Sweet Happiness

39 Capítulo 39 - Os 15 anos de Emma


Notas iniciais
Então meus amores, ainda estão aí? Eu espero muito que sim 👀👀 mas e aí quem tá de F.É.R.I.A.S assim como eu? Vamos comemorar juntinhaas. Geeeente, ontem a Sweet Happiness fez 1 aninho 😍😍 tou mega feliz por isso. Mas aí as pessoas falam "Oh Laly a fic ja ta com 1 ano e o bb da Regina ainda não nasceu" caaaaaalma, que logo vem, paciência com a priminha Laly aqui. ❤ tudo vai dar certo! Aii eu queria dar um beijo especial na Mandy (minha lila's baby) e a Maria Júlia pelas lindissimas recomendações ❤ obrigada! Hoje o cap. ta tenso como ja era de se imaginar, ele é todinho flashback, okay? Os comentários do cap anterior eu irei responder amanhã de manhã, tá? Não me abandonem. Amo vocês! Ps: a culpa de eu ter demorado tanto a postar é inteiramente de Aline, a autora de The Dark Emma ❤

~ Flashback — Emma aos 12 anos ~

Já havia passado pouco mais de um ano desde a chegada da garotinha Swan na cidade de Storybrooke e apesar da relutância da menina nos primeiros meses em aceitar que aquele agora seria de agora por diante o seu lar, foi fácil para qualquer um que se disponibilizava em fazer amizade com ela se apaixonar por seu jeitinho adorável e inocente, até mesmo Cora havia caído nos escantos e estava tratando Emma de igual tratamento à Regina. Com cuidado e atenção.

Era aniversário da cidade e todos estavam no centro de Storybrooke prestigiando-a e oferecendo suas homenagens por meio de várias apresentações culturais, inclusive o museu local havia disponibilizado ao público em um dos cantos da praça central vários dos quadros e peças dos quais continham um pouco da história de Storybrooke e seus fundadores. Uma bela exposição onde ganhava facilmente a atenção de pessoas bastante curiosas.

Leopold White, no ínicio da grande festa à cidade, agiu dignamente de acordo com o seu papel de prefeito conduzindo elegantemente um discurso sobre a honra de morar e dirigir uma cidade tão especial e tranquila como Storybrooke. Apontou com riqueza de detalhes os privilégios da cidade, e ao final encerrou prometendo engrandecer mais ainda tais privilégios fornecendo melhorias aos moradores.

E em como todos os anos, como em um festival, havia várias barracas espalhadas pelo espaço cedido pela prefeitura para aquela comemoração. E em uma delas, estavam Emma, Regina e August esperando a vez.

– Eu não sou boa de mira. — disse Emma resmungando atrás de Regina. — Por que não vamos para a barraca de desenho?

– Por que já desenhamos muito na escola, Emma. — rebateu August ajustando a aba do seu boné para trás da cabeça.

Ele já possuía uma grande diferença de altura.

Regina virou-se para os dois na fila para explicar mais uma vez o motivo de estarem alí.

– Ouçam, vocês estão vendo aquele coração enorme em cima da prateleira? — perguntou ela apontando para o coração de pelúcia dentro da barraca. Os dois viram e assentiram para a pequena morena. — Pois bem, eu quero ele para mim. Então vocês, de um jeito ou de outro vão se virar para acertar aquelas latas e conseguir o prêmio para mim. Eu também não tenho uma boa pontaria, mas vocês têm e nem adianta negar Emma, você somente com uma bolinha de gude conseguiu quebrar o jarro suíço da mamãe. E você August, bom, você tem estilingue.

– Mas foi um acidente. — defendeu-se se referindo ao tal jarro.

– Não importa, você acertou e isso é o que vale.

Deram seguimento na fila.

Regina retirou da sua cabeça a sua tiara branca adornada por fitas de igual cor e voltou-se para Emma novamente e colocou delicamente na cabecinha loira de Swan arrastando com ela os fios da franjinha de Emma que praticamente cobria-lhe os olhos. Regina sorriu achando Emma uma fofura com a tiara. Emma questionou com o olhar sobre aquilo.

– Para você poder ver melhor sem esses seus cabelos para atrapalhar. — esclareceu arrumando os cachos de Emma.

August não prestava total atenção nas duas, ele estava ocupando conversando com outro colega atrás dele.

– Você quer de verdade aquele coração? — perguntou apontando para dentro da barraca.

– Eu quero. Ele é lindo.

– Então eu vou dar o meu melhor para acertar as latinhas e dar ele para você. — inflou o peito tentando parecer maior.

– Vai fazer isso mesmo por mim? — mirou Emma com adoração.

– Sim, mas só por que é para você.

Regina sorriu toda animada.

– Obrigada Emma. Você é minha melhor amiga, sabia disso?

– Eu sei, você também é minha melhor amiga.

Sorriram juntas e juntas também se conectaram por meio das mãos que se entrelaçaram com carinho.

Logo chegou a vez de Regina tentar a sorte na barraca. Tentou de toda a forma jogar as cincos bolinhas contra as latas, mas essas passaram bem longe. Sentiu-se frustrada.

Emma iria comentar algo com August quando virou-se e viu que ele não estava mais na fila e em nenhum canto vísivel.

– August foi embora. — disse a loira recebendo as cinco bolinhas verdes.

Regina bufou irritada.

– Ele vai me pagar! — murmurava para sí mesma.

– Então, acho que é isso... eu só tenho que acertar alí, não é? — perguntou Emma apontando para a pirâmide formada por latas.

Regina balançou a cabeça afirmando.

Emma respirou fundo. Tinha cinco chances e estava pedindo secretamente que verde fosse mesmo uma cor que lhe desse sorte e assim pudesse ganhar aquele coração para a sua melhor amiga.

"Vamos lá bolinha"

Mirou e jogou a primeira.

Sem sucesso.

Pegou outra bolinha verde e arremessou e fracassou também na jogada lhe restando agora somente três.

– Mas que raiva. — murmurou Emma vendo que a terceira bola também nem chegou perto.

– Emma, espera... você não é canhota? — perguntou Regina de repente.

– Eu sou, por quê?

– Então por que você tá usando a mão direita ao invés da esquerda?

E aí foi onde Emma percebeu o erro.

– Ahh então é por isso, mas ué... Isso tem diferença?

Regina deu de ombros.

– Não sei, acho que sim, tenta jogar com a esquerda. — sugeriu aproximando-se mais da amiga.

– Okay, vamos ver. — Emma pegou a bola, mirou bem e jogou. Teve um mini infarto ao notar que a bola derrubou uma das latas da pirâmide. Mas para o prêmio que queria teria que ser todas. — Uau! Você viu, Gina? — perguntou animada.

– Vi sim, mas agora você só tem uma chance. — disse sem nenhum entusiasmo. Qual eram as chances de Emma conseguir? Nenhuma.

Vendo a falta de ânimo da amiga, Emma beija a bochecha de Mills e diz convicta:

– Eu vou ganhar para você. Confia em mim sua bobona.

Regina rola os olhos empurrando a loira para que ela deixasse de enrolar e jogasse a bola logo.

Emma mais uma vez respirou fundo. Ficou na ponta dos pés e encarou as tais latas. Iria derrubá-las.

Com confiança jogou a bolinha e surpreendo a sí mesma e também a Regina, conseguiu acertar o meio da pirâmide desequilibrando as latas de cima e as de baixo não restando nenhuma em pé sobre o móvel que as sustentavam.

– UAU! EU CONSEGUI! — comemorou Emma levantando os braços para cima em sinal de vitória.

– SIM!! — Regina pulou em Emma a abraçando.

– Eu disse que conseguiria.

– E eu confiei que sim.

– Bom, como ganhadora você tem direito de escolher um dos prêmios da barraca. — disse o rapaz, dono da barraca.

Emma e Regina se olharam de modo cúmplice.

– Eu quero aquele coração alí, moço. — apontou com o indicador.

O rapaz pegou e entregou a Emma, que por sua vez entregou á Regina.

– Obrigada, Emma. — disse agradecida apertando o coração de pelúcia contra o peito. — Você é demais.

– Não tem o por quê agradecer, Regina. Somos melhores amigas, lembra?

– E as melhores das melhores. — completou a morena.

– Sim. — sorriu doce.

Sairam dalí a procura de August quando acidentalmente uma garota loira de olhos azuis esbarrou em Regina fazendo-a assim cair.

– Nossa, me desculpe. — disse timidamente tentando ajudar Regina a levantar-se, mas essa rejeitou o toque rudemente.

– Você não olha para onde anda? Poderia ter me machucado. — rosnou levantando-se com a ajuda de Emma e limpando como podia o vestido branco, mas sem sucesso. — Olha aí, você sujou meu vestido. — reclamou.

– Calma, Regina. Foi sem querer, um acidente. — tentou Emma apaziguar os ânimos da amiga.

– Isso! me desculpe de verdade. Eu só estou procurando a minha irmã com a babá, não quis me atrapalhar com você.

– Minha mãe vai brigar comigo, Emma, se ela ver essa mancha. E tudo por culpa dessa loira. Claro, só podia ser loira.

– Regina, eu estou ouvindo isso viu? — Emma apontou para o próprio cabelo afirmando que ela era loira também. Regina nada disse e vendo que a outra garota estava de verdade chateada por seu deslize, ela educadamente, se desculpa pela grosseria de Mills. — Ei, não tem com o quê se preocupar, entendemos que foi um acidente. Me desculpe por Regina, ela é assim mesmo... Toda emburrada a primeira vista. — sorriu falando com a garota loira, que deveria ter no máximo quatorze anos.

– Cala a boca, Emma! — ralhou Regina.

– Tudo bem, então. — a garota corresponde o sorriso de Emma Swan.

Um grupo de adultos se aproxima das garotas.

– Elsa, onde está Anna? — Uma mulher de cabelos castanhos aproxima-se com um homem do lado sendo acompanhados pelo prefeito da cidade com seu grande amigo e braço direito e esposa, Cora Mills.

– Regina, o que houve com você? — dispara Cora ao ver o estado do vestido da filha.

– Eu esbarrei sem querer nela, senhora. Ela caiu e sujou o vestido, foi culpa minha. Me desculpe. — adianta-se Elsa explicando o ocorrido, não querendo que Regina se escrencasse por um descuido seu, mesmo a garota Mills tendo sido grossa com sua pessoa.

Cora olhou para Elsa alternando para Regina e Emma.

– Hum... Tudo bem, já estávamos mesmo indo buscá-las para irmos almoçarmos em casa. — diz Cora. — Vamos? August já está no carro.

As garotas assentiram. Leopold juntamente com Henry e Cora foram na frente. Os Frozen seguiram outro caminho, mas antes, Elsa puxou Emma.

– Como é o seu nome?

– Emma. Emma Swan. — responde.

Elsa abre um sorriso simpático.

– Gostei do seu nome.

– Obrigada, Elsa. Eu sei disso por que ouvi aquela mulher te chamar assim. É sua mãe, não é?

– Sim, ela é.

– Emma, vem. — Regina aparece puxando a melhor amiga pela mão. Não gostando nenhum pouco de vê-la com a tal Elsa.

– Nos vemos por aí, Emma Swan.

Emma ao longe balançou a cabeça positivamente. Havia gostado de Elsa, parecia ser uma boa garota.

Já na mansão e vestindo outra roupa, Regina não parava de dizer o quanto tinha adorado ganhar aquele coração de pelúcia e ainda mais por meio de Emma. Não quis falar com August, pois estava chateada com ele por ter escapulido da barraca deixando ela e Emma na mão. August apenas gargalhava não levando a sério a chateação da prima, sabia que em menos de duas horas estaria ela alí enchendo a sua paciência, no bom sentido, como sempre.

Ao cair da noite, Cora ordenou aos três irem tomar banho para que pudessem participar do jantar à mesa.

Emma tomou o seu devido banho enrolando-se na toalha dentro do quarto enquanto decidia-se sobre a roupa que vestiria.

A garota havia crescido um pouco desde sua chegada à cidade e estava começando a dar índicios de mudanças no corpo. Não tão percepitíveis, mas elas existiam.

Estava tão concentrada na dificil escolha de roupas, que nem ouviu ou percebeu quando alguém entrou no quarto, só soube quando sentiu este alguém pousar a pesada mão sobre o seu ombro desnudo assustando-a.

Virou-se encontrando a sua frente o avô a olhando fixadamente. Seus lábios continha um sorriso estranho.

Algo a fez retroceder alguns passos quase a fazendo cair dentro do guarda-roupa.

– Vovô! — apertou a toalha em torno do corpo.

– Emma. — disse ele, sua voz estava rouca. — Minha Emma.

– O que o senhor quer? Eu estou ocupada.

Ele não tirava os olhos do corpo pequeno de sua neta. Buscou os passos que separavam ele e a garota.

Emma sentiu-se acuada e receosa, quis sair daquele espaço, mas seu avô a impediu lhe segurando com força alí.

– Fique!

– O senhor está me assustando assim. — confessou sentindo o coração bater forte. — Está me machucando vovô, por favor, me solte.

Ele passou a língua entre os lábios. Aos seus olhos, Emma estava diferente. Ela o estava lembrando de Eva. Ele sentia a falta de Eva em todos os sentidos, e naquele momento, uma sede aflorou dentro de sí ao ver Emma daquele jeito, tão parecida com sua esposa.

– Você é linda, Emma, e cada vez mais crescida. Que perigo você vai se tornar para os homens. — disse passando sua mão livre pelos cabelos molhados de Emma descendo pelo pescoço dela.

Emma sentiu o corpo tensar e ficar paralisado. Não sabia o que fazer.

– Por favor, para com isso. — choramingou.

– Shiu! Fica quietinha Emma. — desceu sua mão até a cintura de Emma apertando sobre o tecido da toalha. A loira engoliu em seco apavorando-se. — Quietinha Emma. — ele mordeu o lábio inferior acariciando o tecido felpudo daquela toalha que escondia a nudez total da neta. — Eu desejo você!

Emma amedrontou-se mais ainda e tentou se livrar do pai de sua mãe.

– Não... Não. Me solte, por favor me solte. — A voz infantil e chorosa de Emma saltava de sua garganta á medida que ela tentava se soltar daquele que deveria protegê-la.

– Você é tão linda minha pequena Swan. Eu não vou poder esperar tanto tempo, eu quero você. Eu não vou suportar que alguém tome o que eu quero de você. Emma, olha para mim... — gritou pegando com força o delicado e assustado rosto angelical de Emma com uma de suas mãos quase enrugadas. — Logo você será minha, minha doce criança, minha.

Ao dizer isso, ele pousou a outra mão na perna da menina apertando o local com força, tanta força que não existía dúvidas de que horas depois iria ficar marcada aquela região do corpinho de Emma.

– Não, por favor não. — suplicava com a voz falha de tanto chorar.

– Oh sim. — o homem sorriu de forma maquivélica, deixando Emma ainda mais amendrontada. Não tinha mais por que disfarçar o que realmente estava querendo, não para Emma. — Shiu, não chora. Você vai ver como eu sou bonzinho!

– Emma, por que a demora, querida? — Cora pergunta entrando no quarto, porém detêm-se ao ver tal cena estranha. — Leopold? O que está acontecendo aqui?

Leopold afasta-se de Emma absorvendo uma pose serena, como se nada estivesse acontecendo e não tivesse revelado á sua neta sua pior face.

– Oh, eu só estava dizendo à Emma que ela não precisa ficar triste e decepcionada com a ausência de Mary e David hoje, pois é certo que eles estarão aqui para o natal. Não é mesmo, meu amor? — ele vira o rosto para Emma, e faz um gesto com o olhar para que ela confirmasse suas palavras.

Com vergonha, Emma apenas balança a cabeça em concordância.

– Tem certeza que é somente isso? — Cora era observadora e se tinha algo que não podiam fazer, era atreverem-se a tomá-la como tonta. Tinha algo de errado alí.

Observou Emma que continuava quieta aferrada na toalha.

– Bom, eu vou descer. Espero vocês na mesa. — disse Leopold escapulindo do quarto.

Emma deixou um suspiro angustiado passar por entre os lábios ao se ver sozinha com Cora.

A mulher achou aquilo ainda mais suspeito.

– Emma, aconteceu alguma coisa que eu deva saber? Me conte, confie em mim. — disse ficando de frente à loirinha passando a mão no rosto da menina enxugando as lágrimas.

– É só saudades dos meus pais. — mentiu Emma com medo de encarar os olhos castanhos da mãe de sua melhor amiga.

Cora sabia que as saudades dos pais em Emma era sim existente, mas algo lhe dizia que essa não era a única razão do choro e medo visível na loira.

– Tem certeza? — insistiu.

– Tenho.

– Hum... Está bem então. Não fique assim, o natal já está chegando e logo você irá ver eles. Não se atormente, está bem? Vai ficar bem?

– Eu vou. — disse agora olhando os olhos de Cora.

– Ok, agora que tal me dar um abraço? Não sou sua mãe, mas gosto de você como se fosse uma filha minha. — abriu os braços em claro convite.

Emma abraçou Cora e sentiu-se acolhida naqueles braços.

– Gosto muito de você. — revelou a garota.

– Oh meu amor, eu também. Quer que eu ajude na escolha da roupa?

– Quero.

– Então vamos ver o que temos aqui...

No momento em que Cora entrou naquele quarto e viu Leopold com a mão na perna de Emma e viu aqueles olhos com um brilho perverso, sua mente trabalhou rápido nas suposições e essas não eram suposições boas.

Após o jantar, reuniu os empregados na cozinha e os conduziu até a planta de cima da casa diretamente para o quarto de Emma. Ordenou que tudo o que estivesse alí dentro fosse levado e montado dentro do quarto de Regina.

– Mamãe, o que é isso? Por que estão remexendo no meu quarto? — perguntou a morena vendo aquele entra e sai dentro do seu quarto.

– Uma vez você me pediu para deixar Emma dividir quarto com você, não foi? Então aqui está.

Regina cresceu os olhos com alegria.

– Sério?

– Sério.

– Mas e o quarto dela?

– Ah, vou dar para o Henry quando ele estiver maiorzinho.

Leopold vendo aquela movimentação, aproxima-se daquela que parecia ser a responsável daquele agito todo.

– O que está acontecendo, Cora?

– Emma vai ficar agora no quarto de Regina.

Leopold cresceu os olhos para Cora.

– Para quê isso? Ela já tem o quarto dela.

– Acho que vai ser bom para as duas. Elas se tornaram bastante amigas e Regina se sente bem com Emma e Emma com Regina, então vai ser muito bom para elas ter uma a companhia da outra durante as noites.

– Isso vai alterar a Emma, ela não gosta de dividir espaço. Ela não cresceu dividindo quarto, deixe-a onde está. — esbraveja ele deixando claro que não estava de acordo com aquela mudança.

– Bom, eis aí mais um motivo de deixá-la no quarto de Regina. Ela irá aprender a dividir. — diz calma.

– Não acho isso uma boa idéia. — reluta.

– Você não tem que achar nada. — retruca.

– Por que minha cama tá indo para o quarto da Regina? — Emma aparece perguntando.

– Você vai a partir de agora dividir quarto com minha filha, querida. O que acha disso?

Emma olha para a mulher e logo para o avô. E foi impossivel não lembrar do que houve mais cedo entre ela e o homem.

Voltou sua atenção para o quarto e viu Regina sair de lá toda sorridente com o coração de pelúcia entre os braços.

– Emma, a gente vai dormir no mesmo quarto, isso não é legal? Vamos poder dormir juntas agora.

– Você gosta da idéia de dividir quarto comigo? — pergunta Emma.

– Tá brincando? Eu estou adorando, você não?

Emma sorri então de canto, olha para Cora, e depois diz:

– Eu vou adorar dividir quarto com você.

– Terminem o mais rápido possível com isso. — ordenou Cora aos empregados. — E você, Leopold, me espere no escritório. Temos que conversar algo muito importante.

– Sobre? — questionou desconfiado.

– Me espere lá e você saberá. — diz sem encará-lo.

Com um pesado suspiro Leopold faz o que a esposa de seu melhor amigo pede.

Já com o prefeito distante, Cora puxa Regina para um canto.

– Regina, eu quero que tranque a porta do seu quarto toda vez que forem dormir, está bem? — pede baixinho.

– Por quê? — questiona sem entender o pedido da mãe, ela mesma ordenava que a porta sempre estivesse destravada.

– Apenas obedeça.

– Tudo bem, eu faço isso.

– Ok. — sorri aliviada. — Agora vai lá ajudar Emma.

Não precisou falar uma segunda vez. Regina logo sumiu para dentro do quarto.

A mulher fechou a expressão indo até o escritório. Tinha desconfianças sobre a atitude de Leopold com Emma, mas esperava muito que suas desconfianças fossem apenas loucuras de sua mente, não poderia acreditar no que imaginou mais cedo, não vindo de Leopold. Mas iria ficar atenta, suas intuições pouco falhavam.

~ Emma aos 14 anos ~

– Emma, volta aqui. — Regina grita correndo atrás de Emma pelas escadas. Ambas estavam chegando da escola.

– Não! Me deixa em paz! — gritou de volta chateada.

– Você vai me ouvir querendo ou não.

– Me obrigue!

– Ah eu vou fazer isso mesmo!

Chegaram no quarto com Emma jogando em qualquer canto a mochila e se jogando na cama.

– Vai embora, Regina! Não quero falar com você.

– Para de ser estúpida e deixa de pensar besteiras sobre mim. — falou Regina cansada daquela discussão sentando-se na parte lateral de sua cama. — Emma, olha para mim e me escuta.

– Então me diz por que eu encontrei você com o Neal sozinhos naquela sala? Você ia beijá-lo. Você ia passar por cima de mim, Regina. Que amiga você é? Você sabe que eu gosto dele. — acusa jogando os travesseiros em Regina.

– O quê? Você sabe que eu detesto esse garoto, por que eu iria querer beijá-lo? — sente-se ofendida com as acusações da amiga.

– Eu não sei, me diga você!

Regina levanta-se retirando do bolso da sua saia escolar um pedaço de papel dobrado e entrega à Emma.

– Eu recebi isso e fui lá para aquela sala, fui por sua causa e somente por isso, eu não sabia que aquele menino idiota estaria lá.

Emma abre o papel.

"Emma vai precisar de sua ajuda. Vá para a sala 16 no fim das aulas."

– Quem te deu isso? — perguntou, a voz em um tom mais manso.

– Eu achei dentro do meu livro. Fui lá por que fiquei preocupada por você, não estava nem imaginando ver Neal. Então pare de pensar idiotices sobre mim.

– Eu recebi algo parecido onde dizia que você precisava da minha ajuda e aí como eu estava na aula de literatura e você química, eu também me preocupei. Quando vi você e Neal próximos demais, eu imaginei que você fosse beijá-lo.

– Pois imaginou errado. — diz sentando-se ao lado da amiga. — Se eu não quero ele com você imagine comigo. Ele não vale apena, Emma.

Emma deixa os ombros cairem.

– Eu gosto tanto dele.

– Ele é feio, Emma, e ele nem acreditou em você sobre aquela brincadeira da cueca.

– Argh! Nem me lembre disso.

– Ah, eu lembro sim. — gargalhou jogando as costas na cama. — Como eu disse, ele não vale a pena.

Emma deitou-se ao lado de Regina.

– Você me desculpa? — perguntou girando o rosto para o lado para encarar os olhos castanhos da amiga.

Gina conectou seus olhos aos verdes de Emma.

Sorriu.

– Eu desculpo, mas se der pití novamente por qualquer outro menino e gritar comigo eu juro que corto sua lingua, Emma Swan.

– Awn quanto amor, Regina Mills. — colocou a cabeça sobre o ombro da amiga se ajustando contra o corpo da morena pousando sua mão sobre a barriga de Regina. — Eu sinto muito mesmo, não queria ter gritado com você. Você é minha melhor amiga e tá acima de qualquer menino na minha vida.

– Você também, Emma. Você também!

Após as coisas terem ficado esclarecidas, as duas desceram para a planta de baixo da casa para fazerem um lanche rápido e irem depois se encontrarem com as amigas de escola na casa de Aurora para fazerem um trabalho de biologia.

Ainda na cozinha se encontraram com August também preparando algo para comer.

– O que foi toda aquela gritaria quando vocês chegaram? — perguntou ele, enchendo a boca de bolachas.

– Foi apenas um desentendimento bobo entre Emma e eu, mas já resolvemos.

– A gente não fica muito tempo brigadas mesmo.

– Nunca. — completou Regina.

– A sorte de vocês é que a tia Cora não está em casa, ela ficaria irada se visse vocês gritando e correndo feito loucas pelas escadas. — comentou ele.

– Ah droga! Esqueci de pegar o notebook para levar para a casa da Aurora. — Regina leva a mão à testa.

– É só subir e pegar no quarto, ué. — fala Emma não entendendo a reação aflita de Regina.

– É que eu emprestei o meu para a Ariel, cadê o seu?

– Tá no quarto.

– Vou lá pegar, está bem?

– Sem problemas. — disse enquanto terminava de preparar o sanduíche.

Regina deixa a cozinha, e August após terminar de comer suas bolachas faz o mesmo, deixando assim Emma sozinha.

Com 14 anos tanto Emma quanto Regina já exibiam corpos com bastante curvas e absurdamente femininos. Eram moças lindas e a cada dia se afloravam mais, e isso era mais que notável a todos.

Emma foi pega de surpresa por braços a abraçando por trás e a encurralando contra a bancada da cozinha. E sentiu uma barba grossa picotar suas bochechas quando um beijo foi selado em sua bochecha esquerda causando-lhe nojo ao saber quem era.

– Emma, minha Emma. — o homem dizia baixinho.

Emma virou-se ficando de frente ao avô e conseguiu o afastar de sí.

– Não me abrace assim, não quero abraços vindos de sua parte e eu não sou sua Emma. — disse a jovem loira limpando do rosto o local em que foi beijada.

Ele ignorou a dureza nas palavras da neta e tirou de dentro do bolso uma caixinha azul.

– Veja. — ele abre a caixinha e tira de dentro uma pulseira de ouro com pedrinhas de esmeraldas e rubí. — Eu comprei para você, use-a.

Desde aquele momento apavorante em que passou no seu antigo quarto com o avô, Emma não mais deixou o homem se aproximar dela. Criava várias desculpas e meios para evitá-lo, e isso, aos olhos alheios era totalmente estranho. Emma passou a ser encarada como rebelde toda vez que era fria com o avô a vistas alheias. Recusava seus presentes e burlava suas regras.

Leopold não desistia.

Sua neta estava crescendo cada vez mais, cada vez mais ganhando corpo de mulher e cada vez mais se assemelhando a sua falecida esposa, até mesmo no gênio e isso, isso lhe atraía de tal maneira que lhe causava desejos insanos.

– Eu não quero. — disse a loira, recusando o presente.

– Eu comprei e quero que use, Emma. Sua avó gostava tanto de esmeraldas. — disse voltando a aproximar.

– Eu não quero, já disse. — recusou mais uma vez usando um tom ríspido.

– Vamos, Emma. — chega Regina apressada com o notebook em mãos. — Oi, tio Leopold.

O prefeito dá um aceno de cabeça pegando a mão de Emma e pondo sobre a palma aberta a jóia. Ele sai da cozinha e da mansão voltando para o gabinete da prefeitura.

Regina sentiu um clima estranho entre o tio e Emma, mas isso era algo normal já que a loira deixava bem claro não gostar da presença do avô, o que para Regina era lamentável, uma vez que encarava o homem como alguém de bom coração e que só queria fazer sua amiga se sentir confortável e em família.

E sem questionamentos, já que Emma odiava isso, Regina puxou a amiga para fora da mansão e seguiram para a casa de Aurora realizar o trabalho avaliativo.

Duas horas mais tarde e com os trabalhos prontos, ambas passaram no Granny's acompanhando a amiga Ruby, que dizia estar em um treinamento para começar a servir as mesas do restaurante da avó.

– Emma, me desculpa atrapalhar, mas você faz um mega favorzão para mim? — pediu Ruby chegando na mesa onde Emma e Regina estavam tomando Milk Shake.

– Se estiver ao meu alcanse...

– Está sim. Eu quero que você vá na banca de revistas dalí de baixo e compre a nova edição dessa revista aqui. — escreveu o nome da tal revista. — Eu não tou podendo ir, estou em teste aqui no restaurante. Faz isso por mim?

– Já sei, a capa da revista é a Jolie, não é? — perguntou sabendo bem o amor louco que Ruby tinha pela tal atriz mundialmente conhecida.

– É claro, meu amor. — Ruby piscou.

– Ta bom, eu vou lá. — levantou-se. — Eu volto logo, Gina.

– Tudo bem, eu te espero aqui. — disse Regina.

Emma virou-se para Ruby estendendo a mão.

– O quê? Eu não sou rica, se quer a revista vai ter que me dá o dinheiro para comprar. — falou Emma balançando os dedinhos querendo que Ruby fosse rápida com aquilo.

– Eu não sou rica. — imitou Ruby a voz de Emma retirando a quantia e entregando para a loira. — De que vale ter uma amiga que é neta do prefeito da cidade se ela é muquirana?!

Emma gargalhou.

– Menos Ruby, bem menos, tá?

Swan saiu do restaurante e seguiu pela calçada da avenida até chegar na tal banca de revistas e procurar por entre muitas a revista que Ruby havia pedido. Olhou para cada parede dalí e não encontava nenhuma em que Jolie estivesse fazendo pose na capa.

Soltou o ar frustrada e impaciente.

– Que tipo de revista você procura, pequena? Quem sabe eu possa ajudá-la.

Emma olhou para a outra garota ao lado. Não devia ter mais que vinte 20 anos.

– Por que me ajudaria? Você trabalha aqui?

A garota negou.

– Não, de forma alguma, é que tem alguns minutos que eu estou reparando você suspirar impacientemente por entre essas pratileiras. Quer que eu a ajude? Sou boa nisso. — disse com um grande sorriso nos lábios. Os cabelos ruivos caindo sobre os olhos e ela os afastando delicadamente.

Não vendo de o por quê não aceitar a ajuda daquele estranha, Emma cedeu.

– É que eu estou procurando uma revista que nessa quinzena saiu a Jolie como capa e minha amiga ama muito essa atriz e provavelmente vai ter um surto se eu não aparecer com essa revista.

– Hum, eu entendo. — disse a ruiva, calma. — Por um acaso seria essa a revista que você procura e sua amiga quer? — ela estendeu a revista que estava carregando entre as mãos o tempo todo.

Emma nem sequer tinha reparado que a ruiva estava segurando uma revista, só viu quando ela estendeu o exemplar e viu que era a tal revista que Ruby tinha pedido.

– É essa sim, onde achou? Você é algum tipo de mágica que faz aparecer as coisas? — brincou pegando a revista.

A ruiva sorriu.

– Quem me dera, eu só achei ela antes que você e esperei que você percebesse isso. — respondeu. — Um obrigado caíria bem, sabe?

– Oops! Obrigada, de verdade. — disse sincera. — A propósito, eu me chamo Emma. — estendeu a mão para cumprimentar a bela ruiva de olhos azuis.

A outra achou uma graça aquele jeitinho da garota. Aceitou o cumprimento.

– Olha só, você é toda uma mocinha educada. Eu gostei disto. — apertou a mão. — Eu sou Zelena. Zelena Müller. É um prazer finalmete conhecê-la, Emma.

– Finalmente? — Emma não entendeu.

– É apenas um modo de dizer. — explicou Zelena. — Bom, eu já vou indo, minha mãe está esperando dentro do carro. Foi um prazer ajudá-la, Emma. Nos vemos por aí. — E sem que Emma esperasse, a ruiva deu-lhe um suave beijo na testa da garota antes de abandonar o estabelecimento.

Emma abriu a boca em surpresa e ao mesmo tempo intrigada. Nunca viu um desconhecido lhe tratar tão gentilmente e de modo afetuoso assim à primeira vista. Mas não poderia negar que gostou de conhecer a tal Zelena, e se a vísse outras vezes, não duvidaria em criar um laço de amizade com ela.

Já a poucos metros dalí, Zelena entrava dentro de um carro preto toda eufórica e o coração a mil, não conseguia tirar o sorriso dos lábios. Havia finalmente conseguido o que queria por tanto tempo.

– Não quero que faça isso novamente, Zelena. — disse firme Cora que havia observado de longe a interação da filha e Emma.

Zelena ignorou a mãe. Estava muito contente para ter que dar atenção às repreensões da mais velha.

– Ela é um amor, mamãe. Tão doce! — comentou. — Ela é muito encantadora. Mary é assim também? Queria tanto abraçá-la e dizer: "Hey pequena eu sou sua tia. Sua tia."

– E ela provavelmente te chamaria de louca. — Cora rolou os olhos. — Lena, minha filha, não ver que isso pode nos provocar problemas se Leopold ao menos suspeitar que você está se aproximando de Emma? O acordo era você se manter longe dele e do resto da familia White.

E agora foi a vez de Zelena rolar os olhos.

– Eu não dou a mínima para aquele homem, eu não vou recuar neste meu propósito de me achegar à Emma e a Mary. Elas são minha familia.

– Eu sou sua familia, Zelena Sophie. — replica Cora cansada daquilo. — Eu que tenho me desdobrado em duas e até em três para estar presente para você em todos os momentos, eu que tenho cavado montanhas para te dar o que eu posso e o que eu não posso também. Eu que ando peitando o prefeito dessa cidade por você. Somente Eu. Você não precisa de outros para se sentir em família quando tem a mim.

– Eu não estou desmerecendo o que você tem feito por mim, mamãe, jamais faria isso e tampouco estou querendo substituí-la ou algo parecido, reconheço sabiamente seus esforços para que nada me faltasse, mas além de você, eu também tenho elas. Eu tenho o direito de querer participar da vida delas e elas da minha. Por exemplo, daqui a dois anos eu me formo na universidade de Boston e queria tanto que elas estivessem comigo lá, me prestigiando. Isso não seria pedir demais, seria? — sua voz agora já não estava no mesmo tom de entusiasmo. Estava desapontada com a cruel situação que a vida havia lhe posto. Tinha uma família sanguínea do qual não poderia atribuir em seus momentos de alegria, simplesmente por que isso lhe era negado por um homem, o mesmo do qual contribuira para sua existência.

– Nem tudo está no nosso querer, meu amor, há pessoas maiores que criam barreiras para isso e no seu caso, seu pai é essa barreira. Talvez futuramente você possa quebrá-la, mas ainda não é a hora, ainda é perigoso. — dizia passando a mão por entre os cabelos ruivos e ondulados de Zelena. — Vamos pra casa?

Zelena respira fundo apertando o volante entre as mãos.

– Vamos, mas uma coisa é certa, mãe, eu não vou desistir de Emma e nem de Mary. Eu arrumarei um jeito de me aproximar delas, nem que isso dure anos, mas um dia elas irão descobrir quem eu sou. Não terei medo desse homem.

– Você vai entrar em um jogo perigoso, Zelena. — alertou Cora, preocupada.

A ruiva sorriu fraco, porém certa de sí.

– Eu não entro em um jogo para perder, afinal de contas, eu sou filha de Cora Mills, não?

– Em cópia e resumo. — acariciou a perna da garota. — Agora vamos, logo vai escurecer e tenho que pegar o meu carro da sua garagem. — disse visualizando o céu.

~ Emma nos exatos 15 anos ~

– Shiu, liga a câmera seu idiota. — sussurrava Regina entrando com August no quarto que compartilhava com Emma na ponta dos pés.

– Você tem noção do quanto dificil é equilibrar uma câmera com uma mão e uma bandeija pesada com outra? Não né? Então cala a boca que eu sei o que estou fazendo. — retruca o rapaz no mesmo tom que a prima.

Regina riu baixo.

– Que mentiroso! Aí só tem um cupcake com duas velinhas. Agora deixe de reclamar e liga loga a câmera.

– Mandona. — implica ele deixando a bandeija sobre a mesinha de cabeceira e ligando a câmera. — Hey, mas espera, não sería melhor acender as velinhas logo? — sugeriu apontando para o cupcake e o isquiero situado na mão da garota.

Regina coçou de leve a nuca em dúvida, mas logo concordou.

– É, é melhor. Me dá aqui o cupcake. — pediu e August o entregou. — A câmera tá pronta?

– Prontíssima.

– Okay. — Regina acendeu as duas velinhas. — No três.

– Um. — começou August.

– Dois. — foi a vez de Regina puxando de uma vez o cobertor que cobria Emma Swan.

– Três.

– HAPPY BIRTHDAY TO YOU! HAPPY BIRTHDAY TO YOU! HAPPY BIRTHDAY, DEAR SWAN. HAPPY BIRTHDAY TO YOOOU! — Regina e August cantavam a todo pulmões.

Emma acabou por acordar diante daquela cantoria toda se sentando na cama, mirava os dois confusa ainda por causa dos efeitos do sono.

– Feliz aniversário, Emma. — Regina pulou na cama abraçando a amiga. Emma sorriu agora entendendo.

– Feliz aniversário pirralha, dá um Olá para a câmera. Iremos mostrar isso para os seus netos no futuro. — riu August filmando Emma e Regina na cama. A loira rolou os olhos mostrando o dedo do meio para o rapaz. — Você vai ser uma avó muito má influência para os seus netinhos, Emma. Que vergonha!

– Gente, ainda tá escuro, não deve ser nem cinco horas da manhã. — disse Emma bocejando. — Vocês estão de pé só para me parabenizar?

– Claro. — respondeu Regina mais que depressa. — Queríamos ser os primeiros, anda, assopre as velinhas e faz um pedido. — mostrou o cupcake.

– Tenho mesmo que fazer isso?

– É sua obrigação. — falou Mills sorrindo.

– Vamos loirinha de 15 anos, peça pra ganhar beleza e cabelos de princesa. — implicou August.

– Vai catar coquinho, August. — semicerrou os olhos para o primo de Regina.

– Não liga para ele, Emma, apaga as velinhas e faz o pedido logo.

– Daí podemos voltar a dormir?

– Tem minha palavra. — levantou a mão direita como se fizesse um juramento.

– Ta bom. — Emma fechou um olho pensando no que poderia pedir, pensou mais um pouquinho e quando soube o que queria fechou os dois olhos, encheu de ar os pulmões e soprou.

"Que Regina e eu nunca haja um fim."

Logo as velas se apagaram.

– Prontinho. — disse Regina. — Parabéns Emma, eu te amo muito. Obrigada por existir em minha vida. — e Mills abraçou mais uma vez Swan, dessa vez depositando todo o seu carinho neste gesto.

Emma devolveu o abraço do mesmo jeito.

– Eu também amo você, Gina. E obrigada por ser minha melhor amiga.

– Para todo o sempre.

– E sempre!

– E corta! — disse August parando de filmar para logo se juntar ao abraço comemorativo. — Parabéns de novo, pirralha.

– Quer por favor parar de me chamar assim? Já tenho 15 anos!

– Nunca! Essa é minha tarefa, irritar vocês duas.

Riram juntos.

– Preparada para o grande dia que vai ser hoje com a sua festa? — perguntou Regina deitando de um lado da cama. August estava deitado do lado oposto com Emma entre os dois primos.

Emma soltou o ar.

– Não, eu não estou preparada, por que sua mãe teve que inventar isso? Já não bastava a sua festa? — resmungou a loira.

– Ah Emma, não é todo dia que se faz 15 anos, acho legal isso. E você vai adorar!

– Eu não sei não, Regina. Eu tenho um leve pressentimento de que essa festa vai acabar me traumatizando. — mordeu o lábio. — Foge comigo?

– Eu fujo, mas hoje não. Hoje é o seu dia e além disso, seus pais estão aqui e eles vão ficar muito orgulhosos de ver a menina linda que eles fizeram dançando valsa.

– Argh, tanto faz! Vamos voltar a dormir, por favor. — pediu se aninhando a Regina.

– Parece que August já se adiantou nisso. — disse a morena rindo apontando para o primo que já estava adormecido.

– Ah não. — Emma virou-se empurrando o garoto fazendo-o cair para fora da cama.

– Hey, qual é? — reclamou ele ao acordar daquele jeito.

– Vai dormir no seu quarto, aqui só cabem eu e Regina. — retruca divertindo-se com a cara emburrada do rapaz.

– Você é muito pouco estilo hospitaleiro, sabia? Eu nem queria dormir aqui mesmo. — dar de ombros saindo do quarto.

As duas caem na gargalhada voltando a encaixar os corpos debaixo do cobertor.

– Dorme, mais tarde eu tenho uma surpresa para você. — Regina sussurrou.

– Outra?

– Sim, outra.

– Hum, então melhor irmos dormir por que estou ansiosa por essa surpresa.

– Então dorme! — apenas disse e ambas fecharam os olhos para abraçarem o sono mais uma vez.

[...]

O dia seguiu uma loucura da mansão. Nos jardins da casa havia um grande agito de pessoas entrando e saindo com caixas, mesas, cadeiras, jarros com flores, eletricistas arrumando a iluminação e até mesmo Moe French estava lá dando seu toque na decoração do jardim.

Mary Margaret estava adorando tudo aquilo. Revivia mentalmente sua festa de 15 anos, e sorria sentindo aquele doce frio na barriga. Foi em sua festa onde conheceu David e se apaixonara logo de cara durante a valsa com os rapazes.

E de todos dentro daquela casa o único que não estava gostando nada daquele barulho todo era Leopold White. Sentia-se chateado com todo aquele alvoroço.

Trancafiado dentro do escritório observava pela janela, sem ser notado, Emma conversando com David perto de uma macieira.

Levou o copo de whisky aos lábios tragando a bebida.

Emma já era uma moça feita. Atrativamente feita.

Seus olhos recorriam todo o corpo da loira imaginando o quão bela deveria ser a garota sem aquelas roupas. O quão suave e cheirosa devia ser aquela pele branquinha e lisa. O quão delicioso seria ter um abraço na horizontal com aquele menina tão atrevida.

– Ah Emma! Minha Emma! — passou a língua entre os lábios e sentindo como só com aqueles pensamentos seu corpo despertava. Sentia desejo por aquela garota e esse desejo já estava forte demais para ter que lutar contra.

Sorriu perversamente após ingerir todo o liquido alcóolico.

– Feliz aniversário, minha netinha. Com certeza você jamais se esquecerá deste dia. — concluiu voltando a mesa e enchendo novamente o copo com a bebida.

Fora dalí, Regina tentava controlar o pequeno Henry, que com apenas cinco anos, já se mostrava bastante esperto.

– Por que eu não posso, Regina? — questiona ele com as bracinhos cruzados.

– Não estou dizendo que você não possa, Henry, mas é que você já estará dormindo quando for chegada a hora. — explica passeando de lá para cá com o garotinho nos braços pelo quarto organizando os brinquedos espalhados.

– Mas eu quero dançar com a Emma. — fez bico ameaçando chorar. — Eu quero ser também príncipe da Emma, eu quero! Eu quero, Gina!

– Você já é um príncipe todos os dias, meu amor. Você sabe disso. — o colocou sobre a cama.

– Eu sei disso, mas hoje Emma é princesa e eu quero ser o príncipe dela. — relutou ele na idéia.

Regina sorriu de canto.

– Ok, vamos fazer assim, se você não estiver dormindo na hora em que Emma estiver dançando com os rapazes, eu dou um jeito de fazer você dançar com ela, está bem?

– Você promete?

– Eu prometo.

– Está bem então.

– Okay.

Beijou a bochecha do irmão. Ligou a tv e colocou em um canal infantil para que ele pudesse se entreter enquanto ela estivesse ocupada com os preparativos para a festa da melhor amiga.

Após ter conseguido aquietar Henry, ela foi em busca de Emma, mas ao parecer ela não estava nem dentro e nem aos redores da mansão.

Ao voltar para dentro topou-se com sua mãe, que ao ver de perto pôde perceber que ela não trazia nenhuma cara feliz. Estava com o maxilar travado e os olhos estavam escurecidos.

– Onde está a senhorita Swan, Regina? -pergunta.

– Eu não sei, eu estava atrás dela agora pouco, mas eu não a encontrei. Aconteceu alguma coisa?

– Trate de achá-la imediatamente ou eu vou acabar com tudo isso em dois passos, minha cabeça está explodindo de tanto eu ouvir a voz de Mary e suas perguntas abusivas. Ache Emma logo de uma vez e vão, por tudo que é mais sagrado, subir para esperarem a equipe que vão arrumar vocês. — pediu colocando na boca um comprimido e levando um copo com água aos lábios bebendo-a.

Regina assentiu voltando a sua procura por Emma.

Paralelamente, Emma estava a dois quarterões da mansão ganhando um abraço mais que apertado e caloroso de sua mais nova amiga.

– Parabéns, Emma. — estalou um beijo na bochecha da jovem, como consequência deixou uma marca vermelha por causa do batom.

Sorriram por isso ao mesmo tempo em que a amiga mais velha tentava tirar a marca do beijo da pele da garota.

– Obrigada, Zelena. — disse abrindo um grande sorriso mostrando todos os dentes e a alegria de estar revendo a amiga que já era muito bem querida por ela.

Zelena passou a mão pelo rosto de Emma fazendo uma singela carícia.

– Você vai se tornar uma mulher tão bela, Emma. — afastou os fios da franja para atrás da orelha quando percebeu a garota corar de leve. — Eu trouxe algo para você.

– Para mim? — Emma pergunta, não esperava por isso.

Zelena balança a cabeça positivamente retirando do bolso da calça social uma pequena caixinha azul com laço prateado por cima.

– Não acha que eu iria viajar horas até aqui sem te trazer nada, não é mesmo?

– Na verdade eu não estava esperando nada, você aparecer aqui já é grande coisa, lembrando que a última vez que eu vi você foi a cinco meses atrás. Então esse abraço que você me deu já foi para mim um enorme presente.

– Eu gostaria muito de aparecer mais vezes, mas infelizmente isso ainda não é possível, principalmente com a chegada turbulenta dos dois últimos semestres do meu curso. — confidencia. — Porém, logo eu voltarei a morar aqui na cidade e poderemos nos ver com mais frequencia e quem sabe eu poder assim conhecer essa sua amiga chamada Regina?!

– Você vai adorar conhecê-la, ela é a pessoa que mais adoro no mundo. — diz com brilho no olhar.

– Eu posso ver meu bem, ela me parece ser uma grande amiga para você.

– A melhor de todas.

Zelena rir doce para a loira.

– E seus pais, como estão? Você não tem falado sobre eles nas últimas vezes em que nos falamos por telefone.

– Eles estão bem, e bem envolvidos com essa festa. — solta o ar. — Não estraga o momento me fazendo falar deles, tabom? me mostra o que você tem aí.

– Ah sim, claro. — volta a olhar para a caixinha e oferece. — É algo que vale muito para mim e quero que de agora por diante seja seu.

Emma pega a pequena caixinha entre as mãos.

– O que é? — pergunta curiosa, mas sem abri-la ainda.

– Abra. — pede.

E assim Emma faz encontrando dentro dela uma pequena jóia de ouro puro. Era um anel de formato simples com o desenho de um coração verde ao centro.

Emma admirou-se ao tocá-lo com as pontas de seus dedos.

– É lindo, Zelena, mas se é tão valioso para você, porque está me dando? — fitou-a ainda mantendo a curiosidade.

– Esse anel pertenceu a alguém muito importante na minha vida, alguém que já não está entre nós e, este anel, é uma das poucas coisas que tenho dela como recordação, em realidade este é o que eu mais tenho vivo em mente sobre ela. — explicou com um pequeno sorriso encarando o tal anel nas mãos de Emma.

A loira inquietou-se, sentindo-se incapaz de guardar tamanho valor consigo.

– Nossa, isso é muito grande, Zel. Eu não sei se devo aceitá-lo, é algo seu que não pode ser substituido e nem repassado. — estendendeu de volta para a amiga. — Mantenha as boas recordações desta pessoa perto de você, eu adorei, mas o valor que ele carrega é grande demais para mim que sou toda atrapalhada, e eu me refiro a valores sentimentais. Sua visita, como eu disse, já foi um dos melhores presentes.

Zelena sorriu lindamente ao ver a inquietude da jovem garota.

Pegou a caixinha, retirou o anel de dentro voltando a fechar a caixinha.

– Este anel tem um valor sentimental muito grande para mim, isso é verdade, mas... — pegou gentilmente a mão direita da menina separando o dedo anelar e deslizando com cuidado o anel pelo dedo. — ... Quando eu era pequena uma certa mulher, que hoje é minha maior fortaleza, disse que os objetos que carregam sentimentos podem sim ser repassados, mas somente para pessoas que tem a mesma carga de sentimentos no seu coração, a mesma importância. — fez uma breve pausa. — Esse anel tem valor para mim, mas você também tem esse valor para o meu coração, então estou unindo esses dois valores em um pacote só, isso faz sentido para você? Eu confio em você para tomar conta dele, e eu quero que você fique com ele. Não me faça essa desfeita. Vê? Ele ficou lindo em você como eu imaginei. — diz fazendo uma caricia na mão da loira.

Emma também tinha os olhos postos sobre a jóia em seu dedo.

– Por que eu sou valiosa para você? Por que você tem todo esse carinho comigo se não tem nem um ano direito em que nos conhecemos? Eu não entendo, sinceramente. — Emma contorceu a face ao erguer os olhos para a ruiva.

Ela deu de ombros correspondendo o olhar da loira.

– Eu já te disse, sou uma pessoa carente e, você foi assim tão doce e atenciosa comigo desde o começo que não pude deixar uma amizade assim com você escapar. Não se preocupe, eu não pratico pedofilía. — riu de si mesma, Emma também riu. — Eu só sou grata pelas pessoas que me dão uma chance, e você me deu uma. Eu sou uma pessoa completamente tímida e reservada, acho que até arisca, mas veio você com esse jeito tão meigo, tão educada e tão receptiva que eu tenho mais é que considerá-la como preciosa, não acha isso? Você é muito importante para mim, Emma, acredite e confie em mim da mesma forma que eu acredito e confio em você.

A garota completamente convencida das palavras da amiga, abraça Zelena com força repousando sua cabeça sobre os seios da ruiva.

Müller maravilhada com o carinho da garota, corresponde o abraço afetuosamente passando suas mãos pelos longos cabelos loiros da mais nova.

– Eu confio sim em você e muito. — disse Emma. — Eu estou muito agradecida por você ter vindo me ver, pelo presente e por sua sinceridade comigo. Você é uma grande amiga, e óh... — separou-se, finalizando o abraço. — Quando você montar o seu consultório aqui, eu quero ser uma das primeiras a conhecê-lo, está bem?

Zelena beija de leve a testa da Swan.

– Pode deixar, você será uma das primeiras. — falou. — Agora eu tenho que ir, pequena. Logo mais terei que voltar para Boston. — anunciou.

Emma deixou uma expressão triste apontar.

– Logo mais vai ser noite e não é seguro viajar durante a noite, por que ao invés disso, você não vem para a minha festa? Seria menos chata se você estivesse lá.

Zelena suspirou pesadamente passando a mão pelo rosto de Emma.

– Eu gostaria muito, mas infelizmente não posso, eu tenho prova amanhã e tenho que estar bem cedo na universidade, me desculpe. — na verdade Zelena não tinha prova alguma para realizar, mas não podia se arriscar a tanto as vistas de Leopold, já era perigoso estar alí tão próximo da mansão e principalmente de Emma. Estava ela ultrapassando todos os limites do acordo posto entre Cora e seu pai, mas como já havia dito à Cora, ela iria fazer de tudo para se aproximar de Emma e Mary, e ela estava conseguindo, ao menos com Emma isso estava mais que claro.

Sem opções de como fazer a amiga aceitar seu convite, Emma assente aceitando as desculpas de Zelena.

Se abraçaram mais uma vez quando a ruiva despediu-se entrando no carro e sumindo pela avenida. Emma ficou alí parada admirando o anel em seu dedo. Era uma jóia linda e sentia-se de certa forma privilegiada sendo a guardiã de uma história que nem ao menos lhe foi dado o conhecido, mas sabia que era grande, bela e única assim como o seu brilho.

Voltou a olhar para o final da avenida, mas ali já não tinha mais nada além de alguns carros estacionados pertencentes aos vizinhos.

Ouviu atrás de sí alguém gritando por seu nome, virou-se sabendo bem quem era.

– Emma, o que raios você faz aqui sozinha? Tem idéia do quanto eu já revirei essa cidade atrás de você? Isso não se faz. — esbravejava Regina colocando as mãos na cintura em uma pose repreensiva.

A loira mordeu o lábio reprimindo um sorriso ao ver a expressão e pose da melhor amiga.

– Eu estava com Zelena. — revela.

Regina une as sobrancelhas para logo semicerrar os olhos apontando seus ciúmes. Não gostava de dividir Emma com uma desconhecida que ela nunca viu nem sequer uma vez na vida.

– Que curioso isso, eu morrendo atrás de você e você aqui escondida com sua amiguinha favorita secreta. — dramatiza sendo irônica e agora cruzando os braços.

Emma não aguentou e soltou uma risada negando com a cabeça passando seu braço em volta da cintura de Regina incentivando-a a acompanhá-la daquela forma no caminho de volta para casa.

– Eu não estava escondida, eu só vim mesmo receber seu abraço de felicitações por meu aniversário, não seja ciúmenta, você sabe que minha favorita é você. — disse. — Mas por que estava me procurando? — quis saber.

– Por que já está na hora de nos arrumarmos. — respondeu mais serena. Ouviu Emma resmungar e soltar um muxoxo com aquela resposta. Riu da amiga, mas isso não afastou sua curiosidade e incômodo sobre a tal amiga chamada Zelena. — Emma, quando eu vou conhecer essa mulher?

– Eu acho que logo, ela me disse que só tem mais um ano de curso e depois viria para cá montar um consultório. Então eu acho que muito em breve você irá conhecê-la.

– Hum, você sabe que poucos me agradam, não é mesmo? — virou seu rosto para encontrar os olhos verdes da melhor amiga.

Emma correspondeu o olhar.

– Eu sei, mas assim como eu, você vai adorar ela. — disse com segurança.

Gina deu de ombros.

– Não diga coisas por mim, querida. Você não sabe.

Emma negou.

– Aí é que você se engana, porque eu sei sim, eu sei porque eu conheço você como a palma da mão, e se eu digo que você vai gostar de Zelena, não estou jogando na sorte ou apostando com o vento, eu estou cem por cento segura disso.

– Se você diz.

– É claro que eu digo. — riu leve apertando a cintura de Regina. — Agora deixe essa carinha emburrada de lado, porque a emburrada hoje aqui sou eu. — falou quando já estavam adentrando a mansão.

– Mas seu humor vai melhorar quando eu mostrar a você minha surpresa. — saiu do abraço lateral da amiga sorrindo maroto.

– Você está fazendo suspense o dia todo com essa surpresa Regina, o que é hein?

– É meu presente para você, mas eu só irei dar a você quando você estiver pronta. Lembre-se que você usará dois vestidos diferentes durante a noite. — diz com finalidade de pegar no pé da loira.

– Argh, isso é tão desnecessário. Por que essa troca de vestido a meia-noite?

– Porque a meia-noite é a hora da valsa, e isso é um momento especial para a debutante. É quando ela dança com o pai e depois com os príncipes.

Emma revira os olhos acompanhando Regina na subida às escadas.

– Para quê esses príncipes? Eu vou, com toda a certeza, pisar no pé deles. — riu alto só de imaginar.

– É o protocolo de ser debutante, querida. — parou no meio da escada de frente à loira. — Mas se você se comportar, eu roubo você e dançamos juntas o restante da valsa na cozinha.

Emma ergueu as sobrancelhas.

– Por que na cozinha?

– Por que seria o local onde mais chegaria o som com melhor qualidade, já que iremos estar longe dos jardins. Você topa?

– Eu topo. — sorriu largo.

Logo mais a noite, aquele agito todo que havia se estabelecido na mansão e a seus arredores por todo o dia, agora ganhara outra cara. Agora o agito estava em forma de serenidade com passos calculados cobertos por saltos e envolto de música instrumental.

O grande baile de debutante da neta do prefeito da cidade tinha tido inicio as exatas 21:00 e, aos poucos, os convidados vinham chegando sendo conduzidos por alguns seguranças especializados nisso até os jardins. Garçons os serviam prontamente.

Tinha por alí, aos arredores, alguns membros da emprensa do jornal observando ao longe o movimento da festa com suas câmeras prontas e blocos de papel nas mãos preparados para anotar e registrar qualquer coisa para reportarem no dia seguinte.

Mary estava em polvorosa, até parecia ser ela a grande estrela daquele momento.

Entrou no quarto em que estavam finalizando o penteado de Emma, e quando a viu, sentiu seu olhos arderem com a visão de sua menina tão linda, tão crescida e já tão formada.

Emma usava um vestido rodado curto-longo com decote bateau, paetizado, transparência em tule ilusion nude com vidrilhos nas cores prata e preto. Tinha em torno de sua cintura um cinto de cetim na cor preta também, esse seria o vestido para recepcionar e cumprimentar os convidados.

Os cabelos estavam semi presos na lateral da cabeça em uma grossa cascada de cachos grossos e pesados feitos por babyliss com acessório metalizado dando destaque em alguns cachos, ao topo desta imensa e linda cascada de cachos havia dois acessórios em formato de flores brancas, o que Emma julgou desnecessário, mas não conseguiu se livrar dos enfeites.

Seguindo o look, a maquiagem estava destacando seus olhos verdes em tons escuros sem deixar de ser algo jovial. Os lábios traziam uma cor rosada quase que natural, apenas com brilho necessário para aquela noite tão especial.

Os sapatos de salto também estavam lá enfeitando os pés da menina que agora já estava uma moça bela e atraente e que logo se tornaria uma mulher bastante desejada.

Mary a olhava encantada, sem palavras.

– Você está perfeita, Emma. Tão linda, tão crescida e já tão mulher. — elogiava com a voz embargada segurando as mãos da filha com a suas. — Eu tenho tanto orgulho da filha que eu tenho. Me sinto imensamente sortuda com você, Emma.

A loira corou.

– Obrigada, mãe. — disse, talvez tivesse que dizer mais algumas palavras, mas não sabia o quê além de agradecer os elogios. — Essa festa vai até que horas?

– Acho que um pouco depois da valsa. Você vai ter uma pequena sessão de fotos agora e depois outra após a valsa.

Emma deixou os ombros cairem.

– Okay. — não tinha nem mais o porquê reclamar, sabia que não iriam dar ouvido aos seus lamentos.

– Amo você, Emma. Amo tanto que você nem tem idéia do quanto isso é grande. — expressou sorrindo emocionando-se mais ainda apertando as mãos de Emma.

Emma soltou mais um suspiro.

– Eu também, mãe. — disse olhando-a nos olhos. — Você e o papai.

– Meu anjo. — passou a mão suavemente pelo rosto da garota. — Tão linda!

Nesse momento duas batidas na porta chamam a atenção das duas para uma garota tão linda quanto a aniversariante.

Regina usava um vestido também curto-longo rodado tomara-que-caia na cor vinho, com um fino cinto preto fixo na cintura. Salto alto em tom nude. Os cabelos estavam moldados em uma grossa trança lateral frouxa com os longos fios da franja soltos e com um leve volume. Trazia nos lábios um tom vermelho marcante e os olhos em tons mais leves.

Sorriu ao ver a amiga tão diferente e tão bem mais linda que os dias habituais.

– Uau, você está parecendo uma princesa, Emma. — disse também admirada. — Nem parece aquela menina que gosta de usar roupas folgadas e deixar o cabelo dentro de um boné. — brincou batendo o dedo indicador na ponta do nariz da amiga.

– Você anda usando boné, Emma? — perguntou Mary.

– Quando está calor eu uso sim. — respondeu ela sem preocupações.

– É, e de preferência os meus bonés, não é mesmo sua espertona? — entra August com uma filmadora nas mãos. — Diga oi para a câmera, Emma, seus netos vão adorar ver o antes e o depois de uma aniversariante.

– Desliga essa câmera, August. — bufou Emma colocando as mãos na cintura. Ele por sua parte deu close no rosto de Emma e sorriu mais ainda. — Para com isso! Gina, faz alguma coisa.

– Eu? — apontou para sí.

– Sem chances, loirinha. Sua Gina me pagou 100 pratas para te filmar a noite toda, então ela não vai fazer nada. Eu só espero que você não pise no meu pé como uma vingança, você sabe, eu sou o seu príncipe mais charmoso desta festa. — gabou-se ele passando a mão livre por sobre a grava rosa bebê. Ele estava vestido com roupas e sapatos sociais, como todos os outros quinze príncipes.

Emma mostrou a língua para ele.

– Ninguém vai estar livre do meu pisão. — piscou.

Regina revirou divertidamente os olhos pegando na mão de Emma.

– Vocês vão ter que me dar licença mas a princesa aqui vai ser roubada por uns minutos pela evil queen que vos fala. — e saiu puxando a loira.

– Daqui a 15 minutos vocês tem que estarem no jardim para a primeira sessão de fotos para o book. — gritou Mary relembrando as garotas.

Nem Emma e nem Regina deram ouvidos, elas já estavam dentro do quarto da morena, que por sinal estava aos escuros.

– Regina? — Emma a chamou quando sentiu falta do calor da mão da amiga. — Porque não ligamos a luz?

– Por que ainda quero fazer suspense. — a loira sentiu sendo abraçada por trás pela amiga e sentiu algo tão gostoso com aquele gesto que acabou deixando seu corpo cair fácil nos braços de Regina.

Regina beijou suavemente o ombro de Emma a apertando mais no abraço, gostava tanto da loira que sentia uma necessidade enorme de cuidar dela por toda a vida. Queria ter Emma assim colada a ela para sempre, não importava quando ou onde, mas queria muito levar Emma em sua vida pela eternidade.

– Gina, o que foi? Que surpresa é essa? — Emma perguntava baixinho de olhos fechados. Suas mãos estavam sobre as de Regina que estavam pousadas na barriga de Swan. Estava gostando bastante daquele carinho de Regina, e isso era algo bem novo até.

– Na verdade minha surpresa não carecia tanto suspense por que não é algo surpreendente como eu vinha fazendo propaganda, mas é algo que eu acho que você vai gostar.

– E o que é?

Regina descansou seu queixo por cima do ombro de Emma, ainda no escuro do quarto.

– Lembra da feira de ciências que tivemos na escola quando tínhamos treze anos e em um dos projetos você viu um coelhinho pintado de roxo e na mesma hora você quis trazer para casa?!

– Lembro. — respondeu com ar levemente triste ao recordar de um dos "nãos" mais dificeis de superar durante a infância. — Eu queria cuidar dele, mas sua mãe não permitiu porque segundo ela eu não estava sabendo nem como cuidar dos meus próprios sapatos quanto mais de um ser vivo que precisaria muito mais da minha atenção.

– Eu sei, ela foi bem cruel com você neste dia, me desculpe por isso. — beijou mais uma vez o ombro da loira.

– Tudo bem, isso já passou.

– Eu sei disso também, mas desde aquele dia eu prometi a mim mesma recompensar você de alguma forma, então... — Regina desfez o abraço saindo de perto de Emma.

Swan logo estranhou a falta do corpo da amiga.

– Regina? — virou-se a procura dela.

Logo as luzes do quarto foram acesas. Emma piscou algumas vezes para adaptar-se a claridade.

– Olha para a sua cama. — pediu Regina.

Emma atendeu o pedido de Regina virando para onde estaria a sua cama e quando a teve as vistas engradeceu os olhos com o que estava posto sobre ela.

– Gina, eu...

– Eu sei — sorriu. — Não é exatamente o que você queria nos nossos treze anos, mas é algo melhor porque você não precisa dar tanto atenção à ela.

Emma deu uma risada limpa sentando-se na cama trazendo para o colo o enorme coelho roxo de pelúcia que agora revelava-se ser a tal surpresa.

– Onde você conseguiu um desse tamanho, Regina? É quase do meu tamanho. — comentou acariando o bichinho de pelúcia. — E como eu não vi isso antes?

– Ah eu tenho os meus contatos e o meu jeitinho de esconder as coisas, mas enfim, você gostou? Tentei arranjar um de verdade, mas é que roxos não tem de verdade. — sentou na cama também brincando com a enorme orelha do coelho.

Emma ergue os olhos e entrelaça seus dedos aos de Regina apertando com carinho.

– Eu amei, tudo o que você me dá me traz uma alegria inexplicável e justamente porque veio de você. Você é a melhor coisa que me aconteceu desde que cheguei a essa cidade a 5 anos atrás. Eu te amo muito sua boba. — inclinou-se e deixou um beijo na bochecha esquerda da morena. — Obrigada! Por tudo!

Regina não sabia o por quê, mas sentiu um frio bater no estômago e as bochechas arderem naquele momento.

– Você sabe que tudo isso é recíproco, não é? Você é a amiga que eu mais amo em todo o mundo.

– Eu sei sim.

– Então... vamos descer? Temos uma sessão de fotos para dar sorrisos. -levantou da cama como em um salto pegando a loira pelas duas mãos.

– Argh tinha até me esquecido disso. — rolou os olhos bufando.

– Vai ser divertido. — assegurou tentando dar mais ânimo para a loira.

– Está bem. Boa noite, Vilú. — disse Emma soltando um beijo para o coelhinho de pelúcia.

– Vilú?

– Sim, esse vai ser o nome dela e não me pergunte o por quê.

– Você é tão maluquinha, Emma. — Regina não controlou uma risada.

Como marcado, Emma foi levada para um local especifico nos jardins para tirar fotos solo, duos e com a familia. Divertiu-se tirando fotos em posições engraçadas com Regina e August. No entanto seu sorriso se desfez quando foi obrigada a tirar uma duo com o avô, que para piorar a situação, estava cheirando a bebida.

Foram os vinte segundos mais atormentadores daquela noite para ela, mal sabia ela que isso só viria piorar no decorrer da noite.

Cora também havia participado das fotos, e ela estava linda com um vestido longo de mangas longas, decotado na cor azul celeste. Os cabelos estavam moldados em um coque alto.

Emma derramou-se em amores quando um pequeno Henry apareceu com uma rosa vermelha nas mãos parecendo um homenzinho todo de calça e terno sociais.

– Gina disse que eu sou seu príncipe, Emma. — disse ele com uma vozinha infantil toda manhosa. Emma o pegou nos braços recebendo a rosa salpicando o menino de beijos.

– Sim, você é meu príncipe, meu amor. O mais lindo de todos. — o apertou contra o seu corpo.

Logo estavam fotografando os dois aos risos e brincadeiras que foi completada quando Regina apareceu para tirar mais fotos com os seus dois amores.

Com o fim da sessão, Emma recepcionou os convidados com abraços e apertos de mão. Recebeu felicitações de todas as formas e elogios sobre sua beleza.

Só que ao olhar bem para as mesas, Emma percebeu algo que ainda não tinha notado. Onde estariam os seus amigos? Killian estava por alí porque era um dos príncipes, mas e Ruby com as outras?

Saiu andando atrás de Regina ou um conhecido da sua idade para poder perguntar sobre essa falta.

Viu pelo portão principal Ariel e Eric entrarem de mãos dadas.

Cruzou o olhar com a ruiva que de imediato correu até a loira a abraçando com muita força.

– Parabéns, Emma. Você está lindíssima. Casa comigo? — brincou.

Emma gargalhou.

– Olha, essa é uma oferta tentadora, mas acho que o seu namorado não iria gostar muito da idéia. — apontou com o olhar para Eric que parecia estar tímido com as mãos enfiadas nos bolsos da calça.

– Ah, ele não é ciumento, mas conversaremos sobre isso depois. — piscou o olho. — Onde está a Regina?

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– Eu não sei, acho que ela tá dentro da casa. Você por acaso viu os outros? O restante das meninas?

– Eu não ví, eu acabei de chegar, mas já devem de estarem chegando. — disse passando a mão pelo braço da loira. — E que horas vai ser liberada a pista de dança hein? Estou louca para remexer o esqueleto. — sussurrou a última frase, o que fez Emma rir muito.

– Eu acho que só depois da valsa, Ari. — respondeu. — Mas enquanto isso vá aproveitando o que estão servindo, eu vou procurar a Regina.

– Está bem, vem Eric. — estendeu a mão ao rapaz e sairam juntos escolherem uma mesa.

Emma entrou na mansão atrás de Regina, mas quem encontrou foi Cora discutindo fervorosamente com alguém ao telefone dentro da sala, pretendia subir as escadas quando foi puxada por August para um canto mais isolado.

– O que você está fazendo? — perguntou à ele.

– Regina pediu para te avisar que ela teve que sair para buscar a Ruby e o irmão dela. — explicava baixinho.

– Como assim buscá-los?

– Eu também não entendi muito bem, mas parece que houve um erro na lista de convidados e o nome deles não consta dentro da lista, daí foi atrás deles para que eles pudessem entrar e, ela pediu também que você mantesse a tia Cora distraída até o momento em que ela estiver de volta com eles.

– Eu?

– Sim, você! Vai lá por que eu deixei a Belle sozinha na mesa.

– Belle já chegou?

– Sim, ela estava com a Regina. Estávamos te procurando, mas aí a louca recebeu, acho que uma mensagem da Ruby, e saiu me pedindo para ficar com a Belle e te avisar isso, agora vai.

– Mas como eu vou enrolar essa mulher? — perguntou totalmente perdida nessas explicações apressadas de August.

– Eu não sei, você é inteligênte gata, agora vai. — girou ela pela cintura e deu um empurrazãozinho.

Emma bufou indo até Cora, ela parecia estar a ponto de matar um, e Emma sabia que não era uma boa idéia conversar com a senhora Mills neste estado, mas ao parecer, ela não tinha muitas opções.

Passou a mão pela saia do vestido sentando-se na beira do sofá, Cora percebeu a presença da menina.

– O que foi, Emma? Aconteceu alguma coisa? — perguntou sem muito interesse, havia acabado de brigar com Zelena e seu humor não estava dos melhores.

– É que... eu acho... eu estou... com cólica. — disse fazendo até uma cara de dor e pousando a mão na barriga.

– Cólica?! Mas você não está nos dias de sua regra menstrual, eu tenho tudo anotado sobre isso com vocês duas. — falou sentando-se ao lado de Emma pegando em sua mão.

– É, eu sei, mas estou sentindo uma dor como se fosse cólica.

– Hum... não foi algo que você comeu?

Emma deu de ombros.

– Eu só comí uns docinhos que estavam servindo, só isso.

Cora parecia não acreditar, se não conhecesse Emma poderia acreditar, mas naquele momento ela estava apostando que a loira estava dando desculpas somente para não dançar a valsa já que faltava pouco menos de meia hora para dar meia-noite.

– Emma, querida, não adianta tentar essas desculpas, sua mãe não irá deixá-la livre da valsa. — Cora riu de leve passando a mão pela franja de Emma. — E nem eu! Acho que você só está nervosa.

Emma rolou os olhos.

– Eu vou passar vergonha, eu não sei dançar valsa, eu vou pisar no pé de todo mundo. — reclamou jogando as mãos no ar e deixando-se cair no encosto do sofá.

– Impossível, disponibilizamos duas semanas de aula de dança para você.

Emma deu um sorriso amarelo para a mãe de sua melhor amiga e notando isso, Cora semicerrou os olhos.

– Desculpa. — falou mordendo os lábios.

– Você não apareceu nas aulas, não foi? — deduziu o óbvio.

– Ah Cora, você achou mesmo que eu iria passar duas horas ensaiando valsa? Não né?!

– Vem. — Cora levantou-se estendendo sua mão para ela.

– Para onde? — questionou mirando a mão da matriarca Mills.

– Vou ensinar valsa a você.

– Aqui? — estranhou olhando para sala.

– Sim, querida. Ninguém vai entrar aqui, ninguém está autorizado a entrar além dos membros da familia. Venha logo de uma vez antes que eu desista e deixe você passar vergonha. — falou impaciente.

– Está bem então. — Emma levantou-se segurando na mão de Cora.

Cora a trouxe para perto, mas não tão próximas.

– Você cresceu muito nesse último ano, querida, já está a minha altura. O que você come? Poderia compartilhar com Regina.

Emma riu da graça feita ao tamanho da sua melhor amiga, no caso a falta dele.

– Ela não vai ficar tampinha assim, você vai ver.

– Eu já não tenho tanta certeza, mas vamos lá, essa mãozinha aqui fica sobre o ombro do rapaz. — pegou a mão direita da loira e colocou sobre o seu próprio ombro. — E essa você cede á ele levemente levantada ao ar, será um meio de condução. — uniu sua mão com a de Emma. — E a mão esquerda dele estará pousada em sua cintura, desse modo. — colocou sua mão na cintura de Emma.

– Você é o meu rapaz? — perguntou com divertimento acompanhando com atenção os movimentos de Cora.

– Nesse momento sim.

– Você não me atrai muito, rapaz.

Cora rio baixo.

– Você também não me atrai, moça. — entrou brevemente na brincandeira. — Não se assuste quando o rapaz deslizar a mão até o meio de suas costas, é o protocolo da dança. — explica.

Emma bufa.

– Palavra que eu certamente vou adicionar a minha lista de nunca mais usar: protocolo.

– Preste atenção agora nos meus movimentos, senhorita Swan. — Cora deslizou a mão pelas costas de Emma que institivamente elevou a postura. — Não abandone os olhos do parceiro durante a dança, porque além de ser clássica, valsa é romance, uma conquista de olhares e sorrisos, então sorria ao bailar, entendido?

– Sim!

– Siga meus passos.

E alí no meio da sala, Cora dedicou à Emma alguns de seus minutos ensinando a base de uma valsa, movimentos repetidos de um lá para cá dentro de um círculo invisível onde a graciosidade da moça ganhava destaque.

Não foi dificil para Emma pegar o ritmo, Cora até surpreendeu-se com a rapidez da loira a elogiando uma ou duas vezes, no entanto tiveram que encerrar com a aula quando ouviram a porta abrir e Regina aparecer as olhando com uma expressão curiosa.

– Já está me trocando, Swan? — indagou Regina, ainda com o olhar curioso. — Pensei que quisesse dançar comigo.

– E eu quero, sua mãe estava me ajudando, apenas isso. Onde você estava? — disse indo até Regina unindo suas mãos com as dela.

– Boa pergunta, onde estava você, Regina? — Cora perguntou.

E como resposta, Ruby entrou toda linda com um vestido vermelho bastante justo ao corpo e os cabelos ondulados caindo por sobre os ombros. Regina havia pedido para que ela esperasse nos jardins, mas sua curiosidade por ver como Emma estaria era bem maior, entrou aproveitando que a porta ainda estava aberta.

Seus olhos brilharam ao ver Emma completamente diferente do que os dias costumeiros.

Sem se preocupar com a mulher que a estava olhando de um jeito devorador e Regina chateada por não ter sido ouvida, se pôs de frente a Emma e a abraçou bem forte.

– Você está incrível, Emma, eu sabia, eu sabia que você iria ficar com carinha de princesa da disney. — disse apertando as bochechas da loira ao finalizar o abraço, Emma apenas riu.

– E você veio para matar hein? Está muito linda!

– Eu sou linda sempre, meu bem.

– Quanta humildade!

– É a verdade, baby.

Cansada de ouvir a voz daquela garota, Cora se pronunciou enraivencida, pois segundo seus planos não era para aquela garota Lucas estar alí na sua casa.

– O que você pensa que está fazendo aqui dentro? Lembro-me perfeitamente de retirar qualquer Lucas da lista. — rosnou.

– Eu fui buscá-la! — Regina respondeu começando compreender parcialmente o porquê de Ruby ter sido barrada.

– Como assim você retirou o nome da Ruby da lista? Ela é minha convidada, você não tinha o direito de fazer isso. — Emma falou se pondo a frente de Cora.

Cora entrecerrou os olhos.

– Não quero pessoas dessa familia medíocre na minha casa. — esbravejou seca.

– Hey! qual o seu problema com minha familia? Dobre a língua ao falar deles. — Ruby pôs as mãos na cintura em uma posição desafiadora. Aquela mulher poderia ser quem fosse, rainha de copas até, mas não iria permitir que ela menosprezasse sua família em sua frente.

– Não seja petulânte, garota, eu mesma irei arrastá-la para fora daqui.

Cora deu passos a frente, porém Emma se ocupou do restante do espaço entre sua amiga e a mãe de Regina se posicionando a frente de Ruby de forma protetora.

– Você não irá fazer isso, Cora. Você não tem o direito, esse casa também é minha, essa festa é minha e Ruby é minha convidada, portanto quer você ou não, ela vai ficar. E antes de tudo quero que respeite a familia dela, pois eles são tão dignos quanto você e eu, você que está de petulância. Se você se atrever a tirá-la daqui saiba que eu vou junto e aí acabou festinha que para mim é uma total futilidade. — Emma respirava fundo, estava nervosa, era a primeira vez que estava enfrentando Cora.

Regina havia perdido até a fala, nunca tinha visto Emma tão imponente assim e ainda mais com sua mãe.

Cora olhou furiosa para Emma, o maxilar travado deixava bem claro que sua paciência estava a ponto de explodir, respirou fundo tomando ar, ergueu o dedo indicador ao mesmo nivel do rosto de Emma, olhou para Regina que tinha um olhar assustado, logo voltou a olhar para a garota Lucas atrás de Emma, ela estava de nariz arribitado ainda a desafiando.

Passou a língua entre os lábios recolhendo o dedo, desenhou um sorriso falso nos lábios e disse ao retirar-se da sala:

– Aproveitem a festa, garotas! Pode ser que não haja outras.

E saiu.

Emma deixou os ombros cairem voltando-se para Ruby e Regina.

Ruby tinha um grande sorriso.

– Ahhh garota, quando eu crescer eu quero ser igual a você. — brincou dando uns tapinhas no braço da loira. — Você agora é minha heroína, agora me beija. — fechou os olhos fazendo biquinho.

Regina revirou os olhos.

– Para de palhaçada, Ruby! — repreendeu a amiga Lucas. — Emma, você enlouqueceu? Você afrontou a minha mãe.

– É, eu afrontei e acredite, tá bem dificil sustentar as pernas aqui. — Emma riu. — Pensei que eu iria ganhar uns belos tapas.

– Bobona! Não faz mais isso. — abraçou Emma fazendo manha. — Você sabe como ela é, não volte a afrontá-la, promete para mim.

– Eu não posso prometer isso, se ela voltar a fazer e falar algo que eu ache errado e ainda mais com as pessoas que eu amo, eu não irei ficar calada.

– Ai Emma! — Regina desfez o abraço. — Nem vou te dizer nada, mas enfim, vamos para a mesa.

– Opa, já estava pintando um arco-iris aqui em cima de vocês com essa melação toda, e isso me deu fome.

Caiu na risada.

– Por Deus, Ruby, você é uma louca, ver se não esbarra na minha mãe por aí.

– Da sua mãe eu quero é distância, querida. — Ruby soltou o ar ao acompanhar as outras duas.

Chegaram na mesa onde os outros amigos estavam e juntos fizeram uma pequena farra, sorrindo, brincando uns com os outros. Belle estava bastante atenta na conversa e bem participativa, o que era muito raro, mas alí estava ela trocando enormes sorrisos com Ariel e com Regina. August já tinha abandonado a mesa quando Ruby apareceu, mas estava ao longe com o restante dos rapazes observando a interação das amigas da prima.

Henry corria de lado a outro com uma garotinha chamada Grace, eram as coisinhas mais fofas e apertáveis daquel noite, Emma derretia-se toda vez quando eles viam agarrar-se a sua perna.

Pouco menos de quinze para as doze horas da noite, Mary veio atrás de Emma.

– Meu amor, é chegada a hora da valsa, você tem que trocar de vestido. — avisou arrastando a filha para dentro da mansão.

– Mas já?

– Sim, já!

– Está bem então.

Subiu as escadas apressada entrando no quarto, ligou as luzes sem prestar atenção na montanha de presentes colocados por alí ou em alguém com um litro de Whisky nas mãos sentado em uma poltrona no canto do quarto a observando.

Emma retirou os saltos porque em seus pés iriam ser postos outros, estava pronta para abrir o zíper do vestído quando parou o movimento ao olhar através do reflexo do espelho do guarda-roupa um homem já de pé, homem que logo reconheceu como o seu avô.

Automaticamente as lembranças de algo bem parecido a cinco anos atrás vieram valente em sua mente.

Leopold acercou-se a Emma com passos macíos, ela por sua vez tensou-se sentindo-se novamente como aquela menina de dez anos.

– Eu ainda não lhe dei meus parabéns, não é?

– Não preciso deles, já tive por demais hoje. — Emma disse ríspida em uma posição de defesa.

– Mas eu sou seu avô e acredito eu que os meus parabéns sejam um pouco mais importantes. — colocou as duas mãos no rosto da menina. — Hoje você se torna mulher, Emma.

Emma se esquivou do homem mais velho.

– Eu preciso que saia, vovô. — disse de costas a ele.

– Eu irei sair, mas antes o meu presente para você.

Quando Emma voltou-se para ele, percebeu que ele estava mais próximo de sí com uma gargantilha em mãos deitada em uma caixa quadrada na cor vermelha, aberta a sua frente.

Ela tocou na jóia com a ponta de seus dedos, mirou os olhos de Leopold e não enxergava ternura de um avô para a neta, vía algo que a deixava nervosa, algo que a fazia embrulhar o estômago, então não podia e não queria aceitar os presentes vindos dele, retirou sua mão.

– Eu não quero, por favor saia, eu preciso trocar o vestido.

Cansado das recusas de Emma, Leopold jogou a caixa com a jóia no chão e segurou Emma pelos ombros com força a jogando com violência contra a parede, Emma sentiu o impacto soltando um gemido de dor a fazendo desiquilibrar e cair no chão.

Olhou o avô com os olhos já marejados assustada por aquela agressão.

– Cansei dessa brincadeira, minha netinha, tentei ser doce com você, tentei ser gentil, mas parece que minha herdeira gosta é da brutalidade, então assim vai ser. — disse ele com a voz grossa agachando-se para pegar Emma.

Ela tentou levantar-se e correr para a porta, mas Leopold, mesmo ainda sob o efeito do álcool, conseguiu segurá-la e para o maior desespero de Emma, ele retirou de sua cintura uma arma e apontou para ela com um sorriso sombrío.

– O que você pretende com isso? — perguntou com a voz falha mirando a arma apontada para o seu rosto.

– Fazer você pagar pelas muitas noites em que eu fui obrigado a me masturbar pensando no seu corpo, pensando nessa sua boquinha pequena e sedutora, nas vezes que você me deixou louco quando eu te vía com algum rapaz abraçando você. — os olhos agora estavam escurecidos de fúria e luxúria. — Hoje tudo isso acaba. — ele foi até a porta trancando-a sem desviar nem um segundo o seu olhar do olhar de Emma, sorriu com malícia. — Agora vamos brincar!

Emma começou a chorar calada tendo plena conciência do que iria acontecer, foi obrigada a deitar-se na cama e naquele momento apenas fez um pedido, que no final daquele martírio contra o seu corpo, aquela arma fosse disparada e ela morresse alí.

[...]

– Henry, você viu a Emma? Já está na hora da valsa comigo. — David perguntou ao pai de Regina arrumando o terno e a gravata, já era meia noite em ponto e nada de Emma aparecer.

Henry desfez de sua taça de refresco pondo sobre a mesa.

– Eu não sei, David, se eu não me engano acho que foi trocar o vestido, não se angustie, mulheres demoram mesmo com essas coisas de roupa. — falou ele com tranquilidade. — Sua esposa não estava com ela?

– Mary está em um cantinho da mansão cedendo entrevista acho que ao jornal, eu não sei, só quero que Emma apareça logo.

– Calma meu rapaz, olha alí a Cora, eu vou pedir para ela encontrar a Emma e ver o que está acontecendo. — disse ao ver Cora terminando de falar com uma senhora que parecia ser esposa de um dos vereadores.

– Faça isso, eu irei falar com Arthur enquanto espero por minha filha. — deu um tapinha nas costas do amigo e saiu.

Henry foi até Cora.

– Querida, você poderia ver o que está acontecendo com Emma? Já estamos passando da hora da valsa.

Cora enrugou a testa.

– O que está acontecendo? — sorriu irônica. — O que está acontecendo é que muito provavelmente essa garota está tentando fugir de suas responsabilidades e obrigações.

– Veja isso, querida, David está bastante nervoso com a demora da menina. — falou ele em um tom doce.

Cora puxou o ar.

– Peça para irem tocando a música da valsa, em dez minutos eu trago essa garota.

Ela entrou na mansão, subindo as escadas resmungando contra tudo e contra todos, Emma com certeza iria ouvir poucas e boas. Sua paciência já tinha ultrapassado o seu límite e o mal humor havia chegado para ficar, então não iria aturar caprichos de uma moleca mimada e petulante.

Parou em frente ao quarto da garota, pousou a mão sobre a maçaneta disposta a empurrar a porta e arrancar Emma dalí de dentro quer esteja vestida ou não, contudo algo a fez frear seu corpo quando ao aproximar o ouvido da porta ouviu a voz de Leopold e Emma também, só que Emma parecia chorar.

Seu corpo arrepiou-se ao tentar abrir a porta e perceber que estava trancada. O coração de Cora disparou quando pôde ouvir com muito esforço um "não" sofrido vindo de Emma.

– Emma! — sussurrou o nome da menina para sí quando percebeu o que estava acontecendo alí dentro.

O que Leopold pretendia fazer a todo esse tempo.

[...]

Com Emma debaixo do seu corpo, Leopold distribuia beijos pelo pescoço da loira, não se sensibilizando nenhum pouco com o choro desesperado da neta e os muitos pedidos para que ele não continuasse, porém estes foram ignorados com sucesso.

Emma sentia nojo, repulsa, estava asqueando com aquele monstro em cima do seu corpo, sentia vontade de gritar por socorro e fugir, mas estava apavorada demais para poder conseguir mover o corpo, estava paralisada.

Sentia a arma passear por sua cintura quando Leopold resolveu tatear suas pernas com a intenção de subir aquele vestido e realizar o ato sexual.

Ele ergueu o troco pondo-se melhor entre as pernas de Emma.

Sorriu perverso voltando a apontar a arma.

– Não se mova, sim? Nós vamos nos divertir um pouco aqui, fica caladinha.

Emma soluçou fechando os olhos com força ao ver o avô desabotuar o cinto da calça e a própria calça deslizando o zíper.

Com brutalidade flexionou as pernas de Emma.

– Vovô! — chormamingou Emma. — Por favor, não.

– Shiu meu amor, você vai gostar tanto quanto eu. — falou ele roçando seus dedos pelas pernas da loira.

Emma então decidiu não relutar, entregar-se a aquele horrivel destino que o universo pregou-lhe exatamente no dia do seu aniversário.

Voltou a fechar os olhos para o que viria.

A violação e consequentemente a morte, pois depois disso não iria ficar com vida, se não seria por aquela arma, seria por outra forma e essa viria de sí mesma.

Quando pensou que o pior iria acontecer, ouviu a porta sendo destrancada e Leopold parar o que quer que iria fazer.

– Leopold seu louco!

Era a voz de Cora.

Cora ao conseguir achar as chaves do quarto de Emma e Regina no seu, totalmente trêmula, consegue encaixar a chave e abrir a porta abruptamente arregalando desorbitadamente os olhos ao ver a cena de Leopold sobre Emma.

Leopold sai de cima da Emma arrumando suas calças.

– Saia daqui se não quiser ir conhecer o inferno hoje. — esbraveja ele sustentando a arma no ar agora em direção a Cora.

– Você está louco, Leopold! O que você fez? — perguntou ela completamente assombrada ao ver Emma deitada na cama, agora mexendo-se tentando se levantar.

Ele soltou uma risada maluca e asquerosa.

– Eu ainda não fiz nada, mas pretendo... Quer participar? — percebendo Emma levantar-se ele mirou a arma para a loira. — Você nem ouse sair daí, eu ainda não acabei com você.

– Leopold abaixa essa arma, o que deu em você? Você iria abusar da sua neta, a filha da sua própria filha? — Cora estava perplexa dando curtos passos em direção a cama. — Você está louco!

– NÃO ME CHAMA DE LOUCO, EU NÃO SOU LOUCO! — travou os dentes voltando a arma para Cora. — Vai embora daqui. — exigiu.

Emma já havia cessado o choro e estava tentando encontrar um jeito de escapar daquela situação, estava aterrorizada, sem chão.

– Me dá essa arma, Leopold, vamos conversar, tem pessoas, muitas pessoas, seus eleitores, amigos e sua filha alí embaixo, não seja burro, você está jogando tudo a perder por um desejo maluco. Vão notar nossa demora e irão vir ver o que está acontecendo... — ela foi dizendo se aproximando com cautela de Leopold. — ... Se o que quer é sexo, eu providencio isso para você, tem muitas garotinhas loucas para terem o prefeito como cliente. Vamos, você não irá gostar de Emma, ela é inexperiente, não tem aquele calor, vai ser frustrante, ela ainda é uma criança. — tentava argumentar. — E porque só uma quando você pode ter duas ou até três garotinhas na cama, hum? Não seja tolo.

Ele nega com a cabeça.

– Emma é Eva, eu só vejo Eva na Emma. — ele falou enfatizando as palavras. — Eu preciso, Cora.

– O quê? Olha, Leopold olha para mim. — Cora se arriscou ignorando a arma pegando o rosto de Leopold com as duas mãos e virando para ela. — Eva não existe mais, supere isso.

Aproveitando a distração, Emma levanta-se da cama pronta para correr, mas suas pernas lhe traem a fazendo cair.

Leopold logo percebeu, tentou ir até a neta, mas Cora o segurou usando toda a força do seu corpo, ela aproveitou para tentar tomar a arma da mão dele, mas ele ergueu o braço. Então começou aí uma luta corporal.

– Me solta Cora ou eu mato você!

– Você não vai fazer nada. — rebateu. — Emma, levante-se, chame Mary!

– NÃO!

Ele criou forças empurrando Cora contra a cama, porém seu próprio corpo o traiu com a potência de sua força, perdeu o equibrio tropeçando nos sapatos que Emma havia retirado minutos antes de tudo aquilo acontecer, culminando no que se tornaria o assunto mais falado da cidade. Leopold, com o corpo em desiquilibrio calculou mal onde se apoiar e acabou por cair da janela do segundo andar da mansão, causando-lhe morte instantanea.

Cora de imediato foi até Emma a sustentando e trazendo para os seus braços.

Ambas estavam em choque com o que acabara de acontecer, mas Cora tinha que se manter forte por elas duas.

– As pessoas estão subindo, Emma.

– Por favor não conta o que aconteceu.

– Emma, Leopold tentou violentar você.

– Por favor, invente algo, mas não diga, não ainda. — suplicava aos prantos se agarrando mais ainda a Cora.

– Okay, eu inventarei algo, eu farei algo, mas você sabe que terá de contar cedo ou tarde.

Emma assentiu.

Logo o quarto foi invadido por David e Henry que viram de perto o corpo de Leopold cair da janela, Cora explicou que o homem estava desconcontrolado jurando se matar, foi ao quarto de Emma se despedir com a arma na mão assustando a em muito a menina. Disse também que tentou impedi-lo, tiveram uma briga e Leopold acabou caindo.

Mary foi levada ao hospital por ter acabado desmaiado ao ver o corpo inerte do próprio pai no chão, já não havia dúvidas, Leopold White havia falecido naquela loite.

Regina chegou completamente apavorada, todos pareciam querer tirá-la da mansão, mas ela precisava ver Emma, saber como Emma estava, mas aquilo não foi mais possível durante aquela noite, Emma foi tirada da mansão para a casa de uma amiga de Cora e Regina foi levada com Henry para outro lugar, ninguém queria que eles presenciassem a retirada do corpo do prefeito.

E o que começou como uma festa, terminou com a cidade toda aderindo luto, pois naquela noite, Leopold White não existiria e muito coisa apartir dalí iria mudar radicalmente."

Notas finais
Bem, essa parte final, sério, eu tentei, mas não quis me aprofundar, então talvez vá parecer que esteve faltando coisa, but sorry. Agora vem no cap. seguinte a reação de Emma após ouvir tudo, teremos Graham (ngm gosta dele, but sorry, ele vai aparecer...hahaha) teremos o grupinho Frozen e teremos Cora com um novo segredo sendo revelado para nós. U.U esse vai sanar algumas duvidas d vocs. FLAVINHA, chá baby tá chegando. JÉSSICA, me desculpa pelo bullying diário de "Já acabou, Jéssica?" hahaha Te amo, linda. JULINHA (babycute) Te amo também, minha bff. Desculpem pelos erros ortográficos, eu ando mt distraida, então sorry"