Sweet Ghost
1 Capitulo Unico
O vento soprava forte nas ruas da pequena cidade.Na janela da grande mansão,a figura de uma garota com o semblante triste,sem vida.Lágrimas escorriam pelo seu rosto pálido fazendo sempre o mesmo trajeto.Seus cabelo loiro e cacheados que um dia já foram arrumados,agora estavam desgrenhados,e olheiras eram bem notáveis contrastando com seus olhos cor de mel.O relógio antigo que ficava no salão da mansão,agora badalava alto,anunciando a chegada da meia noite.
A menina que antes estava na janela,agora tentava dormir acomodada em sua cama,relembrando a feições de seu único amor.Olhava para a foto de sua cabeceira,ela com seu cabelo loiro brilhando,e sua amada ao seu lado com cabelos pelo ombro negros e repicados com os olhos de um azul profundo que contrastava com a pele branca,um pouco mais alta que a loira,e com um belo sorriso no rosto.Mais lagrimas escorreram.
Meia noite e meia,e o silencio pairava pela mansão,os soluços do choro da menina pararam,dando lugar ao sono e cansaço de uma semana de noites mal dormidas desde o “acidente”.
Pelo corredor passos inaudíveis chegavam ate a porta do quarto da loirinha,a menina acorda de seu sono assustada com o barulho da porta sendo aberta,deixando entrar uma luz fraca no breu do quarto,uma figura alta com feições delicadas entra no quarto fechando a porta atrás de si.A menina ainda assustada na cama,agora estava estática e lagrimas começavam a brotar de seus olhos.
-Calma,Mary.-pronunciou o invasor em uma voz delicada que logo Mary reconheceu.-Não chore por favor.
-Não...para de brincar!-a menina falava desesperada.
-Desculpa,Mary,não chora por favor,sou eu- A pessoa se aproximava mais ate conseguir abraçar Mary que estava chorando mais ainda.-Odeio te que te ver assim chorando,não chore mais.
Eu vi você morrer Anne!
-Por favor não lembre disso,eu estou aqui com você agora.-disse mostrando sua tristeza.-Eu estou aqui.
-Não e verdade.-a outra ainda insistia aprofundando o abraço,parecia bem real mesmo.
A menina “fantasma” observava a tristeza da outra e também sentia tristeza por lembrar-se do modo como a mataram só para a separar de Mary.Ainda se recordava da noite em que Mary contou para seus pais sobre amar Anne,que era sua irmã adotiva,e do jeito como eles reagiram,eles mandaram Mary para seu quarto,Anne apanhou muito os pais adotivos nunca que iriam aceitar que sua única filha legitima fosse lésbica e o pior ainda por cima apaixonada pela irmã adotiva.Mary saiu de seu quarto e foi correndo socorrer Anne enquanto só conseguia ouvir seus gritos de dor,ela estava apanhando muito dos pais,antes mesmo que Mary pudesse salva-la a mãe a impediu fazendo com que ela ficasse somente assistindo.Por fim Anne tropeçou no degrau da escada,e caiu pelo degraus deixando um rastro de sangue.Morte instantânea.
Anne deixou escapar uma lagrima,agora ela tinha o corpo quente de sua amada junto com o seu.Nunca pensou que depois de morta poderia chorar,ou ao menos derramar uma lagrima,apertou ainda mais o abraço e em segui puxou o queixo de Mary e lhe deu um leve beijo em seus lábios.
-C-co-mo...-Mary começou a perguntar,estava muito assustada para falar sem gaguejar.
-Escute o silencio,sem perguntas,só me abrace amor.-Anne sussurrou no ouvido de Mary.
-Anne como é possível.-Mary perguntou ainda achando tudo muito surreal.
-Não sei,não posso dizer que o que você vê aqui e só meu espírito, pois consigo te abraçar,mas vim aqui por que queria me despedir de você.
-Não vai ficar?
-Não,irei embora no amanhecer,quero que você tenha uma impressão melhor de mim e quero que você esqueça tudo que você presenciou a uma semana atrás.
-Mas eles não podiam ter feito isso,eles te mataram Anne!E eu não vivo sem você,minha vida aqui perdeu a graça!
-Não fale assim,eu tropecei,acho normal eles terem essa reação.Não fale que a vida perdeu a graça,por favor,se matar não vai fazer você se encontrar comigo mais cedo.Não diga que a vida perdeu a graça.
-Ma-as-Mary tentava falar algo entre seus soluços do choro.
-Não culpe ninguém pela minha morte,apenas aproveite...aproveite a vida nos encontraremos quando for o tempo,não gostaria que se matasse por minha causa.-Anne olhava nos olhos de Mary- Estarei ao seu lado sempre,mesmoque eu não esteja viva,nem que você possa me ver.
-Anne eu te amo,não me deixe,te amo muito.-Mary a abraçou e a beijou novamente e ficaram assim por um longo tempo.
As duas se acomodaram na cama exagerada que o quarto possuía,e ficaram abraçadas assim a noite toda.Anne sabiaque teria que ir ao amanhecer,respirou mais uma vez o cheiro de sua amada,esperava ansiosa pelo dia de se encontrarem novamente,afagou os cabelos de Mary e ficaram ali se olhando esperando a hora chegar.Estava perto do amanhecer,Anne conseguia ouvir o “tic-tac” do relógio antigo no salão,e agora via a face serena de Mary na sua frente,que já havia caído no sono.
Olhou ao redor e viu uns papeis em cima da escrivaninha pegou uma caneta e começou a escrever,depois colocou o papel em um envelope pequeno olhou novamente para Mary.Se levantou da cadeira e caminhou ate a Mary beijou levemente s lábios de sua amada sem acordá-la e caminhou ate a porta do quarto,e como havia aparecido desapareceu sem deixar nenhum rastro.
O sol já estava forte no céu,e a claridade se espalhava pelo quarto,onde a menina de cabelos loiros dormia,permaneceu ali ate tarde da manhã eram onze horas quando assustada Mary acorda olhando ao redor procurando por Anne,procurando por algum vestígio de Anne,afinal não podia ter sido um sonho já que foi tudo tão real.Olhou mais uma vez pelo quarto,e encontrou uma carta em cima de sua escrivaninha em um envelope selado.Logo identificou a escrita fina e delicada de Anne.
Se lembrou da conversa que teve com Anne,olhou mais uma vez pro envelope e sorriu,coisa que não fazia a semanas,e o guardou na gaveta.Se olhou no espelhoe viu que precisava viver sua amada estava certa.Ainda se perguntava como Anne esteve em seu quarto....ou será que ela nunca esteve,sentiu uma alegria em seu coração era como se Anne estivesse ao seu lado se arrumou e resolveu que iria fazer o que sua Anne falou:iria viver,até chegar o dia que poderia ficar junta com Anne.Não abriria o envelope hoje...não hoje.
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