Sweet Ocean Air
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Notas iniciais
– ELA CHEGOU! — Melody correu para a porta gritando assim que, do jardim, vira o conhecido New Beetle amarelo virar a esquina. Laika, a enorme Akita da casa, a seguiu, latindo — HARMONY CHEGOU!
– Não precisa gritar, querida, estamos todas aqui na sala — Dona Leila disse calmamente, colocando a bandeja de biscoitos na mesinha de centro, com seu costumeiro sorriso terno no rosto. Fred, o pequeno maltês, latia animado, acompanhando a agitação grande cadela cor de mel.
– Mas a Destiny tá com fones de ouvido, vó. – Justificou-se Mel.
– E ainda assim consigo ouvir tudo que diz, besta — Des comentou, pegando o pequeno cachorro no colo e levantando-se.
Fliss riu e, pondo o livro que estava lendo de lado, dirigiu-se até a porta.
– Certo, sobre o que conversamos? — Perguntou, parando a frente das duas irmãs mais novas, que jaziam no vão da porta de entrada.
– Nada de encher o saco da Mon — Des disse, revirando os olhos.
– "Ela acaba de chegar do primeiro ano de faculdade, provavelmente precisa de espaço e não quer adolescentes histéricas enchendo a paciência dela". Sabemos, Fliss. — Mel completou.
– Ótimo, então melhor se contro- Ela foi interrompida pela voz da Harmony.
– FAMÍLIA, CHEGUEI! — Gritou a mais velha, batendo a porta do carro.
Imediatamente, Laika correu e pulou na garota, que, por pouco, não caiu no chão com o peso da cadela. As meninas entreolharam-se.
– Auto-controle — Sussurrou Mel.
– Nada de histeria — Acrescentou Destiny, segundos antes de ser empurrada para o lado por Fliss, que correu na direção de Harmony.
– MON, TAVA MORRENDO DE SAUDADES! — Gritou, atirando-se na irmã.
– FELICITY!!! — Gritou Melody.
– Como a gente ainda caiu nessa?! — Des perguntou.
Dona Leila deu risada e seguiu as meninas até as proximidades do veículo, onde as irmãs ainda se abraçavam. A porta do carona abriu e Noah, melhor amigo da Harmony desde os 10 anos, saiu do carro. O ruivo sorriu ao ver Fliss praticamente pendurada no pescoço da irmã mais velha, e se dirigiu ao porta-malas.
– Também morri de saudades, minha Flick-Flick. Como vai o Shawn? — Harmony perguntou.
Fliss fechou a cara.
– Já chega chateando, que inferno — Ela soltou a irmã, que riu.
– Também amo você, Fliss. — Mal disse isso e foi atingida por um abraço da Melody — Wow! Hey, caçulinha! Também morri de saudades de você!
– E aí, meninas? — Noah finalmente cumprimentou, tirando as malas do carro.
Fliss e Des acenaram, animadas. Dona Leila, por sua vez, foi na direção do ruivo. Harmony já estava achando que Mel não percebera a presença do rapaz, até ouvir o sussurro:
– Trouxe o namorado, né?
– Tinha me esquecido o quanto você é insuportável, Melody — Rebateu. A caçula apenas riu e se afastou, dando vez ao abraço da Des.
– Que saudade, Mon! Nem acredito que está de volta!
– Confesso que nem eu! — Disse, e as duas riram. – E você, meu pequerrucho? – Harmony pegou o pequeno Fred, que latia enciumado, dos braços de Des.HhH
Ao lado delas, Noah apoiava as malas no chão, conversando com Dona Leila.
– Você sempre tão gentil, Noah... Tem certeza de que não precisa de ajuda?
– Absoluta, Dona Leila — Ela o repreendeu com o olhar — Desculpa. Vó Leila.
– Uns poucos meses longe de mim e já nem me chama mais de vó – Ela brincou.
– Naah, você vai ser pra sempre minha segunda mãe – Ele sorriu – E, na verdade, você pode me ajudar matando as saudades da sua neta alí, que está louca por um abraço. Acho que o "trio ternura" finalmente a deixou respirar — Brincou.
Dona Leila riu e Harmony se aproximou.
– Senti tanto a sua falta, vó Leila...
– Pois garanto que sentimos muito mais — Ela sorriu — A casa não é mais tão "harmônica" sem você, querida.
Harmony riu da piadinha com seu nome e abraçou a avó.
– Hora de recuperar o tempo perdido, então. Já estou sentindo o cheirinho dos seus biscoitos de canela e estou pronta pra devorar, no mínimo, uma dúzia!
As garotas riram, juntamente com a avó. Noah, sorrindo, cutucou o ombro da amiga.
– Coloco as malas no seu quarto?
– Noah, já disse que não precisa fazer isso. Sou perfeitamente capaz de leva-las sozinha. Você SABE disso. Além do que, sua família está te esperando.
– Deixe de besteira, vá. Eu levo, só preciso que me diga pra onde. E se não me disser, vou ficar aqui e deixá-los esperando até amanhã.
– Teimoso. E exagerado. — Revirou os olhos — Pro quarto mesmo.
Ele, sem dizer mais nada, pegou as três malas de uma só vez, levando pra dentro.
– Sempre atencioso. — Dona Leila comentou.
– E você, sempre babando o ruivinho né, vó?! — Mon disse, dando risada.
– É um bom garoto. Gosto dele como se fosse meu neto, sabe disso.
– Sei sim. Ele é quase isso mesmo. E a Juliet também.
– A mãe dela não deixou que viesse, disse que tinha que ficar em casa pra receber o Noah. — Fliss disse, entrando na casa.
– Teria sido mais produtivo ter vindo, então. Nossa... — Harmony examinou a casa — Como senti falta desse lugar. Não mudou nada.
– Deixa de drama — Des disse, jogando-lhe uma almofada enquanto ria — Não faz nem seis meses que veio aqui passar o Natal com a gente!
– Ah, não é a mesma coisa, Dee. A casa sempre fica diferente no Natal.
Ela deu de ombros.
– Drama. Ei, você não queria biscoitos? — Des pegou um dos biscoitinhos arredondados de canela e jogou para a irmã.
Harmony imediatamente deu uma dentada, deliciando-se com o sabor. Todos os dias, Dona Leila fazia, pelo menos, duas bandejas para as meninas — seus biscoitinhos de canela eram famosos no bairro inteiro. Faziam tanto sucesso que, na vizinhança, não havia um aniversário sem a presença dos maravilhosos biscoitos.
– Pela sua cara, tenho certeza de que não comeu nada tão bom quanto isso na faculdade. — Mel comentou, rindo da expressão de satisfação da irmã.
– Pode apostar que não – Respondeu, dando sumiço no resto do biscoito com apenas uma mordida.
– Vou fazer brigadeiro pra acompanhar e depois vamos pra sala de TV. Quero saber TUDO sobre a sua faculdade! – Fliss disse, dirigindo-se para a cozinha.
– A gente conversa praticamente todos os dias por Skype, Fliss! Não é como se você não já soubesse!
– Shiu, vou arrancar todas as verdades mais obscuras de você. – A garota disse, antes de desaparecer no outro cômodo, arrancando uma gargalhada das irmãs.
– Deus, como eu senti falta disso!
– Hey, Army? – Noah chamou, descendo as escadas. Era o único que a chamava assim, desde sempre. Ela não se importava, já estava acostumada ao amigo. – Já estão todas lá em cima, ok?
– Ah, certo. Eu... – Ela pensou por uns segundos – FLISS! Vou levar o Noah em casa enquanto faz o brigadeiro, certo? – Então virou-se pra avó, pedindo permissão com o olhar — Prometo que não demoro.
– Estaremos esperando – Dona Leila sorriu.
– Ahn... não precisa, Army. Sério. – Noah interveio.
– Ah, claro, porque vou mesmo deixa-lo ir carregando suas bagagens pra casa, a pé. – Foi irônica.
– Fica a menos de dois quarteirões daqui! E eu não sou você, trouxe só uma mala – Disse, rindo, enquanto a seguia pelo jardim.
– Que seja, eu te levo. É o mínimo que posso fazer, depois de você ter deixado seu carro na faculdade o verão inteiro só pra não me deixar vir dirigindo sozinha na estrada.
– Posso pegar o da minha mãe ou o do meu tio, isso é besteira.
– Noah. Entra logo no carro.
Ele a encarou por uns segundos.
–Hm. Tá. Só dessa vez.
Ela revirou os olhos, entrando no lado do motorista. Em poucos segundos, deu a partida e viu Noah pegar o violão do banco de trás, assim que se acomodara no da frente.
– Aprendeu alguma nova?
– Algumas. Mas hoje vou ficar nas antigas mesmo – Ele sorriu, começando a tocar More Than Words.
Ela retribuiu o gesto e foram cantando até chegarem a curva para entrar na rua do ruivo.
– Uou, ela veio mesmo. – Ele de repente exclamou, parando de tocar.
– Que? Quem veio?
– Delilah.
– Delilah... Lá da rua? Minha amiga e uma das melhores amigas da Fliss?
– ...E também da Juliet. Ela mesma.
– Ah! Ela veio... Te receber? — Apertou os olhos, surpresa.
– Aparentemente. Quando falou que viria, achei que estivesse brincando. Mas aquele é o carro dela, né?
– É sim. Não sabia que estava rolando alguma coisa... – Harmony disse, sorrindo de maneira provocativa.
– Não está, Army. Você sabe que, atualmente, me envolver com alguém é bem complicado.
– Você sempre diz isso, desde que terminou com a Jennifer. Mas isso não o impediu de sair com aquela garota do campus.
– O nome dela é Betsy. E só saímos umas 3 vezes.
– Porque você quis. Ela estava caidinha por você.
– Meu problema não é bem esse.
– Está na faculdade, Noah. Tem que deixar esses problemas pra trás e se dar a chance tentar algo sério com alguém!
– Já disse, não estou fechado pra balanço. Meu plano é não me envolver, mas estou aberto a isso. Sei que pode acontecer.
– Não pode simplesmente ficar sentado e querer que as coisas aconteçam, ruivinho. Não é assim que funciona.
– Eu sei, mas eu não quero que nada aconteça, lembra? Tenho coisas mais importantes com o que me preocupar.
– Bom, eu acho que você tem uma grande oportunidade bem na sua frente – A loira apontou o carro azul estacionado a poucos metros. – Delilah é uma garota maravilhosa, Noah. E, parando pra pensar, vocês até que combinam. Deveria tentar.
– Vou pensar nisso, prometo – Ele beijou-lhe a bochecha – Valeu, fofa.
– Eu que agradeço, ruivo. – Disse, vendo-o sair do carro com o violão em mãos. Ele pegou a sacola na mala e caminhou até a janela do motorista, carregando-a.
– Não quer entrar, quer?
– Nah, prometi que voltaria logo. Fica pra próxima. Mas manda um beijo pra sua mãe e pra Juliet. Diga pra ela aparecer lá em casa quando der.
– Darei o recado. – Ele sorriu de lado, virando-se em direção a casa – A gente se fala, Army!
– A gente se fala. Ah, e manda um beijo pra Delilah também! – Disse, quase rindo.
Ele fez um sinal positivo com uma das mãos e, sem olhar pra trás, seguiu até a entrada da casa.
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