Sword Art Online - Death Zone Assembly

1 Capítulo 1 - Bem Vindo Ao Seu Mundo Real


Se passaram dois anos desde os eventos de Sword Art Online, como um dos sobreviventes daquele pesadelo, eu havia mudado completamente minha vida, nunca mais joguei nada de realidade virtual, na verdade, eu me afastei dos jogos eletrônicos, de vez em quando jogava cartas com meus colegas do curso de engenharia elétrica, não digo que estou traumatizado, mas eu perdi totalmente o prazer que eu tinha em jogos em geral, talvez demore um pouco até que eu volte a gostar de coisas do tipo, ou eu somente tenha crescido e deixado de lado algumas coisas que eu sabia que inevitavelmente deixaria. Enquanto voltava da universidade, parei em uma loja de conveniência a fim de comprar alguma coisa doce para aliviar o estresse do dia, vi que não tinha mais aqueles bolinhos de baunilha que eu sempre gostava, na verdade, desde que fiquei preso naquele lugar acho que eles pararam de vender, talvez porque eu era a única pessoa que comprava isso (?) mas todos os dias voltava na esperança de ainda encontrar aquela delícia, só que eu sabia que a realidade podia ser mais dolorosa do que os pensamentos de um jovem de 22 anos.

— Takeda-kun, você não está atrás de revistas pornográficas de novo né? Ah, vou te falar, parece que mesmo ficando preso no Sword Art Online você não perdeu algumas manias. – Ao olhar para trás me deparei com Kaori Itadori, uma de minhas amigas de infância da cidade de Kitami, ela também ficou presa no Sword Art Online há dois anos, na verdade, dessa cidade, apenas 5 pessoas estavam presentes naquela ocasião, tirando eu e a Kaori, dois deles não sobreviveram, a outra garota que conseguiu sair viva se mudou pra Tóquio depois de tentar se matar duas vezes, seus pais a internaram em uma clínica, e não sei se ela voltará pra esse fim de mundo. E depois de pensar nessas besteiras percebi que estava na frente da prateleira de revistas eróticas, é claro que eu não ligava mais pra isso, mas a Kaori é uma guria que gosta de me zoar não importa o que, e eu sabia que ela não ia deixar passar uma brecha dessas.

— Me desculpe por te desapontar, mas o que eu queria mesmo saber é porque diabos você virou uma stalker e está me SEGUINDO TODOS OS DIAS. – Eu olhei para a menina já prevendo sua expressão emburrada, como ela podia levar algo assim a sério?

— Me poupe! Moramos quase na mesma rua, você que nunca me esperava na saída pra irmos embora juntos, será que tem vergonha de mim é? Será que você tem vergonha de falaram que sou sua namorada? Ah, eles comentariam algo como “Aquele Takeda está namorando uma beldade dessas? Como isso é possível?, “Cara, quanto o Takeda está pagando pra aquela guria sair com ele?”, “O maldito do Takeda deve estar ameaçando aquela menina pra sair com ele, essa é a única explicação racional.”

— Ei ei ei, você não acha que está exagerando tipo, demais?

— Há, mas é isso que falam! Só que como eu sou muito sua amiga, claro que nada disso me abala.

— No fundo estou começando a ficar preocupado que algumas pessoas falam isso mesmo. – Eu peguei um doce qualquer e me direcionei até o caixa, a verdade é que Kaori havia mudado muito desde aquele dia, muito mais do que eu, ela não era tão descontraída e não costumava falar muito como agora, percebi que depois de tudo ela criou uma personalidade que tentava ser mais forte, apenas pra tentar esquecer tudo que passou, eu invejava ela, isso era algo que poucos fariam, mas eu sentia que no fundo ela guardava um peso que não conseguia carregar, mas conhecendo seu orgulho, sei que ela não cederia, é por isso que eu não podia tirar meus olhos dela, minha missão ainda era protege-la, por mais que ela me trate como a donzela que precisa de proteção.

— Takeda-Kun, o que são aquelas pessoas correndo ali? Será um assalto? – Ao irmos pra casa, Kaori apontou para algumas pessoas de preto que corriam na direção de um rapaz loiro com um traje azul marinho que mais parecia um cosplay, devia ser algum tipo de encenação ou ensaio? Duvido que veria um assalto ou uma briga de delinquentes naquela cidade em que nada acontecia, se fosse Tóquio eu até podia considerar, mas vivendo a 22 anos ali eu sei que era impossível.

— Deve ser adolescentes pensando que são do Change Man, melhor ignorar e... – Eu não pude deixar de notar aquela cena, por mais que provavelmente fosse uma encenação, de alguma forma a atuação daquelas pessoas eram convincentes demais (?) O mais intrigante era que eu não tinha visto aqueles tipos antes, o que era impossível naquela cidade.

— São turistas? Ei, o que o moço de azul tirou do seu bolso? – Kaori olhava atentamente paralisada enquanto assistia a cena que ocorria em um beco da cidade, naquele bairros haviam várias casas antigas residenciais, os 4 rapazes de preto que pareciam ser de uma gangue bem retrô olhavam para o loiro que sorria como se estivesse no controle da situação, é óbvio que aquilo só podia ser algum vídeo que alguém estava gravando para um canal de otakus no youtube.

— Por que esse sorriso de merda? Encurralamos você bastardo! – Um dos garotos de preto partiu pra cima do garoto de azul, mas o rapaz abriu sua mão direita, e dela, surgiu um tipo de sabre que ficou com mais ou menos um metro de comprimento, o garoto deferiu um golpe certeiro no pescoço do menino que caiu desmaiado em sua frente.

— Filho da puta! – Os outros três partiram para cima do garoto que não precisou se mexer para nocauteá-los em uma velocidade sobre humana, eu de alguma forma engoli seco e comecei a suar frio, aquilo era tudo combinado, certo? Para se mover naquela velocidade e aquela técnica que não parecia ser humana... Eu olhei para os lados tentando ver quem estava filmando, mas não havia ninguém. As pessoas no chão pareciam realmente estarem desmaiadas, um deles parecia nem respirar. Quando me dei conta, o garoto de azul estava na minha frente com o mesmo sorriso que emitia para os rapazes que acabara de desacordar.

— Ah, não era pra ninguém ter visto isso? O que? Você não é o Takeda? Bom, se for você, acho que não tem problema! Vocês dois podiam manter segredo? Eu atrai esses quatro longe demais, era pra pegá-los na zona segura, mas por descuido vim aqui, ainda bem que só estavam vocês, então mantenham segredo mesmo assim, ok? – Com um sorriso ainda mais singelo, o garoto saiu correndo acenando para mim e para Kaori, a garota parecia desorientada, ficou sem dizer nada enquanto olhava para mim e para o rapaz que surgiu entre as ruas apertadas daquele bairro.

— Takeda, isso... o que foi isso?

— Eu não faço ideia, mas melhor não nos envolvermos. – Era uma briga de fato? Mas o que era aquela merda que o loiro havia tirado do seu bolso? Parecia mais um brinquedo, será que devíamos ir ver se os rapazes estavam se fingindo de desmaiados? Não era um acontecimento que eu podia simplesmente deixar de lado, algo assim não acontecia na vida real, ao menos que fosse combinado, era a única possibilidade, de toda forma, ao ver que Kaori começava a se desesperar, levei ela até sua casa e tentei relevar o acontecido, dizendo pra ela no caminho que era apenas um vídeo do youtube.

— Aquele cara, ele te conhece, mas como? Ele deve estar fazendo algum cosplay, será que era alguém que estudou com a gente? As pessoas ficaram meio loucas depois do SAO... – Kaori estava na porta de sua casa, seu olhar animado parecia não muito ativo, ela devia estar pensativa, mas agora era minha vez de bancar a pessoa positiva, e dei um tapa em seu ombro e disse que aquilo de fato era um vídeo, e que eu havia me lembrado do garoto loiro.

— Eu me lembrei, ele é o Sora, estudamos juntos, ele sempre teve uma mente criativa, mas não sabia que ele tinha a síndrome da oitava série até agora... Otakus não mudam não é? – Kaori parecia ter ‘aceitado’, nos despedimos e eu fui pra casa, minha mãe havia deixado o jantar pronto no micro-ondas, ela voltaria de noite novamente devido às suas reuniões, eu não estava com fome, fui até meu quarto e me joguei na cama, aquilo ainda estava em minha cabeça. Eu queria voltar no local e perguntar para os rapazes o que diabos foi aquilo, mas obviamente eles não estariam mais lá. Eu comecei a mexer em meu celular até que, repentinamente, eu caí no sono. Desde alguns dias atrás eu vinha tendo sonhos bem lúcidos com um mundo devastado, uma cidade cheia de dor e sofrimento, eu podia ouvir claramente pessoas berrando e outras sendo mortas, eu não tinha como negar que aquele tempo no Sword Art Online tinha me afetado para sempre, talvez esses sonhos jamais acabariam, mas eu aceitei o fato de que eu era um sobrevivente, e aquilo, já me fazia querer viver mais ainda.

— AH! – Eu dei um pulo da cama quando percebi que tinha pegado no sono sem querer, havia acordado com um barulho alto de alguém batendo na porta, devia ser minha mãe preocupada, eu corri para abrir, mas me deparei com Kaori na minha frente. – O que foi Kaori? Nunca vem aqui sem antes mandar uma mensagem... – Eu olhei para o semblante da menina, mas ela parecia um boneco, sem reação alguma. Ela tinha algumas crises de tempos em tempos, acho que todos que saíram daquele inferno tinham, Kaori começava a chorar ou ficava imóvel como ela estava no momento, mas foi quando percebi que a menina carregava uma faca em sua mão esquerda, ela sem nem piscar, golpeou minha cintura, por sorte eu desviei, mas a faca acabou cortando minha barriga, não foi uma ferida profunda, mas um pouco de sangue caía sobre minhas pernas.

— Você ficou louca? Kaori!? – O que porra era aquilo? Eu só podia estar sonhando não é mesmo? Não tem como ser real, por que Kaori me atacaria? Ela estava afetada dessa forma? Mas haviam se passado dois anos, dois anos e nada de mais havia acontecido!

— Takeda, temos que voltar, Takeda. – Kaori foi pra cima de mim com tudo, ela estava mesmo disposta a me matar, seus olhos pareciam de peixe morto, ela não era a Kaori que eu conhecia. Segurei em seus braços e a fiz soltar a faca, mas sua força não era de uma pessoa normal, ela torceu meu pulso e me jogou contra a parede, eu bati a nuca e caí sentado, ela pegou rapidamente a faca e desferiu um movimento contra meu rosto, cortando parte de minha bochecha.

— Pare com isso Kaori, ficou louca? Acorda Kaori! – Eu estava tremendo, não sabia o que fazer, tinha medo de machuca-la, mas eu não queria me machucar também, eu me levantei e peguei um travesseiro que estava na cama para tentar me proteger, Kaori deu mais um golpe e eu bloqueei com o travesseiro, ela não hesitava em seus ataques.

— Vamos voltar logo... – Ela dizia isso enquanto eu via que a menina não expressava nada em seus olhos, eu então aproveitei uma pequena deixa e a empurrei, saindo correndo do quarto, eu não podia ficar perto dela, vi que minha mãe ainda não havia voltado, eu saí para fora de casa e peguei meu celular para chamar a polícia, mas quando eu coloquei ele no ouvido, o garoto loiro de mais cedo se colocou em minha frente.

— Takeda-Kun, não adianta chamar a polícia. – Ele me segurou pelo braço e me puxou para junto de si, Kaori estava com a faca atrás da gente, ela mirou a lâmina na direção da cabeça do rapaz, mas ele, com um rápido movimento, deu um soco no pulso da menina, a fez soltar a faca, ele então pegou a faca e sem nem piscar, começou a esfaquear o peito de Kaori enquanto segurava com uma das mãos seu ombro, eu estava ajoelhado vendo tudo isso, o sangue da minha melhor amiga sendo espalhado pela calçada da minha casa. Eu tive ânsia, queria vomitar minhas tripas, minha visão ficou preta e eu me apoiei contra o chão para não desmaiar, tudo que eu via era o loiro esfaquear Kaori enquanto ela estava esticada no chão cuspindo sangue, era demais pra mim, e acabei desmaiando. Antes de acordar eu vi em um sonho uma mulher com cabelos azuis, ela me chamava enquanto chorava, eu acordei e dei de cara com o garoto loiro em minha frente, eu estive sonhando o tempo todo? Eu pulei da cama e quando tentei sair do quarto, ele me impediu com apenas um dedo.

— Que porra é essa cara? O que houve com a Kaori!? – Aquilo só podia ser a merda de um pesadelo, não tinha como algo assim acontecer na vida real, eu olhei para o relógio e eram 22:00, reparei que pela janela, do lado de fora, não havia movimento nas ruas, não que normalmente tivesse, mas não via carros, luzes acessas ou barulho do que quer que seja.

— Preciso que se acalme, Takeda-Kun, não queremos chamar atenção de novo. – Eu não podia ficar parado, aquele cara não iria me impedir de sair daquele, eu parti pra cima do mesmo para golpeá-lo, sabia pelo menos o básico de karatê que havia praticado por 4 anos, mas ele parou meu soco com sua mão e com uma rasteira, me fez cair de costas. Eu me levantei rapidamente e fui para dar 3 socos no mesmo, mas ele desviou com facilidade de todos, e usando apenas dois dedos, com um rápido movimento, me fez cair no chão ao golpear meu rosto que ficou inchado no mesmo instante.

— Kaori... o que você...

— Se ACALME, TAKEDA! – Pela primeira vez, vi a expressão tranquila e sorridente do garoto mudar, ele estava sério, seus olhos pequenos e semi abertos me fitavam com destreza. – Aquela não era a Kaori, preciso que me escute. Precisamos sair dessa área com urgência.

— Calma, espera! Como assim não era Kaori? Quem era ela?

— Ela era um bot controlado pelo clã dos Cavaleiros Prateados, eles usaram ela por todo esse tempo pra extrair dados de você, sei que é tarde mas...

— Dados? Que porra tá dizendo? Onde estamos?

— Você devia saber, Takeda-Kun, não estamos na vida real, por mais que lá fora se pareça, isso aqui é um jogo.

— Você está brincando comigo? Eu saí do SAO! Saímos de lá e me lembro de tudo, se passaram dois anos CARA, DOIS ANOS EU VIVI a vida normal, com minha mãe, com a Kaori, indo pra faculdade, como assim isso é um jogo?

— Exatamente como ouviu, todo esse tempo que viveu aqui foi uma mentira, uma rota comum, como nas visual novels sabe? O roteiro foi combinado, você sabia Takeda, muitos acontecimentos desses dois anos foram propícios demais, não? Tudo para te desenvolver, esses dois anos pós Sword Art Online, aqui, foram o prólogo para o fim do BETA, estamos online a mais de dois meses, por aqui ser longe da Central, claro que demorou pra se iniciar, mas eu vim te buscar a ordens DELA, ela exigiu que te recrutrassemos pro nosso clã, fazer o que né? – O garoto sorria e começava a mexer em um controle em sua frente, aquilo era realmente um jogo? Ele abriu sua tela de status, lá dizia seu nome ‘Kotaro Akagi – Level 98 – Guerreiro’.

— Mas desde quando? Desde quando entrei nisso? Por que não me lembro? Desde que saí do SAO eu nem cheguei perto de jogos!

— Isso eu também não sei, Takeda-Kun, estamos na mesma situação, não sei como vim parar aqui, mas o fato é que estamos online, e já sei qual o objetivo desse game.

— Objetivo?

— Ah, sim, eu esqueci de contar mas, esse jogo é diferente do Sword Art Online, exceto por uma coisa.

— O quê? Como diferente?

— Esse é um battle royale, são vários clãs lutando entre si, e só um pode sair vencedor, os outros, precisam ser eliminados. E se quer saber, eu não sei se, ao morrermos aqui, morremos na vida real, assim como no SAO.

— Não.. isso é mentira, eu sai daquela merda, eu não estou online!

— Eu sinto muito Takeda-Kun, é difícil quando eu explico pras pessoas, mas você tem que aceitar, no demais, pegue o que tem que pegar aqui, você ainda é level 5, vamos precisar upar um pouco até a Central, eu sei que você era level alto no SAO e por isso nem vou me preocupar tanto, seja bem vindo, Takeda, ao Death Zone Assembly Online.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.