Sweet battle
16 After
Notas iniciais
Betah
Acordei com dor por todo o corpo e uma dor horrível na cabeça. Os olhos eu mal consegui abrir por causa da luz forte e quando consegui abrir minha visão estava um pouco turva, coisa que logo passou.
Virei a cabeça para os lados e vi uma enfermeira mexendo no remédio que estava entrando na minha veia.
— Oi.. — minha voz saiu fraca e um tanto rouca, ela me olhou com certo nojo. — A senhora pode chamar meu pai? — ela deu uma risada irônica e nojenta e saiu sem dizer nenhuma palavra. — Mulher estranha. — repousei novamente na cama, sendo engolida pela curiosidade de saber aonde eu estou. Com certeza era um hospital como já havia deduzido antes, mas não era o da minha base. Com certeza não era. As paredes e tudo exceto os medicamentos e a cama em que eu me encontrava eram em tons escuros ou neutros.
A porta se abriu e de trás dela saiu Luke.
— Graças a deus um rosto conhecido! — suspirei aliviada, o vendo se aproximar da minha cama com um sorriso torto nos lábios. — Pode me dizer aonde eu estou? — perguntei nervosa.
— Bem-vinda ao hospital do 558Z. — eu abri meus olhos em sinal de surpresa e fiquei o olhando para ver se ele dizia a verdade ou mentia, mas ele continuava com a mesma expressão. Os olhos azuis me olhando sérios e a boca fechada, sem nem mesmo um sorriso.
— Só pode estar brincando. — disse por fim, olhando para cima.
— O pior é que não estou. — disse se sentando na poltrona que havia do meu lado.
— Aonde está Kammy? — o fitei nervosa. — E Otto? Meu pai? — falei em um tom um pouco mais alto e bravo.
— Kammy está aqui do lado. Dylan está com ela. Otto foi á algum lugar do qual não me lembro e do seu pai só deus sabe.
— Eles pegaram meu pai? — esbravejei, horrorizada me referindo aos caras e á mulher que apareceram na festa da Kammy ontem e me espancaram, razão pela qual eu acho que estou em um hospital.
— Não. — ele falou em dúvida. — Espero.
— Oh meu deus. — botei a mão sobre a testa, em sinal de desespero. — E PORQUE DIABOS EU ESTOU AQUI E NÃO NA MINHA BASE?
— Sua base, minha querida, foi evacuada. Não resta uma alma viva lá. — e como eu, sendo a capitã estava aqui, na base inimiga, em um momento de desespero como esse.
— OH MEU DEUS. — esbravejei. — Por quanto tempo eu dormi?
— Por uma noite. — falou óbvio.
— Me leve para casa, Luke. Me leve agora! — disse retirando as cobertas de cima de mim, e me levantando vendo a porta se abrir novamente, e dessa vez de trás dela sair uma mulher com cabelos nos ombros, loira e com uma roupa que mostrava que ela era médica.
— Luke. — ela disse e ele sorriu fraco. — Sente-se garota. — ela falou para mim, com um tom ríspido e eu apenas á encarei. — Sente se quiser alta. — dei de ombros e me sentei na cama, enquanto ela se aproximava de mim e fazia alguns testes. — Está com dor? — assenti que sim e vi uma expressão de satisfação no rosto dela.
— Está feliz com isso? — indaguei curiosa.
Ela apenas me olhou por alguns minutos, mas desviou o olhar logo e não me deu uma resposta. Ah como eu odeio estar em território inimigo!
— Pode ir. — ela disse recolhendo seus materiais e se retirando. — Até mais, Luke. — e saiu, fechando a porta.
— Mulherzinha mal-educada. — murmurei.
— Nem todo mundo é como eu por aqui, Betinha. — Luke falou irônico, enquanto eu me levantava e ia em direção ao banheiro. Ele logo começou a gargalhar.
— O que foi? — perguntei recolhendo algumas roupas que tinha por ali para mim poder tomar um banho. — O QUE FOI LUKE? — falei nervosa.
— Não sei se sabe. — falou entre risos. — Mas está com a roupa do hospital. E ela mostra a sua bunda. — olhei para trás da roupa horrorizada, confirmando aquilo e abri a boca em formato de "o" de tão envergonhada que fiquei e sai correndo pro banheiro, sem dizer mais nenhuma palavra. — Agora que eu já vi, não teremos problemas. — bufei.
— IDIOTA. — berrei e entrei no banho.
[...]
Estava arrumando as roupas sujas de ontem á noite na bolsa que Luke havia me emprestado segundo ele. O mesmo estava ali ao meu lado ainda rindo da cena que vivemos antes do meu banho. A porta logo se abriu, mostrando Kammy e Dylan logo atrás dela.
— Kammy. — sorri fraco, sendo retribuída por ela. — Dylan. — ele sorriu também. — Como você está? — me referi á Kammy.
— Acho que quebrei todo o meu corpo. — se escorou na parede ao lado de Dylan. — Mas estou viva, então, tudo bem.
— E você, Dylan? — perguntei, sem tirar a atenção da bolsa que eu arrumava.
— Um pouco melhor. — disse com um sorriso torto no rosto.
— Vamos? — Kammy disse, se afastando da parede. — Quero minha cama, meus pais e enfermeiras que me respondam. — assenti e Luke e Dylan se entreolharam e Luke se pronunciou, um tanto nervoso.
— Meninas... — ele disse, com uma expressão um tanto assustada, admito e nós viramos para ele. — Tenho que contar uma pequena mudança nos planos de vocês.
— O que foi? — indaguei curiosa.
— Vocês vão passar um tempo comigo. — fiz uma careta, demonstrando que não tinha entendido nada. — Na minha casa. — ele pensou ter acabado com as dúvidas.
— Porque nós faríamos isso? — Kammy perguntou com sarcasmo na voz.
— A base de vocês... — ela interrompeu.
— Foi evacuada. Já sei. Continua.
— E os apartamentos de você, que como sabem ficam praticamente perto da base também. — nos encaramos surpresas, voltando o olhar para ele. — Então é melhor ficarem comigo e não correrem nenhum perigo.
— Eu posso ficar com os meus pais. E Betah pode vir comigo. Não precisamos te incomodar. — Kammy disse por fim.
— Não contou para ela, Dylan? — Luke repreendeu no tom de voz, o mesmo que abaixou a cabeça recebendo olhares de Kammy. Luke bufou e continuou. — Seus pais sumiram. Ninguém sabe aonde eles estão. Provavelmente foram junto com o pai da Betah. — Kammy olhou horrorizada para ele, a mesma expressão que eu fiz quando soube do desaparecimento do meu pai.
— Eles pegaram meus pais? — ela esbravejou. — Aqueles filhos da mãe, pegaram meus pais? — vi seus olhos se encherem de lágrimas que continuaram lá.
— Não. Quem saiu vivo de lá, saiu sem ninguém. E seus pais foram vistos umas duas horas depois com uma mulher ruiva perto do aeroporto. — a mulher ruiva provavelmente seria Amélie, a namorada do meu pai, com quem eu o flagrei ontem.
— Eles me deixaram para trás? Estirada naquele saguão? Sangrando? Desacordada? — ela perguntava incrédula.
— Pelo que parece, sim. — Luke disse sem medir palavras. — Desculpe.
— Mas... e... — interrompi, procurando tirar a atenção de Kammy que merecia privacidade para sua tristeza. — E Otto? Como ele fica?
— Ele vai ficar com a mãe em um hotel. Disse que passa lá em casa mais tarde.
— No final a única que não nos abandonou, foi a vadia da Mary. — eu murmurei e Kammy começou a socar as paredes.
— Hei, hei — Dylan se aproximou dela a prendendo entre seus braços. — Se acalma. — ela respirava fundo entrelaçada pelos braços, até que musculosos do Dylan.
— Então nós vamos para a sua casa? — perguntei, por fim.
— Sim. Se não tiver problema. — ele disse, pegando minha bolsa da cama.
— Por mim. — olhei para Kammy. — E Kammy vai comigo aonde eu for. — sorri fraco, virando o olhar para ele. — Muito obrigada. Por tudo, Luke. — ele sorriu fraco e saiu na frente, conosco o seguindo.
[...]
Já havíamos nos instalado na casa dele. A mesma na qual á menos de 24hrs atrás eu estava me pegando com Luke na cama, quando fui interrompida por Dylan. Parecia até um tempo distante.
Eu e Kammy ficaríamos no mesmo quarto, óbvio. Dylan resolveu passar a noite aqui conosco, principalmente por causa de Kammy que só parecia se acalmar perto dele.
Ouvimos batidas na porta e Luke foi abrir.
— Oi. — ouvi a voz de Otto soar fraca, e o vi entrando pela porta com suas velhas roupas pretas. — Betah. — me levantei, o abraçando. — Como você está?
— Bem, na medida do possível. — sorri torto. — E você?
— Estou bem. Cadê a Kammy? — perguntou, observando o local.
— No quarto trocando de roupa. — eu já havia trocado minhas calças apertadas e a jaqueta de couro por um shorts de pijama e uma blusa mais solta, igual á Luke que desfilava de regata e bermudas. — Como está tudo lá? — perguntei quando nos sentamos.
— Horríveis. Os conselheiros foram chamados. Minha mãe está tendo que assumir tudo. — bufou. — A coisa vai ser feia.
— Uma verdadeira guerra. — murmurei.
— Praticamente. — ele suspirou cansado. — Tem lugar pra mais um, Luke? — ele berrou em um tom totalmente amigável com o mesmo que apenas assentiu com a cabeça, já que estava muito concentrado nas panelas para falar qualquer coisa. — Então eu ficarei.
— E sua mãe? — perguntei curiosa, apoiando minha cabeça sobre seu ombro.
— Ela ficará bem. Meu pai está com ela. — suspirei e fechei meus olhos adormecendo.
+++
— Betah. — senti meu corpo ser chacoalhado. — Betah. — a voz meiga de Luke chegava á ser apaixonante, a não ser nos momentos em que ele estava me acordando.
Abri os olhos dando de cara com aquele olhar penetrante e azul.
— Oi. — murmurei sonolenta, me sentando e percebendo que estava no sofá, observei também a janela vendo que era muito mais tarde do que eu me lembrava. — Ué.
— Você adormeceu aqui. — sorriu fraco, se sentando do meu lado. — Não quisemos te acordar para jantar. Está com fome?
— Claro. — me levantei um pouco rápido demais, ficando tonta mas segui para a cozinha. — Sobrou?
— Pedimos uma pizza. — eu ri o vendo se levantar me seguir. — Eu queimei a comida.
— Não dá pra ser perfeito. — sorri, abrindo a caixa da pizza e vendo poucos pedaços ali e pegando um qualquer.
— Tudo bem com você? — estranhei a pergunta. — Digo, está sendo um final de semana complicado.
— Estou bem. — murmurei fraco, recebendo seus olhares de dúvida. — Mais ou menos.
Vi a expressão se desmanchar do rosto dele e uma de "eu já sabia" substituir.
— Meu pai sumiu. Não posso ir para a minha base nem para casa. Tem quatro seres sobrenaturais perseguindo á mim, ao meu pai e aparentamente á todos nós. Não tenho como estar feliz.
— Pense que pelo menos me verá todo o dia. Pela manhã, tarde e noite. — sorri sem graça. — Seus sonhos se realizaram.
— Você pelo que vejo está ótimo. — mordi a pizza fria.
— Aparento estar.
— O que houve?
— Meus pais estão putos comigo por auxiliar outro esquadrão. Mas eles sempre estão putos, então nem ligo. — ele pegou um pedaço da pizza.
— Pelo menos sabe aonde estão.
— Seu pai vai aparecer logo logo. Só sumiu até a poeira baixar e esquecerem ele e você.
— Assim espero, Lucas Garroway. — sorri torto, terminando a fatia de pizza. — Boa noite. — murmurei seguindo em direção ao meu quarto.
— Boa noite. — ele disse subindo logo atrás de mim as escadas e entrando no seu quarto.
Me deitei e logo adormeci, sem nenhum problema por ter dormido antes.
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