Notas iniciais
Então... Eu tinha um plot inicial para esse DeLiPa e uma estória praticamente pronta. Mas aí, AÍ, eu resolvi procurar fanarts de Adventure Time no We Heart It tipo.. ontem. c: Ainda estou me drogando com as fanarts. Tem uma mais fofa que a outra. ♥ Boa leitura, doçuras~

– E então, Marshall – Marceline estourou uma bolha de chiclete com indiferença, gesticulando com a cabeça para o fundo do pátio. – Quando vai falar com ele?

Marshall virou-se minimamente para lançar um olhar rápido para os bancos de madeira, onde Bonnie e Gumball conversavam animadamente.

– A gente se fala todo dia – ele deu de ombros, abocanhando o canudinho de seu refrigerante.

– Não se faz de desentendido comigo não, hein – Marceline fechou o sobrecenho, chutando sua canela de leve. – Além do que, “Bom dia” e “Tchau” não contam.

– Não enche.

– Sabe... Ele não para de olhar para você – ela sorriu maliciosamente. – E a Bonnie disse que ele já superou aquele seu lance com a Fionna.

Marshall arriscou mais uma olhada furtiva. Gumball e Bonnie trocavam folhas de anotações – provavelmente do clube de matemática. Ele parecia frágil e, ao mesmo tempo, radiante sob a luz fraca do sol.

– Acho que você anda vendo coisas – Marshall terminou seu refrigerante e levantou-se da mesa. – Vamos, a próxima aula é com o Sr. Menta e eu preciso copiar a lição da aula passada de alguém.

Eles apanharam as mochilas e se esgueiraram entre os outros colegas para conseguir entrar no prédio 2B. Marceline parou no armário para trocar os livros, obrigando Marshall a perder minutos preciosos.

– Quer que eu peça para a Bonnie te emprestar o caderno? Ela vai te passar um sermão sobre isso ser errado e tudo, mas vai acabar cedendo.

– A Bonnie não é da minha turma, você sabe – Marshall encarou a prima com uma careta, reparando na confusão que era seu armário.

– O Sr. Menta também dá aula para a turma dela, lerdo – ela revirou os olhos, lutando para manter dois livros dentro do armário enquanto desenterrava uma caderno do meio deles.

O sinal tocou estridente, anunciando o fim do intervalo.

– Anda logo se quiser o visto do Sr. Menta – Marceline agarrou seus livros às pressas e fechou o armário de qualquer jeito.

Os dois dispararam pelo corredor lotado em direção à sala de Marshall. Um dos livros de Marceline caiu no chão e, antes que ela pudesse o recuperar, alguém o chutou para longe.

– Foi mal, Marcy – Fionna gritou, enquanto eles continuavam correndo.

Marshall diminuiu a velocidade quando o livro bateu na porta de sua sala. Ele iria se abaixar para apanhá-lo, porém, no segundo seguinte, a porta se abriu e alguém o fez primeiro.

Gumball lhe estendeu o livro com um sorriso encabulado. Suas bochechas assumiram o mesmo tom róseo de seus cabelos pintados e a mão que segurava o livro tremeu.

Mas Marshall Lee não pôde contemplar isso, estava ocupado demais desviando os olhos. Com uma coçada displicente na nuca, ele recebeu o livro e murmurou um agradecimento. A postura de bad boy aparecia como uma barreira invisível sempre que se encontrava próximo demais a Gumball.

– Valeu, priminho – Marceline passou um braço por seus ombros e tomou o livro. Um sorriso divertido erguia o canto de seus lábios como um sinal de ela iria aprontar.

Marshall a encarou com suspeita, mas baixou a guarda quando Bonnie surgiu ao lado deles. A prima o soltou para dar um beijo na bochecha da namorada, que respondeu com um riso tímido.

– Na frente deles não, Marcy – Bonnie sussurrou, escondendo-se atrás dos cabelos rosa.

– Ah, Bonnie, o Marshall precisa de uma lição do Sr. Menta. Você pode passar? – Marceline esboçou um sorriso de canto, indicando o primo com a cabeça.

Bonnie pareceu confusa por alguns segundos, mas captou a mensagem. Seus lábios imitaram os da namorada, enquanto ela se virava para o irmão.

– Ei, Gumball, pode emprestar sua lição para o Lee? Eu deixei minhas folhas de matemática no armário, não dá tempo de pegar – Bonnie deu uma piscadela discreta.

– P-Posso – Gumball gaguejou, corando ainda mais. Seus dedos apertaram a barra do suéter nervosamente. Era demais ter Marshall Lee, o tormento de suas fantasias nada comportadas, parado bem diante dele com sua irmã e a namorada armando para os dois. – Espero que você entenda minha letra, L-Lee.

– Sabe, Lee, copiar não vai adiantar nada – Bonnie fez uma careta de desaprovação, fugindo da cumplicidade de Marceline por alguns instantes. –Você pode receber o visto do Sr. Menta, mas isso não significa que...

– O Marshall não fez porque está com dificuldade na matéria – Marceline a interrompeu. – Ele precisa de uma mãozinha.

Gumball deu espaço para dois garotos entrarem na sala, ficando ainda mais próximo de Marshall.

– Por que você não o ajuda, Gumball? – Bonnie sugeriu, segurando o riso. – Eu até me ofereceria, mas já estou ajudando a Marcy com física.

Marshall lançou um olhar desesperado para a prima. Já estava abrindo a boca para censurá-la quando o segundo sinal soou pelos corredores.

– Vejo vocês no almoço – Bonnie acenou para eles e despediu-se da namorada com um beijo rápido.

– Se não correr, não vai conseguir copiar tudo a tempo, priminho – Marceline lançou uma piscadela para Marshall e girou nos calcanhares para seguir até sua sala.

Marshall praguejou com os dentes cerrados, pensando no discurso indignado que faria na hora do almoço. Porém, sua atenção foi roubada por um Gumball hesitante e gentil que o chamava para entrar na sala.

– Se não entender alguma coisa, é só me perguntar – Gumball lhe entregou duas folhas de fichário e voltou para sua carteira rapidamente.

O Sr. Menta chegou na sala no momento em que Marshall pegava uma lapiseira no estojo. Ele copiou as resoluções apressadamente, mal podendo acreditar que Gumball pensara que ele não entenderia sua caligrafia caprichada. Quando finalmente chegou ao último resultado, a sala rompeu num lamento em conjunto.

– Vocês já têm todos os vistos necessários, pessoal. Então vou descartar esse – o Sr. Menta sorriu apologético.

– Que maravilha – Marshall largou a lapiseira sobre a mesa, bufando irritado.

– Nossa prova é na semana que vem. Então aproveitem essa aula para tirar as dúvidas, sim? – O professor sentou-se e esperou que os alunos levassem suas perguntas.

– Fantástico – Marshall apanhou as folhas de Gumball e levantou-se para devolvê-las.

Gumball Bubblegum se sentava na fileira da janela, metido entre Lump e Melissa – o que não era, nem de longe, o lugar mais sossegado na classe. Apesar das notáveis diferenças entre as duas garotas e Gumball, eles se davam bem. Entre trabalhos em grupo e conversas paralelas, Marshall tinha entendido que elas eram as únicas amigas de Gumball na turma.

Quando Marceline e Bonnie resolveram suas intrigas e se tornaram amigas novamente – e depois namoradas –, Marshall pensou que ele e Gumball ficariam mais próximos. Porém, depois de Fionna ter tentado beijá-lo meses atrás, as coisas só tinham ficado mais estranhas entre eles.

A cara de choro de Gumball era uma das piores lembranças que Lee guardava. Tão azeda e intragável que ele mal podia conter a careta.

– Hm, valeu pela ajuda – ele devolveu as folhas de Gumball com cuidado, fazendo-o desviar os olhos da janela e encará-lo.

– A-Ah, não foi nada – Gumball gesticulou com as mãos de maneira atrapalhada, sorrindo. – Acabou que você nem precisou, não foi?

– Pois é – Marshall enfiou as mãos nos bolsos dos jeans, afastando-se um pouco da carteira.

Uma fila barulhenta tinha se formado à mesa do Sr. Menta. Aqueles que não estavam esperando para tirar as dúvidas, tinham se concentrado em seus cadernos, ou simplesmente estavam aproveitando para mexer no celular.

A consciência de Marshall pesou um pouco. Não havia dúvidas a serem tiradas, porque, afinal de contas, ele não tinha entendido nada da matéria. A voz de Marceline dizendo que ele precisava de ajuda invadiu sua mente e o fez crispar os lábios.

– Lee, tudo bem? – Gumball inclinou-se para ele com a testa franzida.

– Hm, Gumball... Será que você...

Lumps e Melissa tinham parado de tagarelar na carteira à frente, espichando os olhos para os dois sem discrição alguma.

– Nada – Marshall murmurou, balançando a cabeça. – Deixa para lá.

– Se eu posso te ajudar com matemática? – Gumball falou baixinho, olhando para a carteira.

Por um momento, Marshall ficou congelado no lugar, encarando-o surpreso. Não esperava que ele realmente fosse querer ajudá-lo depois de ter sido praticamente forçado pela irmã.

– É... – Lee desviou os olhos, ajeitando a franja preta na frente dos olhos. – Algo assim...

– Hoje depois da escola? – Gumball sugeriu timidamente. – Pode ser na minha casa. A Bonnie e a Marcy vão ao cinema e meus pais vão estar trabalhando, então estaremos sozinhos.

Marshall arregalou os olhos minimamente. Como Gumball, Gumball Bubblegum, podia dizer aquilo com tanta naturalidade?

– Digo, sozinhos para estudar mais à vontade – Gumball ficou mais vermelho do que os all-stars de Lee, ajeitando a armação de seus óculos redondos. – Quer dizer, sozinhos de verdade, entende? Não, não! – Ele abanou as mãos em frente ao rosto, como se tentasse apagar o que tinha acabado de dizer. – Ai, meu Glob.

– Eu entendi, Gumball – Marshall cobriu a boca com o dorso da mão, tentando disfarçar o riso. Bubblegum era realmente uma graça. – Na sua casa então, depois da escola.

Lee voltou para sua carteira com um sorriso leve nos lábios.

– Ai, meu caroço. Você tem um encontro com Marshall Lee?! – Lump e Melissa exclamaram praticamente em uníssono.