Sweet Madness

10 Capítulo 9 - Obstinada


Notas iniciais
Olá leitores! Sei que fiquei ausente por meses, eu acho. Mas perdoem-me. As vezes a imaginação não ajuda e, se querem saber, nem outras coisas eu estava fazendo direito, então, decidi que no final do ano eu deixaria tudo de lado e cuidaria de mim, uma vez que também não estive bem de saúde. Mas, agora em 2014 eu voltei. Vou tentar manter Sweet Madness mais atualizada, para dar rumos melhores a ela e, que vocês também possam me ajudar e voltar a ler e comentar na fic. Espero que gostem do capítulo Beijinhos, Nina

Capítulo 9 – Obstinada

O Duque Charles Evans queria muito que sua adorada esposa pudesse ter um funeral digno de uma Evans, seria deveras perturbador e extremamente ruim em diversos aspectos, se a sociedade soubesse que sua esposa fora sequestrada enquanto estava na Itália, sendo assim, fora Javier, o mordomo, quem ficara encarregado de resolver estas pendências. E assim, naquela tarde, uma chuvosa e tediosa tarde, uma carruagem negra, simples, percorreu a cidade lentamente, com um pequeno cortejo atrás, indo em direção ao cemitério.

— Não esqueça dessa nossa conversa, Angelique. Nem você, Charlotte. — Charles dizia num tom baixo, triste.

— Ninguém saberá, meu pai. — A loura assentiu.

Quando o caixão de mogno chegou ao mausoléu da família Evans, todos se despediram. Preces foram feitas por alguns minutos, flores e coroas foram postas sobre o caixão e as primeiras fofocas se iniciavam, mesclando-se com lamúrias.

— És tão grave, que o caixão nem pôde ficar aberto. Tenho pena desta menina. — Uma senhora dizia.

— Ninguém sabe exatamente o que houve. — Uma das amigas próximas de Desirée comentara, exatamente quando Angelique deixava o lugar, quase uma hora após o início das orações.

A loura sentiu raiva, queria dizer o que realmente tinha acontecido, porém seu pai havia a alertado e isso não deveria ser feito. Então, usando uma de suas facetas mais serenas, ela virou-se para a senhora:

— Minha amada mãe sofreu de complicações. Provavelmente alguma delas foi proveniente de uma doença que ela contraiu na Itália. — Ela sibilou. — Preferimos manter o caixão fechado a pedido dela. A senhora sabe como minha mãe era.

— Sim, é claro que sei querida.

Angelique andou alguns metros, arrastando um vestido negro pela calçada molhada, sendo seguida por um criado que segurava um guarda-chuva. Ela parou sob uma abóbada toda adornada com gárgulas e outras criaturas, na companhia de suas amigas.

— Susan não veio.

— Ela não pôde comparecer. Parece-me que as estradas estão bloqueadas com essas chuvas e eles não quiseram arriscar. — Rosalie comentou, também chateada, pois sabia que Angelique estava devastada, embora não deixasse transparecer.

— Como são hipócritas. — Mary Murfield comentou. — Estão se perguntando porque ela não chora.

— Já chorei tudo o que eu tinha que chorar, Mary. — Angelique virou-se para a onde as pessoas estavam.

— Angelique, todos estão deixando o local. Apenas seu pai está lá agora.

— Acompanhe-me, Charlotte.

Angelique prestou suas últimas homenagens á sua mãe, naquele simbólico enterro. Por alguns instantes ela fingiu ter visto o rosto de sua mãe emoldurado por rosas amarelas, lírios brancos e rosas vermelhas. Os cabelos louros e ondulados de Desirée, estaria cuidadosamente arrumados e, ela parecia um anjo dormindo. Mas quando abriu os olhos novamente, Angelique voltou á sua deprimente realidade.

O duque do Chá, abalado com tudo o que acontecia a sua volta, entrou na carruagem, acompanhado de sua filha e da dama de companhia, e retornou para o castelo. Lá, embrenhou-se em seu escritório e disse a menina que não sairia de lá tão cedo.

— Javier, mande preparar uma carruagem, viagem comigo. Preciso ir ver Albert.

— Acha prudente viajar agora? E Angelique?

— Angelique é crescida e sabe bem o que estamos passando. Mas mesmo assim, chame-a, quero ter um momento a sós com minha filha. — O duque pedira.

O mordomo encontrou a menina sentada num divã em frente a um retrato de sua mãe. Ele sorriu para ela, estendeu a mão para ajuda-la a se levantar e a avisou sobre seu pai. Quando entrou no escritório, viu uma papelada sobre a mesa e sua maleta aberta.

— Vais viajar.

— Sim, querida. Preciso. Albert está na Suíça e preciso encontra-lo, para avisar sobre tudo o que está acontecendo.

— Mas Albert pode se virar sozinho, meu pai. Ninguém sabe que ele está lá!

— Aqueles malditos italianos podem pegá-lo, Angel. Preciso ir. Ainda esta noite. Javier vai comigo. — Ele abaixou-se em frente a filha e colocou uma mão em seu queixo, erguendo-o. — Eu volto, prometo a você. Muito em breve.

— O que devo fazer, papai?

— Não posso pedir que vá cuidar pessoalmente de meus assuntos, Angelique.

— Que assuntos papai? O senhor disse que eu poderia ajudar com os negócios, para vingarmos a mamãe! Mas nunca me deixa saber sobre nada!

Charles sentou-se numa poltrona frente a onde Angelique estava. Pacientemente, explicou a sua filha a escuridão de seus negócios e a sombra que pairava sobre sua vida. Detalhou o que seus empregados faziam, falou sobre as casas na cidade e sobre as funções de Eleazar e os outros.

Charles explicou a ela o que era ser o Duque do Chá, que aquela função não implicava somente em vender chás chineses para manter as aparências, pois somente isso não faria a fortuna deles; mas sim, ser o Duque do Chá era ter o monopólio de portos de tratado na China, de postos de fabricação e venda no império Otomano.

— A senhorita sabe como é. Sei que em seu baile roubou as cigarrilhas de sua mãe. — Ele sorriu brincalhão.

— Mas se o ópio causa mortes, meu pai, porque continuam comprando?

— O que poucos sabem, e que nunca deve sair daqui, é que Albert é o nosso “tesouro”.

— Como assim, papai?

— Albert e seu parceiro, Friedrich Wilhelm, criaram, há alguns anos, um composto que ajudava os pacientes a não sentir dor. Deste composto derivou-se o ópio, porque muitos não podiam pagar por receitas e pela morfina.

Angelique bebericou o chá que uma criada servia, tentando absorver toda a complexidade das palavras de seu pai, e tentando entender como o mundo funcionava. Para ela, uma jovem que mal debutara, o mundo já não era tão colorido quanto antes.

— E porque minha mãe?

— Porque Piero Vittorio queria entrar para os negócios, todavia, ele queria entrar e levar a produção da Alemanha para a Itália. Quando recusei a proposta, ele ficara indignado.

— É claro, se ele levasse a produção para a Itália, ele poderia monopolizar o comércio de tudo e tirar você da jogada. — A menina raciocinou. — De um jeito ou de outro alguém iria morrer.

— Sua mãe foi uma pequena baixa.

— Mas não deixa de ser, meu pai. Ele vão pagar por isso. Mamãe adorava ir para Siena e ficar na casa de veraneio. Nem a casa temos mais.

— Conto com seu silencio, Angelique. Por hora, aproveite sua vida, viaje, vá a bailes; quando atingires a maioridade, o império do chá conhecerá a nova Duquesa.

Milhas dali, na vinícola Santi, o duque Albert Kostan, o Conde George Johnsson e Clemente Santi voltavam de uma cavalgada pela vinícola, quando foram averiguar a suspeita de um fungo nas vinhas. Clemente estava deveras preocupado com sua produção.

— Estão dizendo que há uma praga matando as vinhas no Novo Mundo, mio caro. Preciso me precaver.

— A praga não chegará aqui, imagino. — George murmurou, enquanto trotavam de volta para a casa grande.

— E Joseph, Albert, como ele está? — Clemente perguntou.

— Esperando o momento de voltarmos á Inglaterra. Ele quer tentar entrar em contato com a menina Evans, contudo... — O duque diminuíra o tom de voz. — Não acho prudente. A reputação da família Kostan é muito antiga, isso sem mencionarmos nosso negócio. Não posso arriscar que uma menina destrua meu filho e toda nossa família.

—Sem dúvida. Sebastian disse-me que Joseph ainda pensa na garota, mas que manterá a cabeça do amigo ocupada com outros ares. — George confabulou.

— Ainda teremos um baile de negócios em Siena, talvez encontrem uma dama para Joseph por lá.

— Esperemos que neste baile, ninguém mais seja sequestrado. — O senhor Kostan riu.

— É o que espero. A julgar que os Vittorio não estarão presentes, então imagino que será um local seguro. — Clemente assegurou-os. — Pois bem, vamos logo, que em breve as senhoras nos esperarão para o jantar. E minha Vera detesta quando me atraso!

Os senhores cavalgaram mais rapidamente, e sentiram uma brisa morna do clima italiano batendo no rosto. Quando chegaram, tiram os chapéus e as luvas de couro, e sentiram o mormaço quente nas bochechas. O duque Kostan presava sua amizade com o dono da vinícola e, exatamente por isso e pelos negócios, necessitava de viagens constantes á Siena. Contudo, repudiava aquele clima tão quente.

Ainda faltava algum tempo para o jantar, assim, os senhores decidiram que tomariam um banho e refrescariam antes da refeição.

Mary Jane Johnsson, a condessa e herdeira dos negócios de seu pai, ouvia atentamente Lucy, sua dama de companhia, ler uma das histórias de um livro qualquer. A senhorita estivera na cidade desde a primeira hora do dia, aproveitando as aulas de dança e de música, então, naquele momento, estava exausta.

—... Jane. — Lucy a chamava. — Mary Jane!

— Oh, perdão, Lucy. Devo ter adormecido. Não continue a leitura. Leremos outra hora. — A menina murmurou, espreguiçando-se e sentindo os pés doerem. — Oh, nem acredito que em poucos dias voltaremos para a Inglaterra. Gosto tanto desse clima.

— Tem alguém que está ansioso para voltar á Inglaterra. — Lucy comentou, ao ver Joseph na varanda da casa, olhando para o infinito.

Jane ficou observando-o e sentiu pena. Sabia que o duque jamais aprovaria a união, ou até mesmo qualquer relação, de seu herdeiro com a herdeira do império do ópio. Joseph estava entre a cruz e a espada.

Mary Jane levantou-se e deixou a biblioteca, onde ouvia Lucy lendo; em seguida, abriu a porta dupla da varanda do lugar, aproximou-se do jovem duque e encostou-se à sacada. Ele encarou-a de relance.

— Sei bem o que vais dizer-me, Jane. — Ele resmungou.

— Então não me darei ao trabalho. — Ela riu de forma divertida e o fez rir também.

— Quero ajuda-la, Jane. Sei que meu pai não aprovará um relacionamento com ela, ainda mais sabendo de tudo o que aconteceu. Contudo, quero ajuda-la. — Ele dizia convicto.

Todavia, o que Joseph Kostan não sabia, era que seu pai e George Johnsson já haviam planejado uma forma de sair desta situação e de assegurar o destino de seus negócios familiares. E o que nem um deles sabia, era que aquela decisão de Joseph, mudaria a vida de outras pessoas para sempre.

Notas finais
Não deixem de comentar, por favor. Obrigada, nina
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.