Sweet Temptation
29 Indignação
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
Meu celular tocou, o peguei mesmo sem ânimo para atender, quando vi o nome da minha irmã no visor, estranhei. A Melanie não costumava me ligar passando das 22:00h da noite. Resolvi atender mesmo sem vontade de conversar com ninguém.
— Oi. — Murmurei voltando a deitar na cama.
"- Sam? Eu te acordei? — Perguntou com a voz meio abafada."
— Não, você sabe que eu não durmo cedo. — Falei. — O que você quer? — Perguntei.
"- Se não quer falar comigo, fala logo, não precisa me tratar assim... — Disse com a voz chorosa."
Notei que algo estava errado, sentei na cama.
— Algum problema, Mel? — Indaguei ouvindo sua respiração pesada.
" — Eu só te liguei porque eu precisava conversar com alguém de confiança... — Seu tom cheio de angústia me preocupou."
— O que aconteceu? Fala logo! Você está me deixando aflita! — Levantei já imaginando mil coisas ruins que poderia ter acontecido com ela.
" — O Logan me agrediu... — Disse quase num sussurro."
— O quê? — Perguntei incrédula.
" — Ele estava bêbado, a gente acabou discutindo e ele partiu para cima de mim... — Disse chorando."
— Desgraçado! — Gruni.
"- Não conta para a mamãe, eu vou ficar bem... Ele não vai tazer de novo, eu não denunciei. — Ela disse me deixando ainda mais aflita."
— Você não prestou queixa? — Me indignei.
Logan Davis era o seu namorado, 5 anos mais velho. Eu só tinha visto ele por fotos, mesmo não o conhecendo, eu não tinha ido com a cara dele.
" — Não, ele prometeu que não ia mais...
— E você acreditou, Melanie? Se ele fez uma vez, vai fazer de novo. E vai continuar fazendo, ele deveria ser preso. Você não pode defendê-lo, e fingir que nada aconteceu. — Falei sério com ela.
"- Mas, Sam, você não entende, ele é meu namorado. Eu o amo! — Protestou."
— Mas ele não te ama, quem ama não machuca. E se você continuar nesse relacionamento, ele vai acabar te matando! — A alertei.
" — Ele não seria capaz... — Ela ainda estava chorando."
— Você precisa ir na delegacia, Mel. Faça o que é certo. Você tem todo o meu apoio. — Fui sincera com ela.
"- Está bem... — Concordou. — Eu vou fazer isso. — Disse para o meu alívio. — Obrigada, Sam. — Me agradeceu."
— Você não precisa me agradecer. Qualquer coisa, me ligue. E você devia contar para a mamãe, sabe que pode contar com ela e com o papai. Não precisa proteger o Logan, ele tem que pagar pelo que fez. — Eu disse à ela.
" — Eu sei, maninha. Obrigada pela força. Eu realmente precisava desabafar... Meu corpo dói, estou com hematomas, mas o que mais dói é amar esse homem que foi tão cruel comigo, eu nunca imaginei que ele chegaria à esse ponto... — Disse ainda chorando."
Nenhuma mulher deveria passar por aquilo. Melanie era tão doce e delicada... Saber que ela estava passando por aquela situação, me entristeceu e me indignou bastante.
"Maldito Logan Davis!"
Era a minha irmã gêmea, e mesmo estando longe uma da outra, a gente tinha uma forte ligação, porque laços sanguíneos são eternos.
Ela sempre poderia contar comigo.
[...]
P.O.V Da Mandy
— Jay? — O chamei.
Fazia um bom tempo que estávamos ali na sala assistindo.
— O que é, pirralha? — Se virou para mim dando um sorrisinho debochado.
— Já vou para o meu quarto, tenho que acordar cedo amanhã. — Falei levantando do sofá.
— Por quê? Você só estuda à tarde. Senta aí e vamos terminar de assistir o filme. — Disse batendo ao lado dele, mandando eu sentar. — Se preferir sentar no meu colo... — Sorriu malicioso.
— Para com isso, James! Eu sou sua irmã! — Falei muito indignada.
— E daí? Às vezes as irmãs caçulas tem quedinhas pelos irmãos mais velhos! — Comentou.
— Que nojo! Como você pode falar uma coisa dessas para mim? — Eu estava horrorizada.
Senti meu estômago embrulhar só de imaginar...
— Affs! Não tem nada demais nisso... — Revirou os olhos.
— Você devia me respeitar, se o papai souber...
— Até parece que você vai contar para ele. — Debochou fazendo pouco caso.
— Não me subestime, James! Eu tenho coragem! — Avisei.
— Mas você não vai, você não é doida de fazer isso, porque se fizer vai se arrepender, Amanda! — Apontou para mim.
— Você está mesmo me ameaçando? — Encarei seus olhos azuis.
Havia um certo brilho naqueles olhos claros através do olhar sombrio.
— Entenda como quiser, maninha... Só saiba de uma coisa, você vai ser minha e eu não vou forçar nada, eu posso ser um babaca, mas eu te amo do meu jeito, um dia você vai entender isso, eu jamais seria capaz de te machucar... E sobre aquele beijo, eu sei que não devia e você tem toda a razão de ainda estar com raiva, mas eu sinto muito... Pode não ter significado nada para você, mas para mim significou muito...
— Você só pode ser doente mesmo! — O interrompi. — Você é completamente maluco! — Eu jamais vou te corresponder! — Isso é loucura, James! Loucura! — Exclamei. — Você me ameaça e depois diz que me ama? Como ousa? Eu não te entendo e nem quero entender! Eu nunca vou sentir o mesmo por você! Nunca! — Deixei bem claro.
Ele ficou completamente mudo. Antes de desviar o olhar, vi que seus olhos estavam marejados.
— Você devia se tratar! — Falei antes de sair dali o deixando sozinho.
[...]
No dia seguinte...
P.O.V Da Carly
— Lá vem o seu namorado. — Wendy disse indicando a BMW.
Gibby já tinha a própria vaga, ele estacionou a bela máquina e quando as portas se abriram, Freddie e Mandy sairam do carro.
Ele parecia cabisbaixo e a garota estava animada, tagarelando. Assim que me avistou, Gibby sorriu e acenou.
— Ele tá vindo para cá. — A ruiva me cutucou.
Sam ainda não tinha chegado.
— Não quero falar com ele. — Lhe dei as costas e caminhei rumo ao gramado.
— CARLY? — Meu namorado idiota gritou por mim.
O ignorei e continuei me afastando, apresssando os passos.
Atravessei o gramado aparado e cheguei à fachada do colégio. As grandes portas-duplas estavam abertas.
Entrei mesmo sabendo que ele me seguiria.
— Carly? — Me chamou.
Não olhei para trás, segui pelo longo corredor.
— Carls! — Me alcançou e segurou-me pelo braço.
— Me solta! — Virei para ele, estapeando sua mão.
— Você ainda está chateada comigo? — Perguntou parecendo triste.
— Você ofendeu minha melhor amiga e ainda me ofendeu, não é para menos, né? — Cruzei os braços.
— Me desculpa, tá legal? Não foi a minha intenção te...
— É, mas você disse e não pode voltar no tempo. — O cortei.
Ele recuou me olhando arrependido.
— Sinto muito. — Murmurou.
Olhei para os pés, me sentindo triste por estamos naquela situação.
— Você quer terminar comigo? — Sua pergunta me pegou de surpresa.
— Eu estava pensando em darmos um tempo. — Falei.
— Sério, Carly? — Me olhou indignado. — Eu já me desculpei! Poxa! Por quê os relacionamentos são tão complicados? — Franziu o cenho.
— Dar um tempo pode ser uma boa ideia. Vamos poder repensar em certas coisas, nós...
— Você quer ficar com outros garotos, não é mesmo? — Fechou o semblante.
Os olhos esverdeados pareciam queimar sobre mim.
— Não, eu não...
— Então, prova para mim. Continue sendo minha namorada! — Me encurralou contra um armário.
— Gibby... — Ele abaixou a cabeça e selou nossos lábios.
Fiquei alguns segundos sem me mover. Ele agarrou minha cintura, os braços grandes e fortes me envolvendo calorosamente.
Retribuí o beijo, agarrando sua nuca e passando as unhas ali.
Nos beijamos até o ar nos faltar.
— Que tal matarmos as primeiras aulas? — Disse após dar uma mordidinha no meu lábio inferior.
— Acho que não é crime e não faz mal algum... — Concordei.
[...]
P.O.V Do Freddie
— Olha pelo lado bom, pelo menos você se livrou daquela má companhia, você vai superar, vai encontrar a garota certa que te fará muito feliz! — Mandy tentou me animar.
— É, eu vou superar... Concordei.
— Que tal a gente ir tomar sorvete depois que as aulas terminarem? — Ela era uma boa amiga e estava fazendo de tudo para me botar para cima.
Assim como o Gibby, a Mandy era divertida e muito gente boa. Eu tinha sorte de ter amigos como eles.
— Sorvete não. — Recusei, aquilo só me fez pensar na Sam e no nosso primeiro beijo. — Prefiro vitamina. — Falei.
— Ótimo! Eu amo vitamina! — Se empolgou.
Sorri para ela, a baixinha sempre me fazia rir ou sorrir.
— Freddie, eu... — Ela foi interrompida pela Sam.
— Eu preciso falar com você. — A loira me abordou no corredor. — Por favor, você tem que me ouvir. — Implorou.
— Ele não quer papo com você, garota! Sai fora! — Mandy disse ficando na minha frente.
— Sai fora você, pirralha! Meu assunto é com ele e não com você. Quêm você pensa que é, hein? Não se meta aonde não é chamada, abelhuda! — Sam avisou sendo grossa.
— Não precisa ser grosseira com a Mandy. E ela está certa, eu não quero conversar com você, não temos mais nada para conversar, agora se nos der licença. Vamos, Mandy? — A puxei pela mão.
— Freddie, você não pode me ignorar assim. Freddie? Eu tô falando com você! — Nos seguiu.
As pessoas já estavam prestando atenção em nós.
— Me deixe em paz! — Soltei a mão da Mandy e me virei para a loira. — Será que você ainda não entendeu que eu não quero mais ficar perto de você? — Eu já estava nervoso. — Não fala mais comigo, finja que eu não existo! — Falei num tom baixo para só ela ouvir.
— Mas, Freddie... — Sua voz saiu embargada.
— Não complique as coisas, Puckett. Apenas não complique, eu já estou muito decepcionado com você! — Falei. — Vamos, Mandy? O sinal já vai tocar! — Me virei para a minha amiga, nos apressamos deixando a loira para trás.
Ouvimos os burburinhos que se formaram. Todos que nos viram no corredor, já estavam falando da gente. Aqueles curiosos que não tinham mais nada para fazer.
Só o que me faltava era ser o principal assunto de fofoca que circulava por CHS.
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