Sweet dreams
1 Capítulo 1: One shot
Notas iniciais
Estava caindo uma nevasca naquela noite em Nova York. Todas as ruas estavam intrafegáveis. Eu havia feito vários planos para quando chegar em casa, como terminar de desmontar o quarto do meu bebê, mas no final da noite eu havia ficado preso no escritório e não tinha sido nada mal.
Jane havia feito chocolate quente para todos, e no final todos estávamos em colchões improvisados e enrolados compartilhando o chocolate e o momento. Conversamos, rimos e eu me peguei sorrindo por ver novamente aquele time como uma família como era antes, e por ver Jane tão bem conosco.
Conversamos até cansar.
Patterson foi a primeira a se ausentar, indo dormir na sua sala. Reade foi para outra sala e ficamos eu, Tasha e Jane. Tasha disse que estava cansada e disse que ia dormir. Ela e Tasha compartilhavam um colchão de casal. Eu estava logo ao lado em um colchão um pouco menor.
Jane ainda estava sentada e eu estava a frente dela. Ela deitou-se, mas disse que ainda não ia dormir e eu me deitei. Ficamos conversando baixinho para que Tasha não acordasse. Contei sobre minhas travessuras no colégio militar, e ela escutou rindo atentamente, mas logo estava bocejando. Eu dei boa noite a ela e logo ela estava dormindo. Eu porém ainda estava ali, acordado. Fechei meus olhos e seu sorriso ainda estava em meu pensamento. Ela sempre esteve neles, afinal. Eu me permiti pensar mais nisso nos últimos dias, estando tão próximo dela. Pensei no quão bom seria se eu pudesse contar essa história a ela todas as noites antes de dormirmos, antes dela dormir em meus braços. Talvez até pudesse contar essa história aos nossos filhos, eu pensei, e me permiti sorrir, mas logo meu subconsciente veio me dizer que aquela não era a realidade.
A única criança minha, a quem eu poderia contar histórias não estava mais perto de mim, e eu não tinha qualquer pretensão de compartilhar mais uma cama numa noite fria com a mãe dessa criança. Tentei me confortar pensando em Sawyer, mas ele já estava crescendo e em pouco tempo ele não ia mais querer me escutar.
Meus pensamentos foram interrompidos quando olhei pra Jane. Ela estava dormindo serenamente, mas logo franziu sua testa.
— Não. — Ela disse baixinho.
Ela claramente estava tendo um sonho. Fiquei preocupado em ser qualquer um de seus pesadelos, mas logo ela continuou.
— Você não pode mexer nas coisas do seu pai e nas minhas coisas sem a nossa permissão, e nem sequer algemar sua irmã.
Prestei atenção atentamente ao seu sonho e ela se calou, mas logo seu rosto suavizou e ela continuou.
— Brincadeira de criança. Ele tava algemando ela. — Ela disse com mais humor. Deixando-se sorrir.
Eu acabei sorrindo junto, tentando imaginar o tipo de sonho que ela estava tendo.
— Vamos logo comer. Tem uma criança de 7 meses na minha barriga que não cansa de me chutar, e duas crianças de 4 anos pra deixar na escola.
— Eu estou bem. — Ela disse logo depois. — Você quer sentir ela chutar?
Aparentemente ela estava sonhando com uma família. Duas crianças e ela estava grávida.
— Vocês já decidiram o nome que vão dar para a irmã de vocês? — Ela disse me tirando de meus pensamentos que consistiam no sonho dela.
— Laura é um bom nome. Ela vai amar. — Ela disse e voltou a sorrir, agarrando ainda mais forte o lençol que ela estava enrolada.
O silêncio a tomou. Será que o sonho tinha acabado? Eu só queria escutar mais dela. Mais desse sonho. Saber o que ela queria do futuro dela, porque assim eu poderia tentar dar a ela esse futuro e me fazer merecedor de estar nele.
— Vamos, crianças. — Ela disse continuando.
Virei-me para continuar prestando atenção na sua história.
— Papai e Mamãe vão deixar vocês na escola agora. — Ela disse.
— Suas panquecas de doce de leite estavam ainda melhores do que desejei. — Ela sussurrou ainda mais baixo. — Eu tenho sorte de ter casado com o meu melhor amigo, que também é o melhor cozinheiro que eu conheço. — Ela disse por fim.
Sorri em imaginar tudo. Sorri em saber que ela tinha esses sonhos, mesmo com todos esses pesadelos de Sandstorm acontecendo na vida real. Ela se permitia viver e amar nos sonhos dela, assim como eu sonhava que ela se permitisse em meus sonhos.
— Nikki Weller, Lucca Weller, nós amamos vocês. — Ela disse depois de um tempo e sorriu, mexendo-se no colchão. — E eu também te amo, Kurt Weller. — Ela disse serenamente.
Meu coração quase saiu pela boca. Ela estava sonhando com uma vida normal. Com filhos, casa, comida, gravidez… e tudo isso sendo compartilhado comigo. Sorri involuntariamente e ao olhar pra ela, que dormia tão pacificamente, ela também sorria. Fazia um tempo que eu não dormia tão bem como naquela noite, apesar de dormir em um lugar improvisado.
Acordei com Tasha colocando uma luz na minha cara.
— Acorda, chefe. — Ela disse em deboche. — Seus funcionários vão vir pra cá em breve.
Levantei e fui me arrumar. Todos ainda estavam calados e quietos em seu canto, com exceção de Tasha como sempre. Eu tomei banho e fui me arrumar para um novo dia. O sonho de Jane havia me despertado o desejo de comer panqueca de doce de leite e fui pra uma de nossas cozinhas do FBI fazer.
Todos chegaram para comer e lá estava também Jane. Ela parecia bem humorada.
Fiz panqueca pra todos, e ao me aproximar para servir ao time, escutei ela conversando rapidamente com Patterson.
— Você está bem humorada. Dormiu bem?
— Sim. — Ela disse sorrindo. — Eu tive um bom sonho.
Meu coração se iluminou, mas eu as interrompi para servir a eles. Jane me olhou com um sorriso que nos iluminou ainda mais.
— Panqueca de? — Ela perguntou olhando pra mim.
— Doce de leite. — Eu respondi com um sorriso.
Ela pegou o prato e agradeceu, até que me sentei na frente dela. Ela provou lentamente e eu fiquei observando sua reação até que ela olhou pra todo time e depois pra mim.
— Eu tenho sorte de ter o melhor amigo que melhor cozinha nessa FBI. — Ela disse olhando pra mim e sorrindo.
Eu sorri e meu coração bateu mais forte. Pelo menos um dos desejos do sonho dela eu havia realizado, e eu não via a hora de poder fazer de tudo para realizar os demais, incluindo os filhos. Poder mostrar a ela que a realidade podia ser maior e melhor que o sonho. Maior e melhor que todos os nossos sonhos.
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