Notas iniciais
Espero mesmo que vocês gostem! ♥

― Em, acorda! ― Entreabriu os olhos, fechando-os logo depois por conta da luz forte que entrava pela janela. ― Em?

― Humm... ― Gemeu, enterrando a cabeça no travesseiro. Podia sentir seu corpo despertar mesmo contra sua própria vontade. ― Fala.

― Só se você me olhar. ― A voz cálida não lhe dava opção. Virou-se de costas na cama, sorrindo inconscientemente. Quando passou a enxergar o quarto, sua respiração falhou por alguns segundos.

Sempre se surpreendia com o amor visível nos olhos de Tom. Os cabelos castanhos claros bagunçados, como sempre, os lábios finos esticados por todo o rosto, como se estivessem prestes a rasgá-lo... tudo nele era perfeito demais. E, ainda por cima, era completamente dela.

O marido explodiu em gargalhadas antes mesmo de pensar em se conter.

― Você está parecendo uma boba, me olhando assim. ― Comentou, enquanto buscava ar.

Emma sorriu de novo, porque estava incondicionalmente feliz, e, bem, é isso que pessoas incondicionalmente felizes fazem.

― Fico assim quando estou perto de certo alguém... Mas vamos lá: por que me acordou?

― Queria te ver irritada. Pelo visto, não deu certo. ― Sua face imediatamente fechou-se em uma carranca raivosa. O homem riu novamente. ― Hoje é o dia do sorvete!

Ela franziu o cenho.

― E daí?

Tom fingiu uma expressão reprovadora.

― “E daí?” A Irlanda, nossa quase vizinha, está no nono lugar no ranking mundial dos maiores consumidores de sorvete! Diante de tal injustiça, decidi eu mesmo quebrar esse recorde. ― Ele cruzou os braços, falsamente indignado. ― Então, pensei: qual o problema em pedir uma pequena ajuda à minha adorável esposa? ― Concluiu, arqueando a sobrancelha.

Em entrou no jogo, mostrando-se estupefata:

― Acredita mesmo que pode me vencer?

― É óbvio. ― O outro bufou, debochando da mulher, que pulou da cama instantaneamente, gritando:

― É o que veremos! ― E desceu as escadas em passos apressados.

Facilmente foi alcançada pelo esposo, que a puxou para si pela cintura. Então, encostou-a no corrimão da escada, curvando seu rosto até que estivessem da mesma altura.

― Primeiro ponto: maridão. ― E aproximou-se perigosamente dos lábios carnudos da sua mulher, mas foi rapidamente interrompido por ela, que o afastou e continuou a correr, gargalhando.

― Não tão fácil assim, Tom!

― Certo, certo. ― O homem falou, mostrando as mãos em sinal de paz. ― Faremos um jogo, então. Ganho nossa disputa se listar dez coisas realmente boas sobre o sorvete. Você julgará se são benéficas ou não. Ganho um beijo a cada ponto, ok?

― Me parece interessante. ― Hermione constatou, parecendo surpresa por as crianças ainda não terem acordado com toda a algazarra. Normalmente, os gêmeos eram bem atentos para esse tipo de coisa.

― Benefício número 1: você fica muito gata toda lambuzada de cobertura de framboesa. Lembra-se da nossa lua de mel...?

― Oh, Deus. ― A mulher riu, corando muito. ― Continue.

― O sorvete de creme que está na geladeira tem a mesma cor dos cabelos dos nossos filhos. ― Tom anunciou, todo pomposo.

― A Agatha não! Ela tem os meus cabelos! Cas-ta-nhos! Porém, eu considerarei mesmo assim, em respeito a eles.

― Ótimo. Terceiro: o melhor beijo do mundo tem gosto de sorvete de creme. Admito.

― Finalmente! ― A esposa comemorou. Tom sempre havia negado que o primeiro beijo dos dois, por sinal, incentivado por ela, tinha sido bom. Orgulho bobo. ― Com certeza! Cinco pontos!

― Isso quer dizer que eu tenho sete? ― Vibrou. Deitou-se, então, ao lado da mulher no gramado do jardim. Ao lado dela, estava a cesta de piquenique que ele mesmo havia preparado, com três modelos do doce citado e quatro picolés.

― Acho que sim... ― A voz de Emma saiu abafada, visto que havia apoiado a cabeça no peito do marido.

― Quer saber de uma coisa? Chega de perguntas por hoje. Agora, desejo somente os meus prêmios.

― Foda-se, Malfoy. ― A esposa tocou-lhe a face, premiando-o com sete longos beijos.

― Caramba, Granger! Eu não falei? Você é tão doce quanto sorvete.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!