Sweet Little Boy
14 I don't Know How to Love Him
Notas iniciais
– Ai meu deus Hummel, o que aconteceu com você!? — Ao abrir a porta e encontrar Kurt descabelado com roupas de dormir, e ver seu rosto manchado com lágrimas, era mais do que óbvio para a latina que algo grave havia acontecido.
– S-Santana... Eu posso passar a noite aqui?
– Claro que pode... Entre. – Disse a latina enquanto se afastava da porta dando espaço para Kurt entrar. – Pode ficar no sofá, mi madre não vem pra casa hoje, vou te fazer um dos meus famosos chocolates quentes com marshmallow. Quer que eu ligue para Britt?
Kurt apenas balançou a cabeça em negação. O castanho precisava de um longo tempo para processar e entender tudo o que estava acontecendo, e por mais que odiasse admitir isso, Santana era a pessoa perfeita para ajudá-lo.
Após alguns minutos, Santana acomodou-se no sofá ao lado de Kurt, entregando para o amigo uma das duas canecas com chocolate quente. Depois do primeiro gole, Kurt quebrou o silêncio.
– San, lembra quando você disse que eu saberia quando eu estivesse apaixonado? Que eu entenderia o que era o amor quando eu o sentisse?
– Vagamente, eu não costumo guardar nossas conversas. – Santana disse tomando um gole de sua bebida. – Oh! Eu sinto muito, eu esqueci que você chegou aqui miserável e eu deveria te tratar bem, sabia que tinha um bom motivo para te fazer um chocolate. Vamos começar novamente. Me lembro sim Kurtie, o que houve? problemas com seu boy magia?
– Eu não diria problemas... – Kurt ainda parecia distante de tudo. – Ele me tratou tão bem nos últimos dias, eu me senti tão cuidado e protegido. Sabe, ele faz eu me sentir bem da melhor maneira possível.
– Mas... – Interrompeu a latina. – Qual seu ponto?
– Ele me beijou hoje. – Disse em um só fôlego.
– E?
– Ele me beijou, Santana!
– O pedófilo que você ama desde que nasceu cuidou de você e depois te beijou, eu entendi essa parte. – Disse a latina, muito lentamente, se esforçando para pensar no assunto. — Mas uma parte da história meio que não se encaixa... Por que você apareceu na porta da minha casa à essa hora nesse estado lamentável? Nesse momento vocês deveriam estar na terceira base...
– Santana ele me beijou e eu... Eu percebi que eu o amo. Eu sempre amei, estou completamente, perdidamente, desesperadamente apaixonado por ele. – Kurt disse aos prantos. – Agora eu não consigo olhar pra cara dele sem querer chorar.
– Por que você não diz tudo isso pra ele?
– Eu... Eu não posso. Eu o amo tanto, e enquanto eu não tiver certeza se ele gosta de mim, eu posso ser feliz. Se eu nunca souber eu posso viver sonhando com ele e ainda posso ficar perto dele. Mas, se eu descobrir que ele não gosta de mim nós nunca mais nos falaremos e eu vou estragar para sempre qualquer chance de ser feliz ao lado dele, eu não sei se posso suportar isso...
– E se você falar e descobrir que ele gosta de você?
– Santana, ele é oito anos mais velho do que eu! Ele já está terminando a faculdade, sabe quantos caras incríveis ele deve conhecer?
– Mas ele não estava beijando nenhum desses caras incríveis na ultima hora, ele estava atrás de você.
– Talvez ele goste um pouco de mim, mas encarando os fatos, vivemos em realidades diferentes. O nosso amor é um tanto impossível, e eu não estou preparado para vê-lo se cansando de mim, eu sei que de qualquer jeito eu vou me magoar. – Kurt limpou as lágrimas que ele nem tinha percebido que estavam lá e continuou. — Mas, enquanto eu puder ter ele em minha vida, enquanto eu puder vê-lo sorrindo, estando ou não ao meu lado, eu posso ser feliz.
– Kurt, isso é normal, você precisa parar de pensar em todos esses detalhes. Eu entendi você está assustado, mas sua lógica não faz nenhum sentido. Deixe-o saber tudo o que você sente, se ele gostar de você, as coisas vão funcionar, de um jeito ou de outro. Caso contrário, você vai sobreviver, não antecipe a sua dor.
– Eu só queria que as coisas fossem normais, mas agora ele me beijou, e eu fui patético, eu chorei e sai correndo. Eu não sei com que cara eu vou olhar pra ele quando chegar em casa.
– Por mais que ele seja irritante ele não me parece o tipo de cara que sairia te beijando só por causa do seu corpo... Dê uma chance para ele, dê uma chance para os seus sentimentos.
– Eu não sei o que fazer...
– Você vai tomar um banho, colocar as roupas que você deixou aqui em casa semana passada e arrumar a droga desse cabelo, depois você vai voltar para casa e falar para Blaine tudo o que você disse pra mim. Se as coisas derem errado, me ligue que eu te busco rapidamente e você pode chorar no meu colo a noite toda. Se as coisas derem certo, use proteção porque eu sou muito nova para ser tia. – Após a ultima frase a latina ganhou um leve tapa do castanho, mas finalmente havia conseguido arrancar um sorriso de seu amigo.
~K&B~
Kurt encarou a porta de entrada por pelo menos uns dez minutos, ele nunca esteve tão nervoso para entrar em sua própria casa. O castanho ensaiou suas falas diversas vezes no espelho da Santana, mas na realidade ele não fazia ideia de como falar sobre esse assunto com Blaine. Ele optou por abrir a porta de uma vez e resolver logo esse assunto.
– B-ee? – Blaine virou instantaneamente para encontrar a voz.
– Kurt! Eu estava tão preocupado, onde você se meteu até essa hora? – O moreno levantou se aproximando do mais novo rapidamente, mas parou no meio do caminho como se tivesse se lembrado de que aquilo era errado.
– Bee – Kurt falou lentamente, ignorando os apelos de Blaine. — Eu preciso falar com você sobre o que aconteceu hoje...
– Oh, isso... Eu meio que precisava falar com você também. – O moreno olhou sério agora. – Eu sinto muito por isso Kurt, eu não quis te assustar e...
– Você não me assustou, Bee. – cortou o castanho, com um rubor subindo por suas bochechas. – Eu gostei daquilo.
– Kurt, eu...– Blaine abaixava seu tom de voz. — Aquilo não deveria ter acontecido.
– Mas... B-bee, eu estou tentando te dizer que... Eu, eu gosto de você. – Kurt disse lutando um pouco com as palavras. – Eu gosto de você, Blaine.
– Não Kurt... Você não gosta. – Disse Blaine, cético. – Você estava triste e confuso e eu fiz aquilo, eu não deveria ter te beijado, eu só não sabia o que fazer.
– Você fez aquilo porque estava com dó de mim? – Disse Kurt com uma voz esganiçada segurando suas lágrimas, ele não iria mais chorar na frente de Blaine.
– Kurt, você é só uma criança, as coisas podem ser confusas agora, mas uma hora você vai entender.
– Como você acha que pode saber mais dos meus sentimentos do que eu? – Disse o castanho irritado.
– Você não entende Kurt, você é quase um irmãozinho pra mim, isso o que eu fiz foi de muitas maneiras errado. – Disse Blaine baixinho, se aproximando perigosamente do mais novo. – Eu sinto muito.
– Blaine... – Kurt engatou a respiração enquanto se perdia nos olhos castanhos brilhantes e profundos. – Eu não entendo, isso pra mim não foi errado... Eu nunca me senti tão certo em toda minha vida.
Blaine soltou um suspiro e se aproximou ainda mais, porque ele simplesmente não conseguia se conter. Kurt aproveitou essa chance, reunindo toda a coragem que ele não sabia que tinha para quebrar a distância entre os lábios de Blaine.
No começo foi estranho, Kurt nunca tinha imaginado que poderia apenas se inclinar e beijar Blaine, ele conteve sua vontade de fazer isso durante sua vida inteira. Mas agora ele estava realmente beijando Blaine, e sendo correspondido. O moreno estava em conflito, por um lado ele sabia que devia jogar Kurt longe, ele era uma criança, quase de sua familia, e seu pai não estava em casa. Mas isso definitivamente não importava enquanto sua língua estava passeando pelos dentes do castanho.
Eles continuaram o beijo a cada segundo mais urgente, até que tiveram que se separar em busca de ar. Os olhos verdes encontraram os castanhos e nenhum dos meninos podia dizer mais nada, apenas se inclinar para um novo beijo, de novo e de novo.
Seus beijos foram ficando mais apressados e desesperados, como se toda a tensão e os problemas do primeiro beijo tivessem sido arrancadas. Blaine deitou lentamente no sofá, por cima do mais novo, eles não conseguiam mais separar seus lábios, Kurt afundou suas mãos nos cabelos encaracolados enquanto Blaine descia seus beijos para o pescoço do menor.
– Você é tão lindo. – Disse o moreno ainda despejando beijos em qualquer pedaço de pele visível.
Kurt estava bêbado pelos beijos, suas bochechas levemente coradas e seus olhos verdes, que agora estavam azuis, ainda mais brilhantes. Ele estava tão apaixonado.
– Não! – Blaine se levantou abruptamente sentando-se no sofá, apoiando o rosto nas mãos. – Eu sinto muito Kurt, eu não posso fazer isso.
– Sim, você pode! Blaine, qual é o problema? – Disse Kurt se sentando ao lado do moreno.
– Qual não é o problema? Kurt isso é tão errado, isso é inadequado de todas as maneiras possíveis. Eu sinto muito, me perdoe, eu não posso.
Blaine se levantou rapidamente do sofá, ele caminhou em direção as escadas sem olhar pra trás, com sua cabeça mais cheia de problemas do que ele se lembrava nos últimos anos, ele era um idiota.
Kurt ficou perplexo olhando para o menino que amava, enquanto ele estava incrédulo demais para ter alguma reação, ele queria gritar dizendo o quanto ele era medíocre, ele precisava afundar em seu travesseiro e chorar, e ainda se olhar no espelho e estapear seu próprio rosto.
Fale com o autor