Sweet Girl

6 Capítulo 5 - Quem disse que eu não sei seu nome?


Notas iniciais
Voltei com a fic.. estava lendo-a e achei legal continuar.. espero que gostem e acompanhem

Fui até a garagem e peguei meu skate. Minha mãe estava na sala vendo tv e tomando seu habitual vinho. Desde que meu pai faleceu, ela adquiriu o habito que ele tinha: sentar-se toda noite frente à tv, ver seu programa favorito ou quando era com a mamãe, um filme, tomando sua taça de vinho. E sempre o mesmo: Monte Velho.

Minha mãe não perdeu alguns costumes, mas mudou outros. Antes ela ligava demais para o que os outros pensavam; se colocava regras, se restringia quando queria fazer algo de diferente. Meu pai, por outro lado, vivia de acordo com suas vontades. Se queria viajar, podia passar meses pagando a viagem, mas ele ia, ele viajava, e arrastava a mamãe junto. Ela, no começo, brigava com o papai, mas depois, vendo que isso não o mudaria, não o impediria de fazer, passou a ir junto, parou de brigar. Fizemos viagens inesquecíveis, conhecemos lugares incríveis, tudo isso por que papai fazia e pronto.

Meu pai morreu em um acidente... ridículo. Estávamos andando de bicicleta, um dos hábitos do meu pai pela manhã, e na hora estava tendo uma corrida, pessoas correndo por um premio em dinheiro. Meu pai ia à frente, nos guiando, eu logo atrás e depois minha mãe. Foi tudo tão rápido. Meu pai não olhou; ninguém olhou. As pessoas vieram em nossa direção, meu pai não conseguiu parar a bicicleta. E logo depois era um cruzamento. Era um péssimo lugar para se haver uma corrida. Meu pai acelerou, não viu o carro e... ele morreu. Assim, sem mais. Chegou ao hospital morto, tentaram reanima-lo, mas nada funcionou. E eu? Do outro lado da rua, vendo-o morrer. Sem poder fazer nada.

Agora eu estava lá, olhando minha mãe pela janela da sala. Uma mulher tão guerreira, tão protetora e caridosa. Já fez tanta coisa nessa vida, pelo meu pai, por mim. Eu só queria vê-la fazendo algo por ela. É o que eu mais desejo, que ela pare de se preocupar ao menos uma vez e faça algo por ela. Saia de novo, namore de novo. Eu ia gostar disso e sei que meu pai também. Ele ia querer que ela começasse de novo. Ele ia querer.

Deixei minha mãe com seu vinho e a tv, peguei o skate e me pus a andar. Eu não sabia no começo pra onde eu estava indo, mas eu ia me achar. Apenas andar, deixar o vento bater no rosto, sentir as rodinhas deslizarem pelo asfalto.

Afinal, para onde eu estava indo? Parei num cruzamento e esperei que viesse algum carro, mas àquela hora, todos estariam em suas casas, jantando, vendo tv, conversando com seus familiares, dormindo ou transando e eu, no meio da estrada, esperando que viesse aquele sinal, que me guiasse pra onde eu tenho que estar. Olhei para os lados, e colocando o skate no chão, segui pela direita.

Já era meia-noite e eu parei em frente à rampa de skate. Sorri ao notar que era exatamente para cá que eu deveria vir. Peguei meu skate e fui à primeira rampa, deslizei por ela ganhando velocidade. A cada manobra que eu fazia, eu conseguia mais velocidade.

As estrelas eram riscos no céu. Eu saltava de uma rampa para outra, enquanto fazia o skate girar sob meus pés. Empurrei-o com o pé, fazendo-o andar mais rápido, subi pela curva de uma das rampas e deslizei por ela, saltando pelo ferro, e com outro salto, parei no chão. Eu precisava daquilo, precisava daquela sensação de estar voando, de deslizar pelo chão, como se flutuasse. O céu estava claro, as estrelas brilhavam e o vento em meu rosto me faziam sentir leve. Meu cabelo voava. Parei em cima de uma rampa, sentei no skate e deslizei... fechei os olhos e acabei caindo do skate, o ouvi sair deslizando mas, do nada, ele parou. Como se alguém o tivesse parado. Sentei-me e me deparei com Badboy, vulgo, Matheus.

- Que manobras iradas. – disse ele. Usava seu típico casaco de couro, calça jeans e tênis. Suas mãos estavam nos bolsos da calça e ele me fitava com um sorriso de lado.

- Ah, valeu! Dá pra devolver o skate? – falei, me levantando. Coloquei o cabelo atrás da orelha e ajeitei minha camiseta. Eu usava short jeans e um camisetão largo, e meu casual tênis. Ele chutou o skate pra mim e eu o peguei com o pé. Já ia voltar a andar, mas ele me chamou.

- Eu sei seu nome. – me virei para ele e sorri.

- Eu também. – e voltei a deslizar pelas rampas. Parei em uma das rampas e o vi sentar-se em uma frente a mim. Deslizei até onde ele estava e me sentei do seu lado.

- Desde quando anda de skate? – perguntou ele, olhando-me.

- Pensei que sua primeira pergunta seria como eu soube do seu nome.

- Essa é uma boa pergunta, mas, sei que você não vai aguentar e me dirá como soube sem eu precisar perguntar. – ele deu um sorriso de lado, um dos sorrisos mais sexys que eu já vi.

- Se acha assim tão esperto?

- Tá na cara, não? – ele revirou os olhos e eu franzi a testa como quem diz: “não, não é assim tão esperto”. – Então, quando começou a andar de skate?

- Acho que desde sempre. – dei de ombros.

- Não vai me contar nada sobre você, não é?

- Por que deveria? – perguntei, olhando-o. Ele sorriu.

- Então, vamos fazer o seguinte: eu te faço uma pergunta e você responde, e você faz o mesmo, comigo. O que acha? – pensei um pouco em sua proposta. Ele me fitava, esperando por minha resposta. Meu celular tocou e o peguei, era Dave. Deus, parece que tenho mais uma mãe!!

- O que foi? – perguntei ríspida.

- Onde você se meteu? Sua mãe já bateu na porta e falei que você estava no banho, se ela bater de novo, vou berrar que estamos transando, é melhor você vir logo pra cá!

- Não se atreva a falar nada disso e se ela chamar de novo, fala a verdade, tudo bem. – ele ia responder algo, mas desliguei. Coloquei meu celular no skate e o fiz deslizar pela rampa, assim ninguém mais me perturbaria.

- Tudo bem? – perguntou Matheus.

- Tá, só minha babá querendo saber onde estou.

- Sua babá? Interessante para uma garota de dezoito anos, falar tão abertamente que tem uma babá, eu no mínimo ficaria envergonhado.

- Se ficasse, eu, no mínimo, iria achar você um bundão por não falar abertamente sobre você mesmo. – ele riu e me olhou.

- Um bundão. Bela escolha de palavras. – ele sorriu, olhando para o céu. — E eu não sou o único que não falo abertamente sobre mim mesmo.

- Então, vamos ao jogo. – disse e sorri. Começava a ventar mais forte e senti um arrepio ao ser atingida pelo vento gelado. Matheus deve ter percebido por que tirou seu casaco de couro e colocou sobre meus ombros. Ele usava uma blusa preta de manga. – Obrigada.

- Quer começar perguntando?

- Você começou, acabou de perguntar. – ele riu e passou a mão pelo cabelo arrepiado.

- Tudo bem, então... sabe mesmo meu nome? – eu ri, lembrando de Dave fazendo um show para falar o nome dele. Que rufem os tambores!

- Sim, eu sei. – olhou pra mim esperando que eu, nitidamente, falasse seu nome. – Mas vou te deixar na duvida de que sei mesmo ou não.

- Quer saber como sei o seu?

- É uma boa pergunta. – olhei-o.

- Você não tem muitos amigos no colégio, não é?

- Vou fazer duas perguntas seguidas também.

- Tudo bem, eu sei seu nome por que, estavam comentando que uma garota berrou um palavrão na sala, então ouvi seu nome. Disseram que era aquela que andava “com a gazela saltitante”, ou seja, seu amigo gay. – era um bom adjetivo para Dave, mas apenas eu posso chama-lo assim, ninguém mais. E amanha saberei quem o chamou assim, e tirarei satisfações. – Então, quando te vi na sala de detenção, achei que fosse mesmo você, afinal, era a única normal ali.

- Provavelmente você deve ter ouvido coisas bem agradáveis a meu respeito. – ele deu de ombros.

- Não ligo muito pro que os outros falam, costumo conhecer as pessoas e tirar minhas próprias conclusões.

- Entendo. – ficamos em silencio por alguns segundos. – Por isso ficou me olhando?

- Não, não só por isso. – ele parou de falar e riu, olhou para a estrada onde as rampas de skate eram paralelas e depois se virou para mim. – Fiquei te olhando por que te achei linda. – eu tomei um susto, juro. Como aguentar um cara desses olhar você nos olhos e dizer que você é linda, assim, sem mais nem menos, sem rodeios, BAC, falou!?

- Ah, entendo. – o que mais eu poderia falar? Uma musica começou a tocar ao longe e só percebi que era meu celular depois que a musica parou. Sai escorregando pela rampa e peguei meu celular, achando que era Dave, mas para meu desespero, era minha mãe. Peguei meu skate e fui até Matheus. – Eu preciso ir. A gente se fala, tá?

- Tá tudo bem? – perguntou ele escorregando também pela rampa.

- Só minha babá que me delatou pra minha mãe. – sorri e coloquei o skate no chão. Ele sorriu e colocou as mãos nos bolsos da calça. Lhe devolvi o casaco.

- Pode ficar, depois você me devolve. – ele colocou o casaco em mim de novo e se despediu. – Até mais Grace. – e sorriu. Peguei impulso e olhando para trás, berrei:

- Até mais Matheus! – e rio.