Sweet Happiness
4 Capítulo 4 A Oportunidade
Notas iniciais
Sentadas em uma mesa situada perto da sala de estar, Emma calmamente explicou tudo o que estava acontecendo á Ruby, que por sua vez apenas arregalava os olhos e abria a boca a cada nova informação que a loira jogava para fora. E ao contrário do irmão, ela se encontrava muito contente com a possibilidade de ganhar um sobrinho.
– E foi isso o que aconteceu. — concluiu a loira jogando todo o ar para fora.
Ruby levantou-se da cadeira que estava sentada com uma mão no peito e a outra da cabeça andando de um lado para o outro ainda absorvendo tudo o que sua amiga havia dito.
– Emma... Isso é muito sério. — disse voltando a fitar a loira que ainda se encontrava sentada apoiando a cabeça com os braços na mesa. — O que vamos fazer agora?
– Você eu não sei, mas eu, eu vou ajudar a Regina no que ela precisar e até no que não precisar.
– Eu também quero ajudar. Se ela estiver grávida mesmo, é meu sobrinho que ela carrega... — disse um tanto assustada. — Oh céus eu vou ser tia.
Emma não pôde evitar rir da forma como a morena pronunciou a palavra "Tia". Usou tanta enfâse que saiu de maneira engraçada.
– Provavelmente. Eu vou marcar uma consulta com a Doutora Zelena para Regina assim que chegar em casa. Porque se ela estiver mesmo grávida temos que de imediato preparar a sequência de Exames e... — Parou de falar quando notou o olhar de Ruby sobre si com um sorriso inigmático. — O que foi?
– Você. — disse sorrindo. — É admirável essa sua preocupação com a Regina. Você gosta bastante dela não é verdade?
Emma sentiu suas bochechas arderem, e provavelmente estava ficando vermelha. Desviou seu olhar de Ruby, parecia que a morena ali a sua frente queria desnudar sua alma só com o olhar.
– Regina é muito importante para mim.. E todo mundo sabe disso.
– Eu sei, você a ver como uma irmã. — disse Ruby voltando a sentar-se junto a Emma.
Aquela frase pesou no estômago de Emma, a fazendo sentir um desconforto imenso. Porque na realidade, há muito tempo Emma via Regina bem mais que uma irmã. Ela passou seus olhos pelo relógio de pulso de Ruby e viu que já passava das 03 da tarde, arregalou os olhos praticamente saltando da cadeira.
– Nossa, já faz mais de uma hora que estou aqui, Regina vai me matar se acordar e não me ver. — disse um pouco desesperada olhando ao redor em busca das chaves que havia deixado cair na hora da briga com Graham. — Você por um acaso viu onde deixei a droga das chaves?
– Deixou não, você jogou. — disse de forma divertida. — Estão aqui, eu peguei no momento em que você quase me faz beijar a parede quando me puxou da frente do meu irmão. — diz ela colocando a mão dentro do seu decote e retirando de lá um molho de chaves.
– Por-porque você... Colocou aí dentro? — pegou as chaves da mão da outra garota um pouco desconfiada.
– Do jeito que você estava eu não duvidava que você seria capaz de sair atrás do Graham e atropelá-lo na primeira oportunidade.
Emma olhava para Ruby sacudindo a cabeça sorrindo. Por mais que os anos se passassem Ruby jamais mudaria. Sempre teria aquele jeitinho de menina moleca e travessa. E confessando a si mesma, Emma a adorava por isso e principalmente porque ela era completamente diferente do babaca do irmão que tinha.
– Bom, de qualquer forma obrigada por ter guardado as chaves para mim. Agora eu tenho que ir.
– Espera, eu vou com você. Eu preciso ver a Regina, mostrar á ela que comigo sim ela pode contar.
Emma sem nem pensar duas vezes se lança nos braços da morena para abraçá-la fortemente. Ruby, um pouco surpresa pelo gesto corresponde o abraço assim que entende o motivo de tal ato.
– Obrigada minha amiga. — sussurra a loira ainda no abraço. — Você não sabe o quanto isso vai animar a Regina.
A Morena desfaz do abraço sorrindo carinhosamente para a loira.
– Não tem que agradecer, amigos são familia também, eu mato e morro por eles, ainda mais sendo por você ou Regina. — disse acariciando o rosto de Emma. — Agora vamos parar com essa melação toda porque eu não estou concorrendo a nenhum oscar de melhor atriz dramática. — piscou o olho e saiu em busca de seu celular e chaves do apartamento.
Emma revirou os olhos diante do comentário da amiga. Poucos minutos depois já estavam dentro do carro pegando o caminho de volta para a casa de Emma. O trajeto todo foi feito por uma Emma em silêncio e uma Ruby a todo tempo ligando para uma pessoa que não a respondia, e Emma tinha certeza que essa pessoa se tratava de Graham, mesmo Ruby não dizendo nada, a conhecia o suficiente para poder defini-la.
Após pararem em um supermercado e em uma farmácia onde Emma comprou alguns chás de camomila e outros para enjôos, chegaram enfim no apartamento. Ruby segurava as sacolas de compras enquanto Emma destracava a porta. Ao abrir a porta, deram de cara com Regina sentada no sofá com as pernas cruzadas e um copo de suco na mão. Aparentemente não fazia muito tempo que Regina tinha acordado e tomado um banho, pois seus fios negros estavam molhados e ela agora usava outras roupas, nos quais Emma de cara reconheceu como suas.
– Ruby? — perguntou mais para si do que para as outras, estranhando o fato da outra morena está ali e naquele momento um pontada dolorosa reacendeu em seu peito já imaginando o que ela faria ali. — O que você faz aqui Ruby?
Emma gentilmente pegou de volta das mãos da morena de mechas vermelhas as sacolas de compras, e fechando em seguida a porta.
– Creio que vocês duas tem algo a conversar, eu vou preparar algo para comermos enquanto isso. — disse se afastando da sala.
– Hey Emma onde você estava? — perguntou estranhando a atitude da loira e a forma desconcertada que Ruby estava tomando de frente á ela, uma coisa totalmente rara e incomum.
– Vou preparar um chá para você. — foi tudo o que se pôde ouvir de Emma antes de ser perdida de vista entrando na cozinha.
Ruby cautelosamente se aproximou de Regina sentando-se no mesmo sofá que ela. Aquele olhar de Regina que dizia "Diga logo de uma vez o que faz aqui" a estava pondo em um estado nervoso, nem deveria, mas estava. Estava contente com a noticia, mas estava envergonhada pelo irmão e estava sentindo um certo temor por ser colocada de igual a igual com o irmão, fazendo assim Regina não querer mais aproximação com ela.
– Regina. — começou a dizer, porém se deteve ao olhar para a morena ao seu lado. Regina estava com o olhar sério.
– Diga Ruby.
– Eu soube de sua gravidez e eu vim dizer que...
– Não Ruby. — cortou a morena se levantando do sofá e depositando seu copo de suco na mesinha redonda de centro que se encontrava ali no meio dos móveis. — Eu entendo que você por ser irmã do Graham queira defendê-lo e esteja do seu lado, mas eu só tenho algo a dizer a vocês dois que é NÃO.
Ruby sem entender nada se levanta também ficando de frente á Regina.
– Mas eu nem disse nada ainda.
– E precisa?
– Ah qual é Regina, você me conhece a um tempão.
– Eu também conheço a muito tempo Graham e olha só o que ele disse e fez comigo?! O tempo de nada vale para se conhecer uma pessoa de verdade, ele só nos faz surpreender mais e mais. — disse Regina cuspindo mágoa e já tendo seus olhos marejados.
Ruby pegou as mãos de Regina e as segurou forte para logo em seguida puxá-la para um abraço caloroso.
– Mas eu sou diferente dele, Regina. Vim aqui justamente para te dizer que você tem meu apoio em tudo que precisar. Meu irmão foi um estúpido, canalha, um verdadeiro desgraçado por ter dito o que disse para você e está sendo o maior inresponsável de todos os tempos te deixando assim. — disse apertando-a mais ainda no abraço e fazendo carinho em seus cabelos molhados, podia sentir Regina segurando suas lágrimas pois sua respiração estava forte e entre-cortada. — Chore, mas chora tudo de uma vez. Deixe isso sair de você. E mais, quem sai perdendo na história é ele. Porque se fosse eu, se eu fosse o pai dessa criança, acredite, eu já teria estourado o cartão de créditos da vovó só comprando champanhe e roupinhas de bebê para o futuro arrasa corações, porque eu tenho certeza que ele vai ser mais lindo ou linda que a Angelina Jolie e o Brad Pitt disso eu não duvido. — disse rindo e foi acompanhada por Regina que apenas lhe deu um tapinha no ombro. — Ai, para uma grávida você bate bem forte viu?
Regina saiu do abraço voltando a sentar-se no sofá secando com as pontas de seus dedos as lágrimas que havia derramado.
– Me desculpe, eu não quis ser grossa com você. Eu pensei que você tinha vindo aqui em nome do seu irmão para me convencer de tirar o meu bebê.
Ruby deu de ombros praticamente se jogando no sofá.
– Jamais te pediria isso, quando a Emma foi lá em casa e deu um belo soco em Graham eu não compreendi que...
– A Emma fez o quê? — se sobressaltou ao ouvir as palavras de Ruby.
Ruby por uns longos segundos sentiu que havia falado demais quando viu Regina praticamente pular nela. Não sabia se devia continuar ou tentar desfazer a conversa, mas tendo em vista o que falou, já era tarde demais para reformular suas palavras. Mordeu o lábio inferior e brincando com uma mecha do seu cabelo tentando pensar em uma resposta rápida e satisfatória, mas nada lhe vinha a cabeça. Quando ouviu passos vindo da cozinha, deu graças a Deus, era sinal de que Emma estava se aproximando e seria ela quem responderia aquilo.
– Puxa, eu estou com uma sede. — disse fingindo sentir calor, e ao ver Emma entrando na sala com uma bandeja com o suposto chá, ela se levantou apressadamente passando por Emma feito foguete entrando na cozinha. Emma olhou para Ruby estranhando o jeito dela, sorriu sem entender afastando o copo de suco que Regina havia tomado para um lado da mesinha de centro e colocando ali a bandeja com o chá.
– O que deu na Ruby? — perguntou sentando-se de frente á Regina. — Vocês conversaram?
Regina semicerrou os olhos para Emma.
– Poderia me explicar essa história de você ter ido na casa da Ruby e ter dado um soco na cara do Graham? O que você tem na cabeça?
Emma fechou os olhos fortemente amaldiçoando Ruby por ser tão lingua solta. E amaldiçoou a si mesmo por não ter previsto isso e ter combinado com ela de manter a boca fechada em relação isso. Sabia que daria encrenca com Regina se ela se enterasse sobre essa briga com o ex-namorado dela. Suspirou pesadamente, um pouco desconcertada como se fosse uma criança sendo pega no flagra comendo a sobremesa antes da hora.
– Bem, minha intensão não era bem essa, mas quando eu o vi, não pude me conter. Mas ele está bem, okay? Se é isso o que te preocupa. — disse cruzando os braços.
– Você é louca só pode. E se ele revidasse o soco? Ele não revidou não é? — perguntou tomando o rosto de Emma com as duas mãos checando se não tinha nenhum um soco. Aquela preocupação de Regina com ela, e não com Graham, fez Emma sentir seu coração aquecer de uma forma gostosa e sorrir largamente. — Do que é que você está sorrindo? Está achando graça de mim? — perguntou arqueando uma sobrancelha.
– Óbvio que não. — disse se virando e pegando a xícara e entregando para a morena. — Tome isso, vai melhorar seus enjôos.
Regina aceitou o chá e beberindo um pouco fazendo mil e umas caretas enquanto Emma sorria e ela semicerrava os olhos para ela reprovando-a. Assim que terminou de tomar o chá, Regina tomou coragem e perguntou algo que estava a matando de curiosidade.
– Emma... — começou a dizer. — Graham... O que ele disse para você á respeito do nosso filho?
Emma respirou fundo se acomodando mais no sofá pigarreando e desviando o olhar da morena.
– Tem certeza que você quer falar sobre isso, Regina? — a pergunta saiu de forma baixo, Regina só conseguiu ouvir porque estava bem próxima de Emma.
– Bom, devo deduzir que pela sua expressão e seu jeito de falar que ele ainda continua com a mesma idéia á respeito do bebê. — disse de forma triste fazendo Emma a olhar e assentir.
Era horrivel ver Regina daquela forma tão quebrada, tão decepcionada, tão mergulhada na tristeza. Queria poder dizer tantas coisas, queria poder arranjar uma maneira de sugar toda aquela dor que ela estava sentindo e trazer aquela Regina sorridente e amável e cabeça dura de volta. Queria fazê-la sentir-se amada da forma certa, da maneira que merecia. Queria poder dizer que nunca, em impótese alguma a abandonaria. Queria poder dizer aquelas três palavrinhas que tanto sonhava em dizer á ela a cerca de 3 anos. Sentiu seu coração bater aceleradamente só em imaginar se declarando e abrindo seu coração para a Regina. Será que deveria contar algum dia? Teria ela coragem de contar algum dia? Teria uma oportunidade ideal para contar? Bom, oportunidades ideiais nunca lhe faltaram, o que faltou mesmo foi a coragem.
Olhou para Regina ali tão próxima de sí, e sentiu a necessidade de mostrar á ela que alguém mais amava e amava mais que qualquer outro ser humano. Sentia a necessidade de acolhê-la em seu peito e dizer centenas de vezes ou quantas mais precisasse que ela estaria ali com ela e para ela por toda a uma vida e quantas mais Deus permitisse. Respirou fundo, sentiu que já não deveria mais manter aquilo só para si, mesmo tendo medo do que poderia acontecer depois. Sentiu que aquele momento era a hora. Levou uma de suas mãos ao rosto de Regina acariciando aquele parte com delicadeza. Regina olhou-a e dedicou um terno sorriso. Emma foi aproximando-se mais da morena, e ela por sua vez apenas fitava aqueles olhos verdes que tinha agora um brilho diferente.
– Regina. — disse quase sussurrando aproximando cada vez mais seu rosto do rosto da morena. — Eu preciso te contar algo.
Regina em nenhum momento recuou, rejeitou ou estranhou a demasiada aproximação da loira. Os rostos estavam tão próximos que uma podia sentir a respiração quente da outra.
– Conte. — disse quase de forma ináudivel.
Com a mão no rosto de Regina, Emma suavemente afastou alguns fios de sua franja colocando de trás da orelha. Sentia que seu coração estava a ponto de explodir com a aproximação. Levou seus lábios a bochecha da melhor amiga, depositando ali um gostoso beijo. Com aquele toque ambas sentiram um tremor, muito bem conhecido por Emma, mas desconhecido por Regina que fechou os olhos apreciando aquela gostosa sensação. Emma afastou-se um pouco encarando aqueles olhos escuros que adorava ver a cada manhã, a cada entadecer e a cada anoitecer. Tomou ar criando coragem para dizer aquilo que lhe atormentava a tantos anos.
– Regina, eu... eu te...
– EMMA TEM ALGO QUEIMANDO AQUI NA COZINHA, VENHA AQUI RÁPIDO. — ouviram Ruby gritar da cozinha pegando as duas de surpresa.
Regina imediatamente levantou-se indo até o encontro de Ruby, e Emma por alguns minutos ficou em choque consigo mesma. Não podendo acreditar que estava a beira de contar tudo o que sentia para a Regina.
Fale com o autor