Sweetie
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Tudo começou com um sonho. Talvez o início de meus piores sonhos. Ou de meus melhores pesadelos. Não sei. Mas só sei que tudo começou com o que eu acho que foi um sonho.
Lá estava eu, pensando sobre a minha vida. Sobre como eu era feliz. Sobre como a minha vida estava antes dos meus pais se separarem e a minha mãe virar uma maníaca por trabalho. Sobre tudo antes do meu pai se mudar pra Nova York e eu ser quase criada pelo meu próprio irmão, já que Rosie tinha se aposentado e a minha irmã estava na Universidade de Mississipi.
No meu sonho, eu refletia sobre tudo isso. Sentia saudades da época em que vivia com meus cabelos soltos, não me escondia atrás de óculos escuros e rabos de cavalo. Quando eu usava algum tipo de gloss e quando eu saía com meus vários amigos na minha antiga escola.
Mas isso faz quatro anos. Quatro anos!
Na verdade, não ignoro a possibilidade dos meus pais ainda se encontrarem para... bem... reconciliarem. Mas por enquanto, do jeito que meus pais estão, acho pouco provável que isso aconteça.
Voltando ao meu sonho/pesadelo, meus pensamentos me consumiam bastante. Mas não o bastante para que eu não mantivesse meus ouvidos e meus olhos em alerta.
Ouvi um barulho vindo da escrivaninha. Lá, as únicas coisas que tinham era o abajur, o meu celular e uma foto minha com a Melanie. Ah, Melanie! Eu sentia falta dela... Dos seus abraços e conselhos de irmã mais velha. Eu sempre procurava imitá-la. Era sempre doce e carinhosa.
Mas o barulho não se parecia com uma lâmpada de abajur queimando. Muito menos de um celular vibrando no modo silencioso. E sim com algo que acabou de ser retirado do lugar. Arrastado. Se movimentado. Sozinho.
Eu estava sozinha naquele quarto. Na verdade, eu estava num ângulo onde só enxergava metade do quarto. Mas essa metade incluía a escrivaninha. O que me deixou assustada, pois a foto estava levitando. Literalmente.
Olhei para os lados rapidamente, mas não vi nada. Não podia ser alguma brincadeira de Ryan. Mas mesmo assim, como um modo de verificar se ele estava bem ou vivo, gritei:
- Ryan, que brincadeira é essa? Para de fazer isso!
- Do que você tá falando? – a voz dele vinha da sala, acompanhada por um barulho que só podia ser comparado ao das armas do GTA.
- Esquece! – gritei de volta. Com medo de levar algum susto, preferi observar o quarto pela minha visão periférica.
Lado leste: Minha escrivaninha com meu abajur, onde minha foto está levitando. Meu armário. Intacto. Graças a Deus!
Norte: Minha janela com vista para o Parque Municipal de Ohio. Cortinas. Também intactas.
Lado Oeste: Um cara alto e super gato, usando camisa polo branca e calça jeans rasgadas nos joelhos. Com o cabelo levemente ondulado e curto, de cor castanha. Olhos... Definitivamente azul turquesa.
Claro que levei um susto! Dei um grito agudo e um pulo da cama. Comecei a andar para trás e esbarrei na foto voadora. Ela caiu e quebrou. Para a minha “alegria”.
- Q-Quem é você?
Ele nada falou. Simplesmente andou pelo quarto e chegou até a minha foto quebrada. Pousou levemente suas mãos brancas sobre ela, restaurando-a em poucos segundos.
- Como? — foi tudo que eu, inteligentemente, consegui dizer.
- Consegue me ver? – ele perguntou surpreso.
- Claro, por que eu não te veria? – ele abriu a boca pra falar, mas acabou fechando. Como num simples bocejo.
- O que você ta fazendo no meu quarto? Como você entrou aqui? Você é amigo do Ryan?
- Ryan? Quem é... – lancei a ele um olhar curioso. – S-Sim. Sou amigo dele sim. Pensei que esse fosse o quarto dele. Desculpe-me.
- Não tem problema. Mas, qual foi o lance da foto? Deve ter mais alguma desculpa na sua coleção, não acha?
- Muitas. – ele riu. Então, pude admirar um conjunto de dentes alinhados e brancos. Alguns um pouquinho tortos, mas davam o charme a mais.
- Você me lembra uma pessoa. Já nos conhecemos antes? Qual é o seu nome? – Ele me perguntou, se aproximando de meu rosto. O que me fez caminhar para trás e acabar me encostando no guarda-roupas.
- Annie. Annie Child. Não acho que nos conhecemos antes.
- Então, prazer! Jerry. Jerry Salvatore. – ele apresentou sua mão. Juntei a minha mão à dele e balançamos por alguns segundos. Rapidamente.
À medida que ele se aproximava de mim, eu conseguia sentir um breve aroma doce.
- Eu... vou embora agora. Desculpe por te assustar.
- Não, não tem problema.
Ele acenou, abriu a porta e saiu do meu quarto.
Mas claro que isso tudo não passou de um sonho. Pois assim que Jerry saiu do quarto eu caí no sono. Acordei do mesmo jeito que eu adormeci. A foto estava no mesmo lugar de antes.
Mas fiquei triste por não ter conhecido um menino tão bonito quanto ele. Bem, o Brad é bonito, mas não se compara a ele.
Fui procurar Ryan para ver se era sonho ou não. Não custava nada.
- Ryan... Seu amigo, o Jerry, veio aqui hoje?
- Quem é Jerry, Annie? – Tá explicado.
- Ninguém. Acho que me confundi.
Voltei para o quarto me lamentando por não ter conhecido Jerry na vida real.
Me lamentando por meus sonhos não se tornarem realidade.
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