Notas iniciais
GANHAMOS MAIS UMA RECOMENDAÇÃO! Eu preciso confessar que levei um susto ao entrar aqui e ler o maravilhoso comentário feito pela leitora chamada Nanda, muito obrigada! Para nós cada comentário serve como uma espécie de inspiração para continuarmos, vocês são maravilhosos. Sobre o capítulo, no passado as coisas estão se tornando cada vez mais confusas, e o presente não está muito diferente. Oliver fará uma descoberta realmente grandiosa, e para os fãs do nosso “casal” Caitlin e Tommy... Não posso dar spoiler kkk, mas vocês vão ter um presentinho. Enfim, chega de falar, boa leitura! ❤️

Star City 2015

— Todos na minha sala em 5 minutos.

O tom de Watson havia os chamado atenção. Assim que entraram na sala de reuniões a mesma foi fechada, contendo somente Watson e o esquadrão. Os amigos se entreolharam confusos, e de certa forma curiosos, mas sabiam do que deveria se tratar por tamanha descrição.

China White.

Caso que estava fora do radar há quase um mês.

Era como se todas as evidências tivessem desaparecido, sempre os levando a beco sem saídas, com cada vez mais e mais perguntas. Felicity e Ray acharam estranho, até que entenderam que essas pistas não eram pistas, mas sim distrações, alguém queria afastá-los.

Mas quem?

A máfia chinesa era uma forte aposta que os agentes estavam fazendo.

Watson havia os dado outros casos enquanto as coisas se acalmavam, ao que parecia o tempo de descanso havia acabado.

— Alguma novidade?- perguntou Caitlin.

— Felizmente sim.- sorriu Watson.- Fontes nos informaram que um membro da máfia de Hong Kong finalmente aterrissou em solo americano, e ao que tudo indica, está disposto a fazer uma troca com nossa amada China White, que ficou feliz pela sua chegada.- suspirou quando então mostrou fotos dos guardas de White.- Tudo o que temos sobre esse homem é um nome, Sarab.

— Não me parece um nome verdadeiro.- murmurou Felicity pensativa.

— O que acha que ele veio fazer?- perguntou Sara.

— Dinheiro?- supôs Ray.- Alguns pagamentos dos caras do alto escalão de Hong Kong, como uma maneira de manterem os laços da máfia amigáveis.

— Faz sentido pra mim.- concordou Sara.

— Não sei não.- suspirou Felicity.- Tudo isso pra um pagamento? A máfia é inteligente, audaz, tem contas falsas em qualquer banco no mundo, eles não teriam tanto trabalho em mandar um membro de Hong Kong somente para realizar um pagamento.

— Isso tá muito estranho.- murmurou Laurel.- O que eles podem trocar? Armas?

— Ou drogas.- falou Caitlin.- É muito abrangente.

— A localização de White continua sem resposta?- perguntou Sara.

— Infelizmente sim.- suspirou Watson.- Os vice-diretores do FBI estão nos pressionando, aguardando por respostas, mas infelizmente não podemos fazer muito coisa no momento, além de esperar, algo crucial na vida de um agente.

— Talvez eu e Ray possamos resolver esse problema da localização.- sorriu Felicity animada.- O Archer vai mudar o mundo.

— Vai mesmo.- sorriu o moreno empolgado.

— Não duvido da capacidade de vocês, sei que meus pupilos são muito talentosos, tanto que compartilhei com o Dr Will Magnus sobre o projeto, ele está interessado.

A felicidade foi tamanha que os mesmos ficaram sem palavras. Laurel, Caitlin e Sara riam das expressões dos amigos que logo se abraçaram, sendo repreendidos por Watson por conta do barulho.

— Desculpe.- pediu Ray quando colocou Felicity no chão.- Mas é o dr. Will Magnus.

— A maior autoridade robótica do planeta!- comemorou Felicity.- Eu tive tantas ideias, acho que vamos terminar mais cedo do que imaginávamos.

— Trabalhem nisso, ele será um grande suporte para o caso.- sorriu Watson.- A máfia voltou a se mexer, o que significa que algo grande está prestes a acontecer. White pode estar escondida, porém seus homens não. Ficaram divididos em turnos para monitorá-los, começando com a agente Lance.- apontou para Sara. — E a agente Snow.

— Hoje?- disse Caitlin um pouco incerta.- Eu tenho um compromisso, se quiser eu des...

— Eu fico no lugar dela.- se prontificou Laurel ganhando um olhar irritado de Caitlin em resposta.- A senhorita Snow tem um encontro.

— Com o Merlyn.- sorriu Felicity a fazendo revirar os olhos.- Finja animação!

— Assim?- perguntou com um sorriso falso.

— Melhor não sorrir.- falou Ray a observando.- Vai assustá-lo.

— Não dá ideia.- repreendeu Felicity.- Foi um sacrifício pra ela aceitar.

— Watson, eu...

— A senhorita Lance ficará no seu lugar.- respondeu piscando em sua direção.- Lances? Sejam discretas e principalmente, analíticas, estamos perto de prendê-los.

— Pode deixar.- assentiram.

— Então estão dispensados.

Os quatro saíram com cautela, um de cada vez para não chamarem atenção, desde a desconfiança com um membro na equipe as informações estavam cada vez mais difíceis de serem vazadas. Caitlin olhou o horário com uma feição desgostosa e suspirou, pegando sua bolsa.

— Boa sorte.- desejou Ray.

— Tudo isso porque o seu marido e vocês são um porre.- apontou para Felicity que riu em resposta.

— Fale que mandei um “oi” para o Tommy!

***

Caitlin suspirou impaciente assim que desceu em frente ao luxuoso restaurante que Tommy havia marcado. Foi indicada até a mesma reservada e se sentou. A mesma trajava um vestido preto de alças, com um discreto colar prata. Respirou profundamente quando olhou para o relógio mais uma vez.

Ele estava atrasado.

Mas que maravilha.

Quando estava prestes a desistir avistou o moreno caminhando apressado em sua sua direção, a lançando um sorriso de canto.

— Mil perdões pelo atraso Snow.- pediu quando beijou rapidamente sua bochecha.- Tive problemas na boate.

— Tudo bem.- sorriu de forma educada quando olhou ao redor.- Achei que tivesse me dado um bolo.

— Não é um bolo exatamente o que eu estava planejando te dar.- comentou com um sorriso galanteador quando a mesma revirou os olhos.- Humor muito ruim?

— Pra um cara como você não, pra mim sim.- respondeu quando se focou no cardápio a sua frente.- O que você pede quando vem aqui?

— Acho que pra entrada podemos começar com um bom vinho e claro, um Bruschetta caprese para acompanhar.- pediu enquanto o garçom anotava atentamente.

— Mais alguma coisa?- perguntou o homem quando Tommy indicou dois pratos com massas.- Certo, apreciem nosso vinho, em alguns minutos seu jantar será servido.

Tommy encheu duas taças até a metade e entregou uma a Caitlin, fazendo um brinde.

— A uma noite que promete.

— Saúde.- respondeu Caitlin quando levou a taça a boca, degustando o vinho.- Boa escolha.

— Tenho os meus dotes.- piscou em sua direção.- Mas não vou mentir, prefiro Whiskey.

— Isso faz bem seu tipo.- respondeu sorrindo pela a primeira vez verdadeiramente no jantar.- Eu gosto de drinques, mas não dispenso uma cerveja.

— Interessante.- sorriu Tommy quando colocou sua mão sobre a sua, a observando.- Tenho que dizer Snow que você parecia fechada aos meus convites, o que a fez mudar de ideia?

— Nossos amigos e também porque eu gostaria de ver o que iria acontecer.- respondeu também o fitando.

— O que espera que aconteça?

— Não sei, uma comida boa talvez.- respondeu o fazendo soltar um riso baixo.

— Você é diferente.- comentou quando um sorriso galanteador surgiu em seu rosto.- Por que não viaja comigo?

— O quê?- perguntou confusa.

— Eu e você, uma tarde maravilhosa em Coast City.- comentou a lançando um sorriso animado.- Por favorzinho.

Caitlin riu de sua atitude quando realmente ponderou a ideia, era uma proposta interessante.

— Eu...

— Merlyn.

Uma voz feminina os chamou atenção.Caitlin olhava atentamente a mulher de cabelos escuros e altura mediana, que olhava sem mascarar suas intenções diante de Tommy.

— Como vai?

— Muito bem.- sorriu em sua direção.- Não está na boate?

— Não tem graça sem você.- comentou fazendo Caitlin revirar os olhos.- Namorada?

— Não.- respondeu Caitlin quando puxou sua mão.

— Vocês formam um casal tão lindo.- sorriu animada.- Aposto que ele já te convidou para passar uma tarde em Coast City, eu fui e sinceramente é maravilhoso.

— Imagino.- sorriu Caitlin educadamente, se sentindo uma idiota com a proposta recebida.

— Foram momentos muito... Prazerosos, se é que me entende.- comentou piscando em direção à Tommy que a lançou um sorriso educado, Caitlin bufou em resposta.- Por que não repetimos?

— Isso é uma ótima ideia!- comemorou Caitlin quando se levantou, deixando Tommy confuso.- Por que você não se senta aqui? Para discutirem sobre os detalhes.- sugeriu quando puxou a cadeira para a mulher se sentar.- Tenham uma boa noite.

A mesma saiu com passos apressados do restaurante, escutando protestos de Tommy atrás de si, no momento em que chegou a calçada o mesmo a alcançou, um pouco ofegante.

— O quê?

— Você... Caramba, como você está gostosa.- murmurou a olhando da cabeça aos pés quando a mesma bufou em resposta e pegou seu celular.- Espera, não era isso que eu queria dizer, não que você não seja gostosa, porque você é, muito, nossa.- suspirou quando Caitlin começou a andar.- Espera Snow!

— Sabia que existem mais adjetivos do que “gostosa” ou “super gostosa”? Deve ser um choque pra você, mas existem.- comentou irritada.-Vamos deixar bem claro uma coisa aqui.- falou se virando em sua direção.- Isso.- apontou para os dois.- Não vai acontecer, ok?

— Eu não sabia que a minha ex estaria aqui.- se justificou.

— Você nem sabe o nome dela!- rebateu o deixando sem palavras.- Eu não vou ser só mais uma da longa lista de mulheres que você usa e joga fora, entendeu?- perguntou dando um passo em sua direção.

— Nenhum beijinho eu ganho então?- perguntou aproveitando sua proximidade.- Caitlin... Deixa eu pelo menos te levar pra casa.

— Eu já chamei um Táxi, obrigada.- respondeu o lançando um sorriso forçado.- Boa noite Merlyn.

***

Felicity rabiscava uma folha enquanto pensava, o caso estava se tornando mais complicado.

E muito.

Principalmente depois de descobrirem que alguém estava tentando atrasa-lós.

Quem queria deixá-los no escuro? E se não bastasse todas as dúvidas ainda havia a desconfiança.

Alguém estava vazando informações.

Tudo isso era de enlouquecer qualquer um.

Voltou a focar no papel branco à frente, de repente uma palavra se formou.

Sarab

Felicity tentou escrevê-lo ao contrário, porém não resultou em nada. Suspirou e então colocou o pequeno bloco de notas na mesa, chamando a atenção de Oliver que estava sentado ao seu lado enquanto assistiam tv.

— Thea me mandou mensagem, está vindo pra cá.- suspirou Oliver fazendo Felicity sorrir.

— Pode reclamar o quanto for, mas você a ama.- comentou divertida.- Vou fazer os cookies que ela tanto gosta, pelo menos uma coisa eu sei fazer agora.- comemorou quando o mesmo sorriu por sua animação.

O mesmo se espreguiçou no sofá a observando se levantar, se curvou para pegar o controle na mesinha de centro quando congelou, seu sorriso que surgirá a pouco desapareceu ao ler o nome no bloco de notas.

Sarab

A A.R.G.U.S poderia achar que pistas falsas os atrasaria, o que de fato funcionou por um tempo, mas com Felicity era sempre diferente, precisariam ser mais cautelosos, como sempre a agente se apegava aos pequenos detalhes.

Seria necessário um esforço muito maior para mantê-la fora de cena.

Isso estava se tornando cada vez pior.

***

Atualmente

— Oliver? Levanta!- falou Tommy na tentativa de acordar o amigo.- Oliver! Eu tenho que te mostrar uma coisa.

— Vai pro inferno.- respondeu puxando o cobertor, Tommy bufou em resposta.

— Você falou que ia me ajudar.- tentou usar o sentimentalismo, porém foi em vão.- Talvez eu fique aqui, sentado, falando com você a noite toda sobre a minha vida e...- sorriu em satisfação quando Oliver se levantou rapidamente.

— Espero que seja um bom motivo.- suspirou.- Quando eu consigo dormir você me acorda?

— Pode falar mais baixo? Vamos acordar o pessoal.- respondeu o moreno quando Oliver revirou os olhos.

Tommy abriu a porta que levava ao corredor com cautela, conseguiu observar a tempo o momento em que Laurel saia do quarto de Ray e entrava no da irmã, o lançando um sorriso discreto qual o mesmo fez um sinal positivo. Oliver olhou em direção ao corredor escuro quando Tommy deu de ombros, descendo a escada, assim que chegaram a cozinha Oliver notou em havia um prato no meio da mesa, com quadradinhos desenhados, lançou um olhar duvidoso a Tommy que revirou os olhos.

— Isso... É alguma coisa.- assentiu Oliver cruzando os braços.- Alguma coisa, interessante, crocante também.- falou quando mordeu o prato misterioso, se policiando para não fazer uma careta.

— Você não sabe o que é isso, não é?- perguntou Tommy quando Oliver negou.- Não te lembra nada? Nadinha?

— Não.- respondeu sincero quando o amigo puxou uma cadeira para se sentar.- O que deveria ser?

— Waffles.- respondeu chateado.- Tem até os quadradinhos.

— O que você colocou aqui?

— Ovo, farinha de trigo, fermento, leite.- falou contando mentalmente o que havia usado.

— Vou te apresentar duas coisas muito importantes na cozinha, ok?- disse Oliver abrindo o armário e pegando dois potes.- Isso é o que chamamos de açúcar.- falou colocando primeiro pote na mesa.- E esse é o sal, quando for usar algo assim experimente se não souber, ambos são brancos e com grãos parecidos, porém com gostos diferentes.

— Eu não usei essas coisas.- falou abrindo o primeiro pote curioso, provando o açúcar.

— E foi por isso que essa massa não tem gosto de nada.- respondeu Oliver ganhando um “o” surpreso.- São essenciais nas comidas Tommy, e da próxima vez deixe a massa menos espessa, ok? Sem bolotas ou qualquer outro tipo de coisa.

— Sem bolotas.- repetiu o moreno que anotava tudo no celular.- Mais alguma coisa chefe?

— Temos dias especificos para as aulas, então quando não for se mantenha há 2 metros de distância do meu quarto, entendido?

— E se formos assaltados?- supôs Tommy.- Ou a casa pegar fogo? Ou um maníaco tentar me matar?

— No caso do maníaco, se mantenha longe.- respondeu quando o mesmo assentiu.

— E ainda diz que me ama, esses relacionamentos de hoje em dia.- bufou os fazendo sorrir.- Vai dormir, deixa que eu arrumo as coisas aqui.

— Certo, e Tommy.- falou chamando atenção do amigo.- Você está melhorando, não senti cascas de ovo dessa vez.

— Valeu.- sorriu orgulhoso quando voltou a se concentrar em limpar a pia.

Oliver saiu balançando a cabeça negativamente, quem diria.

Tommy Merlyn aprendendo a cozinhar.

O que o amor não faz.

***

O dia estava estranhamente calmo, nenhuma informação nova haviam sido passadas até o momento, o que os deixaram mais relaxados. Oliver havia treinado Curtis, novamente, e estava resultando em melhoras, e mesmo com isso Felicity ainda se sentia relutante em deixá-lo com uma arma, segundo a loira ainda não era o momento. Tommy conseguiu dormir o suficiente para se sentir renovado, se juntou ao grupo que estava na parte do bar perto da área de entrada, uns apenas conversavam enquanto outros estavam sentados no sofá, Curtis, Ray e Felicity conversavam animadamente, o que deixou Oliver um pouco desconfortável.

Ele era simplesmente perfeito pra ela.

Por que ainda não estavam juntos?

Tommy seguiu o olhar do amigo e balançou a cabeça negativamente, dando um gole discreto em seu whiskey.

— Você é cego.- falou chamando atenção de Oliver que o olhou confuso.- Como que...

— Deixa ele descobrir.- brincou Sara com diversão.- Quando perceber vai ser um choque.

— Ele vai ser eletrocutado.- riu Tommy batendo na mão da loira.

— Vocês dois dão certinho.- reclamou Oliver quando uma mensagem chegou em seu celular.

Felicity também checava seu aparelho quando levantou o olhar, encontrando o de Oliver, ambos assentiram quando o loiro se levantou.

— Reunião pessoal.

Em alguns minutos, todos os agentes se encontravam posicionados na sala. Felicity e Oliver revisavam as informações como o de costume.

— Bom pessoal, o caso que vamos resolver aconteceu aqui mesmo em Nova York. Em duas semanas o Labs Schwartz foi atacado com quatro homens fortemente armados, eles começaram um incêndio no local e feriram gravemente a Dra. Elisa Schwartz, a única testemunha da equipe de três pessoas que sobreviveu.- Felicity então mostrou a foto de como uma parte do laboratório ficou, felizmente o incêndio não atingiu a estrutura inteira.

— Não era um grupo qualquer que invadiu o laboratório, estavam preparados, sabia exatamente o que fazer. As câmeras não ficaram ligadas por muito tempo, porém foi notado que Kits de evidências de DNA foram roubados, o que ocasionou em diversos pedidos de liberdade feito por advogados em defesa de seus clientes que aguardavam por julgamento em Washington, todos liberados por falta de comprovação de seus crimes.

— Eles invadiram o laboratório para pegar os Kits?- perguntou Tommy ganhando um aceno positivo.- A mando de alguém?

— Nosso palpite mais confiável.- comentou Felicity.- Tem uma lista de presos que podem ser liberados até semana que vem se não resolvermos isso, são Ted Gaynor, Garfield Lynns, Tobias Church...

— Deixa eu adivinhar, Slade Wilson.- supôs John ganhando um aceno positivo.- Ele não estava em Slabside?

— A prisão de segurança máxima?- perguntou Ray ganhando um aceno positivo.- Aquele lugar é um inferno.

— Não foi lá que um dos guardas foi preso por corrupção ou algo assim?- perguntou Caitlin confusa.

— O que poderia facilitar a comunicação do senhor Wilson com alguém aqui fora.- apontou Laurel.- Mas quem?

— Ted Gaynor, Garfield Lynns e Tobias Church são aliados de Slade, alguém a mando dele está fazendo isso.- suspirou.- Vamos precisar visitá-lo.- falou Oliver ganhando um olhar significativo de Dig.

— Ele não vai gostar de te ver.- contrapôs John em advertência.

— E por que não?- perguntou Felicity curiosa.- O que aconteceu?

— Slade simplesmente odeia Oliver, porque ele foi o motivo do mesmo parar na cadeia.- respondeu quando o loiro suspirou.

— A Dra Schwartz está sozinha no hospital, precisa ser vigiada.- informou os fazendo assentir.

— Vamos nos dividir em equipes, Curtis? Vai pro campo dessa vez.- falou Felicity quando o mesmo comemorou.

— Vou poder usar uma arma?- perguntou animado.

— Vai.- sorriu a loira o deixando desconfiado.- Pequena, mas vai.

— Já é um começo.- deu de ombros

— Uma equipe da polícia está hoje com a doutora, amanhã pegamos o turno, Tommy e Caitlin...

— Estamos dentro.- sorriu o moreno piscando para Caitlin.

— Tem alguma chance dela acordar?- perguntou Caitlin preocupada.

— Infelizmente não sabemos.- falou Felicity com pesar.- Bom, Laurel, Ray, Sara e Curtis vão até o laboratório amanhã, peguem as câmeras de segurança e todas e quaisquer informações que os oficiais obtiveram, ok?

— Nós três vamos pra Slabside então.- falou John quando Oliver assentiu.

— Slade Wilson terá uma surpresa.

***

O dia seguinte havia começado mais cedo. Logo pela manhã, Oliver, Felicity e John partiram para o presídio, que ficava há umas três horas da cidade. Oliver parecia tenso, algo que Felicity não deixou notar, principalmente com a força exagerada que ele segurava o volante.

Slabside ficava localizada em um lugar muito afastado de qualquer ponto de civilização. Sua aparência poderia ser discreta por fora, mas não deixava a esconder como aquele local poderia vir a tornar o pesadelo de qualquer um. Os agentes se identificaram e pediram que levassem Slade para a sala de interrogatório. Passaram pelo pátio onde diversos presos tomavam seus banhos de sol, o único momento de paz. Alguns reconheceram que os mesmos eram policiais e gritaram em suas direções, sendo conduzidos com mais pressa para saírem daquela área. Entraram em um corredor enorme quando pararam ao lado de duas portas, uma seria onde Slade os esperaria, a outra era onde os oficias poderiam acompanhar o interrogatório sem serem vistos, conseguindo observar e escutar tudo atrás de um vidro filmado. John entrou na primeira sala quando Felicity seguiu Oliver que parou instantaneamente e olhou em sua direção.

— O quê?- perguntou confusa.- Já fizemos interrogatórios juntos antes.

— Esse caso é um pouco mais complicado, eu... Eu ficaria muito mais aliviado se você ficasse com John.

— Você não está fazendo sentido Oliver.- falou ainda confusa.- Que diferença faz se...

— Eu não quero que ele veja você.- a cortou elevando a voz.- Pode... Pode por favor me escutar dessa vez?- pediu mais controlado quando ainda relutante a loira assentiu.

— Se ele se soltar da cadeira e quebrar o seu nariz não diga que eu não avisei.- advertiu o fazendo sorrir de canto.

Felicity então abriu a porta da outra sala e entrou, tratando de fechá-la, se colocando ao lado de John que observava com cautela a sala ainda vazia à frente. Mordeu o lábio inferior na tentativa de conter sua curiosidade mas foi em vão.

— Como o senhor Wilson foi preso?- perguntou Felicity.

— Oliver estava em uma missão secreta, então se disfarçou para entrar no grupo de Slade.- respondeu sem tirar o olhar do vidro.

— Oliver conseguiu a confiança de Slade.- afirmou Felicity ganhando um aceno positivo.- Por isso Slade o odeia?

— Tem um pouco mais nessa história.- suspirou.- Slade via Oliver como um prodígio, o contou varios de seus crimes, o treinou, e até mesmo o apresentou a sua esposa, Shado. Aí que começou o problema.

— Oliver dormiu com ela?- perguntou sem esconder seu desconforto.

— Não, mas Shado ficou encantada.- diminui o tom de voz ao notar que Slade entrava na sala.- Era uma mulher boa com pessoas erradas, e muito esperta, tanto que descobriu o segredo de Oliver.

— Hmmm.- murmurou também notando o homem a sua frente.

Slade estava com uma barba grisalha e mau feita, seus pulsos estavam em uma algema que estava presa na mesa, o impedindo de sair. Felicity ficou extremamente intrigada pelo o uso do tapa-olho, deve ter sido um ferimento bem grave.

“- Garoto, mas que surpresa.- falou sorrindo em direção à Oliver que o observava com atenção.”

“- Preciso tratar de um assunto sério Slade.- começou Oliver sem rodeios.- Foi muito baixo tentar matar uma doutora inocente, até pra você.”

“- Não sei do que está falando.- respondeu de forma irônica, testando a paciência de Oliver.”

“- Quem está por trás do roubo do laboratório?- perguntou Oliver o ignorando.- Seus amiguinhos podem sair até semana que vem, e eu sei que você está os ajudando.”

“- Não seria mais junto eu começar por mim?- perguntou fingindo confusão.- E depois eu cuidaria deles?”

“- Você é um preso de segurança máxima Slade, não é tão fácil como eles.- apontou Oliver.- Não é todo dia que um cara daqui é libertado.”

“- Eu não sei quem você procura.- respondeu irritado.”

“- O que você está ganhando ajudando presos a saírem? Aliados? Dinheiro?”

“- Sua preocupação não é essa.- sorriu Slade pela primeira vez, fazendo Felicity se arrepiar.- Os outros não te interessam, mas eu...- falou com diversão.- Temos assuntos pendentes.”

“- Quem está o ajudando?- perguntou Oliver que já perdia a paciência.”

“- Você tem medo que eu saia e alguém que você conheça acabe como Shado, morta.”

Felicity se sobressaltou com sua afirmação, John notou sua postura e então negou, sabendo sua linha de raciocínio.

— Oliver não fez isso.- a tranquilizou.- Os homens de Slade sim. Estavam desconfiando que alguém estava os traindo, e em uma noite pegaram Shado copiando informações... Já deve imaginar como acabou.

— Slade não fez nada?- perguntou incrédula quando o mesmo negou.

— Ela era uma traidora, pega em flagrante, não merecia uma segunda chance.- comentou John.- O que Slade não esperava era que ela não era a única com uma vida dupla.

“- ... Você mente mal Queen.- voltaram a prestar no que Slade dizia.- Se veio aqui conhecer o inferno que me colocou é só isso que vai ter.“

“- Quem está ajudando você?- elevou a voz o fazendo rir.”

“- Quando eu sair, nós conversamos.- sorriu como se não fosse nada.- Eu faço uma visita, espero encontrar a moça da foto.”

— Tirem ele de lá.- ordenou John para os os guardas que assentiram.- Agora!

“- Ela era bem bonita.- continuou Slade deixando Oliver estático.”

“- Você só vai sair por cima do meu cadáver!- rebateu Oliver batendo com toda sua força na mesa de metal.”

“- Não sei se é o seu que eu gostaria de passar.”

“- A hora da visita acabou, agente Queen? Se retire.”

A voz dos guardas pareciam ter despertado Oliver de seu lado de fúria. O mesmo se recompôs, largando a gola da camisa de Slade que segurava fortemente.

— Você é quem mais se sabota garoto, eu só vou deixar as coisas mais interessantes.- falou Slade aproveitando seu momento de deslize.- Te vejo em alguns dias.”

Felicity suspirou aliviada quando Oliver saiu da sala, observou bem o rosto de Slade que era retirado em uma porta dos fundos. John limpou a garganta chamando sua atenção.

— Slade jurou vingança a Oliver desde aquele dia, porém pegou perpétua.- deu de ombros.- Agora entende por que ele está tão preocupado?

— Claro, Slade quer matá-lo.- falou como se fosse óbvio.

— Não é só isso que ele quer fazer.- murmurou em tom baixo a lançando um olhar significativo.- Há pessoas importantes quais Oliver daria a vida para proteger, Slade sabe quem são.

Felicity entreabriu a boca porém nada foi dito. Logo depois foram guiados até o lado de fora de Slabside, Oliver ainda permanecia quieto, preso em seus próprios pensamentos, voltou a realidade quando Felicity pegou a chave do carro de sua mão, dando de ombros.

— Eu dirijo.- piscou em sua direção.- Vamos ter trabalho dessa vez.

— Temos uma equipe boa, tenho certeza que eles devem ter conseguido alguma coisa.- comentou se acomodando no banco do passageiro.

— Curtis deve estar se divertindo muito.- falou John do banco de trás, os fazendo sorrir.- A propósito, que arma deu pra ele?

— Ainda não entendi porque não deu uma arma maior.- falou Oliver olhando em sua direção.

— Já conversamos sobre isso, ok?- se esquivou.- Espero que eles tenham mais sorte que a gente.

— Também espero.

***

Hospitais nunca foram um ambiente muito agradável, havia tanto sofrimento, e ao mesmo tempo tantas palavras verdadeiras ditas naquele lugar. Juras de amor, brigas, e as mais difíceis,

As despedidas.

Tommy olhava fixamente para uma parede em branco, seus pés se tocavam enquanto seus braços estavam cruzados. Caitlin notou sua postura ansiosa, estalou os dedos diversas vezes até finalmente o despertar.

— O que foi?- perguntou cautelosa quando o mesmo deu de ombros.

— Não gosto de hospitais.- respondeu envergonhado quando seu olhar caiu sobre a mulher desacordada com diversos aparelhos.- Não tenho boas memórias de lugares assim.

— Alguém da família?- supôs Caitlin quando o mesmo assentiu.

-Minha mãe.- falou em tom baixo, sem esconder seu desconforto.- Ela levou três tiros, eu estava com ela mas...- se calou quando Caitlin segurou em sua mão em forma de apoio.- Fomos assaltados por três caras, eles atiraram sem pensar duas vezes.- falou em tom irritado.- Eu tinha oito anos.

Sua confissão a pegou de surpresa, tanto que as palavras sumiram de sua mente. Caitlin então o abraçou, o deixando estático quando finalmente cedeu, a apertando mais contra si. Tommy era uma pessoa engraçada, um fato inegável, mas por trás daqueles olhos azuis haviam muito mais medos do que Caitlin havia imaginado.

— Se não gosta de hospitais por que quis vir?- sussurrou após um tempo.

— Porque eu queria ficar perto de você.- respondeu como se não fosse nada, Caitlin se afastou minimamente para encara-lo.- Eu estava pensando sobre o nosso primeiro encontro, se é que aquilo foi um encontro.- falou a fazendo sorrir.- Eu fui idiota, e eu só quero tentar fazer as coisas de uma forma certa dessa vez...

— Tommy.

— De uma forma que te agrade, um encontro de verdade.- continuou sem escuta-la.

— Tommy.- o chamou mais uma vez.

— Eu só quero que confie em…

Seu tom de voz desapareceu no instante em que sentiu o toque dos lábios de Caitlin junto aos seus. O moreno estava surpreso, havia imaginado aquilo há tanto tempo, que quando finalmente aconteceu ele ficou em estado de choque. Fechou seus olhos e esqueceu por um breve momento tudo ao seu redor, o único som qual prestava atenção era em sua respiração e do ar quente que sentia em sua pele. Se curvou e passou seus braços ao redor da cintura de Caitlin, a trazendo mais para si enquanto sentia o doce gosto de seu beijo, que sem exagero algum, havia o deixado perdido. Sentiu os dedos de Caitlin apertarem seus fios de cabelo, o fazendo soltar um murmúrio baixo. O beijo que havia começado tímido, algo se encontrava mais voraz, principalmente porque a fase de choque de Tommy havia passado, tocaram suas línguas levemente, sentindo descargas em todo o seu corpo, porém logo precisaram se recompor. Aos poucos foram se afastando, trocando apenas leves carícias enquanto suas respirações voltavam ao normal.

— Eu preciso perguntar.- falou Tommy ainda de olhos fechados.- Eu preciso saber se isso é o que eu estou pensando.

— É sim.- sorriu Caitlin.- Abra os olhos Tommy.

— Tenho medo de não ser real.- confessou a fazendo rir, levantou as pálpebras em um movimento devagar, sorrindo em sua direção.

— Viu, é real.

— Precisamos...- se calou ao notar um barulho diferente vindo dos equipamentos.

A mulher que a pouco estava desacordada se mexia desconfortavelmente, seus olhos demonstravam desespero e sua respiração estava irregular.

— Está tudo bem doutora, somos da polícia.- sorriu Caitlin.- Estamos aqui para proteger você.

***

Membros da equipe ainda estavam espalhados fazendo seus afazeres quando o trio voltou. John decidiu tomar um banho enquanto Felicity decidiu dar uma olhada ( um pouco ilegal) no sistema do departamento da polícia que havia iniciado o caso, porém não obteve nada novo. Três homens mascarados, o fogo começou por volta das 20:00...

Um Oliver inquieto a chamou atenção, desde o interrogatório com Slade o mesmo parecia perdido, calado, preocupado seria melhor a definição de seu estado. Felicity então foi até a cozinha e trouxe duas xícaras de café, se sentou ao seu lado em um dos banquinhos ao redor do balcão do bar o chamando atenção, entregando o copo em sua mão.

— Eu te daria um vinho, mas estamos trabalhando.- falou quando o mesmo sorriu de canto.- Quer conversar?

— Sabe que não sou muito bom em me expressar.- comentou dando um gole em sua xícara, Felicity assentiu.

— Não significa que não deva falar.- continuou com cautela.- John me contou um pouco sobre sua história com o senhor Wilson.

— Então sabe de Shado.- mais afirmou do que perguntou.- Sabe que por um deslize eu coloquei uma vida em risco fatal?

— Não foi sua culpa.- o lembrou quando o mesmo suspirou.- Ela sabia o risco Oliver, até mais que você.

— Sabe melhor do que eu que quando algum membro se machuca sempre será sua culpa.- respondeu quando a mesma engoliu em seco, seu silêncio havia servido como resposta.- E agora tem esse cara que corre o risco de ser solto e infernizar minha vida.

— Trabalhamos ao lado dos melhores agentes do país, esqueceu?- o lembrou com um sorriso de canto.- Vamos dar um jeito, sempre damos.

— Talvez você esteja certa.- apontou quando a mesma levou a mão à boca em um gesto de choque.

— O que você bebeu?- perguntou o fazendo rir.

— Café, ou você colocou alguma coisa aqui?- perguntou arqueando as sobrancelhas.- Smoak!

— Sou travessa mas nem tanto.- falou quando tombou a cabeça levemente para o lado, o observando.- Vamos pegar quem está fazendo isso.- o assegurou.

— Vamos.- repetiu mais confiante quando em um gesto inconsciente acariciou seu rosto.

Seus olhares ficaram conectados por um breve momento, sendo retirados de sua bolha ao escutaram o código da porta à frente sendo destravado. Sara, Laurel, Ray e Curtis apareceram, o mesmo parecia indignado quando caminhou em sua direção.

— O que é isso?- perguntou mostrando a minúscula pistola em sua mão.

— Uma arma?- perguntou confusa.

— Arma? Isso nem deveria ser considerado arma!- rebateu.- Qual é Lis!

— Tenha mais respeito, essa pequena jóia aqui é de origem russa, conhecida pela sua potência com tiros. Pode ser pequena, porém útil.- informou quando o mesmo concordou a contra gosto.- E então?

— Vimos as imagens, nada muito gratificante.- falou Sara.- Os caras cortaram a filmagem bem na hora.

— Vamos analisá-las quadro a quadro.- disse Ray os fazendo assentir.- Mas não me parece um caminho viável.

— Conseguimos uma informação valiosa apesar de tudo isso.- comentou Laurel.- Tobias Church foi liberado misteriosamente mais cedo, e vai dar uma festa de comemoração hoje à noite. Podemos ir lá e perguntar sobre esse “presente” misterioso.

— Muito bom Laurel.- falou Oliver.- Qual é o local da comemoração?

— Upper East Side.

— Ele mora em Upper East side?- perguntou Felicity incrédula.- Inacreditável.

— Só tem playboy naquele lugar.- falou John que descia as escadas.- Geralmente a polícia ignora queixas de barulho de som desses locais.

— Church vai ter uma surpresa então.- falou Oliver quando recebeu uma mensagem de Tommy.- A doutora acordou, mas ainda está um pouco inconsciente.

— Revisem as imagens e tentem conseguir mais informações sobre a festa de Church, ele vai ter uma surpresa.

*****

Uma brisa levemente gelada caia sobre a cidade quando a equipe saiu. Curtis conseguiu acesso a algumas câmeras locais, os dando mais visibilidade. As ruas eram arborizadas, e com as luzes tornavam tudo em uma atmosfera de filme.

Da época da Hollywood de ouro.

Deixaram os carros estacionados a duas quadras de distância quando caminharam em direção à casa, que continha um barulho imenso. A casa era luxuosa, com duas lamparinas em lados opostos, além da construção de fora ser toda revestida por pequenos tijolinhos. Olharam para cima e avistaram o terraço, onde obviamente ocorria a festa.

Um homem alto abriu a porta e os encarou seriamente, Oliver mostrou o distintivo quando o mesmo bloqueou a entrada.

— Vamos entrar com ou sem a sua autorização.- ameaçou Oliver em tom baixo.- Só queremos falar com Tobias Church.

— Ou talvez façamos uma batida, tenho certeza que vamos encontrar muitos “saquinhos de presente” para os seus convidados.- argumentou Laurel quando o mesmo a contra gosto abriu passagem.

— Essa é a minha advogada.- sussurrou Ray para Felicity que riu baixinho.

Foram guiados até o segundo andar sem deixar de notar nos elementos da casa, na área livre que continua grama sintética várias pessoas bebiam e riam, enquanto outras aproveitavam a piscina. Felicity revirou os olhos ao notar um casal bem “ansioso” ao lado esquerdo da parede, Oliver riu de sua atitude.

— Deveriam procurar um quarto.- sussurrou Oliver.

— Acho que eles nem precisam mais.- sussurrou fazendo careta.- Eca.

— Festas de mafiosos.- deu de ombros.- Se não tiver drogas e sexo não vale.

— Já participou de algumas delas?- perguntou curiosa.

— Algumas.- deu de ombros quando se focalizou em um ponto perto da grade.- Nosso cara.

Tobias comemorava ao lado de uma fogueira com uma maleta em mãos, que continha as siglas L.S, qual a equipe de imediato reconheceu. Em uma atitude ousada, Sara conseguiu imobilizá-lo e pegar a maleta, entregando para Ray. Sua atitude acabou chamando atenção das pessoas ao redor que rapidamente saíram correndo, enquanto outros, aliados de Tobias, sacaram suas armas e as apontaram para a equipe que se encontrava na mesma posição.

— Sara, solta.- falou Oliver quando a loira assentiu.- Só queremos uma informação.

— Fala isso pra sua agente, se não consegue manter seus bichinhos na linha não deveria colocar eles em campo.- respondeu Tobias raivoso enquanto se sentava para respirar com dificuldade.- Abaixem as armas.- ordenou.- Mas que merda vocês querem?

— Quem te vendeu isso?- perguntou Felicity indicando a maleta.

— Pra que eu vou contar? Vocês já têm as provas do meu caso mesmo.- deu de ombros.

— Posso fazer um acordo.- falou Laurel o chamando atenção.- Sua ficha é de formação de quadrilha com afiliação a Slade Wilson, se você nos contar quem está vendendo as provas de DNA convenço a promotoria a reduzir sua pena.

Sua proposta pareceu surtir efeito. Tobias pensava com cautela quando assentiu, um sorriso sarcástico surgiu em seu rosto.

— Ver a família Wilson atrás das grades será algo grandioso.- falou rindo os deixando confusos.

— Família Wilson?- perguntou Ray.

— Merda.- sussurrou Oliver.- Os dois?- perguntou ganhando um aceno positivo de Church.

— Do que vocês estão falando?- perguntou Felicity confusa.

— Eles estavam bem raivosos, e falaram de você Queen.- continuou Tobias.- Disseram que só não te matavam porque Slade quer fazer isso.

— Eles estão vendendo os DNA então?

— Isso não foi ideia de Slade, os moleques são espertos, saíram ganhando em cima.- deu de ombros.- Mas estão atrás da doutora que fez eles perderem parte do material.

— E quando é o próximo ataque?

— Eles vão vender para Ted Gaynor agora, mas querem mesmo a médica.- continuou dando de ombros.- Consigo mais informações se vocês quiserem, mas só se a bonitinha ali me prometer que vai falar com a promotoria.- apontou para Laurel que assentiu.- O material genético de Slade está guardado junto com os outros, estão todos em maletas assim.- indicou a mão de Ray.- Posso fingir preocupação com a doutora que os viu e perguntar quando irão atrás dela, assim passo pra vocês.

— Certo, mas se você fizer alguma gracinha...- falou Oliver se abaixando em sua direção.- Eu te coloco em um lugar pior no que Slade está.

— Eles odeiam você.- sorriu em sua direção.- Mas eu os odeio mais, aqueles pirralhos precisam de um limite.

— Entre em contato assim que realizar o telefonema.- falou Oliver o fazendo assentir.-“ Curtis? Preciso que pesquisa pra mim sobre Joe e Grant Wilson”

***

— O Exterminador teve um filho?- perguntou Ray incrédulo.

— Dois na verdade.- corrigiu Curtis mostrando a ficha dos dois homens em seu computador.- Esse aqui é Joe Wilson, o mais velho, ex agente da CIA, afastado por desonra. Já esse outro aqui é Grant Wilson, formação de quadrilha, roubo, furto, eu já disse roubo?

— Os dois se juntaram para ajudarem o papai então?- perguntou John ganhando um aceno positivo.

— Os conheceu?- perguntou Felicity para Oliver que se encontrava calado.

— Só Joe.- murmurou cruzando os braços.- O mais perigoso eu diria, recebeu treinamento de Slade.

— Eles formaram um grupo para roubarem os DNAs de presos?- perguntou Laurel.- Uau.

— Sem evidência não há como comprovar os crimes, sendo assim...

— O pai deles é solto.- completou Felicity.- Consegue rastreia-lós?

— Estou fazendo isso.- informou Curtis voltando a focar.

— Não é bom trocarmos com Tommy?- perguntou John.

— Eu pensei nisso, mas ele falou que vai ficar lá até de manhã.- falou Oliver.- O que é estranho.

— A companhia deve estar boa.- brincou Felicity.- Slade Wilson teve dois filhos? Tem gosto pra tudo.

— Eu achei ele bonitinho.- comentou Curtis.- Se tirássemos a parte que ele é do mal e colocássemos ele com uma barba feita, perfumado e em boas vestes daria um coroa sexy.

— Eu vou fingir que não ouvi isso.- falou Oliver com uma careta desgostosa.

— Parando pra pensar...- murmurou Sara.- Sem a parte assassina né? É, ele daria um coroa sexy.

— Vocês são loucos.- riu Laurel.

— Aquele cara dá arrepios, não do jeito bom.- comentou Felicity.- Eca.

— Eu vou descansar um pouco, se tiverem notícias do coroa sexy me avisem.- falou Sara subindo as escadas.

— Tomem um banho e relaxem, vem tempos conturbados por aí.- falou Oliver os fazendo assentir.

Oliver desceu para a área de treinamento e caminhou em direção a um saco de pancada, aquilo sempre o ajudava a pensar.

E a não enlouquecer.

Grant e Joe estavam por trás do roubo, um caso simples, eles esperariam o melhor momento e os capturariam, mais uma vez ajudando o país, mas quando se tratava de Slade Wilson...

Quando se tratava do exterminador sempre havia algo mais.

Ele não a conhecia, e isso foi um dos motivos fortes para Oliver não deixar Felicity entrar na sala, ele não queria que a mesma acabasse se envolvendo em sua rivalidade com Slade.

Mas ele lembrava dela.

A mulher da foto.

E agora ela podia estar correndo risco se não conseguissem detê-lo. Acertou com mais força o saco, o fazendo ir a uma boa distância.

Slade era um grande risco internacional, A A.R.G.U.S sabia disso, o FBI sabia disso, a CIA sabia disso, deveria haver uma maneira de mantê-lo atrás das grades, mesmo sem as provas primordiais. Um suspiro irritado o escapou, Slade tinha bons advogados, a lei era frágil, sempre fora, ele iria encontrar um escape.

E então iria o aterrorizar, Oliver concordava com isso, o mesmo merecia.

Mas ela não.

Não ela.

— Oliver? Oliver!- chamou John o fazendo parar.

O loiro somente assentiu ofegante, parando para descansar, aos poucos foi ficando mais calmo, sua adrenalina se esvaziando.

— Obrigado.- agradeceu.

— Vamos pega-los, fique tranquilo.- falou John o fazendo assentir.- Como ele viu?- perguntou o deixando confuso.- A foto.

Dig já havia notado em diversas missões passadas algo que Oliver sempre olhava constantemente, seja pra entrar em uma missão difícil ou principalmente quando estava triste. O mesmo abaixou a cabeça um pouco envergonhado por conta de seu deslize, jamais deveria ter falado para Slade sobre esse assunto.

— Estávamos ao redor de uma fogueira, somente nós dois, e Slade começou a falar de seu amor por Shado e quando eu vi...- suspirou.

— Tomaram whiskey?

— Muito.- respondeu fazendo o amigo sorrir.- Foi um erro de principiante John, agora ela pode estar correndo risco por minha culpa.

— Você tem que parar de se julgar tanto Oliver, você foi apenas humano.- apontou.- E não há nada de errado nisso.

— Humanidade não é algo muito valorizado em nosso trabalho.- respondeu.

— Pra Waller não, mas se todo agente tivesse o mínimo de compaixão que você tem, não teríamos tantos corruptos por aí.- comentou.- E você precisa descansar, Grant e Joe foram vistos na parte norte da cidade, Ray conseguiu grampear o telefone de Tobias enquanto você e Felicity o instruíam a fazer a ligação, só precisa esperar.

— Parece estar tudo nos eixos então.- deu de ombros.- Quer uma aula?

— Eu dispenso.- respondeu os fazendo rir.- Acho que Felicity seria melhor em te ensinar.- comentou quando Oliver balançou a cabeça negativamente.- Se quiserem os damos privacidade.

— Tommy some e você toma o lugar dele?- perguntou com humor.

— Tommy tem um jeito distorcido de falar as coisas, o que não significa que esteja errado.- piscou em sua direção.

— Vocês são impossíveis.

— Só tentando ajudar.- falou John ganhando uma revirada de olhos.- Descansa Queen, amanhã será um dia cheio.

***

Logo ao amanhecer Caitlin e Tommy retornaram, ficando em seu lugar Sara e Curtis. Ambos chegaram de mãos dadas, porém Caitlin a retirou, lançando um olhar significativo para Tommy que assentiu, colocando suas mãos nos bolsos, porém seu sorriso entregava tudo.

Merlyn mentia muito mal.

Era surpreendente conseguir se disfarçar.

Descansaram um pouco e logo acordaram, se juntando ao time que tomava café.

Ray continuava a atualizar os dados, sempre de olho no grampo de Church, que havia demorado a realizar a ligação. Laurel se encontrava ao seu lado, prestando atenção no que fazia, porém suas feições não escondiam que a mesma não entendia coisa alguma. Oliver olhava atentamente Tommy que estava quieto, com um olhar baixo, Felicity também o observava com atenção quando o grampo finalmente foi ligado.

“... Joe?- perguntou Church.”

“ Grant.- corrigiu o irmão mais novo.- O que quer?”

Quanta grosseria senhor Wilson.- falou em tom irônico.- Saiba como tratar seus aliados, Slade tem muito a te ensinar.”

“ O que você quer?- repetiu sem paciência.- Estamos ocupados.”

“ Problemas?”

Alguns.- suspirou.- Qual o motivo de sua ligação senhor Church? A liberdade não o foi o suficiente?”

Não estou reclamando.- riu de forma forçada.- Só estou preocupado, os murmúrios dizem que vocês foram flagrados, espero que meu dinheiro não tenha sido em vão.”

Já estamos tratando disso.- o informou.- Aquela médica não vai viver por muito tempo, nossa informação mais recente disse que ela estava perturbada.- riu como se fosse uma piada.- Talvez em um de seus surtos ela simples tire a própria vida.”

— Esse é o mais de boa?- sussurrou Felicity para Oliver.- Não quero imaginar o outro.

Quando vão pega-lá?”

“ Não vai demorar muito.- murmurou.- Há agentes na nossa cola, estamos dando um tempo.”

Joe já tem uma data?”

“ Ele...”

De repente a linha ficou muda, murmúrios irritados foram escutados ao fundo quando uma voz diferente voltou a linha, Oliver sabia quem era.

Quando a matarmos você vai saber.- respondeu Joe friamente.- Está perguntando demais senhor Church, pode ser amigo de meu pai, mas pra mim não faz a menor diferença.”

Só estava preocupado.”

“ Espero que meu irmão tenha o ajudado.- falou de forma sarcástica.- Mas se não, tem a minha palavra que a Dra. Elisa Schwartz não será mais um incômodo.”

Me avise quando pega-lá, ok?”

“ Até meia noite é dia.”

Trocaram mais meias palavras e a ligação foi encerrada. Um silêncio se formou enquanto digeriam a conversa, ele não havia especificado uma data, mas deu um lembrete discreto.

Até meia noite é dia.

— É hoje.- comentou John.- Eles vão fazer hoje.

— Laurel? Ligue pra Sara, eles têm informantes dentro do hospital.- falou Felicity a fazendo assentir.

— Mudaremos a doutora de quarto somente quando eles estiverem lá dentro, entendido?- falou Oliver.- Vão desconfiar se notarem alguma movimentação repentina. Arrumem seus equipamentos e por favor.- fez um lembrete.- Coloquem o colete à prova de balas.

— Ele realmente funciona.- brincou Tommy lembrando de seu episódio em Londres.- Como vamos nos infiltrar?

— Eu tive uma ideia.- sorriu Felicity.- Peguem suas coisas, vamos pegar aqueles filhos da mãe

***

Conseguir as roupas dos doutores havia sido mais fácil do que imaginaram, o que justificou a maneira com que os informantes entraram com facilidade. A Dra. Elisa Schwartz estava em um andar isolado, o que facilitou o trabalho da equipe em manter os civis longes. Curtis monitorava do quarto todas as câmeras e escutas, os mantendo informados.

Laurel e Ray estavam no primeiro andar, fingindo estarem de folga de um plantão se encontrando do lado de fora, tomando um café. Tommy estava no terceiro andar, fingindo anotar coisas em uma planilha enquanto Caitlin checava a pressão de uma senhora.

— Está tudo bem, o medicamento está fazendo efeito.- sorriu quando se levantou.

— Esse disfarce caiu certinho em você.- sorriu.

— Você daria um belo cirurgião.- apontou para suas vestes azuis.- Sexy.

— Você achou?- perguntou arqueando as sobrancelhas se aproximando.

— Tommy...- o repreendeu.- Conversamos sobre isso.

— Claro, eu vou fingir anotar alguma coisa importante aqui.- comentou a fazendo rir.- Caso muito complicado.

— Suponho que sim.

No andar acima, Sara e John também estavam infiltrados como civis na sala de espera, a procura de informações de seus entes queridos, sem deixar de notar o elevador que passava por todo o hospital. Em um andar um pouco mais vazio abaixo de onde Curtis estava, Oliver e Felicity conversavam em volta do pequeno balcão. O loiro vestia um jaleco branco assim como Felicity, que aguardavam o momento certo para subir ao andar com um carrinho com medicamentos.

— Não sei se foi uma boa ideia deixar Curtis sozinho.- murmurou Felicity um pouco apreensiva.

— Deveria confiar mais nele.

— Eu confio, mas também me preocupo.- suspirou.- Só não quero que ele se machuque.

— Curtis está virando um agente muito bom Felicity, uma hora essa insegurança vai ter que ir embora.

— Ele é idêntico a ela.- balbuciou em voz o deixando confuso.

— Como?

— Nada.- respondeu rapidamente.- Acha que eles vão demorar pra chegar?

— Creio que não.- deu de ombros.- Espero.

— Está muito preocupado com esse caso, não é?- perguntou quando o mesmo assentiu.- Sempre tem casos que tocam mais a gente, é comum no nosso trabalho.

— Já teve o seu?- perguntou a observando.- Como acabou?

— Não muito bem.- respondeu sem esconder seu desconforto.- Mas até hoje tenho minhas memórias sobre ele, e se dependesse de mim...- se calou quando fechou os olhos.

— Quando quiser conversar sobre isso...- falou Oliver quando a mesma assentiu.- Eu estou aqui.

— Obrigada.- sorriu levemente.- “ Atualização.”

“- Sem movimentação.- informou Laurel.”

“- Tudo limpo no terceiro andar.- falou Tommy.”

“- Sala com quatro civis, até agora tudo limpo.- informou Sara.”

“- Ao redor do prédio tudo limpo.- disse Curtis.”

“- Continuem atentos.- falou Oliver.- Eles vão aparecer.

— Vão sim.- assegurou Felicity.- Sabe “ Harry Potter e a pedra filosofal”?- perguntou o deixando confuso com sua mudança repentina de assunto.

— Sim?

— Todos procuravam por um cara com vestes escuras e mau humorado, quando na verdade o vilão era o professor Quirrell.- continuou indicando o faxineiro que passava com o carrinho da limpeza.

— Nosso Quirrell.- murmurou ganhando um aceno positivo.- Senhor? Pode me ajudar? Preciso de sua ajuda no terceiro andar, uma paciente vomitou tudo lá, uma verdadeira loucura.- comentou quando o homem assentiu.- Eu te ajudo a levar o carrinho.

— Não precisa.- sorriu nervosamente indo em direção ao elevador, com dificuldade de locomoção.

— Parece pesado.- sorriu Oliver de canto trocando um olhar discreto com Felicity.- Devem ter muitos produtos aí dentro.

“- Atenção andar inferior, eles estão no prédio.- informou Felicity.- Carrinho da limpeza...

— Felicity abaixa!

Uma corrente de fumaça os cobriu enquanto recuavam, Oliver conseguiu avistar antes da porta do elevador se fecha dois homens, reconhecendo um que o lançou um sorriso de canto.

Joe Wilson.



— Felicity?- a chamou quando a loira levantou, tossindo.- Você está bem?

— Escadas.- falou pegando em sua mão os fazendo subir os degraus correndo.- Conseguimos chegar antes dele.

“- Eu quero prioridade no último andar, Joe Wilson está no prédio.- informou Oliver.

“- Grant Wilson também se encontra aqui, iniciou um tiroteio ferindo levemente duas pessoas. — informou Tommy ofegante.”

“- Lance na linha, os elevadores estão parados, subindo pelas escadas.- falou Laurel.”

“- John na linha, literalmente a um lance de escadas atrás de vocês.”

“- Curtis? Na escuta?- perguntou Felicity.”

“- Quarto oposto ao combinado, a doutora está consciente e compreende a situação, estou tentando acalma-lá.”

“- Quantos homens estão com os irmãos Wilson?”- perguntou Felicity.”

“- Quatro, fortemente armados.”

“- Copiado, se mantenha escondido.- falou Felicity.

— Achei vocês.- suspirou Sara ofegante.- E agora?

— Vocês vão para o lado esquerdo e nós para o direto, os homens de Wilson vão revirar esse hospital até encontrá-la.- falou Oliver os fazendo assentir.- Agora.

Seus planos foram totalmente invalidados pela quantidade de balas que voaram assim que Sara havia colocado seu pé no corredor, sendo imediatamente puxada para a escada novamente, que os dava cobertura. Colocou seu rosto rapidamente a tempo de avistar dois homens com rifles no meio do corredor, usando máscaras das tonalidades metade laranja e preto.

— Dois.- informou Sara.- O equipamento deles é melhor que o nosso.

— Não importa o equipamento, mas sim a precisão do tiro.- falou Oliver os olhando rapidamente.

— Vamos atirar nas pernas.- disse Felicity se posicionando com John.- Quando fizermos isso vocês prosseguem, ok?

— Ok.

— Vamo lá Lis.- falou John ficando ao seu lado.- 1...

— 2...

— 3!

Em um movimento ousado, ambos atiraram no mesmo instante, fazendo os dois homens reclamarem de dor. Rapidamente correram em suas direções aproveitando seu momento de deslize, os golpeando e pegando seus armamentos.

Oliver seguia com passos ágeis, porém cautelosos pelo o corredor, inspecionando os quartos que se encontravam vazios. Ao entrar em um, foi surpreendido por um soco que levou, o fazendo cambalear até o lado oposto.

— Oliver Queen.- sorriu Joe caminhando em sua direção.- Como sempre intrometido.

— Está conseguindo agradar o papai desta vez?- perguntou com sarcasmo.- Você nunca foi muito bom nisso Joe.

— Precisa ser mais convincente se quiser me distrair Queen.- comentou com diversão.- Ela está aqui, e eu vou pega-lá.

— Vamos ver.

Oliver jogou em sua direção alguns aparelhos, o atrasando quando começou a golpeá-lo. Joe conseguia se esquivar, de repente acabaram caídos no chão em um embolado, Oliver segurava seu pescoço com força, deixando Joe sem ação. Uma das vantagens de ser treinado por Slade Wilson era que independente da situação, um argumento poderia o ajudar.

Ou um nome.

— Felicity Smoak.- murmurou Joe com um sorriso de canto conseguindo levar sua mão até o bolso da calça.- Meu pai vai fazer muito pior com ela do que o que fizeram com Shado.

Suas palavras haviam deixando Oliver aéreo. Aproveitando seu momento, Joe pegou a lâmina que continha guardada e a enfiou na perna de Oliver, conseguindo se desvencilhar do loiro.

— Você não podemos machucar, mas ela...- continuou.- Grant já deve tê-la encontrado, sinto muito Queen.

— Vai pro inferno.

Mais agressivo, Oliver retornou seus golpes, se pondo de pé, ignorando por completo a dor que sentia na perna direita. Segurou na nuca de Joe o fazendo bater o rosto com toda sua força na parede, o deixando um pouco zonzo, Joe aproveitando ferimento na perna de Oliver o deu um chute, fazendo seu corpo cair no corredor quando o subiu em cima de si o dando um soco no nariz .

— Olha ela ali.- apontou para Felicity que lutava arduamente com um de seus homens, o impedindo de chegar ao quarto que Curtis estava.- Seria uma pena se...- pegou sua arma e então a mirou em sua direção, imprensando o rosto de Oliver no chão, sem deixar opção alguma para o mesmo desviar o olhar.- Ela se machucasse.

— Ela não.

Como se adrenalina escorresse em seu corpo, Oliver conseguiu o fazer errar o tiro no momento do disparo. Se desvencilhar e o acertou em cheio, trocando suas direções o dando uma sequência de socos sem parar. Parou com seus movimentos ao notar que Joe havia ficado aéreo, retirando suas armas. Olhou para onde Felicity estava e uma expressão de desespero o atingiu, havia um homem atrás da loira, Grant na realidade, pronto para feri-la. Seu aviso não teve tempo de ser dito pois um disparo já havia sido executado, seu coração se sobressaltou.

Ela não.

Não ela.

Sua aflição logo se transformou em confusão ao notar que o homem estava caído no chão ao invés de Felicity.

Como…?

— Isso foi demais!- comemorou Curtis que saia do quarto.- Essa pistolinha é boa mesmo, nunca mais vou reclamar por conta dela.

Um suspiro aliviado o escapou quando se sentou no chão.

Eles haviam conseguido.

Haviam salvado o dia

***

A movimentação no hospital ainda durou algumas horas, Grant havia criado uma verdadeira bagunça como distração, alguns civis precisaram de calmante por conta da situação, porém felizmente ninguém havia sido ferido gravemente. Os DNAs forma recuperados e todos os homens soltos voltaram para trás das grades, o que incluiu Tobias, que teve sua pena reduzida como Laurel prometera.

É sempre útil ter aliados de ambos os lados.

Eles sabiam como isso continha um peso crucial em seus trabalhos.

Oliver foi visitar Slade, qual o recebeu de cara amarrada, tentando até mesmo se soltar para agredi-lo. Ouvir suas ameaças já não pesavam tanto como antes, principalmente pois o loiro entrou em contato com alguns agentes da A.R.G.U.S, que o assegurou que qualquer nova informação o mesmo saberia, e se Slade se comportasse mau iria para um lugar pior do que onde ele estava, Oliver sabia exatamente onde era.

Um verdadeiro purgatório.

Qualquer um ficaria perturbado em um lugar como aquele, somente você e suas assombrações, Oliver concordava com uma frase de Slade.

“ Você é quem mais se sabota.”

Realmente, ele merecia um troféu pela quantidade de vezes que havia feito aquilo.

Curtis foi parabenizado por sua ação rápida na missão, tratando de acertar em pontos não fatais, ao que parecia, a competição entre Oliver e Felicity para serem o melhor professor/ professora estava resultando em alguma coisa.

— Já posso usar arma então?- perguntou animado.

— Por enquanto só essa.- falou Felicity apontando para a pistola.- Obrigada, salvou minha vida hoje.

— De nada chefinha.- piscou em sua direção.- E sobre a pistola, é um começo, vou apelida-lá de Woz.

— Porque você apelida as coisas?- perguntou Tommy que estava apoiado no balcão.- Isso é mau presságio, Codo e Podo...

— Não fale o nome dos meus filhos!- o interrompeu.- Eles passaram por momentos difíceis e estão em estado de recuperação.

— Me desculpe, “ papai.”- ironizou os fazendo soltar um riso baixo.

— Todos estavam muito bem posicionados e agiram com flexibilização e raciocínio rápido durante a ação de hoje, nossa comemoração é por vocês.- falou Felicity levantando sua cerveja.- A nós.

— A nós!

A loira se acomodou no balcão, onde Oliver se encontrava pensativo, porém se virou em sua direção assim que notou a sua chegada.

— A conversa com o senhor Wilson foi boa?- perguntou Felicity.- Ele deve ter ficado muito feliz.

— Ele ficou sim.- sorriu Oliver de canto.

— Está mais calmo?- perguntou sem esconder sua preocupação, o mesmo assentiu.- É normal se sentir ameaçado quando um maníaco quer matar você, ou o coroa sexy, como Curtis e Sara gostam de chamá-lo.- comentou os fazendo soltar um riso baixo.- Tem gosto pra tudo, eca.

— Eu não estava preocupado sobre o coroa sexy tentar me matar.- falou Oliver quando escutou a risada de Felicity pelo apelido que Slade havia ganhado.- Estava preocupado com o que ele poderia fazer com as pessoas que eu a... Com as pessoas que são importantes pra mim.- corrigiu a última parte notando que a mesma o encarava, em momento algum Oliver desviou.- Agora elas estão seguras e isso me mantém feliz.

— Fico contente por isso.- falou Felicity quando desviou o olhar e engoliu em seco.- Eu... Eu vou ali.

— Ok.

A observou se esquivar novamente, como o de costume. Em seu percurso, seu olhar parou em Ray e Curtis que conversavam, ambos estavam em pé quando Laurel surgiu da cozinha, parando estranhamente para observar Ray que estava de costas ao lado da escada. Uma ruga surgiu na testa de Oliver com sua atitude, mas o movimento seguinte o deixou com a boca entreaberta. Laurel se aproximou e apertou levemente a bunda de Ray, que deu um pequeno pulo de susto com o movimento, Laurel apenas piscou em sua direção, o fazendo sorrir de canto. A mente de Oliver agora trabalhava como as peças de um relógio reformado, que aos poucos iam se completando, fazendo as horas e os segundos circularem novamente.

— Ele está descobrindo.- murmurou Sara para Tommy que o encaravam com diversão.

— Tic-Tac meu amigo.- brincou Tommy.

Oliver ainda revisava a imagem perplexo, como ele não havia notado? Estava sofrendo esse tempo todo à toa? Um suspiro frustrado o escapou quando se apoiou no balcão.

— Eu sou um péssimo detetive.

Notas finais
Oliver finalmente abriu os olhos gente, agora ele pode respirar mais aliviado kkk. Sobre Tommy e Caitlin, vou explicar no próximo como vai ocorrer esses primeiros passos dos dois, já que como vimos no passado eles não tiveram muita sorte. Olicity também vai se aproximar cada vez mais, o que uma hora vai requerer uma velha olhada ao passado, mesmo que eles não queriam. Enfim, foi isso. Comentem e até a próxima atualização ❤️