Sweet Sacrifice
5 O Reencontro
POV Alaíde Sweet
“Você não deveria tratar seu salvador assim.” Ele diz sarcástico e acho que já ouvi essa voz antes, aproximo mais a claridade, ainda com a estela em mão. Apesar da escuridão noturna ou da luz fraca de bruxa eu reconheceria aqueles olhos cinza em qualquer lugar – Lucas. Corri e o abracei, ele demorou mas logo envolveu seus braços longos ao meu redor também. “Não precisa temer mais, meu pai deixará que você descanse em nossa casa essa noite.” Ele disse simplesmente.
Olhei em seus olhos. Nós somos praticamente da mesma altura. Então estamos com nossos rostos próximos e posso sentir sua respiração bater no meu rosto. Ele não se parece muito com o garoto de alguns meses atrás. Até seus olhos parecem diferentes. Mais distantes.
Ele não se lembra de quem eu sou?
“ Lu- Lucas?”
Não, ele não lembra. Ele põe a mão — antes macia e delicada, agora áspera e quente na minha testa.
“Você está com febre. Deve estar me confundindo com alguém. Quem é você?”
Ele só está perguntando quem eu sou. Eu sei que ele quer saber meu nome. Mas, mas... eu não sei quem eu sou. E não seria sensato dizer meu verdadeiro nome.
“Han... — ele me olha se afastando — a... An...gela.”
“Ângela?”
“Sim.” respondo gravando o nome que surgiu na minha mente como resposta
“Bonito nome. Agora, você vem?”
Aceno que sim e então ele me guia até uma charrete. Ele sorri enquanto me ajuda a subir e então me sento ao seu lado.
– Quem é você? — pergunto finalmente
– William Green. É um prazer, Ângela.
“Prazer” digo baixinho e ele dá partida “Você é um Green?”
“Sim.” Lucas/William me olha de lado com um sorriso torto “E você? Qual é sua família?”
Você é minha família. “Campbell de Nova York. Acho que você não conhece.” Minto dizendo o nome de uma família que nem existe mais.
“E o que faz em Idris? E nas terras dos Greens, digo sem querer ofender é claro. Um caçador das sombras sempre é bem vindo nas terras do meu pai. É só que não entendo o que você faz aqui.”
“Eu não lembro... eu estava lutando contra um demônio perto do meu Instituto quando eu... eu acho que fiz um portal e acabei parando aqui.”
“Isso explica esse sangue todo nas suas roupas.”
Fiz que sim cabisbaixa. Ele ia abrir a boca para fazer mais perguntas, mas acabo me apoiando em seu ombro fingindo estar cansada para evitar mais perguntas – o que em partes era verdade.
“Oh, desculpe” deixo escapar em meio um bocejo
“Não. Tudo bem. Você deve estar cansada, pode descansar se quiser. Nós vamos demorar um pouco até chegar.”
Com suas palavras volto a descansar minha cabeça em seu ombro fingindo dormir profundamente. Ele sequer desconfia, é claro. Não vou negar que é reconfortante estar perto do meu irmão novamente. E também saber que agora, que terei de me casar com ele, ele não se lembra quem é ou quem eu sou. Vai ser mais fácil assim. Bem, o anjo cuidou de tudo. Me deixo suspirar e acabo cochilando de verdade.
Desperto quando ele me embala em seus braços até o que parece ser a casa dos Green pelo barulho e luz. Continuo fingindo que estou dormindo enquanto ele me deita em uma cama com lençóis macios. Não testo abrir meus olhos em nenhum momento. Escuto passos e então a voz de outras pessoas enchem o quarto que estou.
“Quem é essa meu filho?” pergunta um homem
“Uma garota de um instituto de Los Angeles. Ela disse que veio parar aqui por acidente. Não achei que teria problema em trazê-la até aqui. Tudo bem?”
“Não meu filho. Mas ela pode estar machucada...”
“Ela está bem, acho que só está cansada.” Lucas/William responde
“Ela é bonita.” Ouço uma criança falar
“Lucinda!! – a voz de uma mulher resmunga alto demais eu finjo me mexer e ela sussurra – Você já deveria estar na cama garota levada. Henrique fale com ela para que vá para cama já.”
Ouço a criança resmungar e o pai soltar um típico “Você ouviu sua mãe pequena Lucy.” Acho que a mãe e a garota saem do quarto resmungando uma para a outra baixinho.
“Ela nem é tão bonita.” Alguém diz e eu me forço não me contorcer. Quantas pessoas existem nessa casa? Ou pior, dentro deste quarto?
“Não seja ciumenta ruiva.” Lucas, digo, William fala
“Você que não pode ver um rabo de saia que já trás para casa. Me Pope Will”
“Ok garotos, já está tarde é melhor descansarem e amanha discutem sobre... sobre seja lá o que for que querem discutir. Vamos”
Ouço passos e uma porta batendo e estão minha respiração volta a ser como é normalmente: ofegante, exageradamente alta e pesada. Que dia!
Não abro os olhos ainda. Agora mais porque tenho medo de que tudo isso seja real. Cansada demais acabo dormindo de verdade em um sono profundo e turbulento. Pensei que dormir seria a solução, mal sabia eu que estava enganada.
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