Syren
12 Capítulo 11
Notas iniciais
POV RILEY
— Mamãe está em casa. – Henry falou, com uma expressão assustada. – Você precisa ir. Podemos conversar mais tarde. Eu vou até...
Não deixei que ele terminasse. Abracei-o, a fim de me despedir. Ele estava certo, se Taylor me visse aqui, ficaria brava e teríamos mais problemas ainda.
— Não quero causar confusão. – encolhi os ombros. – Só precisava te ver. Desculpe.
— O que está acontecendo?
Gelei e fechei os olhos. Minha sogra provavelmente gritaria conosco em segundos, então me apressei e peguei o diário, a fim de ir embora. Mas ela não disse nada. Estranho. Virei-me em sua direção e quase perdi todo o ar dos pulmões ao ver duas pessoas paradas na porta: Taylor e Sylena, minha suposta mãe biológica.
— Riley? – Sylena perguntou, parecendo tão surpresa quanto eu.
Taylor olhou de mim para Henry, então para a mulher ao seu lado. Era a primeira vez que não parecia furiosa ao me ver.
— Alguém pode me explicar... – tentei falar, mas meu namorado me interrompeu.
— Não acho que seja a hora para discutir isso. – ele disse. Notei que se forçava para parecer calmo.
Silêncio dominou o ambiente. Sentia que todos ali escondiam algo de mim.
— Eu acho que é a hora perfeita. – teimei, agarrando o diário contra o peito, instintivamente.
— Sylena! – Taylor lançou um olhar irritado para a garota. – Você entregou seus pensamentos para ela, sem ter certeza que é sua filha?
Encarei a mulher e lembrei dos trechos que li. Ela conhecia o diário, então provavelmente...
— Você é a Lily. – falei. Pela reação pasma de todos, acertei. – E o Henry é meu primo?
Afastei-me do meu namorado, instintivamente. Ele parecia compartilhar do sentimento.
— Acho que as coisas estão bem confusas aqui. – Sylena falou. Virou-se para Lily/Taylor, e explicou: – Eu mostrei o diário justamente para descobrir se ela é ou não minha garotinha. Eu sinto como se fosse. Olhe para ela. Temos tanto em comum...
Taylor suspirou e cruzou os braços.
— Certo. – falou. Pelo tom de voz, percebeu que perdera a discussão. – Eu odeio dizer isso, mas sente-se, Riley, precisamos te explicar algumas coisas.
POV ALYCIA
Me encontrei com Tyler para um café antes da aula, aparentemente era a única pessoa que entendia a confusão que virou a minha vida e não se incomodava com minhas reclamações constantes.
Ele foi promovido ao posto de melhor amigo desde minha conversa desastrosa com Ryan alguns dias atrás. Dizem que a verdade tem o poder de te libertar, pura mentira.
Não queria falar com Kaya sobre isso, ela era minha melhor amiga, mas ele era seu irmão e odiaria que brigassem por isso.
Ty me esperava com chocolate quente e cookies, tudo o que eu precisava.
— Então, como andam as coisas em casa? – suspirei, dando uma mordida no cookie.
— Não sei, meus pais parecem bem. – dei de ombros – Riley e eu não estamos conversando muito.
— E... ele? – tomei um pouco do meu chocolate e respirei fundo – Não, acho que estraguei tudo.
— Não foi culpa sua, ele só está sendo um idiota.
— Talvez a idiota seja eu. – dei um sorriso triste
Ryan saiu sem olhar para trás depois da nossa conversa, e por mais que me doesse, eu entendia. Só esperava que ele encontrasse um jeito de me perdoar, pois eu jamais me perdoaria se o perdesse.
POV KYERA
Dizem que namorar escondido é mais gostoso, eu diria que é mais problemático.
Dylan e eu estamos nessa há mais de um ano, parecíamos dois fugitivos sempre que íamos nos encontrar. Era como uma versão adolescente de Prison Break. Patético.
O clã e suas regras ridículas nos enclausuravam nessa maldita ilha sem contato com nada, nem ninguém. E se você for corajoso o suficiente para se rebelar e sair, vai sofrer as consequências.
Queria ter coragem de virar as costas e sair, mas a ideia de nunca mais poder ver minha família ainda me fazia vacilar. Aqui não existe um meio termo, ou você é feliz sendo uma sereiazinha que é praticamente obrigada a ter filhos para que não sejam extintas ou se aventura no mundo em busca de algo que realmente te faça feliz sendo abandonada a própria sorte pelo clã, virando uma renegada que não poderá visitar nem sua mãe para um café.
As regras não são tão rígidas e Dylan poderia viver aqui, ele amava a praia e sempre passava as férias com a família em uma ilha próxima, porém jamais poderia vê-los de novo. Ele seria obrigado a ficar nessa prisão de água e areia comigo. Eu não era tão egoísta.
A verdade era que eu não queria ser sereia, isso só me trouxe problemas e decepções. Minha mãe já estava tentando me casar com Hayden por motivos de “ele é o melhor partido do clã”, me poupe!
Precisava ir embora, mesmo que me doesse. Ficar aqui já não era uma opção.
Estava quase no horário de encontrar Dylan, então me arrumei e saí do meu quarto o mais silenciosamente possível. Minha mãe acordava com qualquer barulho, aparentemente sereias mais velhas começavam a ter seus sentidos aguçados ou algo assim. Assustador, eu sei.
Assim que cheguei ao quintal verifiquei se estava tudo calmo e fui em direção à praia.
Ele estava sentado na areia usando uma calça jeans, uma camisa preta e seu inseparável par de all stars estava ao seu lado.
— Olá gato, procurando companhia? — falei, tentando não rir.
— Estava procurando a minha sereia, disse que me amava, roubou meu coração e foi embora. – ele me olhou com uma cara triste – Talvez um beijo me ajude a superar, que tal?
Não aguentei e comecei a rir.
— Claro meu amor, tudo para te ajudar. – me sentei ao lado dele e o beijei. – Senti sua falta, nem nos vimos essa semana. – resmunguei.
— É complicado vir de Saint John para cá, o mar estava horrível esses dias e minha sereiazinha não estava por perto caso eu precisasse de salvamento já que está proibida de sair daqui sozinha. – ele me puxou para o seu colo e me abraçou com força – Queria que fosse mais fácil.
As férias estavam acabando e eu tinha que decidir se iria embora com ele, essa poderia ser minha última chance.
POV RILEY
Ouvi atentamente enquanto Sylena e Taylor explicavam essa maluquice de clã. Henry também sentou na cama, a quase um metro de distância, e não parecia surpreso com o que as duas falavam. Ele já sabia.
Aparentemente, esse clã era composto por sereias e tritões, que se casavam e formavam famílias. Ou alguma coisa perto disso.
— Sempre achei que isso fosse um mito. – comentei.
— Achou errado. – Taylor cortou. – Preste atenção.
— Não seja tão dura com ela. – Sylena me defendeu. – Riley pode ser minha filha, esqueceu?
Pela expressão de Taylor, ela não se sentia tão bem com a ideia.
Continuei ouvindo a explicação.
Por uma questão engraçada de genética, a maioria eram garotas. E elas se consideravam irmãs, mas em geral não tinham o mesmo sangue de verdade, como era o caso de Sylena e Lily/Taylor. Conheciam-se desde pequenas, e cresceram juntas.
— Então, Henry não é meu primo? – não disfarcei o suspiro aliviado.
— Não de verdade. – Taylor respondeu.
Ele também parecia mais confortável com a situação agora.
— Bem, você já sabe o que aconteceu depois que Lily foi embora. – Sylena apontou para o diário, ainda em minhas mãos.
Concordei com a cabeça.
Por quase um minuto, ninguém disse nada. Ficamos parados nos encarando. Taylor quebrou o silêncio:
— Quero voltar para o clã.
Henry e Sylena pareceram igualmente surpresos.
— O que? – meu namorado se levantou. – Mamãe... Por quê?
— Agora que seu pai morreu, não tenho mais motivos para me afastar das minhas irmãs. – Taylor disse. – Bryan foi a razão de eu ter saído do clã, e sinto falta de lá. Ver Sylena novamente me lembrou de tudo o que deixei para trás.
Eu não sabia exatamente o que aquilo queria dizer, mas não parecia bom. Henry se mudaria?
— Lily, você sabe que só há uma maneira de ser aceita de volta depois do que você fez. – Sylena falou. – Esse nível de traição... – ela não continuou, apenas balançou a cabeça em descrença.
— Eu sei. – ela suspirou. – Mas a sua filha pode ser nossa resposta. Para nós duas. Eu sei que você também sente falta de Jost Van Dyke.
Sylena não disse nada.
Encarei Henry. Do que elas estavam falando? Ele deu de ombros.
— Podem explicar, por favor. – disse. – Por que Ry é a resposta?
As duas trocaram um olhar demorado, antes que Taylor falasse:
— Henry, querido, para que possamos voltar para casa, é preciso que você se case com alguém do clã.
— O que? – Henry e eu falamos, em uníssono.
— Se você for mesmo filha de Sylena, Riley, então será a chave para que possamos voltar. – Taylor falou.
— Você me odiava até agora. – falei, irritada. – Agora quer que eu te ajude?
— Riley! – Sylena repreendeu. – Vocês duas, comportem-se!
Henry tomou as rédeas da situação:
— O que ela quis dizer, Ry, é que se você for mesmo uma sereia, poderemos ficar juntos e até mesmo ir morar na ilha com o resto do clã.
— E se eu não for? – questionei.
Taylor me lançou um olhar gélido.
— Então, é melhor que cada um siga sua vida.
Sylena e Henry começaram a discutir com a mulher, mas ela apenas deu de ombros. Era sua decisão final. Se eu quisesse continuar namorando o amor da minha vida, precisava ser mesmo uma sereia. E, provavelmente, me mudar para uma ilha, longe de todos os meus amigos.
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