Sweet Sacrifice

9 Era uma vez um sonho


Notas iniciais
Estava tao empolgada que decidi postar ainda hoje esse capítulo. A música que ela canta é Once Upon a Dream (Lana Del Rey)... Boa leitura!!

“E aqui é o lugar onde os cavalos ficam...” ela disse enquanto analisava as próprias unhas

E de pensar que foi aquela mesma garota que ontem a noite mesmo se mostrou tão bondosa! Mesmo assim ignorei o descaso da jovem para comigo e nosso passeio. Afinal ela tinha feito tudo certinho e me mostrado todo o perímetro.

“Agora... Angel ... – sim este foi o apelido que ela teimou em usar e insiste que eu a chame de Cat, como boas amigas — se me permite dizer. Isso tudo aqui é muito chato para mim e eu pretendia sair hoje a tarde. Como já lhe mostrei tudo e ainda está cedo, eu pensei que...”

“Tudo bem Cat, eu já tinha percebido que você tinha outra coisa a fazer. Me desculpe e se quiser pode ir agora, vou ficar um pouco aqui e já vou embora.”

Eu juro que para uma garota do campo ela se daria muito bem com algumas garotas de Los Angeles. Com um gritinho histérico e bem feminino ela me abraçou e se afastou correndo. Fiquei ali admirando os cavalos pensando na falta de meu cão albino já faz. Sou surpreendida por alguém e por reflexo me ponho na posição de ataque.

“Ora, ora... senhorita Campbell assustada?” diz Jesse e eu jurei ouvir todo um sarcasmo por trás no meu suposto sobrenome, me recomponho

“Oh, não. Só fui pega de surpresa.” Respondo sorrindo

“An, sei. Sabe garota, minha família pode gostar e confiar em você. Mas desde que você chegou aqui eu sinto que tem uma coisa errada. E não pense que você me engana.”

Ok. Isso foi meio que uma ameaça. Um soco no estômago. Trinco os dentes sem querer e respiro fundo antes de sorrir o mais docemente que posso.

“Perdoe-me se minha presença lhe faz tão mal Green. Deve ter sido a maneira que viemos a nos conhecer. Juro que não costumo ficar tão despida na frente de garotos bonitos.”

Haha. Isso pegou ele de jeito. Até corou. Por um curto momento. Ele sorriu de volta

“Não sou meu irmão para você vir para cima de mim com essa batida de cílios. Mas eu vou descobrir quem é você e quando descobrir... haha meu irmão verá que não deve...”

Seu irmão?” pergunto cética antes mesmo de pensar, me arrependo então disfarço

Ele não tem tempo de responder, pois nesse momento Lucas/William entra no estábulo.

“Quem? Eu?” pergunta sorrindo

“Sim. Eu e a senhorita conversávamos sobre...”

“Se você poderia cavalgar comigo amanhã. Pedi ao seu irmão, mas ele disse que não poderia e me sugeriu que lhe pergunta-se” falo tudo de uma vez antes que ele tenha chance de abrir esse bocão

“Bem, eu posso sim.”

“Ótimo!” respondo em uníssono com Jesse

Eu e Lucas falamos sobre alguns cavalos e sobre como no mês retrasado ele caiu e quebrou o braço. Resumindo, sobre coisas bobas. E eu só poderia fingir prestar atenção enquanto sentia o olhar sufocante de Jesse sobre mim. Quando me dei conta já estava na hora do jantar e nós todos fomos para a obrigação.

Cat já estava lá, todos, menos a pequena Chery que tinha dito a mãe que estava com dor de barriga e indisposta – o que, segundo o Sr. Green não era motivo para faltar a ceia. Senti uma pena danada da peste, que deveria estar mentindo só para me evitar. Terminado o jantar. Por sinal muito tenso com os olhares de Jesse em mim, de William em mim e os de Catharina em William. Sim, ela deve ser a fim dele! Eu desejei boa noite e praticamente corri para meu quarto. Ou quase isso. Senti que Jesse me seguia. Caminhei então no sentido oposto rumo ao quarto de Chery. Ela disse que não queria ver ninguém quando bati na porta, e sem pedir licença entrei.

“Pensei que você não queria mais me ver!”

“Não queria mesmo depois de você me deixar nua e molhada.” Ela riu e eu me sentei ao seu lado abrindo caminho entre tantos ursinhos de pelúcia “Me desculpe. Foi má da minha parte...”

Não tive tempo de terminar, a garota começou a chorar no meu colo.

“Eu só queria uma amiga. Me desculpe. Eu-eu fui até a minha irmã no quarto de-dela, só que – momento para a fungada catarrenta – ela não abria a porta dooo quarto nem me respondia. Eu fiquei lá como uma idiota chamando. Eu sabia que você me odiaria depois de tê-la feito esperar tanto e, e...”

Sem reação comecei a passar a mão pelos seus cabelos dourados e dizendo que tudo ia ficar bem. Algo que as pessoas comumente fazem. Só que é mentira na maioria das vezes. Disse então que a desculpava.

“Eu-eu só queria uma amiga. Minha irmã não gosta de mim e eu não tenho amigos. Ninguém gosta de mim, dizem que eu falo demais e que eu sou chata e um montão de coisas.”

Santo! Que drama.

“Hey” disse fazendo-a me olhar “Eu gosto de você sua pestinha. De verdade, e saiba que até as melhores amigas brigam às vezes.”

“Verdade?”

“Sim. E sabe, não deveria se importar com o que os outros dizem sobre você. E daí que não gostam de você? Certamente você não pode mudar só por conta disso.”

“Mas assim eu nunca terei amigos e minha irmã já me disse que se não mudasse nunca teria sequer um namorado!” tive que rir disso “Oh, não! Oh, não zombe de mim também.” Ri mais ainda

“Perdão. Como assim namorado? Por acaso você tem idade para isso? Ou pior tem algum pretende, hein?”

Ela corou com minha pergunta e começou a gaguejar. Comecei a fazer cócegas nela até ela falar. Depois de chorar de tanto rir e ela me pedir muito para parar resolvi dar uma pausa. A verdade era que fazer isso era ótimo.

“Ok. Ok. Eu vou contar. O nome dele é Dylan. Mas você tem que prometer que não vai contar pra ninguém.”

“Sim senhor, senhora.” Bati uma falsa continência

“Ele é filho de um amigo do meu pai e estuda na mesma escola que eu. Bem, ele não me dá muita bola ainda. Mas eu não posso perder minhas esperanças, não é mesmo?”

“Sim, claro, claro.” mereço!

“Um dia ele vai olhar para mim e dizer que me ama. Você acredita em amor verdadeiro Angel?”

“Bem... é o que eu sinto pela minha família.”

“Não! Não esse tipo de amor!”

Que garota tola, santo Raziel! “Quando eu era pequena e minha mãe me colocava para dormir” eu disse enquanto a fazia deitar na cama e a cobria “ela costumava cantar para mim sobre um amor verdadeiro.” Então, sem pensar, acabei cantando para a garotinha da mesma maneira como minha mãe fazia

I know you

(Eu te conheço)

I walked with you once upon a dream

(Eu andei com você uma vez num sonho)

I know you

(Eu te conheço)

That look in your eyes is so familiar, a gleam

(O jeito com que você me olha é tão familiar, um brilho)

And I know it's true

(E eu sei que é verdade)

That visions are seldom all they seem

(Que visões raramente são tudo o que parecem)

But if I know you, I know what you'll do

(Mas se eu te conheço, eu sei o que você irá fazer)

You'll love me at once

(Você vai me amar imediatamente)

The way you did once upon a dream

(Do mesmo jeito que você fez uma vez num sonho)

Quando olhei para ela, esta já estava dormindo. Então, sem fazer barulho apaguei a luz e fui para o meu próprio quarto dormir. Dessa vez quando sonhei, sonhei com a minha mãe cantando para que eu dormisse. Afastando todos os sonhos maus e tudo que não fosse bom para longe. Cantando sobre um amor verdadeiro que ela mesma fazia parecer tão real como nunca.

Notas finais
Não revisei, mas é isso!