Apetecia-me ir atrás dele, mas como o Chris estava a agarrar-me, não pude. Os outros dois ficaram a olhar para mim assim que o Justin desapareceu. Nos meus olhos via-se um pouco de tristeza e preocupação, então alguém tentou consolar-me.

- Não te preocupes com ele… — O Chris tentou acalmar-me.

- Como assim? Ele é o meu irmão, é claro que me preocupo! – Disse, revoltada.

- Eu sei disso. O que eu quero dizer é que ele agora esta de cabeça, nós falamos com ele depois. – Ele explicou.

- Hum, está bem – acabei por concordar.

“«Nós» falamos com ele”, não sei se seria muito boa ideia, e além disso eu queria estar sozinha com o Justin.

E aqueles dois, será que nunca sairiam dalí, ou paravam de estar especados a olhar para nós? Parecia que me tinham lido os pensamentos.

- Para onde é que vocês estão a olhar? – Perguntou Chris de sobreolho erguido.

- Pronto, já não está cá quem olhou – disse Ryan, a rir-se baixinho.

Eles saíram os dois e eu e o Chris estávamos novamente sozinhos, eu sabia o que ele queria. Ele olhou fixamente para mim e começou a aproximar a cara dele, lentamente. Naquele momento não estava com cabeça para aquilo, não conseguia parar de pensar no Justin e em como ele tinha saído dalí. Por isso soltei-me dos braços do Chris. Ele olhou para mim, surpreendido. Eu só tive tempo de dizer:

- Tenho de ir ver o Justin…. – Ele voltou a agarrar-me. — A sério Chris, deixa-me ir.

Com um triste olhar, ele largou-me. Não gostava de o ver assim, por isso, mesmo antes de me pôr a caminho, beijei-o e ele prolongou. Mas como ele sabia o quanto eu queria ir ter com o Justin, parou o beijo.

- Obrigada – disse, sorrindo.

- Porquê? – Perguntou, também sorrindo, não tão feliz.

- Por me deixares ir, e, por não ficares zangado – respondi, continuando a sorrir.

- Tudo bem, e também não podia ficar zangado contigo – desta vez, ele sorria mesmo. – Vá, vai lá…

Sorri, dei-lhe um beijo na bochecha e fui a correr ter com o Justin. Ele estava no jardim. É para lá que nós vamos para nos acalmarmos, por isso pareceu-me que lá estivesse. Ele estava sentado no chão a atirar pedrinhas para a piscina. Ele estava calmo. Ouviu-me chegar, olhou para mim, e voltou a olhar para a água, repetindo o gesto com o braço, deixando cair as pedras na água. Sentei-me à beira dele, e aí ele olhou-me fixamente. O olhar dele dizia qualquer coisa do género: “Eu acho que compreendo, mas…” Sorriu-me e eu não hesitei em abraçá-lo. Quando parámos, ele voltou a atirar as pedras, enquanto falava comigo.

- Então, tu gostas dele? – Perguntou, muito calmo. – Porque é que nunca me disseste nada? – Não era o tipo de pergunta de que eu estava à espera, e mesmo assim, parecia encaixar na situação.

- Eu acho que gosto dele. – Admiti. – Nunca te disse nada, porque, a verdade é que eu sempre gostei dele. Afinal, ele é o meu melhor amigo, e essa amizade foi crescendo. Passou a verdadeiro amor por parte dos dois. – Expliquei timidamente. Era estranho estar a falar com ele sobre uma este assunto e a última parte soava mesmo muito estranha.

- Então – sorriu – e, o que é que sentes quando estás com ele? – Mais perguntas de que eu não estava à espera.

- Bem… – Estava extremamente tímida naquele momento.

- Podes dizer-me, sabes disso, não sabes? – Continuou a sorrir-me e eu retribui-lhe o sorriso.

- Sim, sei… — acenei com a cabeça. – Bem, quando estou com ele sinto um formigueiro no corpo todo, borboletas na barriga, o meu coração fica acelerado, e quase não consigo parar de olhar para ele, ele é lindo! – Esta última parte foi sussurrada.

Ele sorriu e deu uma pequena gargalhada. Era tão bom falar com ele! Ele preocupava-se, e estava disposto a ouvir tudo o que eu tivesse para dizer.

- Tu ama-lo! – Acusou, voltando a rir.

Pois, também acho… – concordei rindo-me com ele.

- Bem! Eu sei que vocês sempre se deram muito bem, muito bem mesmo, mas nunca pensei que acabaria em namoro! – Agora ele estava a gozar, o que me fez soltar uma gargalhada.

- Nós não namoramos! Ele não me pediu em namoro…!

- Mas vai pedir, não tarda – sorriu-me – dá para ver que ele também te ama, só pela maneira – houve uma pausa, enquanto respirava fundo — como te beijou…

Nesse instante corei, não sei bem porquê, afinal, eu estava com o meu irmão e não tinha que me sentir envergonhada ou tímida, porque nós sempre partilhávamos tudo um com o outro.

- Eu sei o que esse corar significa – brincou, sorrindo.