Sweet Little Boy
12 Hold me Tight
Notas iniciais
A luz fraca da manhã acordou Blaine gentilmente. Demorou algum tempo até ele lembrar-se que havia dormido na cama com Kurt na noite passada.
Ohh, doce Kurt, dormindo como um anjo a noite toda...
Espere, onde estava Kurt?
– Kurt? – chamou suavemente, sem sucesso.
– Kurt?! — Blaine pulou da cama o mais rápido que podia e saiu correndo pela casa atrás do castanho.
– Kurt, onde você está? – O tom da voz de Blaine começou a ficar ligeiramente mais desesperado.
– Kurt, bebê! Cadê você?
– Bee... – Kurt murmura tão fracamente que por um momento Blaine achou que estivesse sonhando.
Ele corre para o banheiro em direção a voz do mais novo, tendo uma visão de cortar completamente seu coração. Kurt estava enrolado próximo ao vaso sanitário, sua cabeça estava inclinada nos azulejos da parede, ele estava visivelmente molhado de suor e exausto, com o corpo ligeiramente tremendo e sua pele ainda mais branca.
– Oh meu Deus Kurt, o que aconteceu? – Perguntou Blaine agachando-se próximo ao castanho.
– Dói...
– Kurtie, o que dói? – Perguntou Blaine gentilmente, afagando os cabelos molhados de Kurt.
– Tudo... – Respondeu o castanho ainda com a voz fraca. – Eu estou cansado, e com dor e enjoado...
– Tudo bem, fique calmo. Eu vou chamar um táxi, e nós vamos até o hospital mais próximo.
Kurt ficou ainda mais pálido, se é que aquilo era possível.
– Eu n-não quero...
– Nós precisamos bebê. Eu sei que você não gosta, mas eu não posso deixar você sofrendo aqui sem fazer nada...
– Eu só preciso dormir um pouco... E-eu prometo que logo vou ficar bem!
– Kurt, por favor, não faça as coisas difíceis... Eu vou ligar para o táxi, e quando chegarmos ao hospital eu preciso avisar seu pai.
– Não! Não... Por favor, Bee... E-eu vou para o hospital, mas não conte ao meu pai. Eu não quero preocupá-lo e arruin- A fala de Kurt foi interrompida por um acesso de tosse, o que preocupou Blaine ainda mais.
– Tudo bem, não fale muito. Eu estou aqui, vamos para a sala. — Blaine ajudou Kurt a se levantar, passando o braço do mais novo pelas suas costas, e sua mão pela cintura do castanho, ajudando-o no caminho até o sofá.
– Fique aqui, eu vou chamar o táxi, eu prometo que não demoro.
Blaine se afastou do sofá rapidamente, agarrando o telefone, e procurando o número de algum táxi.
Kurt encostou sua cabeça no estofado do sofá e deixou algumas lágrimas caírem. Ele nem conseguiu ficar feliz por ter ouvido Blaine chamá-lo de bebê duas vezes, ou por ter estado tão próximo do moreno enquanto era carregado até o sofá. Tudo só doía tanto...
– Tudo bem K, em menos de dez minutos o táxi vai chegar aqui e nós vamos... Oh Kurt, você está chorando? – Blaine tentava esconder seu desespero, mas ele não tinha ideia do que fazer para acalmar Kurt.
– D-dez minutos?! Eu preciso... Eu preciso trocar de roupa, eu não posso ir assim.
– Você está maravilhoso, se preocupe apenas com sua saúde agora, tudo bem?
Blaine era tão perfeito, Kurt não se conteve e afundou seu rosto na camiseta do mais velho, chorando ainda mais. Ele sentiu os braços do moreno circulando seu corpo e aproveitou o calor, ele não sabe quantos minutos ficou lá, mas parecia uma eternidade.
– Oh, o táxi chegou, vamos lá. – Blaine ajudou Kurt caminhar até o carro, e se sentou junto a ele no banco de trás.
Kurt encostou a cabeça no moreno enquanto Blaine dava as coordenadas para o taxista.
Em pouco tempo os meninos chegaram ao hospital, Kurt parecia cada minuto mais tenso.
– Vai ficar tudo bem. – Blaine ofereceu um sorriso brilhante, e um aperto na mão do castanho. Kurt não queria soltar as mãos de Blaine nunca mais. Ele odiava hospitais, o cheiro de remédio, as paredes brancas, e as pessoas chorando no corredor do tratamento de emergência... A última coisa que se precisa quando está doente, é colocar um pé no hospital.
Mas as mãos de Blaine não o faziam pensar sobre o hospital, ou sobre a dor que estava sentindo. Ele apenas aguardou pacientemente enquanto o moreno preenchia todas as fichas na recepção, e esperou seu nome ser chamado enquanto estava sentado na sala de espera.
– Kurt Hummel. – Depois de alguns minutos Kurt ouviu seu nome e os meninos caminharam até a sala do médico.
Após muita conversa, uma bateria de exames e testes o médico pediu para os meninos se sentarem.
– Eu vou morrer? – Kurt perguntou seriamente, Blaine não pode deixar de sorrir diante de tanto drama.
– Felizmente não Sr. Hummel. – Disse o médico, mais sério do que Kurt gostaria de ouvir. – Após analisar todos os seus sintomas e realizar todos esses exames, eu cheguei a conclusão de que você está com um início de pneumonia.
– Início? Então ele ficará bem, certo? – Perguntou Blaine, um pouco mais relaxado.
– Com toda certeza, só precisamos que o tratamento seja levado até o final, e não terá nenhum problema.
– E-espera, eu não terei que ficar internado aqui, não é? – Kurt perguntou hesitante, ainda segurando firmemente a mão de Blaine.
– Não, os casos de pneumonia são mais bem tratados quando feitos em casa. Assim você não tem tanto risco de contrair outras doenças.
– Eu vou te indicar alguns antibióticos para tomar durante essa semana, se você tomar todos os dias, vai se curar rapidamente. – Disse o doutor entregando a receita para Blaine.
– Ótimo. – Suspirou Kurt aliviado. – Posso ir agora?
– Claro, só preciso que você tome uma injeção com o antibiótico e você já pode ir. – Blaine sentiu Kurt enrijecer imediatamente.
– M-mas você disse que eu tomaria os antibióticos em casa...
– No entanto o injetável faz mais efeito, será melhor para você, ele vai aliviar sua dor rapidamente.
– E-eu... Eu não estou mais com dor, eu estou bem, por favor... Eu posso tomar os remédios, e dormir um pouco, eu não me importo. – Kurt falava com a voz chorosa e desesperada.
– Tudo bem Kurtie eu estou aqui. — Disse Blaine reforçando o aperto de mão. – Vai ser rápido, você nem vai perceber.
Blaine acompanhou Kurt até a sala da enfermeira, que preparou o braço esquerdo do castanho cuidadosamente antes de aplicar a injeção. Ele acariciava os cabelos castanhos, distribuindo alguns beijos na mesma região, tentando acalmar o mais novo.
As lágrimas não pararam de escorrer um único minuto. Quando a enfermeira aplicou a dose do antibiótico, Blaine viu o castanho morder seu lábio inferior e chorar o mais silenciosamente possível. E nesse momento, ele desejou mais do que tudo poder estar no lugar de Kurt, ele desejou que só por um segundo pudesse roubar toda a dor e o sofrimento do menor e trazer para si mesmo.
~K&B~
Depois de uma longa e cansativa manhã, Blaine trouxe Kurt para casa, tendo que levar o menino no colo até sua cama, pois ele adormeceu no caminho de volta do hospital.
Depois embrulhar Kurt nos cobertores e se certificar que o menino não tinha febre nem se sentia desconfortável, Blaine levantou-se para sair do quarto.
– Bee?
– Sim?
– Obrigado. – Blaine sorriu e encostou a porta do quarto. Indo para a cozinha preparar algo para Kurt, afinal, eles não tinham comido nada aquele dia.
~K&B~
Já estava anoitecendo e Kurt ainda dormia calmamente. Blaine garantia que ele estava sendo vigiado a cada meia hora para ter certeza que a febre não voltaria.
A campainha tocou e Blaine foi atender rapidamente, para evitar qualquer barulho que pudesse acordar o menor.
– Posso ajudar? – Disse o moreno polidamente. Encarando os três jovens a sua frente.
– Eu sou Brittany, essa é Santana e aquele é Sam. Somos amigos de Kurt e estamos preocupados, pois faz dois dias que ele não vai à aula e não atende nossas ligações. Será que podemos vê-lo? – Respondeu a loira com igual educação.
– Podem entrar, ele está dormindo no momento, mas logo que acordar vocês podem vê-lo.
Os adolescentes seguiram Blaine até o sofá.
– Ele é fofo – sussurrou Brittany.
– Hmm, mas não é gostoso. – respondeu Santana no mesmo tom.
– Não mesmo...
– O que ele tem? – Perguntou Sam preocupado, alheio a conversa das meninas.
– O médico disse que ele está com começo de pneumonia, mas ele vai ficar bem se tomar todos os remédios.
– Deve ser frescura, deixe-me acordá-lo, eu preciso muito falar com ele. – A latina se levantou e dirigiu-se até o quarto. Seguida por um Blaine irritado.
– Ele está exausto, você não pode acordá-lo assim!
– Tudo bem Bee, já estou acordado. – Disse o menino de dentro do quarto.
Brittany e Sam levantaram-se rapidamente, e logo se juntaram a todos dentro do quarto.
– Qual é o seu problema Hummel, por que não atende o seu celular? Sabe o quanto me deixou nervos?! Se tivesse morrido eu juro que não apareceria no seu velório. – Disse Santana irritada, como sempre.
– Awn Kurt, eu estou tão feliz que você está bem, eu estava tão preocupada. E você sabe que Santana também estava, ela estava mais desesperada que eu... Só não mais que Sam é claro, ninguém é mais preocupado com você do que Sam.
Blaine observava a conversa do canto da sala, com os olhos cerrados.
Sam se ajoelhou ao lado de Kurt na cama, segurando suas mãos firmemente.
– Kurt, eu estava tão preocupado. Você precisa de alguma coisa? – Disse o loiro brincando com os cabelos castanhos.
– Oww hobbit? Será que você pode nos trazer algumas bebidas? Você meio que está atrapalhando o clima, e as conversas privadas aqui...
Blaine ainda estava furioso, mas se retirou do quarto sem falar nada.
– Sam?! Quem é Sam? Por que ele não esteve aqui quando Kurt precisava dele de verdade? – Pensava Blaine, enquanto enchia quatro copos com suco de maracujá que ele havia preparado mais cedo. – Por que Kurt não contou que tinha um amigo? Da ultima vez ele só havia mencionado as meninas... Ou talvez ele tivesse dito algo sobre Sam, mas não era realmente importante, não é mesmo?
Blaine fez seu caminho de volta para o quarto, observando Kurt se Sam conversando. Sorridentes demais, próximos demais, qual era necessidade de afagar tanto os cabelos de Kurt durante uma conversa?
Claro que ele tinha os cabelos mais macios que Blaine já viu em sua vida, mas Sam não tinha direito de fazer essas coisas. Será que Kurt dava a ele tanta intimidade assim?
– Para Sam, você vai deixar meu cabelo pior do que já está... Vocês deveriam ter me avisado que viriam, ninguém deveria me ver horrível desse jeito.
– Eu já te disse antes, você nunca consegue ficar horrível, por mais que tente. – Sam respondeu antes que Blaine pudesse falar qualquer coisa. Deixando o moreno ainda mais bravo.
Kurt sorriu timidamente, relaxando mais ainda nas mãos de Sam.
– Você vai ficar só olhando ou vai trazer a nossa bebida? – Perguntou Santana, olhando diretamente para Blaine.
Blaine distribuiu ainda irritado, o copo pelos jovens da sala.
– Ah Kurt, eu quase me esqueci. – Disse Sam, enquanto abria sua mochila. – Eu peguei o seu dever de casa. Eu já resolvi todos eles, não queria que você tivesse que se preocupar com nada, eu também fiz o seu trabalho de história, então se você precisar descansar mais e faltar na escola amanhã, não terá grandes problemas.
– Awn Sam, isso é tão doce. Muito obrigado, você é demais! Eu tinha esquecido completamente do trabalho de história, nem acredito que alguém faria isso por mim...
As meninas se envolviam em algum outro tipo de conversa em algum outro canto do quarto. Mas isso não importava, apenas Kurt importava. E esse menino, qual era o problema dele?
– Eu coloquei o seu nome no trabalho em dupla de literatura também, espero que você não se importe...
– Não, claro que não, muito obrigado Sam.
Kurt embrulhou Sam em um abraço apertado, apertado demais, e muito demorado para o gosto de Blaine.
– Então, quando você volta para a escola? Eu sinto sua falta lá... – Disse Sam, dando leves beijos nos cabelos de Kurt, testa, bochechas...
Qual a necessidade disso?!
– Amanhã! Tenho certeza que amanhã já posso retornar as minhas atividades, também sinto sua falta, e de estar com vocês, é muito entediante aqui sozinho o dia todo...
Sozinho?
Sozinho?
Porra, Blaine era o quê?!
Ele tinha dedicado os últimos dois dias cuidando de Kurt e estava sendo entediante?!
– Isso é ótimo Kurt, você precisa que eu te busque amanhã? Não quero você andando sozinho por ai nessas condições...
– Oh Sam, eu ad-
– Não precisa. Eu levo Kurt para a escola amanhã. – Interrompeu Blaine. – E eu acho que já está na hora de todos vocês irem, já está tarde, e Kurt precisa descansar.
– Mas ainda são oito horas, nós quase nem vimos Kurt... – Disse a loira docemente.
– E eu não estou cansado Bee, eu dormi a tarde toda...
– Seu pai disse para não te deixar dormir tarde, por favor pessoal, vocês podem voltar amanhã.
– Meu pai!? Blaine, você falou com meu pai? Mas você me prometeu!
Blaine, não Bee? Essa doeu.
– Eu sinto muito Kurt, mas eu não podia esconder dele.
– Tudo bem Kurt amanhã nos vemos na escola. – Disse o loiro estalando um beijo na testa do castanho. – Se cuide, qualquer coisa pode me ligar.
– Eu vou cuidar dele, e qualquer coisa eu vou ajudá-lo. – Pensou Blaine.
– Hmm, parece que alguém está de muito mau humor ein? – Disse a latinha. – Amanhã nós voltamos Kurt se cuida.
– Isso, nós te amamos Kurt, melhoras!
Assim que todos saíram do quarto, Blaine se voltou para o menino na cama.
– V-você me prometeu... Por que você fez isso comigo? – Disse Kurt com lágrimas não derramadas em seu olhar.
– Kurt...
– Eu só te pedi uma coisa... Meu pai não precisava saber disso. – Blaine nunca tinha visto Kurt tão irritado, ele não estava acostumado com isso.
– Eu não contei pra ele! Eu juro que eu não contei! – Disse o moreno, totalmente na defensiva.
– Então por que você falou isso?
– Era para os seus amigos irem embora, eu sinto muito que vocês esteja chateado...
– Você não gosta dos meus amigos? – Kurt perguntou, abandonando o tom irritado, e voltando com a voz chorosa.
– Não é isso Kurt... Eu... Só descanse tudo bem?
Blaine saiu do quarto fechando a porta atrás dele.
~K&B~
Blaine se jogou no sofá e fechou os olhos por alguns minutos, ele precisava pensar sobre o que estava acontecendo.
Qual era seu problema? Por que ele agia como...
Ele não estava sendo justo com Kurt, certo? Kurt claramente gostava de Sam. E ele tinha direito de ficar com seus amigos.
Mas o jeito que ele tocava Kurt, e o jeito que o castanho retribuía seus sorrisos, aquilo era demais para Blaine.
Blaine estava com... Ciúmes?
Não.
Nem pensar, Kurt era seu irmãozinho, por isso ele precisava cuidar dele, certo?
Após mais alguns minutos de silêncio, Blaine resolveu se desculpar com o mais novo.
~K&B~
Assim que Blaine saiu do quarto Kurt voltou a chorar.
O que estava acontecendo?
Blaine era sempre tão agradável, ele não queria o moreno odiando seus amigos. Ambos eram tão importantes para ele...
Por que ele tinha sido tão rude com Sam? Ele não tinha feito nada... Sam era tão doce.
Kurt não teve muito mais tempo para pensar, logo já ouvia batidas em sua porta.
– Kurtie? – Disse Blaine baixinho do outro lado.
– Hey Bee... Pode entrar.
– Como você se sente? — O coração de Blaine quebrou um pouco ao ver as lágrimas nos olhos verdes.
– Bem... Eu acho.
– Olha Kurt, eu sinto muito. Não devia ter tratado seus amigos daquele jeito, eu realmente estou arrependido...
– T-tudo bem Bee... Acho que você pode pedir desculpas para eles amanhã, Sam vem me visitar novamente. Ele é sempre muito gentil e bonzinho comigo, aposto que você vai adorar ele, só tem que dar uma chance...
Sam... Argh!
– É... Acho que eu já vou indo, boa noite. – A fala de Blaine saiu mais ríspida do que ele desejava.
– Espera, Bee...
– Hmm?
– Será que... Será que você pode ficar aqui essa noite, novamente? – Perguntou Kurt, um tanto incerto. – Eu não consigo dormir.
Ohh... Isso não podia acabar bem.
– Eu... Claro Kurt. – Respondeu Blaine com sua voz suave.
O moreno se juntou na cama com o mais novo, mas dessa vez não tomou a distância necessária, ele apertou o menor em seus braços enquanto Kurt afundava seu rosto no peito de Blaine, podendo respirar aquele perfume que ele tanto amava.
– Boa noite Bee.
– Boa noite Kurtie. — Disse dando mais um beijo nos cabelos castanhos.
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