrigada, Sylena. – ela parecia emocionada também.

O celular de Henry tocou e pudemos nos recompor.

— Era Tyler, precisamos ir. – ele disse olhando entre nós duas.

Riley me olhou tão triste, como se não fosse me ver nunca mais.

— Vá, querida. Combinaremos de nos encontrar outro dia. – sorri.

— Quanto tempo vai ficar aqui? – ela ainda não parecia convencida.

— O tempo que você quiser, agora vão encontrar seu amigo. – nos levantamos e lhe dei um abraço. – Qualquer coisa é só me ligar, não importa a hora.

— Olha que eu ligo mesmo. – ela riu um pouco. – Obrigada por ter vindo.

— Eu que deveria agradecer por ter respondido minha carta. – dei um beijo em sua testa e me virei para abraçar Henry.

— Cuide da minha menina. – sussurrei em seu ouvido.

— Sempre. – pude sentir o amor na voz dele e prometi a mim mesma que ajudaria esses dois a ficarem juntos.

Henry pegou Riley pela mão e a guiou para fora do restaurante. Foi difícil vê-la indo embora, mas sabia que nos veríamos em breve.

Paguei a conta e peguei um taxi rumo ao hotel, sabia que poderia colocar tudo a perder dando o diário a Ry, mas preferia arriscar. Não deixaria que o medo me tirasse de perto da minha filha outra vez.

Notas finais
E aí? O que estão achando? Gostaram do primeiro encontro da Sylena com a Ry? Lembrando que opiniões são bem-vindas, então comentem, favoritem e recomendem. Isso nos anima bastante. Até a próxima. :)