Sweet Nothing

1 Claro como aqueles olhos


Notas iniciais
É o primeiro cap. da minha primeira fic, então sugestões, críticas, essas coisas todas seriam incríveis. Espero que vocês gostem (que pelo menos não seja uma perda de tempo muito grande)... Obrigada e boa leitura

Abri os meus olhos devagar e tentei entender onde eu estava, mas isso não fazia sentido para mim.

Nada fazia, na verdade.

Vi por trás de várias camadas de cabelo que estava em um quarto. Com o tempo comecei a ouvir uma música, como se o silêncio estivesse se dissipando e a reconheci.

Era Snap Out Of It, uma que eu havia ouvido muito, sabia.

Depois eu comecei a entender alguns outros sons. Vozes de garotas, mas eu não as reconhecia.

Estalei os dedos, com força, várias vezes seguidas, perto e longe dos meus ouvidos, tentando entender o que estava acontecendo com eles.

Desta vez, ouvi bem os sons — e as garotas também.

Elas fizeram um silêncio de enterro e eu me ajoelhei na cama, jogando o cabelo para trás para afastá-lo do rosto.

Me olhavam como se estivesse equilibrando um tubarão branco na cabeça.

"Becky, que porra é essa?" — perguntou uma delas, com a pele e o cabelo brancos como papel. Ele era curto e estava embaraçado.

"Você está bem?" — concordou uma ruiva, sem o sarcasmo que a outra usou, com um sorrisinho de lábios finos. Ela parecia preocupada de verdade.

A garota da pele de caramelo não disse nada, mas seus olhos negros eram profundos e pareciam entender tudo aquilo. Pareciam me entender. Foi por causa dos olhos confiáveis, tão claros quanto a minha situação, que eu respondi algo estranho e equivocado:

"Sim, desculpa. Só estou um pouco confusa. Acho."

Eu não respondia por Rebecca. Soava estranho na minha mente e eu sabia que não era o meu nome.

Mas tudo ali era bom, aconchegante. Era como uma lembrança, ou como casa (mesmo que eu não lembrasse de como era a minha).

"Você ainda deve estar estranha de ontem à noite" -riu-se a loira. Ela era muito bonita, mas não do jeito normal. Só parecia melhor que tudo.

Eu assenti com um murmurio e tentei me lembrar de qualquer coisa sobre mim, mas nada veio. Tudo ali era errado, mas se parecia comigo. Fiquei com medo de ter algum tipo de amnésia. Talvez ela estivesse certa e fosse tudo culpa de alguma coisa que eu tivesse usado.

Eu resolvi descobrir seus nomes. Seria importante, já que éramos amigas.

Desci da cama, assumindo que podia mexer nas coisas delas.

Uma mulher enfiou a cabeça pela porta e entregou um telefone à ruiva.

"Eva" — Ela disse — "querida, é para você. E eu queria avisar que vamos jantar fora hoje" — A casa era dela, afinal.

O quarto era grande e bem iluminado e eu discretamente comecei a procurar por algo que pudesse ajudar. Encontrei papéis que diziam seu nome. "Eva Marie Roberts".

A morena se chamava Freya, eu as ouvi dizendo. Mas com a loira isso era muito mais difícil.

Pensei que ela poderia se chamar "Anya" ou "Adelaide". Talvez fosse ouvir alguém chamando-a: "Addy..."

Resolvi perguntar:

"Eu preciso do seu nome inteiro para uma coisa de escola. Eu esqueci. Desculpa." — o que soou estranho na hora, mas ficou pior depois. Seu olhar perguntava algo, de início e começou a ficar sombrio, me congelando até a morte e depois indo além desta.

"Você sabe o meu nome. Todo mundo sabe o meu nome. Não é difícil, você sabe!"

"Eu ainda estou louca, eu esqueci" — mas ela sabia que não. E eu já havia errado. Fiquei feliz por como ela fez tudo menos responder à pergunta. E não o faria.

Eu não entendia sua reação.

"Esqueça isso, Becca" — a ruiva respondeu por ela e eu fingi que esqueci.

Notas finais
Hum... Espero que vocês não achem tão ruim quanto eu achei?? Ah, continua, se vocês gostarem!