Syren
2 Capítulo 1
Notas iniciais
POV ANTHONY
Estranhei quando encontrei a carta com meu nome em letra cursiva em cima da mesa, quem ainda manda cartas hoje em dia?
Abri o envelope mesmo assim e li o conteúdo:
"Anthony,
Sei que se passaram anos desde que deixei nossa filha com você, mas tive meus motivos para fazer o que fiz e você sabe disso. Achei que era o certo e acabei perdendo a coisa mais preciosa da minha vida. Eu realmente gostaria de conhecê-la, saber como ela é, qual nome deu a ela? Se parece comigo ou com você? Tem muitos amigos? Namorado? E principalmente, ela é feliz?
Penso que não tenha falando de mim para ela, e se falou, imagino que não tenha sido nada de bom. Mas sabe que ela merece criar uma opinião própria sobre mim, você deve isso a ela.
Me avise quando puder ir encontrá-la, eu realmente quero corrigir as coisas.
Até breve, Sylena"
Assim que terminei de ler aquelas palavras, senti como se estivesse prestes a desmaiar. Depois de tantos anos... Seria possível que fosse mesmo ela? Sylena?
Encarei minhas filhas — Alycia e Riley -, sentadas à mesa do café-da-manhã, junto com minha esposa, Hailey. As meninas são realmente parecidas comigo, muito mais do que com as mães. Ninguém jamais desconfiaria que eram de mulheres diferentes.
Ainda não acredito que Hailey aceitou tão bem a história que inventei quando Sylena apareceu aqui com a criança. Naquele dia precisei usar todo o meu talento como ator e eu sou muito bom nisso, afinal, sou advogado.
Lembro como se fosse ontem: Sylena indo embora e eu com um bebê nos braços, parado na porta de casa. Minha esposa chegaria em breve e não tinha ideia de como explicar aquilo. Então, a mentira me ocorreu. Inventaria uma irmã, alegaria que não falava com ela há anos e que a mesma acabara de falecer, deixando para trás a criança. Contei com o fato de que ela nunca conheceu meus pais, pois morreram em um acidente antes de nos conhecermos. Merecia um Oscar pela atuação. Chorei e argumentei que não poderia deixar minha sobrinha desamparada. Convenci Hailey a criar a menina como se fosse sua, e a fiz a prometer que nunca comentaria nada sobre a minha (inexistente) irmã.
Porém, se Sylena queria conhecer a filha, toda a verdade poderia vir à tona e o meu casamento estaria ameaçado. Não posso permitir isso. Amassei a carta e joguei no lixo, junto com as lembranças de minha antiga amante.
— Pai, você não vem tomar café conosco? – Riley perguntou, encarando-me desconfiada. – O que estava lendo?
Pisquei atônito. Por um momento esqueci que minha família estava bem ali. Precisava disfarçar que algo me incomodava.
Então, sorri e me aproximei da mesa.
— Claro, claro. – falei, beijando a testa de Ry, e então a de Ally, antes de sentar. – Eram somente documentos do trabalho. Nada importante.
POV RILEY
Assim que minha família saiu da cozinha, corri para pegar a carta que meu pai havia jogado no lixo. Tinha certeza de que não era relacionado ao trabalho, ele havia ficado tão perturbado... Como se tivesse visto um fantasma.
E quando abri a carta, soube o motivo. Minhas pernas começaram a tremer conforme lia o conteúdo. Precisei me sentar antes que desabasse. Estava tão chocada que não sabia o que pensar.... Sua irmã Alycia, sua gêmea.... Não eram filhas da mesma mãe?
Não acreditava que essa tal de Sylena e seu pai pudessem ter escondido isso tanto tempo, e, pelo jeito, iam continuar escondendo.
Pensei em uma resposta àquela carta, mas não sabia o que dizer, considerando que a carta poderia estar falando de duas possibilidades distintas: Riley ou Alycia. Ambas parecidas com o pai fisicamente, mas totalmente diferentes em suas personalidades. Eu tinha alguns amigos, enquanto Ally era a borboletinha social. Nós duas tínhamos namorados, mas, enquanto Ryan jantava várias noites conosco, eu tinha que me esgueirar para ver Henry. Ally era muito feliz, duvido que exista algo de errado com sua vida. Enquanto isso eu só queria chorar quando lembrava que não poderia estar com Henry em seu aniversário, já que a mãe dele me odiava e Hailey, sua própria mãe, simplesmente não parecia ligar o suficiente para ajudar a mudar a situação. Ou talvez ela não fosse sua verdadeira mãe, por isso não se importava...
Por que Sylena teve que deixar uma das duas ali, com os Blake? Seu pai tinha se casado um ano antes das duas nascerem, será que os pais da misteriosa mulher descobriram que o bebê era de um cara casado e a ameaçaram? E como ele nunca havia mencionado isso? Tipo “Olha meninas, uma de vocês é filha da minha amante, mas isso não muda as coisas, amo vocês”.
Senti que Sylena estava realmente arrependida, não sabia o motivo que a fez esperar 19 anos, mas antes tarde do que nunca, certo?
Alycia passou por mim e só percebi quando ela falou:
— Você é mesmo muito intrometida Ry, precisa parar de mexer nas coisas alheias. Vamos, vai se atrasar. – disse rindo e saiu de casa, rumo a escola, coisa que eu também deveria fazer.
Guardei a carta na mochila e corri para o carro. Precisava pensar bem no que faria a seguir, mas sabia que não iria guardar esse segredinho sujo como seu pai, não mesmo.
POV ALYCIA
Estava saindo de casa quando encontrei Riley lendo a carta que nosso pai recebeu. Ela era sempre tão curiosa.
— Você é mesmo muito intrometida Ry, precisa parar de mexer nas coisas alheias. – não adiantava, ela nunca ia mudar. – Vamos, vai se atrasar. – ri e sai, entrando em meu conversível.
Cheguei na escola a tempo da primeira aula. Estacionei na vaga de sempre, reservada especialmente para mim. Kaya já me esperava, acompanhada de seu irmão (e meu deus grego particular), Ryan.
Beijei Ryan e entrelaçamos as mãos. Ele cumprimentava amigos pelo corredor, enquanto eu conversava com Kaya sobre a festa que teríamos naquele fim de semana, na casa de Caylee. Estávamos muito animadas.
— Ficou sabendo que a piscina ficará aberta? – Kaya sorriu. – Mal posso esperar.
— Mas nós havíamos combinado de ficar na pista dançando! E outra, não quero estragar meu penteado. – resmunguei, passando a mão pelos meus cabelos, imaginando o estrago que o cloro poderia fazer.
O sinal tocou, avisando que deveríamos ir para a aula. Infelizmente, nossos horários eram diferentes. Kaya e Ryan teriam a primeira aula de biologia, enquanto eu estudaria matemática. A vida era tão injusta.
Caminhei para a sala de aula. Sentei em meu lugar habitual, ao lado da janela, onde poderia observar a rua caso a aula ficasse muito chata.
— Alycia Blake. – uma voz irritante chamou, vinda de algum lugar atrás da sala.
Amy Anderson, sua pior inimiga naquela escola. Ela se aproximou e sorriu. Parou ao seu lado e levantou uma mão, analisando suas unhas com esmalte vermelho.
— Ouvi dizer que vai à festa nesse fim de semana. – comentou, com tom casual.
— Todo mundo vai. – respondi, estava sem paciência para Amy.
Ela não teve tempo de fazer um comentário, pois a professora adentrou a sala, pedindo que todos fossem para seus lugares.
Antes de voltar a sua cadeira no fundo da sala, Amy se abaixou e sussurrou em seu ouvido:
— Te vejo na festa, Blake.
O tom era indiscutivelmente ameaçador. Mas por quê? Balancei a cabeça e descartei a ideia. Precisava me concentrar na aula.
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