Notas iniciais
Hey meninas, sorry pela demora! Aqui mais um cap, dessa vez bem pequeno e mórbido. Espero que gostem e não tenham me abandonado. Ah, e se estiver muito esquisito podem falar, rs.

Levanto meus olhos, olhando ao redor. Por incrível que pareça, é aquele lugar sujo e fedorento que eu finalmente me sinto bem. Não há ninguém para me humilhar, xingar ou ridicularizar. Está tudo melhor e finalmente eu tenho um pouco de paz.

Ouço o primeiro sinal tocar, mas não saio dali. Passam-se duas, três horas até que tenho forças para me levantar e olhar meu refelexo no espelho. Mas aquela não sou eu.

A garota à minha frente tem o olhar vago, seus olhos estão vermelhos e sua expressão é raivosa e cansada. Claramente não está viva, é um zumbi da sociedade.

Aquela, com toda certeza do mundo não sou eu. Não pode ser. Mas é, infelizmente. Emily, um robô sem vida e objetivo, que dá passos tristes por comando, que não pensa por conta própria. Que não ama, que só odeia, que não sente, só guarda mágoa.


E um dia se atreveu a olhar pro alto
Tinha um céu, mas não era azul
No cansaço de tentar, quis desistir
Se é coragem, eu não sei

Tenta achar que não é assim tão mal
Exercita a paciência
Guarda os pulsos pro final
Saída de emergência


E se já não tenho mais vida, por que continuar a viver? Porque, ó mundo cruel me manter aqui, nesse lugar infernal, que só me traz desgosto? Se eu já estava morta há tanto tempo, qual o motivo de continuar sofrendo? Lauren, minha melhor e única amiga poderia continuar sem mim. Mamãe poderia começar uma vida nova, esquecer o passado. Assim, só talvez eu tivesse paz. Somente quando minha alma abandonasse meu corpo eu seria capaz de sentir a alegria pulsando por minhas veias, me conectando a vida novamente.

E foi com esse pensamento um tanto mórbido, porém estranhamente relaxante que andei até a cozinha, no final da tarde, na hora do pôr-do-sol, quando mamãe ainda estava no trabalho, cuidando de seus cachorrinhos.

Peguei a faca de carne, com uma lâmina reluzente e afiada e pensei em todos os momentos felizes da minha vida, em todas as vezes que fui capaz de sorrir, amar e abraçar. Em todas as vezes que alguém me deu conforto, onde pude sentir carinho.

As lembranças circularam por minha cabeça nítidas e presentes, como se eu estivesse assistindo um filme da minha vida despresível.


Tenta achar que não é assim tão mal
Exercita a paciência
Guarda os pulsos pro final
Saída de emergência

E um dia decidiu, quis terminar
Só mais um gole e duas linhas horizontais
Sem a menor pressa, calculadamente
Depois do erro a redenção

Tonta, sentei no chão e observei o piso gelado. E então, num gesto inonsiente cravei a faca na minha pele fina e branquela, abrindo uma linha vermelha no meu pulso esquerdo. Naquele momento senti repulso de mim mesma, mas não parei. Repeti o ato no pulso direito e observei o meu sangue, vermelho e vivo, jorrar lentamente, como se meu corpo não tivesse pressa para morrer.

Estranhamente, não era o sangue que me causava náuseas. Era eu mesma, a despresível Emily que tirou a própria vida. Aquele pensamento martelava em minha mente, me deixando enjoada, me causando uma dor de cabeça insuportável.


Tenta achar que não é assim tão mal
Exercita a paciência
Guarda os pulsos pro final
Saída de emergência

E minutos depois, tudo girava ao meu redor. Finalmente, senti minha cabeça tombar e fazer um barulho irritante ao atingir o chão. Mais sangue, dessa vez escorrendo por meus cabelos. E então cedi ao escuro, à dor e a solidão, a vida lentamente desaparecendo do meu corpo, deixando de existir.

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Notas finais
A música é Pulsos, da Pitty. E então, muito ruim? Não era o que esperavam? Quero opiniões, ok? Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.