Sweet Secret

6 Pequena princesa


Notas iniciais
Oi gente, eu sei que fui uma idiota, de novo. Desculpem mesmo pela demora, espero que não estejam muito chateadas comigo e que continuem acompanhando a fic, sei que é meio egoísta da minha parte. Esse capítulo vem com surpresinhas ;) Boa-leitura e espero que gostem.

A morena sorriu para o espelho, a barriga de quatro meses já dando um grande sinal. Nem grande e nem pequena, mas a protuberância havia aumentado consideravelmente. Analisou o desenho feito pelas amigas e sorriu novamente.

Era uma tarde de sábado quando as ruivas bateram em sua porta e depois de assistirem um filme, Annie teve a brilhante ideia de desenhar em sua barriga, mas Katherine revirou os olhos e disse que era ridículo e não faria aquilo. Foi uma doce ilusão pensar que depois de dizer não mais de quatro vezes, Annie a deixaria em paz.

Concordou em fazer o desenho para se ver livre da perturbação de Annie. Sabia que tinha mudado bastante desde que descobrira do bebê, mas ainda assim, estava meio travada. Tinha medo de ser mãe e ter tais sentimentos, como gostar de fazer coisas que grávidas fazem, como por exemplo, desenhar na barriga, tirar várias fotos, ficar admirando a barriga ou até mesmo contar as horas para a chegada daquele serzinho, para só no final, a vida levar aquela criança para longe dela, que nem aconteceu com a última que trouxe ao mundo.

Tentava tirar essa paranoia da cabeça, a pessoa que levou sua filha embora estava morta a séculos – não que ficasse feliz, apesar de tudo, ele era seu pai. Por mais que dissesse a si mesma que ficaria tudo bem, não conseguia se convencer totalmente. Em séculos de vida, tinha feito mais inimigos do que podia contar, um deles era um híbrido original, forte e vingativo, irmão do pai da criança que carregava. Não tinha mais tanto medo de Klaus, afinal, ele estava ocupado demais em Nova Orleans para sequer lembrar-se de sua existência. E machucar um bebê, era algo que tinha certeza que até ele não teria coragem de fazer, mesmo não sabendo que o pai do bebê era seu irmão.

Suspirou e balançou a cabeça para afastar tais pensamentos. Voltou os olhos para a barriga, onde estava escrito com batom vermelho “4 meses” e um coração desenhado ao lado.

– Não foi tão ruim assim. – Annie falou quando ela saiu do banheiro.

Katherine sorriu de lado.

– Agora, precisamos registrar esse momento, mamãe. – Amy sorriu com uma câmera na mão.

Katherine quase revirou os olhos quando ouviu o apelido, mas sorriu.

Depois de várias fotos, as ruivas a deixaram livre e ela aproveitou para limpar o batom. Quando terminou seguiu para a cozinha onde as garotas preparavam um lanche, sua boca salivou com o cheiro de sanduíches na sanduicheira, mas ela sabia que aquilo eram os efeitos da gravidez, afinal, o bebê era meio humano e tinha que se alimentar.

Lancharam entre conversas animadas e quando já estava anoitecendo, as irmãs foram embora. Katherine terminava de guardar o último prato quando a campainha tocou, ela jogou o pano de prato no balcão e foi atender.

Abriu a porta e se deparou com uma jovem mulher, de cabelos e olhos castanhos, muito bonita.

– Pois não? – Katherine perguntou.

– Boa-noite, você é Katherine Pierce? – A mulher perguntou.

Katherine congelou no lugar, geralmente quando alguém lhe procurava e com um semblante sério, não vinha coisa boa. Revirou o cérebro atrás de qualquer lembrança e teve certeza que nunca tinha visto aquela mulher.

– Sim. – Ela respondeu, cruzando os braços na frente do peito. – O que você quer?

– Podemos conversar?

Katherine pensou um pouco e então assentiu positivamente com a cabeça. Mesmo não conhecendo a mulher, achou melhor conversar. Poderia ser amigo ou parente de alguma pessoa a quem ela fez algo de ruim, mas se fosse, não bateria em sua porta e a convidaria por uma conversa de livre e espontânea vontade.

– Pode ser em outro lugar? – Perguntou, afinal, se fosse uma vampira, não seria seguro deixá-la entrar em sua casa sem ao menos conhecê-la.

– Claro.

– Me espera aqui fora?

A mulher assentiu e Katherine entrou, desligou as luzes, pegou sua bolsa e as chaves da casa e do carro. Saiu de casa e trancou a porta.

– Podemos ir para a praça. – Katherine sugeriu, lembrando-se que o lugar não deveria ter muita gente, já que teria uma festa no Grill.

A morena concordou e ambas foram para o carro. O percurso foi curto e silencioso. Katherine estacionou e desceram do veículo. Sentaram-se num banco e ficaram um tempo em silêncio.

– Bom, chegamos, acho que deveria dizer pelo menos quem é. – Katherine disse.

– Tudo bem. – A mulher suspirou. – Sou Nádia.

– E o que quer comigo, Nádia?

– Conhecê-la.

Katherine ergueu uma sobrancelha, aquilo era estranho, uma mulher na sua porta querendo conhecê-la. Provavelmente era uma mentira.

– Por quê? – Indagou desconfiada.

– Passei a minha vida inteira esperando por isso, procurando-a. – Nádia tinha a voz embargada.

Ela achou que não poderia ficar mais estranho, porque ela poderia passar a vida toda procurando por alguém que sequer a conhecia?

– Desculpe, não entendo o que está falando.

– Você vai entender. – Ela limpou algumas lágrimas com as palmas das mãos e tomou uma postura mais séria. – Sou Nádia Petrova.

Katherine arregalou os olhos, seu queixo caiu e ficou paralisada com o choque. Aquilo só poderia ser uma brincadeira, uma de muito mau gosto. Não poderia ser verdade, não poderia principalmente porque a ideia que passou-lhe pela a cabeça era totalmente irracional.

A última Petrova de que tinha notícia era sua filha e ela obviamente estava morta. Quer dizer, ela achava que estava, pois nenhum humano comum sobreviveria por quinhentos anos. Mas a mulher a sua frente alegava ser uma Petrova. Poderia muito bem ser mentira, talvez alguém do passado a quem ela fez mal querendo torturá-la.

Mas não era mentira o que via nos olhos castanhos da outra tão idênticos aos seus. Ela não queria acreditar, talvez fosse seu cérebro lhe pregando peças, talvez fosse à vontade que tinha de conhecer a filha que lhe foi tirada, talvez fossem os hormônios da gravidez ou qualquer outro sentimento que ela tinha tentado enterrar. Porém parecia que todo o seu ser lutava para fazê-la acreditar. E ela não queria acreditar e sofrer mais uma decepção, por mais que sentisse que era verdade.

– Sim, Katherine, sou sua filha. – Ela disse, praticamente adivinhando a batalha interna que a outra sofria.

Seus olhos encheram-se d’água e antes que pudesse contê-las, desceram por seu rosto. Não poderia ser verdade, sua filha tinha sido levada embora e provavelmente tinha morrido, não era possível que estivesse ali na sua frente.

– Isso é ridículo, minha filha nasceu há quinhentos anos, um ser humano não sobrevive todo esse tempo.

Levantou-se e secou as lágrimas quando se virou para ir embora, Nádia segurou sua mão fazendo-a olhá-la novamente e levantou-se.

– Um ser humano não, um vampiro sim. – Disse séria.

Katherine quase se estapeou por não ter pensado nisso. Ela poderia ter se transformado em vampira e vivido todo esse tempo, era lógico.

Ao olhar no rosto dela novamente, Katherine podia ver alguns de seus traços. Mesmo não querendo acreditar, a verdade estava na sua cara. Poderia ser uma mentira, claro, mas a mulher a sua frente parecia emocionada demais para mentir e mesmo sabendo o quanto as pessoas ou qualquer espécie de ser sobrenatural podiam usar de sentimentos para mentir, ela acreditou.

Seu coração encheu-se de emoção e amor, por mais que ela tentasse reprimir. Passara quinhentos anos achando que tinha perdido-a, sentindo-se culpada por não ter conseguido encontrá-la e cuidar dela e tentando enterrar todos os seus sentimentos em relação a ela para não sofrer.

Nádia abraçou-a e ela ficou parada, sem reação, mas logo se recuperou e correspondeu o abraço.

Tinha sonhado por muito tempo como seria abraçá-la, mas nada se comparava aquilo. Era uma sensação tão boa sentir sua filha, tudo bem que não era a criança que imaginaria um dia encontrar, era uma mulher feita, mas mesmo assim, era uma sensação indescritível. O amor, carinho e a emoção de tocar aquela que nem teve chance de sequer segurar faziam seu coração quase explodir.

Katherine beijou-lhe os cabelos e afastou-se, segurando seu rosto com as mãos.

– Eu esperei tanto tempo por isso, passei minha vida toda a procurando, achei que nunca iria encontrá-la, mas você está aqui. – Nádia disse emocionada.

– E eu achei que estava perdida para sempre, que nunca a veria ou conheceria. – Katherine disse igualmente emocionada. – Sinto muito por termos ficado separadas por tanto tempo, por você ter perdido sua vida procurando-me.

– Está tudo bem. – Nádia abraçou-a novamente. – Não sinta, eu não me arrependo nem um pouco, afinal, agora eu te encontrei e isso é o melhor presente que eu poderia ganhar.

– Eu nunca mais vou deixar você ir, querida, nunca mais. – Katherine sussurrou.

[...]

Depois de conversarem, foram para casa. Nadia lhe deu até algumas provas de que não era nenhuma impostora, contou-lhe sua história e tudo que passou para chegar até ela. Katherine sentiu-se culpada por não ter conseguido achá-la e por não ter ficado ao lado dela. Mesmo depois de Nádia tê-la garantido que estava tudo bem e que tinha valido a pena, a culpa não passou.

Estava parada na soleira da porta, observando a filha dormir. Sorriu. Nunca a imaginou como mulher, sempre que imaginava como ela seria, pensava numa garotinha com seus olhos ou no máximo uma jovem adolescente. Nunca parou para pensar em como ela seria como mulher.

Mas sua imaginação nunca criaria algo bom o suficiente para descrever a morena adormecida. Ela era linda, com seus cabelos e olhos castanhos, tão parecida com ela. Cada traço a tornava mais bela, não sabia se achava aquilo por ser sua mãe ou porque Nádia era realmente bonita.

Além de beleza física, tinha um coração de ouro. Abrira mão de sua vida para procurar a mãe e isso já mostrava bastante de seu caráter, Katherine sabia que não era só por curiosidade que ela a procurara e sim por amor também. Tinham conversado muito para uma noite, mas ainda conheciam-se há muito pouco tempo e mesmo assim, já podia perceber que sua filha era boa, que mesmo depois de ter passado por muitas coisas, tornou-se uma pessoa maravilhosa. Sentia-se muito orgulhosa por isso.

Sentia-se mal por não ter assistido-a tornar-se a mulher determinada que era. E mesmo com Nádia dizendo que estava tudo bem e que iriam ter tempo de sobra para compensar o perdido, sabia que nada que fizesse compensaria sua ausência por tanto tempo. Mas podia tentar e ser uma boa mãe, alguém que Nádia tivesse orgulho de amar e que compensasse pelo menos metade dos seus esforços.

– E eu achando que ainda teria cinco meses para me preparar. – Ela sorriu e afagou a barriga. – Você tem uma irmãzinha, sabia?

Nádia já tinha notado o estado que Katherine encontrava-se. Conversaram sobre o assunto e a filha ainda estava meio assustada com o fato de que uma vampira estava grávida. Ficou preocupada com o bem estar da mãe, pois ninguém sabia ao certo as consequências da gravidez, mas também estava feliz por ter um irmão ou irmã caçula.

– Ela está feliz por estar vindo. – Sussurrou. – Quando você nascer, nossa família estará completa.

Entrou no quarto e sentou-se na cama. Acariciou o rosto da mulher com a frente dos dedos.

– Seremos felizes e eu nunca vou deixar nenhum dos meus filhos partir de novo. Eu prometo. – Inclinou-se e beijou-lhe a testa. – Eu amo você, minha Nádia.

[...]

Um mês tinha se passado. As coisas iam maravilhosamente bem, tão bem que ela tinha até medo que algo desse errado, o que era bastante comum no mundo deles.

Nádia tinha se adaptado bem a cidade e estava morando com ela, obviamente. Sua filha já tinha conhecido Matt na época em que ele viajou com Rebekah. Katherine arrependia-se de ter obrigado-a a contar-lhe os detalhes de como se conheceram. Por mais que fosse a última pessoa a ter o título de mãe careta e que sua filha tivesse mais de um século de vida, Katherine realmente não estava preparada para ouvir sobre a aventura sexual que Nádia tivera com Matt e a vampira original. Sabia que nunca conseguiria livrar-se das náuseas causadas quando sequer parava para pensar naquilo.

A gravidez ia bem, sua barriga crescera e seus pés incharam um pouco. Sentia-se uma bola e virara a mais nova piada do Salvatore mais velho. Se não estivesse naquele estado, Damon pagaria de forma bem dolorosa.

Porém nem mesmo ele poderia irritá-la a ponto de estragar sua felicidade. Stefan e Nádia estavam cada vez mais cuidadosos. Caroline, Amy e Annie não viam a hora de saber se era um menino ou uma menina, para poderem ajudá-la com o enxoval e outras coisas.

Na última consulta que fizera – no mês anterior –, não dera para descobrir o sexo do bebê, pois ele estava com as pernas cruzadas. Mas estava confiante que na próxima consulta – que seria em algumas horas – finalmente descobriria.

– Se tudo der certo, poderemos começar os preparativos para o chá de bebê e começar a arrumar o quarto. – Caroline tagarelava. – Além das roupinhas, é claro, eu estou surtando só de imaginar a quantidade que ele ou ela vai ter.

– Você parece mais preocupada do que eu, e é porque nem é a mãe. – Katherine revirou os olhos. – Fique calma ou vai enfartar antes de descobrirmos.

– Para sua infelicidade isso não é possível. – A loura disse.

– Para minha infelicidade mesmo, você já está me dando nos nervos. – Ela resmungou. – Se meu bebê nascer perturbado, a culpa será toda sua.

Levantou-se e andou até a cozinha, precisava alimentar-se. Abriu a geladeira e pegou uma bolsa de sangue, voltando para a sala em seguida e sentando-se no sofá ao lado de Nádia.

– Você não parece muito animada, Kath. – Annie disse.

– Eu estou e muito, mas não por motivos como decorações ou roupinhas e sim porque é o meu bebê, quero saber se vou ser mãe de um menino ou uma menina.

– Você sabe que não é só por isso, nós também queremos saber se vamos ser tias de um menininho ou de uma menininha. – Amy disse animada.

– Ela sabe. – Nádia sorriu. – Só está de mau humor por causa da ansiedade.

Katherine fuzilou a filha com o olhar.

– Não estou de mal humor. – Murmurou e bebeu a o sangue da bolsa.

– Não está não. – Caroline sorriu. – Você apenas é Katherine Pierce.

As outras quatro explodiram em risos e a morena mostrou-lhes o dedo do meio. Ficaram conversando mais um pouco. Era uma sexta-feira e a consulta seria às três horas.

– Você deveria ir se arrumar, já são duras horas. – Caroline disse.

– E você deveria estar na sua universidade e não enchendo o meu saco. – Katherine resmungou.

– Está mesmo de mal humor. – Caroline revirou os olhos. – Na próxima eu não apareço.

Katherine levantou-se e quando já estava no segundo degrau, Nádia perguntou onde ela ia.

– Me arrumar ou vocês quatro vão ter um treco. – Respondeu.

Subiu as escadas e seguiu para o quarto. Despiu-se e pôs as roupas no cesto de roupa suja do banheiro. Foi para debaixo do chuveiro e ligou o mesmo. Acariciou a barriga enquanto a água molhava seu corpo, sorriu ao sentir o bebê chutá-la.

A primeira vez que acontecera, ela estava com Stefan, Nádia tinha ido ao Grill e ela preferiu ficar em casa. A sensação de sentir o bebê mexer era maravilhosa, assim sabia que ele ou ela estava bem e podia senti-lo realmente dentro de si, saber que ali crescia uma vida que dependia totalmente dela.

– Oi, meu docinho. – Ela afagou a barriga com a frente dos dedos. – Sabe que dia é hoje? – Sorriu. – Dia de consulta e tentaremos saber novamente se você é um menino ou uma menina. – Continuou. – Você vai colaborar desta vez, não é?

Ela soltou uma pequena risada quando sentiu mais um chute. Era como se ele a respondesse. Amava aqueles momentos com o bebê, mesmo que ele ou ela ainda não estivesse nascido, quando acontecesse, ela amaria mais ainda.

Pensou em Elijah e sentiu-se culpada por privá-lo de tais momentos e de momentos que ainda viriam. Desejou que ele estivesse ali com ela, vivendo cada um daqueles momentos, vendo o desenvolvimento do bebê e amando-o como ela o amava.

Várias foram às vezes que ela teve vontade de ligar, até chegou a pegar no celular, mas desistiu. Sabia que era o melhor para eles. Elijah estava devia estar feliz com sua família, vivendo como sempre quis e ela já tinha bagunçado demais a vida dele. Mentiras, traições, o irmão paranoico e cruel dele, suas próprias fugas e manipulações. Já tinham ferido demais uma ao outro. Se ficassem juntos e todas as coisas que os atrapalharam no passado voltassem a acontecer? Como seria? Ainda mais com uma criança no meio?

Sabia a resposta, ambos sairiam machucados e de quebra, seu filho também. Agora ela tinha um bebê, uma responsabilidade enorme, não podia deixá-lo no meio das brigas e loucuras que aconteciam entre ela e Elijah. E ainda tinha Klaus, alguém que ela queria bem longe de seus filhos.

Sabia que se ligasse para Elijah e contasse do bebê, ele largaria tudo e viria para Mystic Falls. Sorriu com o pensamento, ele era um bom homem e faria tudo pela família, ficaria tão feliz e empolgado quanto ela. Katherine seria ainda mais feliz com Elijah.

Porém seu sorriso morreu ao perceber que aquilo não aconteceria. Não sabia o que ia acontecer se ligasse para Elijah, pois ele com certeza viria e se afastaria de sua família. Ela não iria para Nova Orleans nem arrastada, a última coisa que queria era estar no mesmo ambiente que Klaus. Não sabia ao certo que reação Klaus teria em relação à gravidez, mas tinha quase certeza que não seria boa. E se ele surtasse porque ela afastou-o novamente do irmão? Não queria nem pensar no que ele faria para vingar-se.

Mesmo que soubesse que o híbrido já matara muitos inocentes só por vingança, no fundo duvidada que ele fizesse qualquer maldade com uma criança, mas não arriscaria. Sabia que toda criança precisa de um pai e crescer sem ter um é uma coisa horrível, mas era o melhor a fazer. Pelo menos, tentava convencer-se disso.

– Me desculpe, eu realmente sinto muito, meu amor. – Ela sussurrou, seus olhos estavam marejados e ela xingou internamente os hormônios que a deixavam tão sensível. – Eu queria muito que ele estivesse aqui, mas é o melhor para nós.

Colocou os pensamentos sobre Elijah de lado e concentrou-se apenas no que provavelmente aconteceria em pouco tempo, a consulta.

Tomou um banho longo e saiu do banheiro enrolada na toalha. Passou hidratante, colocou uma lingerie, penteou o cabelo e prendeu-o num rabo de cavalo. Optou por usar uma calça jeans de lavagem clara, regata solta na cor salmão e sapatilhas combinando. Colocou um par de brincos de diamantes e um colar que veio no conjunto, pôs seu relógio de ouro. Passou perfume, um gloss cor de rosa e rímel. Pegou sua bolsa e desceu.

Roupa: http://www.polyvore.com/katherine_consulta/set?id=158470305

– Vamos? – Disse enquanto descia os últimos degraus da escada.

As outras concordaram e seguiram para fora da casa. Foram no carro de Katherine, seguiram conversando e não demoraram a chegar, o consultório não era longe.

Katherine ficou surpresa ao entrar na clínica e deparar-se não só com Stefan – já que tinham combinado de encontrarem-se lá – mais também com Damon, Elena e até Matt. Ergueu uma sobrancelha e olhou para Stefan.

– Achei que só você viria.

– Eu também. – Ele coçou a nuca.

– Bom, todos estavam curiosos para saber se o monstrinho da famosa Katherine Pierce é menino ou menina. – Damon sorriu ironicamente.

Katherine fuzilou-o com o olhar e segurou-se para não marcar seus cinco dedos no rosto dele. Mas controlou-se, não era bom ter estresse e não queria estragar aquele dia tão especial.

– Damon. – Elena disse e bateu no braço do namorado. – Desculpe, ele é idiota, não dê ouvidos.

– Damon sendo Damon. – Katherine forçou um sorriso.

– Sua mão dói mais do que imagina. – O moreno resmungou.

Katherine e Nádia sentaram-se no mesmo sofá que Stefan e Matt, Caroline e as meninas foram para o que Elena e Damon estavam.

– A parte da curiosidade é verdade, até fizemos apostas. – Matt disse animado e Nádia deu-lhe uma tapa na perna. Ele olhou-a confuso. – O que foi?

Nádia revirou os olhos.

– Isso é coisa do Damon, com certeza. – Caroline disse.

– Deixa de ser chata loira, só queríamos nos divertir e ganhar dinheiro fácil.

– Dinheiro fácil as custas do meu bebê? – Katherine ergueu uma sobrancelha.

– Você faz parecer uma coisa grave. – Ele debochou e a morena mostrou-lhe o dedo do meio. – E só para você saber, eu apostei que seria menino, o mundo já tem muitas Petrovas más.

Foi à vez de Nádia mostrar-lhe o dedo.

– Eu também apostei que seria menino, Stefan acha que é uma menina. – Matt disse.

– Até você, Stefan? – Katherine olhou-o indignada.

– Matt e sua boca grande. – Stefan resmungou.

– Katherine Pierce. – A recepcionista chamou.

– Sim? – Ela levantou-se e foi até o balcão.

– Pode entrar, Dra. Meredith a espera.

– Obrigada por avisar.

Katherine acenou com a cabeça para Nádia e as duas seguiram para a sala da médica. Entraram e Meredith estava sentada na frente de sua mesa, ela sorriu e trocaram cumprimentos de boa tarde.

– Sentem-se. – Ela indicou a cadeira com a cabeça e elas sentaram-se.

Katherine e a médica conversaram sobre a gravidez, se estava sentindo-se bem e se seguia as instruções que lhes eram dadas. Katherine vinha sentindo-se cada vez mais cansada e até mesmo fraca, e era assustador. Nos últimos séculos, mal sentira cansaço físico e nem mesmo quando estava grávida de Nádia sentira-se tão exausta. Com certeza aquilo devia-se ao fato de que o bebê era vampiro. Mas Katherine não poderia importar-se menos com o fato, nem todo o cansaço do mundo a faria arrepender-se de ter ficado grávida.

Depois das perguntas de rotina, Katherine foi ao banheiro, trocou de roupa e riu quando se viu no espelho. Aquela roupa de hospital era mesmo ridícula. Saiu e deitou-se na maca, Meredith espalhou o gel e passou o aparelho em sua barriga. Nádia ficou ao seu lado e segurou sua mão. Ambas sorriram quando a imagem do bebê apareceu na tela.

Meredith mostrou-lhe as partes do corpo do bebê e disse-lhes que ele era aparentemente saudável.

– Quer saber o sexo, Katherine? – Meredith perguntou.

– Claro.

A médica olhou a tela novamente e analisou-a por alguns segundos.

– Temos uma pequena princesa, parabéns. – Meredith sorriu.

Katherine sentiu uma pontada no peito e seus olhos encheram-se d’ água. Outra menina. Seu coração encheu-se de felicidade e carinho, mas também um pouco de angustia. A última menina que teve, fora afastada dela antes mesmo que pudesse tocá-la.

“Mas ela retornou e ninguém vai tirá-las de você, viva o momento e esqueça o passado”Ralhou seu inconsciente.

– Uma menina. – Sussurrou com a voz embargada.

– Uma menina. – Nádia repetiu e beijou-lhe a testa, Katherine apertou sua mão e notou que seus olhos estavam marejados. – Já tem um nome para ela?

– Ainda não, mas terei tempo para escolher. – Katherine disse olhando para a tela e sorrindo.

Prometeu a si mesma que ninguém afastaria aquela princesinha como afastaram Nádia.

[...]

Ela recebeu os parabéns de todos e depois a arrastaram para o shopping. Ela e Nádia chegaram à casa cheia de sacolas, Caroline só não comprara a loja inteira porque fora arrastara para fora por ela e Stefan.

Agora estava sentada no sofá com a TV ligada, um caderno cheio de anotações e Nádia capotada ao seu lado. Fora intimada a começar os preparativos do chá de bebê por Caroline.

Já tinha feito à lista de convidados, que não era nada longa, pois não conhecia muita gente na cidade.

Enquanto anotava ideias para a decoração, seus olhos voltaram-se para a foto da ultrassom em cima da mesa de centro e ela sorriu. Tinha olhado umas mil vezes.

Ao lado da foto estava seu celular e uma vontade súbita de ligar para Elijah bateu-lhe. Queria dá-lhe a notícia de que seria pai, pai de uma garotinha. Ele merecia saber. Depois da consulta, pensou nele algumas vezes. A culpa por estar escondendo isso dele estava fazendo seu coração doer, poupar cada momento de felicidade relacionado ao bebê era cruel.

Rapidamente e sem pensar muito, Katherine pegou o celular e procurou o número dele na lista de contatos. Quando achou, clicou nele e em seguida em chamar.

Ele atendeu no segundo toque.

– Alô.

Seu corpo inteiro arrepiou-se ao ouvir aquela voz grave. Seu coração aqueceu-se e os olhos marejaram, ela culpou os hormônios por isso, mas sabia que boa parte era culpa da saudade e dos efeitos que ele ainda – infelizmente – causava nela.

Tão perdida como estava, mal se deu conta que não tinha respondido.

– Quem é? – Perguntou Elijah, confuso.

Então levou um choque de realidade e percebeu o que estava fazendo. Arregalou os olhos e desligou o celular. Jogou o aparelho no centro e enfiou as mãos no cabelo.

Ela quase contou a ele.

Quis se estapear por ser tão idiota e deixar-se levar pela culpa e emoções. Quase colocou sua filha em risco, pois se Elijah soubesse da existência dela, Klaus uma hora descobriria.

O celular começou a tocar e seu coração apertou-se, olhou para a tela do aparelho e o nome Elijah estava lá.

E mesmo que quisesse ignorar, lá estava à chance de dar a sua filha uma família de verdade. A chance de ter um pai que a amaria e protegeria para sempre. A chance dela mesma de ser feliz e amada ao lado dele.

As lágrimas desceram e ela teve que usar todo o seu autocontrole para não atender a ligação. Levantou-se do sofá com as pernas bambas e pegou o celular.

– Eu realmente sinto muito, mas não posso fazer isso. – Disse com a voz embargada e olhando para a tela do aparelho. – Tenho que dar a ela uma vida feliz e mais livre de perigos possível, eu posso estar errada, mas não vou arriscar. – Continuou. – Eu amo você e sempre vou amar e espero que se descobrir um dia, me perdoe.

Katherine arremessou o celular na parede e assistiu ele se despedaçar. Parte do seu coração teve o mesmo destino.

Notas finais
Espero que tenham gostado e vou tentar ao máximo não demorar tanto para postar. Comentem para eu saber suas opiniões. Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.