Sweet Madness

2 Capítulo 1 - Duques


Notas iniciais
Oi meninas!

Espero que gostem! Boa leitura!

beijinhos

Capítulo 1 — Duques

Londres, 1840.

Era uma tarde nublada. Grandes massas de nuvens cinzentas cobriam os céus da cidade e não davam sinal de que iriam embora tão cedo. O vento era frio e cortante, principalmente quando se estava no topo de uma colina ou então a caminho dela. Era uma paisagem tipicamente inglesa e, como nos livros, tipicamente sombria. E o castelo de pedras escuras, com musgos crescendo entre moitas e árvores altas e antigas, complementava o quadro.

Os altos muros de pedras cinzentas, cobertas por uma camada fina e lisa, ligeiramente esverdeada de musgo e lodo. Um portão de ferro negro foi aberto por dois homens, que vestiam capas para proteger-se da garoa fina. Um comboio de carroças entrou no lugar, eram várias e elas vinham de lugares diferentes. O comboio subiu a colina, seguiu a estrada de pedra até chegar à parte de trás do castelo, num local coberto e protegido da chuva, onde alguns homens esperavam o carregamento.

— Pensei que eu tivesse no prejuízo. Onde estavam?

— Desculpe, milorde. A chuva nos atrapalhou e uma baita confusão no porto fez com que o carregamento demorasse. — O cocheiro desculpou-se.

— Houve mais algum contratempo?

— Não, senhor. Tenho esta mensagem para entregar ao senhor. — O homem entregou um envelope com um selo.

— Abra o carregamento.

— Sim, senhor.

O homem abriu a capa espessa e puxou um baú. Ele girou a chave mestra que o Duque Charlie Swan lhe entregara, abriu o ferrolho do baú e mostrou o interior. O duque retirou os chás que havia na primeira camada e pegou um dos pacotes escuros que completavam o resto do baú. Ele abriu, exibindo um punhado de folhas verde escuras, quase que completamente secas e maceradas.

— Está perfeito, lorde Swan. — Isaac Weber, principal confidente do duque, sentiu o cheiro.

— Como está a cidade? Acha possível distribuirmos esta noite?

— Creio que não, lorde. A chuva iria atrapalhar e há um burburinho sobre chegadas de membros importantes da família real. Esta noite é impossível. — Eleazar respondeu.

— Leve a carga para o armazém, certifique-se que guardas farão a vigilância esta noite e solte os cães. — Charlie ordenou e entrou no castelo, seguido por seus confidentes.

O castelo, apesar de sombrio por fora, era bem iluminado e aconchegante por dentro. Cortinas pesadas em carmim caíam sobre as janelas e candelabros iluminavam salão após salão, até os quartos. No centro do corredor principal, numa escadaria larga, duas jovens desciam as escadas correndo. Elas trajavam vestidos que iam abaixo de seus joelhos, meias brancas e sapatinhos. As duas eram morenas, mas uma usava um vestido azul e a outra estava de rosa. Elas eram parecidas, ambas com cachos nos cabelos, que iam até o meio das costas, possuíam olhos castanhos e mesma estatura.

— Bella, minha querida, não corra! — A voz de uma dama, no alto da escada, chamou atenção.

— Ora, o que está havendo aqui? — Charlie surpreendeu-as.

— Ah, vamos tomar chá, papai! A modista chegará em poucos minutos! — Bella dizia sorrindo.

Isabella Swan tinha catorze anos e era a única filha do Duque Swan e da duquesa Renée. Em poucos dias faria quinze e iria debutar. Charlie dera o aval para que um belo baile fosse dado no castelo, e quem o organizava era Renée junto a outras mães que também tinham filhas que completariam seus quinze invernos.

— Como pude me esquecer. O evento do ano! Vamos, deixaremos as damas em paz e cuidaremos de nossos negócios em meu escritório. — Charlie beijou a testa de Isabella e seguiu seu caminho.

O pai de Ângela, um barão chamado Isaac Weber, acenou para a filha e seguiu o duque. Ângela também era uma debutante, curiosamente faria aniversário em poucos dias e iria comemorar junto à amiga Isabella, assim como Tanya Denali e Rosalie Hale.

— Ainda bem que irão debutar. Quem sabe ficam menos impossíveis! — A Sr.ª Weber ralhou.

— Vamos, meninas. — Renée indicou o caminho. — As duas. Postura. Andem devagar e sorriam como se fossem estrelas.

— Somos estrelas, mamãe. E depois deste baile, seremos as damas mais aclamadas da sociedade inglesa. — Isabella dissera presunçosa e um tanto egocêntrica, características que adquirira de sua mãe involuntariamente.

A sala designada para o chá tinha suas cortinas abertas e os candelabros acesos. Uma mesa com guloseimas, pães, bolos, chás e cafés fora posta próxima à janela, enquanto as meninas e suas mães entravam no ambiente.

— Foi muita gentileza nos deixar fazer a prova aqui, lady Swan. Assim como o baile.

— Não se preocupe, temos espaço de sobra e imagino que elas gostem de passar este tempo juntas. — Renée comentou e bebericou o chá que lhe fora servido. — Com este negócio de Charlie, assim como Isaac que também está envolvido, imagino que é bom que Bella tenha Ângela como amiga. Não quero que ela entre neste mundo sombrio que estou envolvida.

— Infelizmente é nossa realidade. Mas estamos guiando-as num caminho diferente e as duas tem algum juízo na cabeça. — Sarah Weber dissera.

— Fico imaginando o que farei quando Bella entender sobre o negócio do pai. Agora ela não se importa, mas futuramente entenderá. Charlie diz que ela será a herdeira de seu império, mas francamente, Sarah, não vejo como minha filha pode ser a herdeira do império do Ópio como ele pensa. — Renée desabafou.

Sarah, apesar de ser uma baronesa, era uma mulher de muita classe. Tinha uma personalidade doce, assim como Renée. E assim como a duquesa, ela tinha as mesmas preocupações, afinal seu marido Isaac era um dos braços direitos de Charlie Swan e estava em contato direto com aquele mundo sombrio.

Minutos mais tarde a modista chegara e sua entrada foi anunciada. Dois criados entraram carregando dois baús com vestidos e caixas com acessórios. Quando tudo estava na sala do chá, ela curvou-se, reverenciando as damas a sua frente e suas filhas. E as jovens retribuíram o cumprimento sorrindo e fazendo uma breve reverência, porém não muito longa, Renée ensinara à Bella, “pois você é a jovem duquesa. Sua reverência só será longa se dirigir-se à qualquer um que for da casa real.”

— Hoje faremos apenas os ajustes finais, então levarei os vestidos novamente e irei finalizá-los. Espero que esteja do agrado das jovens. — A modista abriu o baú e começou a retirar as partes do primeiro vestido.

— Mãe, eu achei que teríamos um vestido mais cheio de laços e babados. — Bella queixou-se.

— Nós vamos usar dois vestidos, Bella. — Ângela, uma garota deveras inteligente para sua idade, explicou à amiga. — Usamos este florido e depois um outro para o baile, então nós duas dançaremos valsa.

— Já se tornou uma boa dançarina, senhorita Bella?

— Oh, não! Eu não gosto muito de valsa, mas meu pai insiste em dar-me aulas.

— Vistam essas combinações, meninas. — A modista pediu.

Após fazer os ajustes básicos nas combinações de cor creme, a senhora pediu que colocassem os vestidos floridos e fluidos, que elas usariam até as doze badaladas. Quando os ajustes dos primeiros vestidos foram marcados e anotados, elas foram instruídas a vestir os modelos para o baile, e Renée e Sarah insistiram em ajudar as filhas.

— Por Deus, Charlie, elas ainda estão vivas? Estão trancadas naquela saleta há horas! — Isaac resmungou, esticando os braços para o alto e mexendo o pescoço.

— Mulheres, meu caro Isaac! São mulheres! — Charlie exclamou, entornando o restante do conhaque que havia em uma taça de cristal.

Os dois gargalharam e perderam-se numa conversa descontraída sobre as banalidades da corte inglesa, quando foram surpreendidos por três batidas na porta e um criado que entrava no recinto. Ele curvou-se perante o duque e o barão, sentindo uma gota de suor escorrer pelo canto de sua testa. Suas mãos tremiam e sua expressão não era a de alguém que iria anunciar uma boa notícia.

— Se-senhor Swan. — O criado gaguejou.

— O que se passa, Waylon? Porque estou achando que tenho problemas?

Waylon tremeu. O Duque Charlie Swan não era Vlad, O Empalador²; sim, costumava ser conhecido por ter um pulso firme, mas não era um assassino e nem torturava aqueles que tentavam lhe passar a perna ou fazer alguma falcatrua... Geralmente mercenários faziam esse tipo de serviço por ele.

— Fui até East End, como o senhor havia pedido.

— Encontrou Alistair?

— Não. Entrei no cabaré, vi um reboliço e meninas correndo para todos os lados em trajes inadequados, então desci as escadas até o porão, entrei no escritório, encontrei as mesas vazias, as poltronas viradas, gavetas esvaziadas.

— Cofre?

Waylon hesitou.

— Arrombado. Olhei mais de perto e encontrei uma abotoadura no chão, perto da porta do cofre. — O serviçal tirou do bolso da casaca um embrulho. Charlie abriu e verificou ser uma abotoadura prateada, com um filete fino em ouro e um pequeno rubi. O filete dourado formava um desenho muito familiar aos olhos do duque.

— É a abotoadura de Alistair. Ele é o único Irlandês que trabalha para mim e que usa essas abotoaduras. — Charlie guardou-a no pacote e enfiou-a dentro de uma gaveta.

Ele levantou-se e ficou observando os campos verdes e a neblina pela janela. Sua mente vagava.

— Alistair está pisando em ovos. — Eleazar comentou, sentindo a tensão aumentar. — O que devemos fazer, Charlie?

O Duque respirou fundo.

— Eleazar, mande que Jason Jenks nos encontre no cabaré da East End esta noite, às dez horas. Waylon, fez bem em vir avisar-me imediatamente. Avise que não poderei comparecer aos cabarés hoje, tenho contas a acertar. Passe um aviso aos guardas das casas. Diga-lhes que Alistair não é mais um dos nossos, e que se ele for visto, deve ser levado para o galpão ao sul da cidade.

— Devo procurar por Paul? — Billy perguntou ao duque.

— Sim, quero falar com ele o mais cedo possível. Dispensado, Waylon.

— Sim, alteza.

Quando Waylon deixou o duque e os barões a sós, Charlie soltou um longo suspiro. Ele estava frustrado e com raiva, com muita raiva. Ele era o Duque Swan, o Duque do Chá, como era conhecido no submundo inglês, pois era o seu ópio o mais consumido em Londres e em outras localidades inglesas.

— Nós vamos encontra-lo e reaver seu dinheiro, duque. — Billy dissera.

— Se fosse uma quantia pequena, eu pouco me importaria e não deixaria o castelo esta noite, entretanto eu o deixei pôr os pés dentro da minha casa! — Ele exclamou.

Eleazar e Billy entenderam. Para o Duque sua fortuna era importante, porém sua família — sua pequena, e agora debutante Isabella, e sua adorada Renée — eram colocadas acima de tudo. Charlie não arrastava Renée para seu mundo sombrio, mas dava a ela todo o conforto que sua fortuna podia oferecer e também procurava dar o melhor de si. Mas quando ficasse velho precisaria que alguém continuasse seu império e o destino quis que Isabella fosse sua filha, sendo assim, ela seria sua herdeira... Embora Renée discordasse.

Era contraditório pensar daquela forma, proteger sua família e, ao mesmo tempo, querer expor sua filha de uma forma que poderia ser fatal. Charlie Swan ainda não tinha pensado noutra forma de sair dessa saia justa e, por hora, esta seria sua opção.

Horas depois, a modista deixara a sala e fora acompanhada por criados até sua carruagem. A jovem Duquesa estava em êxtase e mal continha-se em seu lugar a mesa do chá.

— Vais ter um ataque, Bella. Comporte-se!

— Desculpe-me, mamãe. Mas estou deveras animada com o baile, seremos finalmente apresentadas à sociedade inglesa!

— Vai ser um tremendo espetáculo! Poderemos frequentar todos os bailes. — Ângela comentou, exibindo um sorriso de genuína felicidade.

— Mais que isso. Seremos importantes e não meras membras da corte.

Renée surpreendeu-se, encarou Isabella com um olhar perplexo, que a menina ignorou.

Isabella Swan já era conhecida na sociedade inglesa, mesmo sendo tão jovem. Nos negócios de seu pai, ela era conhecida como “A” herdeira, tinha sempre proteção de guardas e a benção do duque para tudo o que quisesse e bem entendesse, e mesmo sem querer, muitos já esperavam muito dela. E no mundo iluminado e colorido, repleto de falsos sorrisos da corte inglesa, a jovem duquesa era conhecida por ser a filha de Renée Swan, uma Condessa francesa de grande importância em Provença.

— Infelizmente não podemos discordar delas, Renée. Estão certas. Vamos esperar que sejam ajuizadas e não saiam fazendo besteiras por aí, certo senhoritas? — Sarah Weber assinalou.

— Sim senhora. — As duas disseram em uníssono.

Em outra parte da cidade, num castelo de pedras claras, que naquele dia nublado pareciam se misturar a névoa constante, havia certa agitação. Os criados carregavam bagagens para duas carruagens, enquanto um mordomo e uma governanta davam ordens a outros serviçais.

— Senhor Cullen, está quase tudo preparado. Posso pedir que sirvam o chá?

— Seria ótimo, Geoffrey. Já estou indo. Chame Edward, por favor. — Respondeu ele.

Carlisle Cullen era conhecido como Duque de Lancastle e, diferente do Duque Swan — que tinha o título de Duque apenas pela fortuna e posse de terras —, Carlisle tinha o mais alto título da nobreza por ter ligação com a família real.

— Mandou me chamar? — Um jovem de cabelos acobreados, vestindo um paletó azul marinho, parou próximo a porta de um luxuoso escritório.

— Ah, sim. Pedi que Geoffrey lhe chamasse para o chá, antes de viajarmos. E, é claro, para saber se sua bagagem já foi devidamente arrumada.

— Certamente. Vamos, meu pai, deixe os papéis para o trem. Terás tempo.

O Duque Carlisle seguiu para a sala de jantar, onde uma mesa farta estava a postos. A duquesa Esme Cullen desceu as escadas arrastando seu vestido de renda e algodão, adornado com um caprichado laço de cetim nas costas. Seu cabelo era uma cascata ondulada de cor caramelo, ele estava repartido e um dos lados era adornado por uma fivela prateada de brilhantes.

A família sentou-se à mesa para o chá, degustando de bolos, torradas, geleia caseira, biscoitos e o clássico chá. Esme tomava seu chá com leite, o de Carlisle era puro e o de Edward era especialmente doce.

— Espero que desfrute das aulas em Siena, Edward. Talvez assim possamos entrar num acordo. — O duque dizia entre algumas mordidas em sua torrada.

— Aproveitarei as aulas ao máximo, meu pai. Em troca, prometo dedicar-me a aprender sobre os negócios que a tanto estão em nossa família. — Edward dissera num tom solene.

— Parece que estás sendo um mártir, querido. — Esme riu baixo. — és inteligente, vais aprender rapidamente sobre os negócios de teu pai.

— Assim espero. Não deve, de fato, ser deveras complicado lidar com vendas e produção de algodão e couro.

— De fato, é bem simples. Basta entender-se com números e alguns detalhes minuciosos.

— Iremos nos encontrar com os McCarty ainda esta noite? — Esme perguntou-lhe.

— Sim, este foi o combinado. Viajaremos juntos, pretendo discutir algumas ideias novas com Roger McCarty.

— Senhor e Senhora Cullen, já está tudo arrumado. Hora de partir. — Geoffrey, o mordomo, anunciou.

A família levantou-se, pegou alguns pertences pessoais e rumou para fora do castelo, onde a carruagem lhes esperava. O cocheiro partiu em direção a Grand Station, com a outra carruagem lhes seguindo. Os Cullen ficariam em viagem pela Itália por cerca de dois meses e meio, a fim de tratar de negócios e desfrutar do clima mediterrâneo.

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¹East End – Zona super populosa de Londres, onde reside a maior parte da classe baixa.

² Vlad, O Empalador – Conhecido como Vlad Tepes, um príncipe da região da Valáquia. Seu sobrenome, em romeno, é Draculea, então era chamado de Vlad Dracul (Dracul = filho do dragão). Por isso ele foi chamado de Conde Drácula, daí a lenda do vampiro.

Notas finais
Então, o que acharam?
Gostaria que todas deixassem reviews e me dissessem o que acham. Eu estou gostando de escrever essa fic, o tema é bem diferente e espero que possam me dizer se estão gostando ou não.

No final do capitulo tem alguns esclarecimentos em relação á alguns termos. Se alguém ficar com dúvida, me avise e tentarei responder. :D

Vou tentar postar a cada 7 ou 10 dias, para que tenha tempo de escrever com calma, que a Jeh possa betar, e que eu possa cuidar dos meus compromissos.

Beijinhos,
@ninaxaubet