Sweetheart
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Notas iniciais
"Cora-san,
Você deve estar se perguntando o porque de eu estar escrevendo esta carta agora, porém devo-lhe dizer que o porquê, nem mesmo eu sei. Tudo o que sei é que, caso eu não escreva isto, estarei falhando em agradecer-te por tudo que fizestes por mim.
Mal comecei a escrever e já percebo que está horrível. Peço perdão e espero que compreenda o meu lado, já que é difícil escrever uma carta estando em um submarino debaixo d'água.
Aliás, posso lhe pedir um favor? Aproveitando que você está no céu, ou pelo menos eu espero que esteja, você poderia mandar um raio cair na cabeça do Penguin, para ele parar de tentar me espionar enquanto eu escrevo esta carta?"
– V-Você já sabia que eu estava aqui, capitão?
– É óbvio que sim! Saia já do meu quarto, e trate de não me espiar nunca mais!
"Perdão, eu precisei interromper a carta para expulsar meu amigo daqui. Aproveitando, eu gostaria que você soubesse que, graças a você, agora eu tenho amigos de verdade. Foi graças a você, Cora-san, que eu pude encontrar as pessoas mais importantes da minha vida.
Graças a você, eu não me afoguei em sentimentos de vingança. Você me deu a oportunidade de ter um futuro, de ter amigos que eu sei que me apoiarão em qualquer atitude que eu tomar. Amigos de verdade, pessoas que eu confio, e que também confiam em mim.
É graças a você que eu pude construir uma família, sair pelos mares, navegar, ter liberdade.
Mesmo que eu e meus companheiros briguemos o tempo todo, ou que eles façam coisas estúpidas que me deixem furioso constantemente, eu sei que posso contar com eles nos momentos mais difíceis.
Eu sei que eles estarão lá para me salvar, quando eu estiver em perigo. Eles estarão juntos comigo para sempre, me ensinando o verdadeiro significado da amizade."
– Awn, o capitão fala coisas tão bonitas!
– Fala baixo, Bart, ele vai te ouvir!
– D-Desculpa...
– Por que você pediu desculpas, Bepo?!
– Porque graças ao Satchi agora o capitão tá olhando pra cá...
– Eh..?
– SAIAM JÁ DO MEU QUARTO! Tsc, que coisa chata.
"Foi mal pela interrupção novamente, mas eu precisei trancar a porta do meu quarto para não ser mais incomodado. Na verdade não é dos meus amigos que eu quero falar, e sim, da pessoa mais importante da minha vida.
Cora-san, você lembra de quando nos conhecemos?
Na primeira vez que eu te vi, nós estávamos na sala principal do navio do Doflamingo. Quando eu te vi, já haviam me falado de você. Me falaram que você era forte, malvado, braço direito do seu irmão mais velho. Me falaram que você era uma pessoa temível e que eu deveria manter distância.
Mas não era bem assim, certo?
Quer dizer, eu lembro exatamente deste dia. Você olhou pra mim, com seus óculos escuros e se levantou da cadeira de Copas, andando em minha direção com passos largos e exuberantes. Naquele momento eu fiquei com medo, pois o seu rosto coberto de maquiagem me intimidava um pouco, porém...
Enquanto você caminhava em direção a mim, você acabou tropeçando. Tropeçou nos seus próprios sapatos, caiu no chão e começou a pegar fogo. Como você conseguia pegar fogo tão facilmente? Acho que eu nunca saberei, mas o importante é que todos riram de você. Todos se divertiam vendo o tão temível Corazón caíndo no chão.
Eu não ri.
Eu não ri, e fiquei com raiva de você.
Fiquei com raiva pois, enquanto eu estava naquela família em busca de vingança, você era só um idiota desajeitado.
Dizem que primeira impressão é a que fica, e a minha primeira impressão de você foi uma catástrofe. Eu te odiei no momento em que te vi pela primeira vez.
Todos os dias eu tentava te matar, te apunhalava pelas costas, jogava bombas em você, dava tiros de fuzil ou bazuca, mas nada. Nada adiantava, você simplesmente era imortal, o que me deixava com mais raiva ainda.
E a minha raiva por você só aumentou quando você me sequestrou.
Você me arrancou da minha nova família. A família que eu havia conseguido quando a minha antiga família fora assassinada na minha frente pelo Governo Mundial.
E tudo só piorou, quando eu soube que você mesmo fazia parte desta corja. Quando eu descobri que você era marinheiro, meu ódio por você só aumentava.
Você fingiu que não era.
Eu fingi que acreditei.
Eu fingi que acreditei, porquê, mesmo te odiando, eu comecei a me apegar a você.
Comecei a me apegar a você porquê, todo santo dia, você me levava a diversos hospitais, tentando curar a minha doença. A doença que me mataria em poucos anos. A doença responsável por eu já ter perdido esperanças de ter um futuro.
Mesmo eu só pensando em destruição, mortes e coisas do gênero, você estava lá para me provar o contrário. E você fazia questão de atear fogo em cada hospital que me negava ajuda.
Naquela época, eu sofri. Eu sofri muito porque você estava me lembrando o sofrimento que eu passei na minha cidade natal. Ver pessoas me tratando como se eu fosse um monstro condenado, tudo isso só me fazia perder ainda mais rápido as esperanças de ter um futuro.
Mas você estava lá para me abraçar.
Você sentiu a dor que eu senti.
Você foi capaz de dar uma segunda chance a um garoto rebelde como eu.
Você me fez acreditar que até mesmo eu poderia ter um futuro.
Você salvou a minha vida.
E por ter salvo a minha vida...
… Você acabou perdendo a sua.
Eu me senti, e ainda me sinto, terrivelmente culpado por tudo que acontecera naquele dia. Não há um dia sequer que eu não lembre das tuas últimas palavras, do teu último sorriso, do teu último suspiro.
Você estava lá, sangrando, deitado na neve.
Você se virou para mim.
Pela última vez, você me olhou nos olhos.
Pela última vez, você me deu um beijo na testa.
Pela última vez, você sorriu para mim.
Pela última vez, você me abraçou.
E, pela última vez, eu pude ouvir da tua boca. Pela última vez, você me disse, com todas as palavras.
"Eu amo você, Law."
Perdão, eu acabei tendo que interromper a carta para enxugar as minhas lágrimas. Não é fácil relembrar tudo isso, sabia? Bom, pelo menos agora eu sei exatamente o motivo de eu ter começado a escrever esta carta.
Eu ainda não te disse. Eu ainda não tive a oportunidade de lhe dizer tudo o que eu sinto, já que eu era só uma criança inocente naquela época. Eu sou horrível para falar de coisas tão pessoais como sentimentos, porém, me sinto na obrigação de dizer.
Mesmo te odiando no começo, você me deu uma chance.
Você me deu uma chance e buscou pela minha felicidade.
Você buscou pela minha felicidade, e graças a você, eu pude ter um futuro.
Graças a esse futuro, eu pude encontrar os meus amigos e formar a minha vida.
E a minha vida...
… Pertence a você.
O motivo de eu ter começado a escrever esta carta, mesmo sabendo que você nunca irá ler, foi somente por isto. Será que algum dia eu irei poder te ver novamente, para poder olhar nos seus olhos e falar...
Que o único motivo de eu ter vivido por tanto tempo...
Foi justamente pra poder te amar por cada segundo da minha vida?"
– Capitão? Ei, capitão! Acorda!
– Ahn..?
– Aah, ele acordou!
– Penguin, Satchi..? O que vocês estão fazendo aqui?
– Você acabou dormindo enquanto escrevia a carta, então nós viemos te acordar! Certo, Satchi?
– É, Penguin! E também porque percebemos que você estava chorando muito, então nós decidimos te ajudar a terminá-la.
– Vocês vão me ajudar? Não precisa, sério, além do mais ele nunca vai ver isso mesmo...
– É claro que vai! E já que o Cora-san é uma pessoa importante pro capitão, ele também é uma pessoa importante pra nós. E o Bepo também disse que vai querer assinar a carta.
"Cora-san, nós decidimos ajudar o Law a terminar de escrever a carta. Bom, nós não chegamos a nos conhecer pessoalmente, mas sempre que ele fala de você ele abre um sorriso no rosto. Nós temos certeza que você é uma pessoa muito importante pro nosso capitão, então isso significa que nós também precisamos te agradecer.
Obrigado por ter salvo a vida do Law, pois foi graças a ele que agora nós somos uma família. Se nós tivéssemos nos conhecido mais cedo, nós teríamos com certeza ajudado vocês dois a ficarem juntos pra sempre, embora nós saibamos que você sempre estará conosco.
Assinado, Heart Pirates."
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