Sweet Little Boy
26 I Give Him All my Love
Notas iniciais
Blaine sentiu os primeiros raios de sol tocando seu rosto, ao mesmo tempo em que algo se mexia em seus braços, havia meses que o moreno não tinha uma noite de sono tão boa, ficava até difícil pensar em acordar. Quando Blaine criou coragem de finalmente abrir os olhos ele pode ver seu anjo, ainda com respirações calmas, adormecido em seus braços. Era mesmo possível que Blaine amava Kurt mais hoje do que ontem?
Ás vezes Blaine achava que ele simplesmente iria convulsionar e seu coração iria derreter de tanto amor, tudo bem isso soou um tanto exagerado, mas era verdade, não era normal o tanto que ele amava este menino. Blaine tivera a melhor noite de sua vida, ele mal podia acreditar que realmente tudo isso tinha acontecido, será que ele ainda estava sonhando só para acordar e ver Kurt desaparecer de seus braços? Não. Certamente não. Ele podia sentir o cheiro do menor inundando seu cérebro, e a textura da pele de Kurt era de uma maciez que não seria possível reproduzir em um sonho.
Blaine deixou seus dedos afagarem suavemente os fios de cabelo castanho, logo em seguida escorregando pelas costas nuas do mais novo, droga seu menino era todo perfeito, e Blaine só podia sorrir com a sensação da proximidade de Kurt, sentindo o corpo descoberto do mais novo diretamente em contato com o seu. Ele pode ver o nariz e as pálpebras do menino começarem a vibrar, sinalizando que o castanho estava lutando contra seus sonhos para despertar, ele era adorável.
– Bom dia, flor do dia. — sussurrou Blaine no ouvido de Kurt, assim que viu os olhos azuis esverdeados meio confusos se abrirem.
Kurt demorou alguns segundos para entender onde ele estava, bom, ele e Blaine estavam em sua cama. Seu corpo estava todo dolorido. Eles estavam nus. Ele não era mais virgem. Oh Deus, ele não era mais virgem! Ele havia feito sexo com Blaine noite passada!!
– O-oi... — O castanho começou a surtar internamente conforme as memórias da noite passada foram invadindo seus pensamentos, sentindo um forte rubor subindo em seu rosto, como ele poderia encarar Blaine agora, depois de tudo?
Blaine pressionou seu lábio inferior entre os dentes enquanto seus olhos encaravam o mais novo intensamente. Era incrível que Kurt realmente poderia ficar envergonhado depois de tudo.
– O que tem de tão interessante aqui? – Perguntou, desviando seus olhos do olhar de Blaine.
– Você, na verdade. – Respondeu, deixando seus dedos tocarem o nariz do mais novo. – Eu gosto de assistir você.
– Acho que um de nós pode ser um psicopata em potencial, não é mesmo? – Perguntou o castanho, ignorando o rubor em seu rosto, não ajudava que Blaine nem estava piscando.
– Bom... Eu provavelmente me tornei um criminoso, você sabe... No nosso código penal até onde eu o conheço, não posso dormir com um menor de idade. – falou alegremente. – Inclusive acho que deve ser algo pior, dormir com alguém imaculado como você chega a ser um pecado, não acha? O que é pior, morrer queimado na igreja ou enforcado em praça pública?
– B-blaine, cala a boca. Você não pode ser preso se eu quis fazer isso, ninguém nunca vai saber, e eu quero dizer isso, você não pode de jeito nenhum contar para ninguém. – disse receoso. – E desde que nascemos gays já somos pecadores não é mesmo? Contando que só vamos queimar no inferno depois que morrermos está tudo bem, não é?
– Oh, tão romântico... – zombou Blaine – Mas é sério, bebê, você está bem? Não se arrependeu?
– Claro que não, Bee... Eu nunca vou me arrepender, é só que é meio estranho... Preciso de um tempo para me acostumar.
– Se você está falando da dor eu já te adianto que você nunca vai acostumar, mas sempre vai ser incrível! – Kurt, que estava quase em sua tonalidade de pele normal, voltou a corar.
– Oh meu Deus, eu não me lembro de você ser tão inconveniente... Cadê o príncipe encantado com quem eu dormi ontem?!
– Bem, ele virou um sapo e se escondeu em algum lugar, por enquanto você vai ter que me aguentar. Sabe, eu estava também procurando meu menininho virgem, e adorável, mas trocaram por você.
Kurt fez um bico para mostrar o seu desprezo a Blaine, privando o mais velho da resposta.
– Eu estou brincando, você não consegue parar de ser adorável mesmo tentando. – disse o moreno pressionando seguidos beijos na bochecha do mais novo.
– Bee. – beijo. – Para. – beijo. – Com. – beijo. – Isso. – beijo. – Você – beijo.- Está. – beijo. – Babando. – beijo. – Em. – beijo. – Mim.
– Eu te amo. – Sussurrou o moreno no ouvido de Kurt. – Desta vez ele se inclinou novamente, capturando os lábios do mais novo e aprofundando o beijo, até mordiscar no lábio inferior do menino, provocando um gemido do mais novo. – Eu não me canso de você, eu estou tão apaixonado por você agora.
– Eu também te amo, Bee. – Kurt respondeu com um sorriso radiante, logo sendo substituído por uma expressão triste.
– O que houve? – Perguntou Blaine preocupado.
– E-eu... Eu queria que você pudesse ficar aqui comigo. Nós poderíamos ficar apenas assim, sempre... Aí eu lembro que depois de amanhã você vai me deixar de novo.
– Não, Kurt. Bebê, eu nunca mais vou te deixar, e eu estou falando sério. Mesmo que estejamos a milhares quilômetro de distância, eu sempre vou estar pensando em você cada minuto. E vai passar rápido, só precisamos aguardar que você termine a escola, depois podemos morar juntos, e todos os dias serão assim.
– Mas Bee... São três anos, como eu posso aguentar mais três anos?
– Eu vou te visitar, sempre! O máximo de vezes que eu conseguir, e eu vou te mandar mensagens, te ligar todos os dias, mandar cartas...
– Ninguém manda cartas hoje em dia... – Surssurou. – Honestamente, eu só estou triste, a escola já é ruim o suficiente, mas quando você está aqui parece que nenhum problema é real.
Blaine não tinha certeza do que responder, ele realmente ficaria com Kurt o tempo que ele quisesse, se ele pudesse.
– Bee, como você ainda não terminou a faculdade? Faz tantos anos que você saiu... Seria mais fácil se você só ficasse comigo esses três anos.
– Bom, isso é vergonhoso, mas na verdade eu acabei tendo que trancar a faculdade por dois anos... Eu meio que não pude pagar e tive que trabalhar um tempo pra juntar dinheiro. — Explicou com dificuldade. — Mas este ano eu termino. E eu não sei, de verdade Kurt, eu não sei como as coisas vão acontecer. Mas eu te amo e nós vamos dar um jeito nisso, isto é certo.
Kurt não disse nada, ele afundou seu rosto no peito do mais velho e se permitiu relaxar um pouco, ele queria que as coisas fossem diferentes. Depois de alguns minutos Blaine quebrou o silêncio.
– Você sabe que horas seu pai volta da casa de Carole? – Perguntou.
– Ele não disse... Ou falou e eu não prestei atenção. – respondeu Kurt pensativo. – O que você quer com ele?
– Nós precisamos conversar... Quero dizer, nós três.
– Como assim? – Perguntou assustado.
–Olha Kurt, eu realmente quero ficar com você... Nós chegamos a um acordo esta noite não é? Ou você já mudou de ideia? – Questionou tentando esconder o pânico.
– Não! E-eu sempre vou querer você.
– Ótimo, então nós vamos precisar conversar com ele sobre isso. – Concluiu Blaine. – Não me olhe assim, Kurt. – Completou vendo o pânico no olhar do mais novo. – Eu estou tão preocupado com isto quanto você, mas eu acho melhor ele saber disso o quanto antes. E é melhor nós falarmos, já pensou se ele de repente nos vê no meio de uma sessão de amassos?
– Okay, okay. Já entendi... — Sussurrou o mais novo. – É que eu não vou nem saber por onde começar e... E eu não gosto de ficar falando sobre meu pai enquanto estamos assim. – Disse envergonhado.
Blaine sorriu, e ele nem conseguia contar quantas vezes ele sentiu seu coração inchar por Kurt hoje.
– Tudo bem... Vou concordar com você neste ponto, melhor irmos tomar um banho e nos trocarmos... O dia hoje vai ser cheio. – Dito isto o moreno se levantou, removendo o cobertor de cima dele e se levantando.
Kurt rapidamente deixou uma mão cobrir seus olhos. E mesmo assim, ele ainda podia ver muita coisa pelas frestas entre seus dedos, com os lábios abertos na forma de um ‘o’ ele tomou uma respiração antes de falar.
– Bee... Será que você p-pode sair daqui pra eu me trocar? – Pediu envergonhado.
E tudo acabou pior quando Blaine virou de frente para encará-lo.
– Bebê... Você não pode estar falando sério, depois de tudo o que fizemos ontem... – Questionou Blaine incrédulo.
Tudo bem, parece idiota. Mas ontem a noite Kurt estava cansado, e estava de noite, as luzes estavam apagadas. Ele jamais poderia pensar na possibilidade de Blaine vendo ele assim em plena luz do sol, de jeito nenhum. E não ajudava em nada que seu namorado era um tipo de Deus grego completamente sexy.
– B-bee... Por favor. – Pediu o castanho novamente, sem tirar as mãos de seu rosto. Blaine a cada dia mais achava que Kurt parecia uma criança, o fazendo se sentir mais pedófilo do que deveria.
– Okay, eu vou para o banheiro do corredor tomar um banho e você fica aqui, eu prometo que não venho te... espionar nem nada assim. – Falou meio confuso, enquanto vestia sua cueca.
– Você é uma gracinha. – Sussurrou Blaine, antes de soprar um beijo para Kurt e abrir a porta.
Quando Blaine deixou o quarto Kurt se sentiu estranho, tudo bem, isso foi meio ridículo, mas Blaine entendia, então era uma coisa boa certo? O castanho se levantou da cama, sentindo agora uma dor no seu quadril, mas ao mesmo tempo ele sorriu, droga, ele tinha perdido a virgindade com um dos caras mais sexys de Ohio.
~K&B~
Depois que os dois tinham tomado seus respectivos banhos eles estavam juntos tomando café da manhã, Blaine havia feito panquecas, e ele incrivelmente sempre dava um jeito de espalhar mel na bochecha do castanho para poder lamber depois.
Após muita enrolação os dois conseguiram sentar civilizadamente na sala de estar, enquanto assistiam ‘o Irmão Urso’, depois de muita insistência de Blaine. Não foi necessário aguardar muito tempo até Burt Hummel entrar em casa com um sorriso preenchendo seu rosto.
– Papai! – Exclamou Kurt, se levantando para receber o mais velho. – Ocorreu tudo bem na casa da Carole?
– Tudo ótimo garoto. – Falou, passando as mãos pelo cabelo do filho.
– Ei, eu acabei de arrumar tudo!
– Tenho certeza que você pode sobreviver... – Disse, ignorando os apelos de seu filho. – E então, como foi a noite de vocês? – Perguntou, fazendo Kurt ficar incrivelmente corado.
– Correu tudo bem, Burt. – Blaine respondeu sorridente, visto que Kurt não sabia muito o que falar. – Kurt está assando uma torta para o almoço, acabamos perdendo um pouco a hora.
– Bom, todos nós não é mesmo? A festa ontem foi incrível, fico feliz que tudo correu bem com o casamento de Finn e Rachel.
– Claro, fico muito feliz por eles. – Completou o moreno.
Depois que Burt subiu para tomar seu banho e se preparar Kurt se permitiu surtar um pouco mais.
– Kurt... Você deveria se acalmar, sabe? Se ele for realmente querer matar alguém, este alguém vai ser eu. – Blaine falou enquanto via o namorado correr para lá e para cá. – Você sabe se ele ainda tem aquela espingarda que ele usava para caçar quando eu e Finn éramos crianças? – Kurt encarou o namorado ainda mais em pânico, como se isso fosse possível. – Eu estou brincando, fique calmo, por favor. – Corrigiu-se o moreno, sorrindo novamente.
Kurt ignorou o namorado e foi para a cozinha, tirar a torta do forno e preparar a mesa para o almoço.
Quando Burt desceu de seu quarto os três se juntaram a mesa para comer, os primeiros minutos passaram e um total silêncio constrangedor. Kurt porque bem, como ele iria contar para seu pai que tem um namorado? E Blaine... Droga, ele simplesmente iria dizer “Hey, eu dormi essa noite com seu filhinho mais novo”.
– Jesus, Kurt. Isso aqui está delicioso, é uma daquelas coisas gourmet que você faz? – Perguntou com a boca cheia.
– Sim papai... Eu vi no programa de culinária essa semana e resolvi tentar. Embora eu gostaria que você não comesse tanto, o seu coração...
– Sim, sim meu coração... Não se preocupe, garoto. Você ainda vai ter que me aguentar muito.
O jantar continuou tranquilamente, com assuntos diários e sem importância, até que Kurt resolveu que era melhor ele resolver logo o assunto antes de convulsionar na mesa.
– Papai?
– Hmm?
– Você se lembra que nós somos completamente honestos um com o outro desde que a mamãe morreu?
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