Sweet Ocean Air
4 "Fofidão"
Notas iniciais
– FLISS, SÓ FALTA VOCÊ! – Gritou Mel.
As três garotas e sua avó estavam sentadas a mesa da cozinha, esperando Fliss pra começar a jantar. A deliciosa lasanha estava deixando todas com água na boca, mas nada da irmã aparecer.
– FELICITY, SE VOCÊ NÃO DER AS CARAS AQUI NA SALA EM DOIS MINUTOS EU JURO QUE NÃO VAI SOBRAR NEM UMA MIGALHA PRA VOCÊ! – Gritou Dez, já irritada.
– Calma aí, “Miss delicadeza”! Já estou indo! – Disse a garota, descendo as escadas. Em poucos segundos, entrou na cozinha, enxugando os cabelos loiros com uma toalha.
– Finalmente! – Exclamou Mel ao vê-la.
– Não me culpe. Não estava nos meus planos ser atirada em alto mar.
– Dramática – Mon disse, rindo, enquanto servia-se de lasanha.
– Acho que perdi a piada.. – Constatou Melody.
– Receio dizer que também não entendi, querida. – Dona Leila olhou a neta com uma expressão interrogativa no rosto.
– Ela e o amorzinho ficaram brincando de guerra de água hoje – Dez explicou.
– Ele não é meu amorzinho – disse Fliss, emburrada.
– Aí é você quem tá falando, porque eu não disse que ele era “seu” hora nenhuma... – Completou Dez.
Fliss deu um tapa na cabeça da irmã, que não parou de rir por um segundo.
– Idiota.
– Meninas – Interveio a avó, calmamente – Vamos comer sem mais confusão, ok? Fliss, o que exatamente aconteceu?
– Ou seja, o que você e o Shawn aprontaram dessa vez? – Perguntou a caçula.
– Eu não, o que ele aprontou. Eu estava só falando com a Harmony até o imbecil chegar e me empurrar do píer.
– Você quem pediu pra ele te soltar...
– Vai bancar a advogada do diabo agora, Harmony? – Fliss perguntou, irritada.
– Ai, calma, tava brincando – Disse a mais velha. Fliss pôs um pedaço de lasanha na boca, mastigando-o com um ódio mortal.
– Ele já fez coisas piores, querida – Disse dona Leila, sorrindo pra neta – No fundo, é um bom garoto.
– Só se for beeeem lá no fundo mesmo, viu, vó?
– Não seja injusta – Harmony interveio – Pelo menos ele teve o cuidado de tirar seu celular do bolso antes de te jogar.
– Como exatamente ele fez isso? – Interveio Destiny.
– Não faço ideia – Disse Fliss – E é óbvio que ele fez isso, Harmony. Ele sabe que teria que me pagar um novo.
– É, e sabemos bem que isso não seria um problema pra ele.
Felicity revirou os olhos.
– Tudo bem que ele é rico, Mon, mas meu celular não é barato. Ele obviamente não queria gastar o dinheiro dele com a garota que ele mais odeia na vida.
– Ele não odeia você – Disseram as outras quatro mulheres a mesa, em coro.
– Isso é o que vocês dizem – Ela rebateu – E chega de complô, chega de Shawn, chega de falar da vida infernal da Fliss aqui. Já estou cheia disso. Ninguém tem um assunto melhorzinho, não?
– O que vocês vão fazer amanhã? – Perguntou Dona Leila, sorrindo mais uma vez pra neta.
– Muito obrigada, vó – Fliss tascou um beijo na bochecha da sua segunda mãe, que deu risada – Mas taí uma boa pergunta. Não faço ideia!
– Harmony, o que pretende fazer?
– Não sei ainda, vozinha. A Allison me mandou uma mensagem dizendo que vai ter uma festa no “Aliqua Club”, ás 9. Mas ainda não sei se vou, depende de como eu esteja amanhã.
– Como assim? – Perguntou Mel.
– Se eu estiver com um terço do cansaço que estou agora, sem condições de eu ir pra essa festa!
– Então acho que você acabou de descobrir o que fazer amanhã, Mon: Dormir! – Disse Dez – Eu vou surfar com os garotos na Praia da Ponta de manhã cedo e de tarde a galera vai no boliche. Pode me levar Fliss? Não consegui carona dessa vez...
– Levo, Destiny. Mas por que você não tira logo essa carteira de motorista? Já completou dezesseis há 4 meses!
– Eu sei, estava só esperando as aulas acabarem, já disse – Respondeu Dee – Ficava complicado começar a autoescola na época das provas finais. Mas vou aproveitar as férias pra isso, prometo.
– Ótimo, já estou cansada de te levar nos lugares.
– Sabem que eu posso levar, sem problemas – Interveio Dona Leila.
– Você já fez isso demais, vó – Disse Mon.
– Tipo, desde sempre – Mel riu.
– Hora da gente te dar um descanso, né não? – Completou Dez.
– Certo, certo. Mas se houver necessidade, saibam que não há problema algum.
– Sabemos vó – Disse Fliss – Brigada. Pelo jantar e por tudo – ela sorriu, pegando os pratos na mesa.
– Quem lava a louça hoje?
– Mel – Disse Dez – Mas vamos ter que refazer o esquema agora que Harmony voltou.
– Afff, depois a gente vê isso – Disse a mais velha – A gente não tinha ficado de ver um filme depois do jantar?
– Assim que eu terminar com os pratos a gente começa – Falou Melody, dirigindo-se a pia.
Nesse exato momento, o celular da Harmony tocou, mostrando uma foto engraçada que ela tirara de Noah na faculdade, com o nome do amigo logo em baixo. Ela sorriu e atendeu.
– E aí, ruivo? O que me conta de bom? – Disse, levantando-se e indo até a varanda.
– Hey, Army! – Ele parecia animado – Nada de mais. Como estão as coisas?
– Por aqui tudo bem, mas aí parece que está melhor ainda pelo seu tom de voz – Ela ouviu-o dar uma risadinha. Praticamente podia vê-lo olhando pro chão enquanto sorria, segurando o celular. – Como foi com a Delilah?
– Ela ainda está aqui na verdade...
– Sério?
– Aham. Vai dormir aqui com a Juliet.
– Hmm... Mas você não me respondeu. Como vocês estão?
– Bem, ué. Nada de mais.
– Noah...
– O que?
– Você me ligou por um motivo. Não foi pra bater papo, muito menos porque tava com saudades da minha voz.
– Quem disse? Primeira vez que não jantamos juntos em seis meses e não tenho o direito de estar com saudades?
– Noah Nicholas Ross, pode ir deixando de gracinhas e me contando agora como estão as coisas entre vocês, antes que eu mesma apareça aí na sua casa e pergunte diretamente a ela!
Ele deu risada.
– Pra estar me chamando pelo meu nome todo, você deve estar falando sério...
– Fala logo, Noah! Estou curiosa!
– É, da pra notar – Disse o ruivo – Estou sendo sincero, não rolou nada.
– Óbvio que não rolou, Noah. Sua mãe e sua irmã provavelmente estão com vocês o tempo todo e, se tivesse rolado, você já teria me dito.
– Tá se achando demais, hein?
Harmony revirou os olhos.
– Bom, ao menos eu espero que sim. Por que realmente está me ligando?
– Juliet. Assim como você, ela acha que temos algo.
– Hm. E...
– E... Elas são melhores amigas.
– E daí, Noah?
– Acha que a Delilah pode ter dito alguma coisa?
– Noah, primeiramente: Está rolando alguma coisa ou não?
– Até onde eu sei, não. Tipo... A gente se aproximou bastante, mas nada de mais. Não dei a entender que estava interessado, nem ela.
– Na segunda parte, não sei se posso confiar, Noah. Me desculpa, mas você é uma porta pra perceber essas coisas.
– Também não exagera. Admito que sou meio lento, mas não é pra tanto.
– Tá, esse não é o maior problema aqui, acredite. Noah, eu já te disse isso uma vez e repito: Você é um garoto extremamente carinhoso. E fofo.
– Eu discordo.
– Tá, você pode até discordar, mas as garotas não. Você trata todo mundo muito bem...
– Isso é simpatia e educação, Army, não... “Fofidão”.
Harmony imediatamente caiu na gargalhada.
– Tá, o que eu disse agora?
– Fofidão – Ela repetiu – Adorei! – Completou, gargalhando mais uma vez.
– Ainda não entendi qual é a graça... – Disse, apesar de estar quase rindo também.
– O certo é fofura, Noah – Disse a loira, recuperando-se do acesso de riso – E da maneira como você faz, é fofura sim, acredite em mim. Algumas garotas podem entender isso errado. A maioria delas, eu diria.
– Então tenho que parar de ser educado com a Delilah porque ela está entendendo errado?
– Ruivo, você não tem que parar de fazer nada. Principalmente se estiver interessado nela.
– Não... Não desse jeito – Disse.
– Porque você não se permite. Noah, por favor, você me prometeu que iria tentar.
– Não, eu prometi que pensaria no assunto.
– E pensou?
– Mais ou menos. Confesso que não tive muito tempo pra isso.
– Ocupado demais com ela?
– ... Bom, não exatamente...
– Mas pode-se dizer que sim.
– É. Ou isso.
– Então! Ela é uma garota legal, Noh. Se estar com ela te faz bem, vai fundo.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Minutos talvez.
– Ruivo?
– Você sabe que é complicado.
– Noah, pelo amor de – Ele a interrompeu.
– Acha mesmo que ela pode ter dito algo pra Juliet?
Harmony suspirou.
– Não posso garantir, mas talvez. Nunca se sabe. O fato é que, se ela não falou, a coisa está pior ainda do que você pensa.
– O que? Por quê?
– Bom, se eu e ela percebemos, em momentos diferentes, talvez realmente esteja rolando alguma coisa, Noah. Bem na sua cara. Você só tem que abrir os olhos, bobo. Vê se faz logo isso.
– Tão bem abertos, te garanto, mas ainda não vejo nada.
– Como eu disse, você é uma porta. Uma porta ruiva e fofa. – Disse, revirando os olhos – O que ainda está fazendo no telefone comigo? Vai ficar com ela, quem sabe assim você não se toca.
– Ainda acho isso besteira. Ei, vai fazer o que amanhã?
– Allison me mandou uma mensagem falando de uma festa... Achei que tivesse te chamado.
– Ah, então era isso. Eu estava longe do celular à tarde, resolvi te ligar agora. Vi que tinha uma mensagem dela, mas acabei não abrindo. Você vai?
– Ainda não sei, mas talvez eu vá.
– Que horas?
– 9. – Disse, então ouviu Fliss gritar seu nome – Tenho que desligar, as meninas estão me chamando.
– Hm. Certo... E que tal um sorvete amanhã, ás 5?
Ela deu de ombros automaticamente, mesmo sabendo que ele não podia vê-la.
– Por mim tudo bem.
– Passo aí pra te pegar então. Até.
– Até. Boa sorte com sua Lilah hoje, “príncipe encantado”. – Provocou.
– Beijo, Army, a gente se fala – Completou ele, desligando.
~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~~*~*~~*~
– Você está viajando, Juliet – Disse Lilah, descendo as escadas de madeira. A ruiva, que descia logo atrás, fez que não com a cabeça.
– Tá muito na cara. Só não sei se vocês são dois tapados ou se estão escondendo alguma coisa de mim.
– Nem venha com essa de “teoria da conspiração”. Não acha que tá exagerando um pouco?
– Tudo bem, talvez vocês só sejam lerdos mesmo.
– Obrigada pela parte que me toca – Ela sentou-se no sofá.
– Não pode me culpar por querer que você entre pra família.
– Já está mesmo preparando meu casamento com seu irmão? Sério?
– Quem falou em casamento?!
– Você quem disse “família”!
– E namorada não é família não?
Delilah riu.
– Acho que não. De qualquer forma, não estamos namorando, te garanto.
– Também não disse que estavam.
– Ótimo!
– Mas poderiam...
– Juliet!
– Tá, olha, eu sei que meu irmão não é lá esses gatos, mas ele até que é fofinho, vai.
– Você é inacreditável, sabia? – Disse, quase rindo.
Juliet riu.
– Agora, falando sério. Por que não?
– Não sei, Jewl, não é assim que as coisas funcionam.
– Lilah, eu vi o clima que tá rolando entre vocês. Só dê uma chance, certo? Preste atenção e pense um pouquinho no assunto.
– Tá bom, vou pensar. Agora fica quieta que acho que ele está vindo. – Disse, baixando o tom de voz ao ouvir a porta bater.
Juliet olhou em direção a entrada, confirmando a dedução de Lilah. Noah passou uma das mãos pelos cabelos alaranjados, sorrindo para as garotas.
– E ai? – Disse.
– Ué, nem vi que tinha saído. Foi pra onde? – Perguntou a ruiva.
– Na verdade estava falando no celular – Respondeu ele, pegando o violão e sentando-se na mesinha de centro, em frente as garotas.
– Tenho que te agradecer mais uma vez Noah – Disse Delilah – O jantar estava divino.
– E mais uma vez te digo que não foi nada de mais. Não precisa ficar agradecendo – Ele sorriu, testando as cordas do instrumento.
– Juliet! – Ouviram Dona Marie chamar – Onde está meu delineador?
– Peguei emprestado! – ela respondeu, erguendo o tom de voz – Vou levá-lo aí! – Então se virou para os dois – Já volto – E subiu as escadas mais uma vez.
– Então – Começou Delilah – Aprendeu a tocar alguma música esses dias?
– Na verdade não, mas acabei de lembrar de uma que aprendi há muito tempo – ele tirou os olhos do violão, trazendo-os de encontro aos dela – Você provavelmente conhece e já deve estar cansada de ouvi-la mas... – Ele deu de ombros – Meio impossível não lembrar de você com essa música. Ou lembrar dessa música com você.
Lilah franziu as sobrancelhas. Noah sorriu e, imediatamente, começou a tocar “Hey There Delilah”, de Plain White T’s. E cantar.
A Delilah á sua frente que, diferente da descrita na música, não estava nem um pouco distante ou sequer perto de New York, surpresa, o encarava. Numa coisa Juliet estava certa: Ele realmente era um fofo. Parecia concentrado enquanto tocava, franzindo as sobrancelhas de uma maneira que Lilah achou uma gracinha. Sua voz era doce, lembrava a do próprio cantor original da música – que ela obviamente conhecia.
Pensou no que a amiga havia dito. Delilah não achava que estivesse rolando um clima entre eles. Não vira nada de mais na conversa que haviam tido mais cedo. Nem nas outras tantas que tiveram pela internet ou mensagens de celular. Sempre gostara da companhia de Noah, mas nunca o enxergara dessa maneira. Ao menos não até agora.
Juliet estava errada. Ela não tinha uma queda secreta por seu irmão. Não gostava dele quando se aproximaram mais. Quando passaram a conversar com mais frequência, Delilah não tinha nenhuma outra intenção além da amizade, nem nunca imaginou que teria. Naquele momento, vendo-o tocar, Lilah soube que a ruiva estava errada. Pois naquele exato instante, pegou-se, surpreendentemente, apaixonando-se por Noah.
Fale com o autor