Sweet Madness
8 Capítulo 7 - Vazia
Capítulo 7 – Vazio
“A vingança procede sempre da fraqueza da alma, que não é capaz de suportar as injúrias.” (François de La Rochefoucauld).
Naquela noite, na mansão de Clemente Santi, ninguém dormiu, ou pelo menos a maioria deles. Isabella estava sentada numa cadeira de balanço na área, sentindo o vento noturno, porém enrolada em sua própria capa.
Ela não sentia nada. Estava absorta em seus pensamentos, lembrando-se de sua mãe e tentando assimilar a situação. A ficha ainda não havia caído. Apenas havia um espaço que não estava vazio, estava preenchido com um sentimento estranho, desconhecido por ela, mas que a fazia tremer. Ela pensou no que poderia ser. Pensou em Aro Volturi e pensou em seu pai lhe contando sobre o corpo que for achado; sentiu raiva, não, pior. Sentiu ódio.
— Posso lhe fazer companhia? — Edward perguntou, distante e relutante.
Isabella fez um aceno com a cabeça e ele se aproximou, sentando-se no balanço ao lado dela. Naquele momento ele pensou que ela não parecia uma menina mimada como antes, não havia aquela aura divertida que o atraía. No lugar havia ressentimento e mágoa. Ele temia por ela.
— Pediram-me para avisá-la que partirá ao amanhecer.
— Agradeço, Edward. — Ela respondeu num tom seco.
— Gostaria que não estivéssemos nesta situação, todavia não terei outra oportunidade. Gostaria de dizer-lhe que sinto muito e que, se a senhorita estiver de acordo, pensei em voltar a vê-la quando eu estiver de volta á Inglaterra. — Ele dissera de forma cortes, educado como um verdadeiro cavalheiro.
A luz pálida da lua dava a jovem duquesa um toque sombrio, deixando-a tão bela como em qualquer outro momento, ele constatou. Isabella suspirou mediante a declaração do duque. Sabia que era uma honra para uma duquesa como ela, receber um pedido como aquele, ainda mais vindo de uma alteza real.
— Eu ficaria encantada, alteza. — Ela sorriu levemente. — Aceito seus sentimentos. Embora neste momento eu esteja em conflito com os meus próprios.
— Estás em dúvida sobre o que sentes, agora que... — Ele hesitou.
— Estou em dúvida do que sinto em meu coração, neste momento. Temo que ele esteja enegrecendo e, por mais que eu lute, não consigo expulsar as trevas. — Ela suspirou, enquanto uma lágrima descia por sua bochecha.
— Sobre o que a senhorita dissera lá dentro, o que pretendes? — Perguntou ele, cauteloso.
Ela ponderou. Mas logo percebeu que não iria mudar de ideia tão cedo.
— Acabarei com cada Volturi, arrancarei até seus corações se for preciso. — A expressão dela era dura, impassível, por mais que aquela lágrimas teimosa estivesse ali. — Desista de minha pessoa, alteza real — Ela disse baixo. — não sou certa para o senhor. Não serei certa para o senhor.
O jovem duque suspirou. Se alguém o atraíra, certamente era aquela jovem. Era deveras arrogante, mimada e, na opinião de Alice, insuportável, porém tinha uma personalidade forte e sempre tinha algo a dizer-lhe. Não era como as outras senhoritas que tinham suas falas memorizadas e sabiam apenas o essencial para conquista-lo. Isabella podia ser errada para ele, mas ele não tinha certeza se queria alguém que fosse certa.
— Não tenho certeza se o que eu preciso é alguém que seja certo. Entretanto senhorita, eu não consigo apenas enxergar uma jovem que está devastada pela dor e necessitada de vingança. Se isto é o que a senhorita precisa, vingue-se, mas saiba que isso não trará sua mãe de volta.
— Não, realmente não trará; mas os farei pagar por tudo.
— Então me permita desfrutar do momento, antes que a senhorita se perca.
Edward aproximou-se lentamente dela, seus rostos ficaram tão próximos, que as respirações se misturavam. O aroma de morangos dos cabelos da menina inebriava o jovem duque. Fazia o coração dele disparar, como uma manada de elefantes, chegava a doer. Então finalmente ele beijou-a.
Colou seus lábios ao dela, pegando-a de surpresa, desarmando-a por inteiro. Suas línguas brincaram em alguns momentos e os dedos de Isabella embrenharam-se pelos cabelos acobreados de Edward. Ela nunca tinha experimentado aquela sensação, nem mesmo quando teve um beijo roubado de James Niemann em seu debut. Aquilo era diferente, era poderoso e a fazia sentir formigamentos estranhos. Quando o ar faltou-lhe, empurrou-o, atônita e ao mesmo tempo, entorpecida por aquele formigar estranho que tinha em seus lábios.
— Sempre me desarma, Edward Cullen. Apesar de nos conhecermos a tão pouco tempo, consegues tal fato. — Ela corou, tocando inconscientemente seus lábios com a ponta dos dedos.
— Eu deveria ter feito isso mais cedo, não é de meu feitio. Perdoe-me. — Ele desculpou-se.
— É claro que não é. Um cavalheiro da realeza nunca poderia roubar beijos de senhoritas desconhecidas a cada baile que participa. — Ela riu.
— O que é tão engraçado? Não entendo vossa pessoa, senhorita Swan. Ora está aí, despedaçando-se por dentro, e agora desfaz-se dos outros?
— Não foi minha intenção. Todavia o senhor também não devia dar palpites em minha vida. Sei bem o que estou fazendo com ela.
— Espero mesmo que saiba. — Ele resmungou, ressentido, pois há minutos atrás, declarou-se para ela. Para uma estranha que havia mexido com seus sentimentos. — Contudo, quando terminar sua vingança, procure-me. Se a Isabella que eu conheci, ainda estiver aí, podemos voltar a ter contato.
— Podemos manter contato, Edward. — Ela quase queria chorar. Sua voz estava embargada, não sabia por quê.
— Não, infelizmente não poderemos se a senhorita envolver-se nesta vingança. Ambos somos importantes para nossas famílias, todavia, não a subjugando de alguma forma, mas possuo um nome a zelar perante a família real. Não posso envolver-me em assuntos obscuros, Isabella.
Ela entendeu. Seu coração disparou e não gostou do que ouviu. Todavia não podia fazer nada. Ser a filha de um dos imperadores do ópio significava sacrificar algumas coisas, sua mãe foi a primeira e ela não estava disposta a sacrificar seu pai e deixa-lo perder-se nesse mundo sombrio sozinho. Só restava sacrificar aquilo do qual ela ainda não havia criado laços, apesar de já sentir-se ligada a ele de alguma forma.
— Saiba que adorei conhecê-lo no baile, apesar dos pesares. E que estes dias aqui, em sua companhia principalmente, foi deveras agradável. — Ela olhou para a lua e então se voltou para ele.
Edward segurou-lhe uma das mãos, suavizando a expressão em seu rosto.
— Todos precisam fazer sacrifícios. E não posso arriscar perder meu pai. Posso parecer ingênua, mas sei dos negócios dele há mais tempo que ele mesmo imagina. — Ela exibiu um sorriso doce. — Preciso estar lá, para ele e tenho que fazer isso, Edward, ou então esses italianos malditos continuarão fazendo a mesma coisa.
— Acha que seu pai não faz o mesmo?
— Ele não sequestra esposas e as joga em rios. — Ela rebateu.
— Mesmo assim...
— Mesmo assim preciso deixar algo para trás... — Ela hesitou. — Gosto do senhor muito mais do que eu esperava, acho que machuca dizer-lhe estas coisas. Mas não posso me dar ao luxo de tê-lo ao meu lado. Não quando sei que minha vida se tornará vermelho sangue.
Edward soltou uma risada leve e indiferente. Ele sentia a dor lhe invadir o coração.
— Sua vida se tornará tão carmim quanto o sangue e tão negra como a noite. Dói-me dizer-lhe isto, mas logo à senhorita irá se entregar ao luxo e a futilidade, e logo vai mergulhar de cabeça nas sombras e escuridão. — Edward tinha uma linha dura no rosto.
Isabella, já sabendo que as palavras a seguir selariam seu destino, antecipou-se. Levou uma de suas mãos ao pescoço do jovem e beijou-o Beijou-o com toda sua alma, entregando-lhe seu coração e desejando que nada daquilo estivesse acontecendo. E enquanto sua mente imaginava-se sorrindo, mais lágrimas traidoras desceram pelo seu rosto. Ela lutou consigo mesma para saber o que dizer naquele instante.
— Se não poderei estar contigo, então fique com a única preciosidade que tenho. Acredite quando lhe digo que... Que estou sendo sincera e estou sofrendo. Aceite meu coração e guarde-o com você, pois se ele ficar comigo, irá se perder e eu nunca mais o acharei.
Edward queria que toda a burocracia que envolvia a corte real, principalmente a classe dos Duques, não fosse como realmente era. Por mais simples que fosse apenas ficar com ela e esquecer seu título, ele não podia dar-se àquele luxo. A corte real tinha lá seus benefícios, e era seu pai que seria o principal atingido.
— Quando estiver padecendo ou convalescente, ou quando não suportar mais suas próprias trevas e precisar de alguma luz em sua vida, me procure, pois eu não irei procura-la. Adeus, Duquesa Swan.
As palavras dele saíram disparadas e ela ficou chocada, desciam amargas como um veneno e manchavam sua alma que outrora fora pura. Agora, uma mancha negra espalhava-se ao poucos, tingindo o coração e alma da menina. Isabella não sabia, mas na verdade ela não estava mudando, pois algo já havia mudado em seu ser desde a noite do baile.
— Edward. — Ela chamou-o e ele estacou.
— Fique com isso. — Ela levantou-se correndo e entregou-lhe um relicário de prata, em formato oval, com filetes que serpentavam em toda a joia, unindo-se num único ponto.
Ele abriu o delicado relicário e viu um pequeno retrato de Isabella. Ele fechou os dedos em volta dele e continuou seu caminho para dentro da casa.
— Bella? — Alice deparou-se com Edward carrancudo e uma Isabella com uma expressão de choque.
— Sim, Alice? — A menina revirou os olhos.
Alice suspirou. Ela não gostava da menina, fazia questão de deixar claro isso desde a primeira vez que se toparam pelo centro da cidade, contudo, aquela situação precisava de medidas mais urgentes e, consequentemente, ela precisava engolir seu orgulho para lidar com a jovem e mimada duquesa.
— Sei que não me suporta, e eu também não faço questão de tal fato, todavia imagino que queira viajar em uma vestimenta mais confortável e que lhe sirva corretamente.
— De fato eu não lhe suporto. Se sabes disso, porque és tão generosa?
— Porque sim. — A baixinha sorriu vitoriosa. — Um dia você saberá. Agora me siga.
Bella seguiu Alice até o aposento em que a menina estava hospedada. O quarto era deveras espaçoso, assim como o seu, entretanto, estava preenchido com baús e caixas e uma penteadeira repleta de acessórios. Sobre a cama estavam alguns vestidos, todos de cores mais escuras e que, notou Bella, eram mais parecidos com seu próprio gosto, do que com o da jovem condessa McCarty.
— Tomei a liberdade de separar alguns em tons escuros, acredito que é mais do seu gosto.
— Tem razão. — Bella passou o dedo pelo tecido sedoso.
— Fique com estes.
— Não posso aceitar tantos vestidos, Alice.
— Tem certeza que não é seu ego que está dizendo isso? — Ela alfinetou.
— Não! Realmente não é. Mas pensando que não poderia fazer meu pai perder tempo, vou aceitar. Quando estiver de volta a Londres, lhe pagarei em dobro.
Alice riu. Aquela menina ainda tinha muito a aprender.
— Não é necessário. Além do mais tenho muito mais vestidos do que poderia vestir em apenas um mês. Se te conforta, eu não gosto desses vestidos e preciso me livrar deles.
A bailarina fechou a porta do quarto, logo após Charlotte entrar. A dama de companhia começou a desatar os laços do vestido pálido que Isabella trajava. Aquele tinha sido um dos vestidos que Vera Santi lhe emprestara, todavia não caíram tão bem quanto o primeiro.
— Vista esse. É espesso e permite cavalgar com mais conforto. — Alice indicou.
Bella despiu-se. Retirou a combinação, que consistia num vestido longo, fluido, de cor creme, sem corte algum, que servia apenas para proteger a pele do espartilho. No lugar, ela trajou uma curta calça de couro castanho e um espartilho de mesma cor. Por cima, colocou um vestido longo, de mangas compridas, também castanho, com dois enormes rasgos até a altura das coxas.
— Então, o que fiz para a senhorita tratar-me como me trata? — Alice perguntou-lhe, afinal, não suportava ter as pessoas longe de si.
— Nada, de fato.
— Provavelmente concordaste com Tanya Denali, quando esta veio lhe falr de mim. Não é surpresa.
— O que está insinuando? — Bella ergueu uma sobrancelha. — Ai, Charlie! — Ela reclamou quando Charlotte puxou com força os fios do vestido.
Isabella respirou fundo, não era fácil usar aqueles trajes, mesmo os de cavalgada. Quando Charlotte terminou de amarrar o vestido em suas costas, ela mesma ajeitou a gola e o cinto
— És tão inocente e age como se fosse dona do mundo, isabella. Ainda vais aprender. — Alice deu de ombros.
— Não vou perder tempo discutindo. — Bella retrucou. — Não ficarei sua amiguinha apenas porque está me ajudando.
— Não é preciso, afinal a senhorita tem suas próprias amigas, não é mesmo? — Alice era rápida com suas respostas.
Bela sentou-se na beirada da cama e colocou botas longas, que subiam até as coxas.
— Perfeito. Aqui está uma capa, acho que ficará alguns dedos mais curta, por sou menor que você. Mas acredito que irá servir. — Alice indicou. — E esses vestidos você levará. Precisará de algo mais requintado para a viagem. Lucy, por favor, peça que embrulhem os vestidos numa folha espessa e depois numa malha e por último, num pedaço de couro. Certifique-se de que ficará bem amarrado, como você bem sabe. Os embrulhos poderão ser colocados no lombo dos cavalos. Nada de baús.
— Agradeço muito, Alice. O que posso fazer para retribuir?
Alice sorriu. É claro que não estava fazendo tudo aquilo por mera generosidade e por sentir pena da menina, também, porém ela sabia de algo mais que necessitava de uma atenção especial. Bella percebeu aquele olhar na menina.
— Deixe que eu termino, Charlotte.
A dama assentiu e pediu licença, saindo do quarto e fechando a porta atrás de si.
— O que sente por Edward, Bella?
“Então era isso”, ela pensou.
— Afeição. Porque perguntas?
— Esqueça-o, é tudo que lhe peço.
— Estás interessada por ele?
— Não lhe devo satisfações, todavia esse não é meu interesse. Ele é como um irmão para minha pessoa, e eu detestaria vê-lo de coração partido por alguém como você. — Alice ralhou.
— Alguém como eu?
— Uma jovem que vive num mundo que não é compatível com o dele. Trará problemas para ele. É tudo o que não quero.
— E se eu não quiser?
— Então esqueça seu mundo, só então poderia tê-lo.
Era uma faca de dois gumes, não importava o lado que Isabella escolhesse, ela acabaria por sofrer e fazer muitos sofrerem. Tinha consciência disso. Mas também tinha consciência de que não abandonaria seu pai. Alice também sabia disso.
— Não se preocupe. — Ela ia dando as costas á duquesa real. — Esta é a primeira e última vez que me ouvirá lhe agradecendo. Obrigado, Alice.
— Não, Bella. Ainda vai me agradecer. — Alice disse baixo, mais para si mesma, do que para a menina.
Na sala de estar estavam todos reunidos. Charlie Swan trocava algumas palavras com os senhores, que também eram ouvidos pelo mordomo Anthony, por Edward e Emmett.
—... Jacopo irá acompanha-los. Ele é muito bom em cavalgadas noturnas e em fazer outros caminhos, caminhos desconhecidos. — Clemente anunciou.
— Grato, Clemente. Tony ficará ao seu dispor enquanto Jácopo está fora, peço apenas que faça o que foi instruído.
— Queimará sua própria residência de veraneio? — Emmett perguntou ao Duque.
— Sim meu caro. Tony o fará. Não tenho qualquer papelada, apenas alguns itens de valor. Por isso Clemente, vá até a propriedade com Tony. Pegue o que quiser, venda, lucre, dê aos pobres. Mas não deixe nada naquele lugar. — Charlie pediu ao vinicultor.
— Sim, senhor. — Tony assentiu.
— Pegue o dinheiro, compre trajes adequados para uma viagem de navio. Junte sua família e os outros criados. Não quero inglês em solo italiano. Temos muito o que fazer quando chegar em Londres e você me ajudará.
— Papai. — Isabella adentrou a sala. Edward encarou-a, de cima a baixo, constatando que há minutos atrás, ela ainda parecia uma menina indefesa e, agora, ali diante de seus olhos, ela parecia uma mulher, uma sombria mulher.
— Está belíssima, minha querida!
— Cortesia de Alice. Está tudo acertado. Podemos ir. Quanto antes chegarmos, antes iremos à caça.
Notas finais
Desculpem a demora, mas ultimamente meus afazeres pessoais têm me ocupado por tempo demais. Estou tentando conciliar a fic, com os posts em meu blog (que me ocupa demais), um projeto pessoal e o trabalho. É bastante coisa, então.. paciencia.
Muuito obrigada a todas vocês que têm comentado, viu? O Comentário de vocês me motiva cada vez mais a escrever e a me dedicar a historia. Saibam que SM é meu xodó e eu espero torná-la o xódo de vocês também. :)
Um avisinho: Se alguém quiser ler a versão original desta fanfic, ela está no meu blog (www.storytimestoryteller.blogspot.com) e vai ao ar todas as quartas-feira pela manhã. Só clicar na página Originais que vocês acham ela lá.
Bem, agora que leram tuudo isso, por gentileza, comentem e, se estiverem amando a história, recomendem. :D
Beijinhos,
@ninaxaubet
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