Notas iniciais
Oie! Espero que gostem!

Nunca fiquei tão animada pra ir pra escola. Só de imaginar que eu veria Daniel de novo já faz com que meu coração comece a palpitar mais rápido. Eu tenho certeza que estou com um sorriso ridículo no rosto desde ontem a noite, mas pouco importa. Eu estou feliz, saber disso basta.

Desço as escadas e logo dou de cara com meu pai, que pelo jeito já tomou café e está indo trabalhar.

– Até mais, querida. – ele passa por mim voando e em poucos segundos já passou a porta de entrada.

Sigo em direção à cozinha, onde minha mãe ainda está sentada na mesa, me esperando.

– Bom dia, mãe! – Exclamei me sentando à sua frente.

Ela pareceu notar minha alegria visível, pois sorriu e me lançou um olhar indagador.

– O que aconteceu para a senhorita estar assim tão feliz, Catherine? – Sorri envergonhada e desviei meus olhos para a xícara na minha frente. – Não acredito! Você conheceu um menino!

Vi sua expressão animada e me obriguei a rir. Contei cada detalhe do dia de ontem pra ela, que só me interrompeu poucas vezes, só pra perguntar detalhes que eu deixava passar.

– Mas ele é bonito? – Minha mãe sorriu sugestivamente, e eu soltei um riso envergonhado.

– Mãe! – Senti minhas bochechas vermelhas, e ela começou a rir da minha cara.

– Brincadeira meu amor!

Ficamos conversando por um tempo, até Emma aparecer na cozinha. Incrível a intimidade da menina, nem precisa bater, já vai entrando!

– Educação mandou lembranças, Em. – Falei e ela riu, sentando-se na minha frente.

– Diz pra ela que qualquer dia eu faço uma visita. – Ela deu de ombros e pegou uma maçã.

Acabei rindo da cara de pau dela, sendo acompanhada pela minha mãe. Emma fez uma cara indignada.

– Até a senhora, tia? É um complô dos Hale contra mim! – Emma tentou manter a cara séria, mas logo estava rindo também.

Saímos de casa e ficamos conversando amenidades, até chegarmos na escola. Assim que entramos, corri meus olhos pelo corredor, tentando achar o Daniel, mas ele não estava em lugar algum. Tentando manter o sentimento de decepção dentro de mim, peguei meus livros no armário e já saí em direção à sala. Hoje era um dos piores dias da semana, pois nenhuma das minhas aulas era junto com a Emma. Só a veria de novo na hora do almoço.

As aulas passaram como um borrão. Nada de interessante foi declarado, já que a maior parte era revisão. Quando fui até o refeitório, já vi Emma sentada na nossa mesa de sempre. Seu olhar estava vidrado no tampo da mesa.

– O que aconteceu, Em? – Perguntei me sentando ao lado dela, que nem sequer percebeu. – Emma? – Nada. – EMMA!

– O QUE? – Ela gritou, dando um pulo na cadeira e colocando uma mão no peito. – Quer me matar do coração, criatura? Nunca mais faz isso!

Abri um refrigerante e peguei um dos salgadinhos dela.

– Você tava aí, toda séria. Quis chamar sua atenção. E consegui. – Coloquei o salgadinho na boca e fui pegar outro, mas Emma me deu um tapa na mão. – Ai!

– Pode parar, mão-leve! – Fiz biquinho e ela riu. – Nem vem, colega!

– Chata. – Emma sorriu debochada, mas logo estava rindo também. – Por que você tava tão séria quando eu cheguei?

Emma se mexeu desconfortavelmente e vi seus olhos correrem até a mesa dos populares. Corri os olhos pela mesa, e ouvi o suspiro de Emma. Voltei meu olhar pra ela.

– Briguei com Margaret Bones hoje.

Arqueei as sobrancelhas pra ela. Emma nunca foi de brigar com as pessoas. Exceto o Davis, mas ele é um caso à parte. Seus olhos ainda estavam fixos naquela mesa, então a olhei de novo, talvez o motivo esteja lá.

– Oh, não. – Sussurrei. Meus olhos localizaram Margaret na mesa. Ela estava pendurada no pescoço de Davis, e lhe dava beijinhos pelo rosto de três em três segundos. – Foi por causa do Davis, Em?

Ela suspirou de novo e desviou os olhos do casalzinho, finalmente olhando pra mim. Pude ver a raiva e a decepção reprimidas dentro de seus olhos.

– Ela quem começou. Ah, Cath! Ela resolveu falar do meu pai! – Em fechou os olhos. Provavelmente querendo sumir com as lembranças que invadiam sua cabeça toda vez que falava do pai. – Eu sei que não devia deixar que isso me abalasse, mas o que ela falou, Cath... Isso dói, e muito.

O pai da Emma, Markus, era viciado em bebidas e em jogo. Ele tinha um vida normal, mas quando ele foi assassinado por agiotas ano passado, toda a cidade descobriu como ele era. Emma e Andrew enfrentaram a maior barra, pois todos faziam com que se sentissem desconfortáveis com isso. Andrew aguentou tudo muito bem, mas a Emma... Até hoje ela se sente mal por isso, porque nem mesmo ela sabia a verdade sobre o pai. Eu fiquei todo aquele período ao lado dela, e sei o quanto isso a afeta.

– O que ela disse, Em? – Coloquei minha mão sobre a dela, e ela sorriu agradecida pra mim.

– O de sempre, Cath. Que eu, como filha de um viciado, devo ser igual a ele, que não merecia conviver com pessoas de bem... Mas não é por isso que eu tô assim.

– O que é, então? – Perguntei e Emma olhou de novo praquele lado do refeitório.

– O Davis. – Ela abaixou a cabeça e apertou os olhos com força. – Eu não acho que ele tenha ouvido o que a Margaret disse, mas mesmo assim, ele me conhece! Sabe que eu não fico irritada por pouca coisa! – Ela bateu na mesa e me encarou. Vi seus olhos marejarem. – Sabe o que ele disse quando eu falei que ele não tinha o direito de reclamar comigo sem saber quem tinha começado? Que eu sou quem vive arranjando encrenca e que vive irritada! Ele sabe que é o único com quem eu brigo! Como ele pôde, Cath?

Vi uma lágrima escorrer pelo seu rosto, que ela limpou com violência.

– A que ponto eu cheguei. – Ela soltou um riso leve e contido. – Chorando por aquele idiota!

Sorri compreensiva, e apertei sua mão. Há tempos venho percebendo que os sentimentos da Em pelo Davis têm mudado. Antes, ela nem se importaria se ele defendesse o “brinquedinho” atual dele. Mas agora...

– Em... Você sabe que pode me contar tudo, não é? – Eu perguntei devagar e Emma franziu o cenho, assentindo. – Você tem andado estranha. Você... Por acaso, não tá gostando do Davis?

Emma ergueu as sobrancelhas, surpresa, e logo depois soltou um riso incrédulo.

– Eu? Gostando do Davis? Claro que não! De onde tirou isso? – Ela riu alto, mas eu vi a dúvida no seu rosto. Nem ela sabe o que está sentindo.

Terminamos nosso almoço, mas não toquei mais no assunto. Emma me pareceu um pouco melhor depois de conversarmos, então deixei a história de lado.

***

Quando as aulas acabaram, fui em direção do estacionamento, pois Emma havia me dito que me esperaria lá.

Cheguei ao estacionamento, e logo notei uma aglomeração de alunos. Fui em direção do local, e logo pude ouvir a voz enjoada da Margaret.

– A culpa não é minha se seu pai era um viciado. Isso mesmo: V-I-C-I-A-D-O! – Ao escutar isso, corri e empurrei todos da minha frente, chegando ao foco da atenção.

Margaret e Emma se encaravam, e Em estava vermelha e com uma expressão assassina em direção à outra, que ostentava um sorriso vitorioso.

– Cale a boca, sua vadia mal-amada! – Vi Emma avançar em direção de Margaret, que riu alto.

– Eu só disse a verdade, Hollis. Seu pai não prestava. E você é igual a ele. – Escutei o veneno por trás da voz doce. Me segurei pra não avançar eu mesma em cima dela.

Quando dei um passo em direção à Emma para tirá-la dali, ela pulou em Margaret, a derrubando, e distribuiu tapas por seu rosto. Não só eu, mas todos ficaram paralisados. Fiquei encarando a cena, sem saber o que fazer, enquanto via Emma bater cada vez mais na loira, que gritava por ajuda. O rosto de Emma estava banhado em lágrimas, provavelmente de raiva. Só despertei do transe quando senti mãos fortes me empurrarem e irem em direção das duas. Davis puxou Emma de cima da outra garota e a virou para ele, fazendo com que ela o encarasse.

– Se acalma, por favor. Já passou. – Ele sussurrou, olhando nos olhos de Emma, que pareceu perdida por um instante, ainda respirando ofegante e com o rosto vermelho. – Calma. Ninguém vai incomodar você.

Observei estupefata, enquanto Emma se acalmava gradativamente. Quando sua respiração se estabilizou, Davis passou os braços à sua volta, lhe grudando ao seu peito. Olhei pra ele, que mantinha os olhos perdidos. Quando seu olhar cruzou com o meu, resolvi aproveitar a oportunidade.

– Como fez isso? — Sussurrei, de modo que apenas ele me ouvisse.

– Não sei. – Ele apenas moveu os lábios, e eu vi as amigas de Margaret a ajudarem, levando a loira pra longe de nós.

Logo o círculo se dispersou, restando apenas eu, Emma, Davis e Daniel, que só agora vi que estava ali. Ele olhou em minha direção e sorriu, vindo até mim.

– Oi, Cath. – Ele falou e me deu um beijo na bochecha.

Sorri sem graça, e voltei a olhar para os dois à minha frente. Davis agora sussurrava no ouvido de Emma, e acariciava seus cabelos. Ele percebeu que eu o observava e ergueu o rosto, me encarando.

– Vou levá-la pra casa. Acho que ela não está em condições de ir a pé.

– Cuida dela pra mim, tá? — Ele sorriu de leve e a levou até seu carro, só a soltando quando ela já estava sentada no banco. Voltei a prestar atenção em Daniel.

– O que houve com ela? – Dan perguntou, sério, e apontou em direção de onde o carro de Davis estava.

– Problemas de família, deixa pra lá. – Falei e virei meu rosto para o outro lado do estacionamento, tentando evitar encará-lo. O lugar já está completamente vazio.

– Não te achei o dia todo. Quero falar com você. – Ele colocou uma mão no meu queixo, me fazendo encará-lo.

– O-o que? – Gaguejei. Não acredito que fiz isso! Que coisa ridícula.

Daniel se aproximou mais, encostando nossas testas. Ele fechou os olhos e respirou fundo. Continuei de olhos abertos, cuidando de cada movimento seu. Ele reabriu os olhos, e fixou-os nos meus.

– Eu sei que vai parecer precipitado. – sua voz não passa de um sussurro, e eu prendo minha respiração. – Mas eu sei que estou apaixonado por você. E não me importa se eu estiver atropelando as coisas! Eu gosto de você, Catherine. E quero que você seja minha namorada. Você quer, Cath? Quer ser minha namorada?

Eu soltei o ar que estava prendendo e comecei a ponderar. Ele tem razão em dizer que está atropelando as coisas. Nos conhecemos a dois dias, caramba! Mas mesmo assim, sinto que isso é o certo. É isso que eu quero, mesmo que seja precipitado. Olhei novamente pros olhos de Daniel, e vi a expressão apreensiva dele.

– Olha, se você não quiser, não importa tá? Eu vou entender. Se... – Eu coloquei meu dedo sobre seus lábios, fazendo com que ele se calasse.

– Eu quero, Dan. Eu quero ser sua namorada. – Um sorriso radiante surgiu nos lábios dele, e eu o acompanhei.

Soltei um gritinho ao sentir os braços de Daniel me circularem e meus pés saírem do chão, enquanto Dan me girava no ar e ria alto, me fazendo rir junto. Ele me baixou de novo e me beijou intensamente.

E eu soube naquele momento, que eu poderia passar o resto da vida ali, beijando-o, e eu tenho certeza de que seria uma eternidade feliz.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Pra quem ficou curioso, esse é o Davis: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/03/f1/bd/03f1bd12994eea438b5e024a9b9c4ea0.jpg Bjoo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.