Sweet battle

8 I miss you


Notas iniciais
Oláaa! :) Depois de um quase beijo acho que o coraçãozinho da Betah ficou até mais acelerado. Beijo, beijo

— Você beijou ele? — Kammy falou extasiada se aproximando mais de onde eu estava sentada. Eu já tinha contado pra ela tudo que tinha acontecido antes.

— Quase. E ele ia me beijar. — sorri abobalhada. — Mas aí, alguém chegou.

— Desculpa. — ela se sentou, cruzando as pernas. — Meu sensor de tensão sexual tá quebrado. — botei a língua pra ela, que retribuiu.

— Mas o que você quer? — perguntei soltando os papéis que analisava em cima da mesa. — Não deve ter vindo aqui só pra me visitar.

— Eu vim aqui te chamar pra pegar uns lobisomens comigo. — suspirou cansada.

— Vamos então. — me levantei apressada colocando a jaqueta.

— Otto vai junto. — ela disse com cuidado.

— Você já falou com ele? — tentei não dar muita importância, porque no fundo no fundo eu não estava braba com ele. Ela assentiu com a cabeça. — E?

— Ele disse que todo mundo tava ocupado e ele só mandou alguns que queriam ir. Se eles não tinham o treinamento necessário, é culpa do treinamento que eles fizeram. A culpa não é dele.

— Eu sei, mas mandar tanta gente assim? Sem a minha aprovação? Nem a do meu pai! E nem a sua! — falei indignada. — Eu sou a capitã disso tudo. Só sai lá de dentro armado, quem eu deixo.

— Menos, Betah. Ele é co-capitão. Assim como eu, tem certo poder em decidir se alguém sai de lá ou não. Você não manda naquilo sozinha. — ela falou como se estivesse me repreendendo.

— Eu sei, Kammyile. — falei com um tom de voz cansado. — Só vamos logo pegar esses lobisomens antes que a gente brigue. — saí andando na frente recolhendo meu celular, as chaves do carro e umas facas. Kammy vinha logo atrás, e ela já estava com a roupa de caça inclusive as armas.

Seguimos pelo corredor e logo pegamos o elevador descendo para a garagem, o carro de Otto e o dela estavam lá ao lado do meu. E Otto estava encostado no dele.

— Oi. — ele disse sorrindo fraco.

— Oi. — sorri. — Desculpa, viu? — me aproximei dele e o abracei. — Não queria berrar com você nem nada, só... achei impulsivo da sua parte.

— Tudo bem. — ele retribuiu o abraço. — Foi um pouco impulsivo mesmo.

— Ainda bem que sabe. — saí do meio dos seus braços e jurei ver uma cara de "fique um pouco mais" nele. — Agora vamos antes que mais alguém morra. — entramos cada um em seu carro. Eu segui na frente e nós falávamos pela escuta.

— São muitos? — perguntei, concentrada nas ruas.

— Aproximadamente oito. — Otto respondeu.

— E não chamaram mais ninguém? Não disseram á ninguém? — perguntei preocupada, afinal nunca se sabia se sairíamos vivos dali.

— Avisei meu pai. — Kammy respondeu.

— E eu á minha mãe. — Otto respondeu também.

— Ótimo. — disse mais aliviada. Meu celular começou a tocar, um número desconhecido, já tinha certa ideia de quem seria. Eu ia atender mas um grito de Kammy interrompeu.

— Quer morrer, Betah? — ela dizia em um tom repreendedor. — Não atende essa bosta. Tem bastante tempo depois.

— Desculpa. — recusei a chamada e segui o trajeto, vendo logo o prédio em que eles estavam. Parei meu carro um pouco longe, Kammy e Otto fizeram o mesmo.

— Qual o plano? — Otto perguntou, pegando suas armas do porta-malas do carro. — Entrar na cara e coragem ou uma coisa mais silenciosa?

— Qual você acha melhor? — Kammy perguntou pra mim.

— Um por cada lado. — apontei pra casa. — Daqui dá pra ver que tem duas portas. Eu entro pela da frente e vocês dois pela de trás, aonde eles devem estar.

— Sozinha? Acho perigoso. — Kammy disse em um tom preocupado.

— Sei me virar, Kammy. — peguei uma lança enorme e a coloquei em minhas costas, segurando em minhas mãos uma arma com balas de prata e facas enormes na cintura. — Agora vão. Entramos na mesma hora. — os dois seguiram apreensivos para trás da casa e eu segui pela frente. E meu telefone tocava irritantemente, recusei mais uma vez. Agora não dava.

Abri a porta da casa que estava totalmente aberta e com marcas de sangue e patas. Comecei a pisar no assoalho, e minha bota fazia o menor barulho possível. Havia grandes poças de sangue no caminho em que eu segui. Revisei uma sala que antigamente costumava ser a cozinha, e outra que deveria ser uma espécie de banheiro. Nada. Segui pelo andar de cima, chegando as partes dos quartos. Ouvi o barulho de algo se chocar contra a parede lá embaixo, mas continuei meu caminho. Os dois sabiam se virar.

— Oh meu deus. — murmurei pra mim mesma com nojo, havia uma cabeça humana jogada ali no meio. Os olhos estáticos e sem vida olhando pra cima, e o sangue pela parte do pescoço que deveria ter sido arrancado. E também as moscas que circundavam a cabeça, que tinha um cheiro horrível.

— O que foi? — Otto perguntou preocupado na escuta.

— Nada. — tirei a atenção da cabeça e segui reto pulando ela. — Só uma cabeça humana. — ouvi seu gemido de nojo. — E vocês? Já encontraram algum?

— Eu nenhum. Eles parecem estar atrás da Kammy, que já matou uns dois. — ouvi a risada sádica dela perto dele.

— Não achei nenhum também. — ouvi barulhos vindo de dentro de um quarto. — Otto?! — Sim? — ele respondeu.

— Hoje é lua cheia? — perguntei na dúvida.

— Sim. — falou como se não fosse nada.

— PORRA, DE QUEM FOI A IDEIA DESSA MERDA? — me liguei que talvez não estivesse sozinha e diminui o tom de voz.

— Um conselheiro. Mataram sua filha.

— Ah, e desde quando trabalhamos pra eles? Estamos nos expondo muito.

— Calma. Só vamos matar alguns e sair daqui direto pra um banho. — ele disse divertido.

— Coisa pouca. — disse irônica. — Enfrentar eles no seu território na lua cheia, de noite. Sozinhos. — Kammy ligou o microfone dela.

— Para de ser cagona, Betah.

Bufei.

— Então subam aqui porque eu acho que encontrei eles — ouvi mais barulhos vindos de trás da porta, como se algo fosse quebrado e também ouvi os passos deles nas escadas.

— Aqui estamos. — Otto disse sorridente.

— Ali. — apontei e seguimos, Kammy como sempre queria arrombar a porta.

— Ela adora arrombar coisas. — Otto disse malicioso. — Acho que é o sangue nigga dela. — ela o mostrou o dedo do meio e deu um chute na porta. Achamos lá dentro os seis que faltavam. E como sempre a visão desagradável de corpos jogados pelo quarto todo, apodrecendo aos poucos.

— Quanto tempo. — Kammyile disse irônica invadindo o quarto.

— Oh, queridos. — um homem surgiu de dentro do que antes deveria ser um banheiro. — Vieram se juntar á festa?

— Acabar com ela. — Otto disse em um tom que não tinha usado antes, irritado e sério.

— Isto eu não posso permitir. — o homem falava com um tom irônico. — Afinal meus filhos não estão com música alta. E também não temos nenhum vizinho. Vivo. — senti nojo ao ouvir aquele homem que deveria ser o alfa, pois estava em forma humana na lua cheia enquanto os outros estavam na forma de lobos.

— Estamos desinfetando o bairro. — Kammy disse apontando a arma para ele.

— Está insinuando que sou uma praga, docinho? — o olhar cheio de fúria e raiva de Kammy se manteu nele.

— Docinho eu vou ser quando enfiar uma bala na sua cabeça. — ela deu um sorriso sádico.

— Opa! — ele ergueu as mãos como se estivesse se rendendo. — Para que partir para as ofensas? Estou sendo tão gentil em recebê-los aqui. — seu olhar saiu de Kammy e passou para mim. — Oh.... — falou em um tom surpreso. — Você é a cara da sua mãe.

— Conheceu minha mãe? — perguntei assustada.

— Digamos que a conheci um pouco tarde demais. — um sorriso brotou nos seus lábios. — A única diferença entre vocês é a expressão de dor e sofrimento. E claro as tripas a mais.

— Então você é o filho da mãe que ousou tocar na minha mãe? — por fora parecia dura e cheia de ironias, mas por dentro senti como se todo meu sangue congelasse e meu coração por um momento parasse. Aquele era o maldito que arrancou tudo que tinha dentro da minha mãe. Ele tirou a mãe de uma pobre garotinha. Tirou a mulher de um homem que jurava ser feliz. Ele não merecia nada mais do que sofrer feito um cachorro, afinal o que ele era.

— Sim. Sou eu. Xavier. — ele falava aquilo com uma grande felicidade. — O famoso lobisomem que matou a mulher de Mathias Wabler e a mãe de Betah Wabler. — sorriu.

— Eu vou tirar as suas tripas uma por uma com você ainda vivo. — a minha arma estava apontada para ele, assim como as de Otto e Kammy que se mantinham calados desde que ele me mencionou. E também os outros lobos que nos olhavam um pouco assustados mas com um olhar de fome.

— Oh. — gemeu como se aquilo o incomodasse. — Não gosto da ideia. Mas me diga, como vai seu pai? Desde que o encontrei massacrando minha irmã não o vi mais. Se não o conhecesse bem, diria que ele está me evitando. — aquele tom irônico já estava me incomodando demais.

— Meu pai está ótimo. Obrigado. Mas não vim aqui para falar dele. Vim aqui para matar alguns cachorros imundos. — sorri irônica e apertei o gatilho da arma, mudando rápido a direção dela e acabando com a raça de dois dos lobisomens que estavam feito panacas parados.

— Já vão tarde. — Xavier disse de novo em tom de ironia. — Eram dois inúteis. — ele se aproximou mais de nós. — Antes que me matem e me estilhassem quero avisá-los que nem todos são como eu. Nem todos querem acabar com a dor profunda que é não ter controle de você mesmo. — senti uma pontada de tristeza nele. — E os que não querem estão se juntando e estas meras armas e seus corpos humanos e frágeis serão pouco para acabar com eles. — dessa vez ele não mostrou nenhum sorriso. — E eu sinceramente tenho pena de vocês.

— Não precisamos da sua pena. — apontei a arma na direção dele. — Precisamos ver seu sangue. — e atirei, vendo a arma cruzar seu peito. Ele caiu estático no chão. Sem vida nenhuma. Dos outros que restavam ali ainda, Kammy e Otto cuidaram. Me sentia tonta como se aquilo relembrasse tudo que eu sofri ao ser uma garota de 14 anos sem uma mãe, tendo que treinar feito um animal para não passar tanto tempo em casa com um pai que parecia ter perdido o coração.

Sai de lá com o apoio de Otto que mantinha suas mãos entorno de mim, me segurando caso eu desmaiasse. Ele chamou alguém para pegar o meu carro, e me levou no dele. Segui quieta durante todo o caminho olhando o escuro céu cheio de estrelas, que me lembravam minha mãe. Acho que hoje é o dia entre muitos em que eu lembro dela em cada coisa que eu faço.

Flashback on

— Betah. — ela se sentou ao meu lado no telhado. — Não acha que é um pouco frio para ficar aqui em cima á essa hora? — ela carregava junto dela duas canecas com chocolate quente.

— Gosto da vista. — tirei meu olhar das estrelas e posicionei meu olhar nas canecas. — Um é pra mim?

— Pra quem mais seria? — sorriu me entregando. — Seu favorito.

Sorri abobalhada e tomei metade do chocolate em uma só vez.

— Acalme-se, porque eu não descerei lá pra fazer outro. — ela sorriu dando um pequeno gole no seu. — Não se sente sozinha ás vezes? — ela olhava apreensiva para mim.

— Gosto da solidão. — sorri fraco. — Porque?

— Eu cresci rodeada de irmãos e aqui é só você.

— Então me dê um irmão. — ela não respondeu, apenas olhou apreensiva para cima. — Mãe? — chamei a atenção dela.

— Sim?

— O que você tem pra me dizer? — a encarei séria, ela sorria abobalhada olhando pra baixo.

— Estou grávida. — um sorriso imediatamente se abriu nos meus lábios.

— Meu deus, mãe! — abracei-a.

— Gostou? Mesmo? Achei que detestaria. — ela disse mais aliviada.

— Eu amei. — disse extasiada de tanta felicidade enquanto ela rodeava seu braço em minha volta e eu podia sentir de perto seu cheiro doce de flores.

Flashback off

Meu irmão morreu junto com ela. Uma lágrima caiu pelo meu rosto e eu percebi que Otto me olhava pelo espelho e a limpei rapidamente. Ele fingiu que não viu e logo estacionou o carro. Me despedi dele ao descer e segui para casa, gostaria de sentir o cheiro dela que a casa ainda guardava. Queria olhar as fotos e sentir que estava ao lado dela. Queria ver o enxoval guardado em uma caixa que nunca foi usado. Gostaria de deitar nas colchas dela e sorrir. Gostaria de tê-la aqui ao meu lado. Mas o mundo não é uma fábrica de realização de desejos.

Notas finais
Oh, tadinha dela. :( enquanto eu li isso, pensei em como seria perder minha mãe assim e quase chorei, acreditam? bjo bjo