Sweet Happiness
5 Capítulo 5 Lembrança Constrangedora
Notas iniciais
Ao entrar na cozinha, o que Emma viu podería ser hilário se não fosse trágico. Ruby com a mão na boca tentando a todo custo não cair na risada e Regina com a cara de insatisfação olhando para uma fôrma que agora se encontrava na pia. Um forte cheiro de queimado e uma fumaça tomava conta da cozinha. Lentamente, Emma foi se aproximando de Regina ficando ao seu lado e de frente para a fôrma tal como sua amiga. Ainda estava sentindo os efeitos de uma quase declaração, por isso até aquele momento estava tentando evitar um olhar direto.
– O que era isso, Emma? Eu ainda não consegui identificar. — perguntou a morena sem desviar o olhar de dentro da fôrma.
– Era para ser uma torta cremosa de frango. — disse pegando um garfo que se encontrava no lado direito da pia e fincando dentro da forma. — Mas aparentemente se transformou em uma torta cremosamente torrada de frango.
Ruby não pôde mais se segurar. Disparou a rir até lhe faltar o ar.
– Emma... O que deu em você pra se meter na cozinha? Quem sabe lidar com o fogão aqui é a Regina e divinamente bem, diga-se de passagem. — disse a morena de olhos azuis se aproximando das duas.
– Mas também não é como se eu fosse um caso perdido para cozinhar. — disse pegando a forma e jogando o que tinha dentro em uma lixeira bem perto da pia. — Eu só queria fazer algo para o jantar e acredito que eu só errei em deixar o fogo um pouco mais alto do que foi sugerido na receita.
– O maior erro então. — disse Regina se virando e se encostando na barra da pia. — Poderia ter pedido minha ajuda como quase sempre.
– Queria fazer uma surpresa. — disse erguendo o corpo que antes estava debruçado sobre a lixeira.
– Você dentro de uma cozinha já é uma surpresa, Emma. — comentou Ruby rindo e retirando do bolso seu celular. — Então, já que não teremos uma deliciosa torta cremosa de frango, o que me dizem de pedirmos pizza?
– Uma boa idéia. — disse a loira que sem perceber estava enlaçando com seus braços a cintura de Regina. Normalmente sempre faziam isso quando estavam juntas, uma liberdade que ganharam nesses dez anos de amizade.
Regina deixou-se ser puxada para o abraço. Gostava desse jeito carinhoso que Emma tinha com ela e parecia que isso só aumentava cada ano. Virou seu rosto para encontrar o olhar verde esmeralda da loira. Sorriu. Era incrivel a capacidade de calmaria que Emma passava para ela só com aquele olhar e aquele sorriso tão meigo e tão verdadeiro. Pousou sua cabeça no ombro da amiga olhando para Ruby que estava no celular fazendo o pedido das pizzas.
– Melhor irmos para a sala. — sugeriu a loira que estava passando carinhosamente sua mão pelo braço direito da amiga.
Regina assentiu se afastando um pouco de Emma e puxando Ruby pela mão para irem á sala. Chegando lá sentaram-se juntas e um silêncio estranho pousou sobre elas. Emma, por está ali sentada com Regina no mesmo lugar e praticamente na mesma posição de antes a fez repassar as cenas de um quase "Eu te amo" várias e várias vezes. Se perguntava o que teria acontecido se tivesse conseguido dizer o que pretendia e fazer o que estava desejando. Teria Regina reagido de uma má forma? Tería ela aceitado o beijo? Ou teria achado que não passava de uma das brincadeiras da loira? Essas eram apenas umas das milhões de perguntas que passavam pela mente de Emma naquele momento.
Ruby apesar de não querer transparecer, seu coração estava quebrado por ver uma de suas melhores amigas naquela situação e ainda mais que sendo seu irmão o motivo daquele olhos tão lindos e profundos que antes exibia felicidade e animação estarem tão apagados agora. E era por isso que a todo custo tentava falar com Graham. Já havia ligado, já havia mandado sms e até e-mail já havia enviado, porém nenhuma resposta vinha da parte dele. Ela estava em uma situação complicada com a partida de Graham. Teria que explicar toda a situação para sua avó e não saberia se a pobre senhora Granny iria suportar. De fato, ela pularia de felicidade em saber que iria ter um bisneto, porém o desgosto de saber da atitude do neto, talvez fosse dolorido demais. E Ruby sabia que teria que contar tudo aquilo assim que chegasse em casa, não teria como escapar, uma vez que a senhora Granny sempre quando chegava do trabalho, sempre iria atrás de seus netos do mesmo modo como fazia quando eles eram apenas duas crianças bagunçeiras.
Elevou seu olhar observando uma Emma com o olhar perdido em algum ponto da sala e Regina com as pernas cruzadas brincando com algumas mechas de cabelo, do mesmo modo que Emma, com o olhar totalmente perdido. Seu olhar desceu para o ventre da Regina, e sorriu imaginando-se com um bebê em seus braços e concordando consigo mesmo que ela seria a tia mais coruja de todas. Relembrou a conversa que teve com a Regina e quando chegou em um ponto, ela praticamente pulou da cadeira procurando o controle da TV.
– O que foi Ruby? — perguntou uma Emma estranhada. Acabou levando um susto pela forma desesperada que Ruby se sobressaltou da cadeira andando de um lado para o outro na sala.
– O controle da sua TV, onde está? É urgente.
– Está no lugar de sempre, ao lado da TV, mas porque esse desespero todo? — perguntou Emma após ter pegado o controle e entregado a Ruby que por sua vez, se apressou em passar pelos canais.
– Malévola. — disse ela sorrindo assim que encontrou o canal que queria e jogando-se de volta na cadeira.
– Mas só podia ser isso mesmo. — disse Regina balançando a cabeça negativamente e sorrindo.
– De novo esse filme, Ruby? Você já o assistiu umas 300 vezes. — disse a loira brincando com a amiga.
– 423 para ser mais exata. O que eu posso fazer se eu caio de amores pela Jolie? Agora senta aí e fique quieta.
Emma sorriu sentando-se ao lado de Regina, mas ainda brincando com a amiga de olhos azuis.
– Você é louca.
– Sim, louca pela Jolie.
– Deixa a menina, Emma. — disse Regina cutucando a loira. — Emma, você já falou com a Doutora?
– Ainda não, estava pensando em ligar amanhã pela manhã. Porquê? — perguntou a loira desviando os olhos da TV e os direcionando para a sua amiga.
– Quero fazer esses exames o quanto antes e saber como meu bebê está. — disse ela com sua voz um pouco mais baixa do que pretendia.
Emma puxou Regina para si começando a afagar seus cabelos carinhosamente como só ela sabia que a morena adorava.
– Se você quiser, posso ligar agora e ver se já podemos contar com uma consulta para amanhã com a Zelena.
– Aiii parem de cochichar, o filme já está no final, e desse jeito vocês vão me desconcentrar. — interrompeu Ruby jogando um travesseiro nas duas que apenas trocaram um olhar e começaram a rir da cara de brava de Ruby.
Depois de alguns minutos, as pizzas enfim chegam. Ruby e Emma pareciam que não haviam comido á séculos, chegando até disputarem por alguns pedaços. Regina, mesmo depois de ter tomado o chá que Emma a ofecera, ainda não se sentia bem o suficiente para comer, porém com muita insistência de uma certa loira, ela conseguiu comer um pedaço, arrancando um "Ahê" das outras duas.
E a noite prosseguiu assim, quase da mesma forma de sempre quando as três estavam juntas. Emma tirando sarro do amor incondicional que Ruby sentia pela estrela mundial, Angelina Jolie, e Ruby relembrando maus momentos que fez a loira passar no colegial, um deles e o mais embaraçoso foi no dia em que estas resolveram jogar o jogo verdade ou Desafio.
«FLASHBACK — SEIS ANOS ATRÁS»
" — Sua vez, Emma. — disse uma garota de olhos verdes e cabelos avermelhados usando uma franjinha fina porém cumprida o bastante para quase cobrir seus olhos.
Eram quase 15h30 da tarde no Instituto de Storybrooke. Um grupo de seis garotas aproximidamente com seus 14 anos estavam sentadas no chão da biblioteca entre as sessões de livros de química e os livros de arte moderna. Sempre que o sinal tocava para o horário do intervalo, estas mesmo sempre se reuniam para fazer algo juntas, sempre eram as seis, Ruby, Emma, Aurora, Regina, Ariel e Belle.
– Ok. — respondeu a jovem loira. — Eu escolho... Eu escolho desafío. — respondeu um pouco receosa porque sabia que um desafio vindo de suas amigas nunca era tão bom, mas preferia desafio do que dizer coisas que não queria dizer ou que queria que elas soubessem.
– Aii deixa eu desafiá-la Ariel, vai, por favor, deixa. Eu tenho o desafio perfeito para ela. — disse Ruby euforica sacudindo a garota ruiva que olhava para a amiga com os olhos semicerrados.
– Não Ruby, a Emma é a minha vitima dessa vez. Eu que vou desafiá-la. — disse Ariel se soltando de Ruby e olhando para Emma com uma expressão pensativa.
Ruby voltou para sua posição inical cruzando os braços, o que fez as outras acharem graça da carinha emburrada que ela fazia.
– Aposto que você nem imagina que desafio dar para ela, porque você esperava que ela dicesse "verdade", porque para você é mais fácil arrancar informações alheias do que designar um desafio. — disse a jovem morena encarando a outra com o olhar zombeteiro.
– Quer calar a boca? Eu estou pensando. — rebateu a outra sem devolver o olhar para a Ruby.
– Meninas, vamos logo com isso, desse jeito o tempo acaba e não vamos ter feito nada. — se pronunciou Regina que até então estava concentrada em uma conversa com a Aurora, mas a pequena discussão entre as outras duas a estava tirando do sério. — Você já tem o desafio para a Emma, Ariel?
A ruivinha passou sua mão direita por sua testa bagunçando os fios de sua franja e suspirando em descontentamento por não ter conseguido pensar em nada.
– Não consegui pensar em nada tão bom, eu realmente não sou tão do mal quanto essa maluca aqui. — disse apontando para Ruby, que em resposta piscou-lhe o olho sorrindo, e Ariel revirar os olhos. — ok, diga logo de uma vez qual é o desafio.
Ruby lançou-lhe um sorriso triunfante e logo em seguida lançou um olhar malicioso para Emma, que já fez a loira ficar desconfíada.
– Ai meu Deus... Ruby, pega leve pelo amor de Jolie. — brincou Emma passando suas mãos por seu rosto.
– Relaxa Swan. — Ruby retirou do bolso esquerdo de sua saia, um batom vermelho e uma chave e entregou para Emma. — Esse será o seu desafio loirinha.
Assim como as outras, Emma olhou confusa para aqueles objetos.
– O desafio é eu passar batom enquanto abro o seu armário? — perguntou erguendo uma sobrancelha.
Ruby mordeu o lábio inferior tentando não explodir em risadas.
– Não sua boba. — começou a dizer. — Essa chave não é a chave do meu armário e sim do armário do meu irmão. E esse batom vai servir para duas coisas.
– Explique-se melhor. — pediu Emma quase tendo a certeza que Ruby iria metê-la em uma fria.
– Eu desafío você a ir no vestiário masculino, ultilizar essa chave para abrir o armário do meu irmão e com esse batom você vai passar por seus lábios, pintando-os. Depois você irá pegar uma das cuecas de meu irmão e deixará uma marca de beijo nela e escrever ainda nela a palavra "gostoso" com o batom. — explicou a morena com grande animação.
O expressão no rosto de Emma era impagável. Um misto de descrença e de nojo ao mesmo tempo ao imaginar-se pousando seus lábios em uma cueca de Graham.
– Você... Só pode está brincando né? — perguntou Emma incrédula.
– De jeito nenhum.
– Genial Ruby. — disse Ariel levantando a mão para que Ruby batasse na sua. — Desafío proposto Emma, vamos lá. — disse já levantando do chão chamando as outras.
– A Emma não vai fazer isso. — disse Regina com suas duas mãos pousadas em sua cintura. — Troque o desafio Ruby.
– Isso, eu não vou fazer isso... É um absurdo. Eca, uma cueca do Graham? Nem pensar. — disse ela colocando a lingua pra fora fazendo carinha de nojo.
Ruby sacou de sua bolsa que estava situada sobre uma das mesas da biblioteca, uma câmera filmadora, preparando-a já para filmar.
– Em primeiro lugar... Emma vai fazer sim, entrou no jogo porque quis, então vai realizar o desafio. Em segundo lugar... Regina, fique quieta... Todas já sabemos que você é caidinha por meu irmão, Emma vai só beijar uma cueca dele. — disse Ruby rindo ao momento que virou a câmera para a outra morena e a viu ficar rubra com o comentário feito por Ruby. — E por último, esta manhã minha vó pediu para trocar as cuecas do meu irmão por novas, por isso eu estou com a chave do armário dele, portanto Emma, deixe de frescuras e vamos ao desafío.
– E posso saber porque você vai filmar isso? — perguntou a loira já saindo com as outras da biblioteca para o vestiário masculino que não ficava tão longe.
– Arquivo pessoal minha querida. — se limitou a responder.
As seis seguiram para o vestiário. Naquele momento era certo que os rapazes não se encontravam por lá, pois no horário do intervalo, eles se habilitavam a jogar basquete na quadra de esportes. Ao chegarem na porta do vestiário, a primeira que entrou foi Ruby para verificar se não haviam mais ninguém lá dentro e assim que concluiu o espaço como vazio, ela deu sinal para que as outras a acompanhassem, porém apenas Regina e Emma entraram, as outras temiam ser vista em um lugar masculino, resolvendo assim esperar do lado de fora, mais especificamente sentadas do outro lado do corredor.
– Qual destes é o do Graham?
Ruby retirou um pouco a câmera do rosto sinalizando o armário de seu irmão.
– Número oito. — disse apontando.
Regina estava completamente desconfortável com aquela situação. Estava em um lugar meio que proibido para as meninas e acima de tudo iria ver sua melhor amiga beijando uma cueca de um rapaz, e não era qualquer rapaz, se tratava do irmão de Ruby e o mesmo que a poucos meses vinha achando-o incrivelmente atraente. Ela se enconstou em uma das paredes revestidas de azulejo branco cruzando os braços esperando o término de tudo aquilo.
Assim que destrancou o armário, Emma suspirou fazendo algumas caretas ao encontrar umas cuecas brancas de Graham. Olhou para Ruby com a câmera em mãos em mais uma tentativa de que a garota desistisse de empurrar-la para aquilo, mas ao contrário de Emma que não estava nada satisfeita com aquela situação, Ruby mordia o lábio desenhando no rosto um sorriso sacana e fazendo sinal com a mão para Emma sussurando um "vai logo".
E ainda de frente ao armário, Emma fechou os olhos com força pegando com as pontas dos dedos e fazendo carinha de nojo uma das cuecas, e com a outra mão foi deslizando o batom. Com uma mão a cueca e com a outra o batom já posto para fora.
– Deixa de frescura Em' a cueca tá limpissima, afinal é nova. — sussurou Ruby agora com um pouco impaciente. — Vamos logo, os meninos já devem estarem vindo.
Emma ignorou Ruby não respondendo nada. Aproximou o batom do tecido e foi escrevendo lentamente a palavra "Gostoso" na parte de trás da peça.
– Isso, agora passa o batom e beija. — tagarelou Ruby novamente.
– Quer fazer o favor de calar a boca?! — rangeu Emma procurando em seu bolso um espelho de mão para poder deslizar o batom sobre seus lábios e assim que o fez, suspirou novamente não acreditando que realmente iria fazer o que estava prestes a fazer.
"Eu te mato Ruby" — pensou consigo.
E Ruby pareceu ter lido sua mente, pois no mesmo instante colocou uma mão na boca para empedir de saltar em gargalhadas de tão vermelha Emma estava naquele momento, imaginando o quanto ela estava irritada.
Emma fechou os olhos aproximando o tecido aos seus lábios e quando sentiu o tecido tocar seus lábios, ela fez uma leve pressão fixando ali o desenho avermelhado de sua boca. Ato que não passou mais de cinco segundos, pois logo um barulho de portas sendo abertas e vozes masculinas encheram o vestiário e quando Emma abriu os olhos, viu três rapazes olhando-a espantados.
– Mas o quê? — questionou o rapaz se aproximando de Emma. — O que você faz beijando minha cueca Swan?
Emma estava morta de vergonha, havia sido pega no flagra e o pior, pelo dono da cueca e por seu quase namorado, Neal Cassidy. Quase namorado porque haviam trocado apenas três beijos e ele ainda não tinha tomado a coragem para pedí-la em namoro e depois dessa provavelmente nunca a pediria, concluiu a loira.
– Agora eu entendo porque você é gamado nessa garota hein Neal, ela tem uma boca doce. — zombou o outro rapaz empurrando de leve o ombro de Neal, que por sua vez o fuzilou com os olhos e saiu do vestiário com cara de poucos amigos.
Graham ainda encarava Emma, que essa altura já havia passado por todas as cores de vergonha possivel. A cueca que estava em suas mãos com o susto ela deixou cair no chão sem perceber. Ruby e Regina? Bom, Ruby assim que viu Graham saiu imediatamente e Regina estava no mesmo lugar paralisada do mesmo jeito que Emma.
– E-Eu... Não é... — gaguejou Emma sem saber ao certo o que dizer. Queria que um buraco se abrisse e ela entrasse dentro para nunca mais sair, mas por sua sorte ao invés de um buraco, o que a salvou desse momento constrangedor foi o sinal do Instituto que soou por todas as partes indicando que já era hora de todos os alunos retornarem ás suas aulas.
Regina se apressou em passar pelos rapazes e puxar Emma pela mão para fora do vestiário, deixando para trás um moreno com um sorriso malicioso e um Graham com a cara mais confusa ainda ao pegar a sua peça intima no chão lendo o que estava escrito na parte de atrás.
– Gostoso? — leu ele sorrindo se virando para o seu amigo erguendo os braços. — Eu te disse, essas meninas são todas gamadas em mim.
O Rapaz apenas sorriu jogando uma das toalhas na cara de Graham. "
«FIM DO FLASHBACK»
– Eu jurei nunca mais falar com você nesse dia. — disse Emma sorrindo jogando pipoca em Ruby.
– Você que foi lenta, demorou uma eternidade para realizar o desafío. — se defendeu a morena jogando de volta as pipocas na loira.
Emma e Ruby se encontravam no quarto da loira assistindo desenhos animados deitadas na cama. Estavam disputando qual desenho animado seria o melhor para o bebê de Regina ver daqui a uns anos.
– Neal nunca mais falou comigo depois disso. — comentou Emma. Sua voz não esboçava nenhuma tristeza, pelo contrário, se divertia muito com aquilo.
– Babaca.
– Completamente.
Ao longe ouviram um celular tocar e como os seus aparelhos estavam por perto, deduziram que o telefone era de Regina.
– Regina, seu celular tá tocando. — gritou Emma que estava tratando de tirar Ruby de cima dela.
– Já ouvi. — disse Regina que se encontrava no banheiro tomando banho. Se dirigiu ao quarto de Emma só com uma toalha em volta de seu corpo nú, deixando bem a vista suas belas pernas bem torneadas. Em realidade a toalha era curta, mal cobria seu corpo.
Emma assim que pousou seus olhos no corpo de Regina, acaba se engasgando com a Pipoca tossindo loucamente, tomando um tom vermelho tomate.
– Valha-me Deus Emma. — se preocupou Ruby levantando-se da cama e dando leves tapas nas costas da loira.
– E-Eu vou tomar... tomar água. — conseguiu dizer Emma quase pulando da cama e saindo a jato do quarto para a cozinha.
Ruby depois do susto, começou a rir do jeito que ela só conseguia com as trapalhadas de Emma.
– Eu vou ajudá-la. — disse saindo em seguida.
Regina assente com um sorriso desviando seu olhar de Ruby para o seu celular. Havia uma chamada perdida de sua mãe. Ela estava em dúvida se devia ou não retornar. Sabia do gênio de Cora e por praticamente ficar sem dar noticias o dia enteiro sabia que ouviria um monte e definitivamente aquele não era um bom dia para ouvir sermões. Respirou profundamente antes de retornar a chamada.
Colocou o celular na altura de seu ouvido e esperou.
Chaou uma vez
Chamou duas vezes
Chamou três vezes
– Regina, posso saber onde a senhorita está enfiada? — "Maravilhosa, como sempre" — pensou Regina. Era nítido na voz de sua mãe o grande enfado.
– Boa noite mamãe, tudo bem com a senhora? Eu estou na casa da Emma. — respondeu Regina tentando soar calma.
– Ainda? Regina, esse não era o acordo que fizemos. Venha para casa imediatamente, seu irmão está para me deixar louca perguntando por você e seu pai foi fazer mais uma dessas viagens estaduais. — disse Cora do outro lado da linha.
– Mamãe, eu sei, mas é que eu decidi ficar com Emma aqui mais uma vez e creio que já está tarde para voltar para casa. — falha, foi assim que a voz de Regina saiu, falhada e isso não passou despercebido por Cora que franziu o cenho ao perceber a modificação no tom de voz de sua filha. Ela era mãe e podia identificar muito bem quando um dos seus filhos não estava em seu estado normal.
– O que aconteceu, Regina? Você está diferente. — sua voz agora já não era de irritação e sim preocupação.
Regina ficou tensa por uns segundos sem saber o que falar. Odiava essa ótima percepção que Cora tinha, e principalmente quando essa ótima percepção a denunciava.
– Regina? Me responde.
– Ahm.. Nada Mamãe, não aconteceu nada.. E Henry? Como ele está? — tentou desviar o assunto.
– Aconteceu algo e você não está querendo me dizer. — disse Cora. — Venha para casa agora ou seu irmão e eu vamos bater ai na casa da Senhorita Swan e te pegamos assim mesmo. — finalizou séria.
– Isso tudo é medo de dormir sozinha, mamãe? — tentou brincar a morena.
– Isso é uma mãe notando que a filha não está bem. Temos que conversar Regina, agora você quem escolhe... Ou você vem ou nós vamos. — seu tom de voz não dava espaço para indicio de brincadeira e Regina sabia disso.
Regina por sua vez, revirou os olhos rendida pela insistência da mãe.
– Ok, em poucos minutos estou de volta.
– Ótimo.
Desligaram o celular quase que no mesmo segundo.
Regina se direcionou ao seu quarto na casa de Emma, vestiu-se calmamente e retocando sua maquiagem. Ao menos não queria aparecer em casa com o feição abatida.
Saiu do quarto encontrando-se com Emma e Ruby pelo corredor dos quartos, que a olharam confusas.
– Onde você vai? — questionou Emma passando seus olhos pelo corpo de Regina.
– Para casa. — disse ajustando seu salto. — Minha mãe praticamente me intimou a voltar para casa.
– Você não disse que você iria ficar aqui?
– Sim, eu disse, mas você conhece muito bem Cora, quando ela quer uma coisa... — suspirou caminhando em direção a porta. — Bom... Nos vemos amanhã na faculdade.
– Você vai dirigindo? — se preocupou Emma se posicionando na frente da morena. — Não quer que eu dirija para você? Na volta eu venho de táxi.
Ruby apenas assistia aquela cena se desenrolar.
– Já chamei um táxi, que inclusive já está me esperando lá fora. Agradeço sua preoucupação minha amiga. — disse sorrindo e envolvendo a loira em um carinhoso abraço e em seguida depositou um terno beijo na sua bochecha.
Assim que se desfez do abraço, saiu do apartamento tomando o elevador e desaparecendo da visão de Emma e Ruby.
Um pouco tristonha e sentindo agora o mesmo vazio que sempre sentia quando via Regina indo embora, Emma fechou a porta virando-se para a Ruby que tinha um sorriso torto e um olhar brincalhão. Emma sorriu conhecendo bem essa expressão da amiga.
– Malévola?
– Siiiiim! — gritou Ruby animada já pulando no sofá pegando o controle e ligando a TV.
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