Notas iniciais
E aqui estamos... É hora do final não é mesmo? Nem sei o que dizer ainda apenas grandes agradecimentos por cada pessoa que passou por essa história e deixou um pouquinho de amor ❤❤❤ Espero de verdade que gostem desse pequeno capitulo tanto quanto eu. Pra comemorar o fim da fic e o dia dos namorados eu achei que fazer um último videozinho Buckayla casava muito bem. O link vai ficar lá nas notas finais. E, pela última vez aqui: Boa Leitura!

ANOS DEPOIS

Era início de outono, aos poucos todos os tons de verde se tornavam terrosos, fazendo com que o violeta das lavandas no jardim da frente se destacasse ainda mais. As folhas soltas voavam por toda a parte, e os latidos animados de Pitico se misturavam a uma risada infantil inconfundível.

Uma enorme bola colorida rolava pelo gramado, sendo perseguida pelo cãozinho caramelo. Pitico não era mais um jovem pitbull, porém ainda tinha muita energia.

Da janela, volta e meia Bucky Barnes podia observar fios castanhos passando de um lado para o outro por entre os jardins. Em seguida ele voltava a focar em sua tarefa de guardar alguns brinquedos espalhados na sala.

Ter uma criança de sete anos não era tarefa fácil, mas aquele velho soldado centenário amava a bagunça acolhedora que seu “Pinguinho de Gente” fazia por toda a casa.

Com a decoração diferente e as pequenas reformas que a chegada de um Bebê dos Sonhos exigia, aquele lar quase não lembrava mais a casa de férias que Bucky e Makayla haviam alugado um dia, ao passar ali pela Pensilvânia anos antes, na primeira viagem que ambos fizeram juntos, logo depois da jovem Devinne ter deixado a Fundação Brooks.

Algumas semanas antes de casarem, Makayla teve a ideia de voltar ali e fazer uma oferta pelo imóvel, e embora a primeira proposta tivesse sido recusada pelo casal de velhinhos que administravam o lugar, eles acabaram cedendo quando Danniel resolveu interferir e propôs o dobro do que a propriedade valia.

Segundo o pai de Makayla, “um lar não tem preço”. Bucky acabou entendendo que seu sogro estava totalmente certo, ele não se imaginava mais morando em nenhum outro lugar no mundo.

Desde então algumas reformas foram feitas ali, nada que tivesse tirado a identidade do lugar, apenas uma decoração mais parecida com os novos donos e os ajustes necessários para acolher uma família. Os três quartos eram tudo que os Devinne-Barnes precisavam. Uma suíte para o casal, um quarto para o Bebê dos Sonhos, e um para visitas, que era ocupado frequentemente por Danniel ou então por Sam Wilson.

Era estranho pensar que, anos antes, Bucky não tinha qualquer perspectiva de vida e morava em um pequeno apartamento parcamente mobilhado. Agora não dormia mais no chão, a não ser quando a sua pequena família perfeita decidia acampar no quintal...

A vida não podia ser melhor.

Barnes olhou pela janela outra vez, franzindo as sobrancelhas quando não viu Pitico correndo atrás da bola, tampouco a criança que devia estar lá brincando com o cãozinho. Um pânico imediato tomou conta de seu coração quando deu um passo para frente, prestes a correr para o jardim, apenas para ser detido por uma voz infantil inconfundível bem atrás de si:

— O que está procurando, papai?

Se virou imediatamente, o coração se enchendo de alivio, sua atenção focou no Pinguinho de Gente que lhe encarava com um sorriso travesso no rosto. Tinha pouco mais de um metro, olhos que misturavam o tom tempestuoso da mãe e o gélido do pai, o rosto estava avermelhado pela correria, o cabelo castanho fino e liso, totalmente bagunçado.

Bucky e Makayla tinham um lindo menininho.

— Há quanto tempo está aqui, Pinguinho? — Barnes questionou, franzindo minimamente as sobrancelhas.

Quando queria, o garoto podia ser silencioso e sorrateiro, o interessante é que ninguém havia lhe ensinado essa habilidade.

— Pitico cansou de brincar. — O pequeno respondeu com um dar de ombros casual, enquanto apontava o cachorro deitado na porta. — O que você está fazendo?

— Organizando umas coisas antes da sua mãe chegar. — Bucky explicou, colocando mais um brinquedo no baú ao lado do sofá.

Haviam ao menos três daqueles espalhados pela casa, foi um jeito pratico que Bucky arrumou de manter os brinquedos fora do caminho, porque Makayla de alguma forma sempre tropeçava neles.

O garotinho caminhou até o canto da sala e recolheu alguns blocos de montar espalhados, para também guardá-los no baú, sem que Bucky sequer tivesse que pedir. Em seguida o pequeno se sentou no sofá e encarou o relógio que ficava em uma das paredes.

— Não falta muito, ela chega quando o ponteiro está no seis, e agora ele já saiu do cinco. — Apontou satisfeito.

— Exatamente. — Bucky respondeu orgulhoso.

Desde que havia aprendido com o avô a como ver as horas em um relógio de ponteiros, o garotinho havia decorado o momento exato em que sua mãe costumava chegar em casa.

Diferente de Bucky, que tinha missões esporádicas com o Capitão América, Makayla dirigia alguns quilômetros todos os dias para gerenciar o chamado “Instituto X”. Demorou cerca de dois anos para que ela e Brooks tirassem o projeto do papel, mas agora o Instituto contava com uma equipe de profissionais competentes que só crescia com o tempo, principalmente porque, além dos humanos envolvidos, como por exemplo a doutora Caroline Hills e o próprio Brooks, Makayla também encontrou algumas das variantes dos X-Men que havia visto na mente de Charles Xavier.

Esse era, por exemplo, o caso de Hank Mccoy, um homem brilhante, que desde a volta do blip vivia recluso e escondido dos outros, já que, por ter ativado seu gene X, sua aparência se tornara a de uma Fera azul...

Mas haviam outros, jovens e adultos, pessoas diversas que foram convidadas a fazer parte do programa apenas para entenderem seus poderes, mas que depois disso ficaram para ajudar e se apaixonaram pelo propósito do Instituto X.

Obviamente o local foi alvo do governo por algum tempo, mas com a mediação de Danniel, o apoio de Sam e uma sucessão de acontecimentos envolvendo novos Mutantes, ficou bem claro que deixar que Makayla fizesse o seu trabalho era a melhor opção.

Não que eles tivessem muita escolha, afinal Makayla Devinne — ou melhor Epiphany, como era conhecida agora — podia convencer o congresso todo a dançar Macarena se assim quisesse.

Com os poderes evoluindo ainda mais com o tempo, havia muito pouco que Makayla não fosse capaz de fazer no âmbito mental. Controlar pessoas seria tão fácil quanto piscar os olhos, porém essa habilidade em especifico era algo que Epiphany preferia não usar.

Ela ainda era a mesma Makayla por quem Bucky havia se apaixonado afinal...

— Como o relógio sabe que horas são pra mostrar pra gente, se ele não está conectado com a internet? — Bucky estava prestes a voltar para seus afazeres, quando a pergunta do filho lhe fez parar onde estava.

Ficou bem claro, pelo franzir inocente das sobrancelhas infantis, que o pequeno havia pensado nisso por infinitos segundos antes de questionar. E ele estava mesmo na fase de perguntar o porquê de tudo, de coisas simples a perguntas complexas que na maior parte das vezes Barnes não fazia ideia de como responder.

— Relógios nunca precisaram de internet pra funcionar. — Disse simples, como quem dá o assunto por encerrado.

— Por que? — O garoto devolveu, ainda mais intrigado.

Por vezes ele tinha curiosidades aleatórias, como aquela, e frequentemente não se contentava com respostas simples e pouco explicativas.

— Porque eles medem o tempo sozinhos. — Bucky moveu os ombros e fez menção de continuar o que fazia antes.

— Mas como a gente sabe que eles estão certos, o que garante que não vão atrasar ou adiantar? — Obviamente aquela conversa estava longe de acabar.

Barnes sorriu de forma paternal, sentando-se ao lado do filho no sofá e respirando fundo antes de admitir:

— Na verdade, eu não sei...

Obviamente Bucky sabia, ele só não conseguia encontrar uma forma de colocar esse saber em palavras, para que isso satisfizesse a curiosidade de seu Pinguinho de Gente.

— Hum... — O garoto ponderou por alguns instantes, como se fosse um assunto de extrema importância. — Vou perguntar pra minha mãe, ela sempre sabe explicar coisas.

— Ei! — Bucky protestou, se fingindo de ofendido. — Eu também sei explicar as coisas.

— Você sabe explicar por que o relógio sempre mostra as horas certas mesmo sem internet? — A réplica veio em tom quase presunçoso, Barnes segurou o sorriso e se deu por vencido.

— Isso não, mas eu sei... — Pensou em algo que parecesse interessante e curioso pra ganhar a atenção do filho. — Eu sei porque você tem o nome que tem.

— Mas eu também sei, ué. Mamãe já explicou. — O menino deu de ombros como se fosse a coisa mais óbvia de todas.

É claro que Makayla havia explicado, Bucky até sabia disso, mas pensou que o filho lhe daria algum crédito e pelo menos se interessaria por uma versão diferente da explicação. Pelo visto sua moral andava bem baixa...

— Eu chamo Dean, porque esse nome lembra “Dream”, que significa “Sonho” em inglês, e eu sou o Bebê dos Sonhos da minha mãe. E Devinne é o sobrenome da mamãe, que ela ganhou do meu vovô Dan, e Barnes é o seu sobrenome que você ganhou do seu papai que já está no céu. Dean Devinne-Barnes. Eu. — O pequeno explicou com orgulho e Bucky acabou rindo do quão adorável isso foi. — Não é por isso?

Durante a gravidez alguns nomes haviam surgido, Steve, Cameron, e até Rebecca antes do casal saber que seria um menino. Mas lá pelo sétimo mês, quando apenas os dois primeiros nomes ainda permaneciam na lista e o primeiro era o favorito, Makayla trouxe uma ótica nova para o assunto: Ambos os nomes citados eram de pessoas muito amadas, sem dúvida, heróis a sua própria maneira, seria uma linda homenagem, mas ao mesmo tempo não seria atribuir a uma criança um certo tipo de expectativa, antes mesmo que ela nascesse?

Steve e Cameron eram nomes que carregavam um mundo de lembranças e, embora também carregassem amor, traziam consigo uma história que estaria vinculada ao Bebê dos Sonhos para sempre. Ele não merecia a oportunidade de crescer sem ter tudo isso pairando sobre si?

Seja lá quem o Bebê dos Sonhos decidisse se tornar, que fosse por suas próprias escolhas, e não para honrar um legado, uma lembrança e uma memória que eram fruto de uma carga emocional que os pais carregavam.

Ele merecia uma história própria, uma página em branco, um legado apenas seu. Um nome que fosse escolhido apenas para ele e não baseado na saudade e na admiração que seus pais carregavam por homens — que apesar de nobres e heroicos — seriam meros desconhecidos para o pequeno Devinne-Barnes.

O Bebê dos Sonhos de Bucky e Makayla merecia, acima de tudo, a oportunidade de ser amado apenas por seu próprio carisma e mérito, sem que a primeira emoção causada nos outros fosse aquela trazida pelo nome com o qual ele se apresentasse.

Foi uma quebra de expectativa, isso ficou claro quando o menino nasceu, e tanto Sam, quando Danniel ficaram surpresos com o nome, talvez muitas outras pessoas que conheciam a história de Bucky e Makayla também ficassem...

Mas Dean Devinne-Barnes não era uma homenagem para uma história heroica que chegou ao fim, ele era o fruto de um grande amor e, acima disso, o protagonista de sua própria jornada.

— É exatamente por isso, Pinguinho. — Bucky bagunçou o cabelo do filho de forma orgulhosa. — Mas você sabe porque chamamos você de Pinguinho?

— Porque o meu titio Sam me chamou de Pinguinho de Gente quando eu nasci e todo mundo gostou e começou a me chamar assim também. — Dean respondeu com o narizinho empinado. — Chama “apelido carinhoso de infância”, mamãe também já me explicou isso.

— É, pelo visto sua mãe sabe mesmo explicar todas as coisas. — Barnes ergueu as mãos em rendição e deixou que seu corpo afundasse no sofá.

Será que era um pai ruim? Não isso não, apesar de todos os seus defeitos, Bucky sabia que estava dando o melhor de si o tempo todo para seu filho. Mas e se o seu melhor fosse apenas... medíocre?

Dean analisou o rosto do pai por alguns instantes, e então, sem aviso, se jogou no colo dele e lhe deu um abraço apertado.

— Mas não fica triste, papai. A mamãe sabe explicar, mas é você quem sabe fazer todas as coisas. — Ele disse com a honestidade típica das crianças.

— Eu sei? — Bucky franziu as sobrancelhas, tentando entender o que ele tanto sabia fazer.

Aquilo era novo.

— Você sabe empinar pipa, sabe chutar a bola sempre no gol, sabe como montar os maiores castelos de bloquinho, como transformar a escada em um escorregador usando só papelão, como fazer cabanas dentro de casa e como dar banho no Pitico sem ele fugir e rolar na terra. — Dean enumerou empolgado, como se cada uma daquelas coisas fossem grandes feitos. — Mamãe não sabe fazer nada disso.

— É, ela não sabe mesmo. — Barnes concordou orgulhoso.

Para o Pinguinho de Gente grandes coisas não importavam, ele só queria uma mãe que lhe explicasse como funcionavam os relógios e um pai que lhe montasse cabanas no meio da sala. Isso sim era digno da admiração do pequeno.

Bucky acabou relaxando, sua paranoia momentânea não tinha sentido. Ele e Makayla eram a dupla perfeita, se completavam e, mesmo que nem sempre soubesse se estavam mesmo fazendo o certo, assim como todos os pais, eles procuravam respeitar o filho acima de tudo e levar as coisas no tempo dele, com amor e carinho.

Era isso que contava no fim do dia.

Por esse motivo eles eram uma família tão feliz.

— Pode ler uma história pra mim enquanto a mamãe não chega? — Dean questionou, descendo do sofá com um pulo.

Ele amava histórias, livros, histórias em quadrinhos, qualquer coisa que Bucky pudesse ler imitando diversas vozes.

— Claro, qual você quer? — Barnes respondeu, se sentando melhor, enquanto o pequeno corria até a estante e começava a procurar pelo que escolheria.

Demorou pouco mais de alguns segundos para que o pequeno deixasse os livros de ficção de lado e decidisse por um exemplar de veludo azul que Bucky conhecia muito bem.

Porque apesar de amar saber sobre mundos fantasiosos e personagens marcantes, havia a algo que Dean Devinne-Barnes amava ainda mais. A história de seus pais.

— Acho que hoje quero essa aqui. — O pequeno colocou o pesado exemplar azul sobre o colo de Bucky.

— Um álbum de fotos não é como um livro que se pode ler, sabe disso, não é? — O mais velho respondeu, vendo seu nome e o de Makayla impresso na capa em letras douradas.

— Mas você ainda pode contar a história, não pode? — Dean rebateu, com um grande sorriso vitorioso me seu rosto infantil.

Bucky sentiu seu coração se encher daquele amor puro e paternal.

— Com certeza... — Respondeu, dando alguns tapinhas no lugar ao seu lado para que Dean se acomodasse.

Pelo curso da próxima meia hora Bucky Barnes contou ao filho sobre todos os detalhes de seu casamento com Makayla Devinne, passando por cada foto com nostalgia, enquanto narrava os fatos como se os tivesse vivendo naquele exato momento...

Ainda era comovente para Bucky olhar aquelas fotos e lembrar de tudo, não porque o casamento tivesse sido algo grandioso, muito pelo contrário até, a cerimonia foi íntima, em uma pequena capela, com apenas poucos amigos realmente próximos, e a festa seguiu o mesmo padrão.

A emoção de Barnes vinha de algo mais abstrato, porque foi ali, exatamente no instante em que Makayla Devinne entrou vestida de branco, braços dados com Danniel, que o ex-sargento centenário entendeu finalmente que ele também havia vencido a si mesmo.

Não era mais o Soldado Invernal, a carga de uma vida toda de sangue ficou para trás naquele momento em que Barnes disse sim no altar, logo depois de ouvir os lindos votos de sua noiva. Dali para frente ele era um marido, em breve seria um pai, e todo o seu destino dependia apenas dele mesmo.

Ele não mais precisava ser o que tinham feito dele, seria apenas o que suas escolhas fariam de si. Parecia uma compreensão um tanto tardia de sua própria vida, verdade, mas era libertador de fato.

E, acima disso, Bucky percebeu o quão errado ele estava quando presumiu, logo depois da partida de Steve Rogers, que sua vida não teria qualquer pingo de felicidade nunca mais. Barnes se trancou em um apartamento no Brooklyn, se afogando na própria culpa e esperando pela morte certa, mas emergiu das trevas de sua própria mente e alcançou tudo aquilo que não pensava merecer.

Algum tempo antes ele tinha ficado orgulhoso por dizer que Makayla havia vencido a si mesma, e foi ali, naquele altar vestido de noivo, que Bucky se deu conta... Ele também havia vencido a si mesmo.

Então, Barnes tinha de fato um carinho ainda maior pelo dia de seu casamento, era significativo para ele de muitas e muitas formas.

Além disso, Makayla nunca esteve tão linda.

Usava uma maquiagem em tons neutros, que destacava cílios volumosos; o vestido branco, parecia inteiramente salpicado de um brilho sutil e prateado, que reluzia a depender da incidência da luz; a saia ampla se abria logo depois da cintura, quase não mostrando a pouca barriga que a jovem tinha aos quatro meses de gravidez; o decote em formato de coração lhe moldurava o busto e o corpete se encaixava perfeitamente em cada curva; seu cabelo estava preso em um penteado elaborado, com uma coroa delicada e prateada, finalizando tudo; o único toque de cor ficava por conta do buquê de flores, que misturava em seu arranjo os tons de azul claro e lilás.

De fato, uma princesa.

Bucky por outro lado usava terno azul simples e sem gravata, isso porque, supostamente, o casamento era informal. Até mesmo Sam, o padrinho, e Danniel, o pai da noiva, estavam nessa linha. Era difícil dizer se Makayla havia se arrumado demais, ou se eram os olhos de Barnes, cheios de amor, que a faziam ser uma deusa caminhando entre mortais.

Durante toda aquela noite só havia ela, e suas lindas íris tempestuosas, que pertenciam apenas a Barnes também. Ele se lembrava de sentir que estava flutuando com sua esposa na pista, durante a primeira dança dos dois depois do “eu aceito”.

Obviamente Sam, em seu discurso de padrinho, fez questão de ressaltar que pelo menos dessa vez o casal estava sendo descente em uma pista de dança, uma clara referencia a Madripoor que, felizmente, Danniel Devinne não entendeu.

Essa parte do discurso Bucky preferia omitir quando contava a história a Dean...

— E enquanto isso eu estava bem quietinho na barriga. — Dean apontou uma das fotos da mãe, logo depois de escutar atentamente a todos os relados do pai. Mesmo que já tivesse ouvido aquela história ao menos uma dezena de vezes naquele ponto da vida.

— Exatamente. — Bucky assentiu com um sorriso, admirando uma das imagens em que ele e sua esposa riam juntos, enquanto Pitico praticamente roubava a cena sendo um perfeito “cão- de-honra”.

Enquanto Barnes tinha olhos apenas para Makayla, todos os outros estavam encantados com Pitico, que tinha entregado as alianças e estava sendo simplesmente o convidado mais alimentado de todos na hora da festa.

Se alguém perguntasse quem mais havia se divertido naquele dia, a resposta certamente seria: Pitico O Cão de Honra.

— Mas ainda acho que deviam ter me esperado. — Dean comentou em um tom quase ofendido. — Assim eu podia participar também.

Bucky riu, o que lhe fez ganhar um olhar nada amigável do filho. Ele estava falando sério.

— Mas tudo bem, vocês podem casar de novo pra que eu veja, certo? — O pequeno decidiu de repente, falando aquilo com a simplicidade de quem planeja ir na esquiça comprar um sorvete.

No entanto, Barnes visualizou a cena e... realmente gostou dela.

— Na verdade é uma boa ideia, mesmo. — Concordou com o filho, causando uma reação surpresa.

— Sério?

— É. Quem sabe daqui uns anos. — Bucky afirmou, planejando tudo em sua mente. — Se chama renovação de votos.

Talvez conseguisse fazer um pedido descente dessa vez, ele pensou animado.

— E eu posso levar as alianças? — Dean questionou empolgado. — E posso levar minha mãe no tapete vermelho e fazer a cerimônia?

Bucky riu alto, sem conseguir se conter.

— Ué, mas você vai fazer tudo, até o trabalho do cerimonialista? E as outras pessoas, não vão participar? — Questionou divertido.

— Mas elas já fizeram isso, agora é minha vez. — O pequeno moveu os ombros, apontando uma foto especifica em seguida. — Pode ficar todo mundo no banco de convidados.

A imagem em questão mostrava Jackson Brooks, Sarah Wilson, Lemar Hoskins, Caroline Hills e até mesmo Walker e sua esposa sentados nas fileiras de cadeiras.

— Parece justo. — Bucky concordou, ainda com um sorriso em seu rosto.

— Combinado então! — Dean comemorou satisfeito.

Depois disso, pai e filho tiveram tempo apenas de guardar o álbum de fotos, antes de ouvir um carro parando em frente a casa.

— Mamãe! — Dean já estava na varanda, aguardando por Makayla com ansiedade.

Bucky encostou no batente, se perguntando se algum dia, dali há alguns anos, seu coração pararia de disparar toda vez que ele visse sua esposa depois de um longo dia que os dois passassem separados.

— Oi, meu Pinguinho! — Ela recebeu o pequeno assim que ele correu na direção dela. — Como foi seu dia?

Barnes sorriu, Dean estava crescendo rápido, mas Makayla insistia em pegar o garoto no colo sempre que chegava em casa. E aquela cena, aquele simples momento de mãe e filho que acontecia com frequência, ainda assim enchia o coração de Bucky de amor. Será que era possível se apaixonar pela mesma pessoa um pouco mais todos os dias, mesmo com o passar dos anos?

— Eu brinquei, e corri, e pulei, e brinquei mais um pouco, e fui na piscina, e papei tudo, e brinquei, e fui na piscina quando passou o tempo pra ir de novo, e brinquei de bola com o Pitico e decidi com o papai que você e ele vão se casar de novo pra que eu possa levar as alianças e você, e fazer a cerimônia. — O pequeno Devine-Barnes contou todos os eventos de seu dia em um fôlego só.

Bucky percebeu que seu possível pedido perfeito tinha ido por água abaixo outra vez, e na verdade achou isso adoravelmente engraçado.

— Uau. Seu dia foi bem cheio, não é mesmo? — Makayla também riu, finalmente pousando seus olhos tempestuosos no marido.

Não, o coração de Bucky Barnes definitivamente jamais deixaria de bater acelerado por aquela mulher...

— Então quer dizer que vamos nos casar de novo? — Ela se aproximou alguns passos, ainda com o pequeno no colo.

— Oi, Princesa. — Bucky a puxou para perto de si, incapaz de não sorrir perto dela.

— Sentiu minha falta? — Makayla questionou.

Ela sempre perguntava a mesma coisa quando chegava em casa, e a resposta todas as vezes era, e sempre seria, exatamente igual:

— A todo momento.

Bucky tomou os lábios de sua esposa de forma rápida e doce, porém, aparentemente aquilo não foi rápido o bastante para a terceira parte daquela equação.

— Ouh! Eu tô aqui ainda, seus beijoqueiros. — Dean, que continuava no colo, separou os dois com suas mãozinhas, como se realmente tivesse a força pra isso.

— Ah, quer dizer que não pode beijar não, é? — Makayla questionou de forma divertida.

— Vocês podem me beijar. — O pequeno enfatizou com um sorriso travesso, apontando ambas as bochechas.

Isso fez com que Dean fosse imediatamente coberto de beijos por sua mãe e pai, de tal forma que ele teve que pedir socorro, fazendo com que Pitico começasse a ficar eufórico enquanto rodeava a família com latidos estridentes.

Tudo acabou numa imensa gargalhada, enquanto o casal trocava um olhar só deles.

“Eu te amo.” Bucky deixou que ecoasse na mente de Makayla.

“Eu te amo também.” Ela respondeu, e Barnes de fato pôde sentir isso dentro de sua mente.

Em seguida Dean foi colocado no chão e Makayla tirou um segundo para acariciar Pitico antes de entrar em casa.

Ela deixou os sapatos na porta e deu um novo beijo em Bucky, enquanto Dean corria na frente contando todas as outras coisas que tinha feito, tudo que havia comido, e como havia decidido que seus pais teriam um novo casamento.

Barnes não seria capaz de explicar como um menino tão pequeno era capaz de falar tantas palavras por segundo, mas isso certamente era adorável e engraçado na mesma medida. E ele amava de todo o coração.

Todos os dias Bucky agradecia pela família que tinha. Aquele era seu pedacinho de paraíso. Ele não mudaria um só detalhe, mesmo que pudesse...

— Agora é hora de tomar um banho pra se preparar para o jantar, certo? — Makayla ordenou com carinho, depois de mais alguns momentos de brincadeiras na sala, mas Dean não pareceu muito convencido disso.

— Ah, por que? Eu já tomei banho hoje! — Ele cruzou os braços com indignação e Bucky teve que se conter para não dar risada daquele biquinho.

— Que horas? — A pergunta de Makayla veio acompanhada de um tom confuso, ela procurou Barnes com os olhos e ele apenas deu de ombros.

Dean nunca tomava banho mais cedo naqueles fins de semana que ficava em casa, era desperdício, ele se sujaria, correndo no quintal dois segundos depois.

— De piscina, ué! — O garoto respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia de todo o universo.

Dessa vez Bucky não conseguiu conter a risada.

— Mas não é a mesma coisa, espertinho. — Makayla tentava permanecer séria.

— É sim, a piscina é como uma banheira gigante. Eu já banhei. — Dean deu de ombros irredutível.

Bucky encarou a esposa, então deu de ombros e ergueu as mãos em rendição. Queria ver como Makayla se sairia naquele pequeno debate, porque Dean tinha sempre bons argumentos pra tudo que dizia, era até engraçado. Talvez tenha puxado aquela caracteriza do avô.

— Na verdade não é, não. Você precisa tomar banho, principalmente depois que vai na piscina. — Makayla respondeu com a calma de quem sabe que já ganhou.

Ela era mesmo boa naquilo.

— Por que? — Dean questionou em um misto de interesse e desafio.

— Porque a água da piscina contem produtos especiais pra manter ela sempre limpa e clarinha, mesmo com o pó que tem lá fora, o pelo voando no ar, e esse tipo de coisa. E é importante tirar os vestígios desses produtos da sua pele e do seu cabelo, pra ficar sempre limpinho, cheiroso, fofinho e saudável. — A forma maternal e séria como ela explicou aquilo fez com que Bucky entendesse porque o filho sempre veria a mãe como alguém que sabia de tudo.

Makayla não subestimava a inteligência do garoto, ela explicava de forma correta, mas com palavras simples, e isso com certeza estimulava o aprendizado.

— Entendi. — Dean assentiu devagar, como se estivesse ponderando tudo que ouviu. — Então tudo bem.

Foi muito mais fácil do que Bucky esperava...

Dean se encaminhou para as escadas, graças aos muitos livros que Bucky e Makayla haviam lido, e ainda liam, sobre educação positiva, as coisinhas do pequeno sempre ficavam em lugares acessíveis. Ele estava sendo criado pra ser independente, desde os seis anos e meio não precisava mais de ajuda para o banho.

Tanto Makayla quanto Bucky haviam concordado que se instruiriam para criar o menino da forma mais saudável que pudessem, era particularmente importante para os dois que nenhum dos traumas que eles mesmos tinham carregado pela vida, e dos quais ainda estavam se curando, afetasse Dean de qualquer forma.

Eles tinham que fazer o melhor com aquilo que sabiam, portanto era imprescindível que soubessem cada vez mais...

Já no topo da escada, Dean parou por um momento.

— Podemos pedir comida na caixinha hoje? — Ele pediu alto o bastante para que fosse ouvido.

Makayla e Bucky trocaram um olhar, levando apenas alguns segundos para decidir, sem que nenhum dos dois tivesse que dizer nada.

— Claro, o que você quer? — Barnes respondeu no mesmo tom, se movendo um pouco para ver o pequeno no topo da escada.

— Quero o macarrãozinho com carninhas e franguinhos, e o arrozinho colorido, e o biscoitinho da sorte. — Dean enumerou animado.

— E você vai aguentar comer tudo isso? — Makayla questionou, exibindo um sorriso maternal que aquecia o coração de Barnes.

— Não, porque eu sou pequeno, mas eu divido com meu pai, porque ele é grandão. — Aparentemente o pequeno Devine-Barnes sempre tinha uma solução perfeita para tudo.

— Tudo bem então. — Makayla concordou.

— E eu vou comer com os palitinhos! — O garoto declarou, enquanto sumia pelo corredor do andar de cima em direção a seu quarto.

O casal trocou um olhar cúmplice, o sorriso que eles dividiam significava exatamente a mesma coisa. Amavam demais aquele Pinguinho de Gente.

— E então, como foi seu dia? — Bucky sentou ao lado de sua esposa, enquanto ela fazia o pedido do jantar via aplicativo.

— Ótimo. — Ela respondeu, deixando o aparelho de lado assim que terminou, para dar total atenção a seu marido. — Resgatamos uma garota hoje, ela pode atravessar paredes, um poder e tanto...

Bucky sorriu, era visível a forma como Makayla era apaixonada por aquilo que fazia. Ele tinha uma mecha dos cabelos castanhos compridos entre seus dedos de vibranium, enquanto ouvia a mãe de seu filho, e amor de sua vida, falar sobre a jovem que havia levado para o instituto.

— E o seu dia, como foi? — Makayla perguntou, assim que terminou seu relato. — Alguma novidade?

— O mundo está em paz no geral, não sei até quando, mas pelo visto serei apenas pai em tempo integral por mais alguns dias. A gente sabe que não vai ser assim pra sempre, mas por enquanto eu tenho que dizer que estou adorando. — Bucky relatou de forma simples, a última missão tinha sido há algum tempo, mas pra ser honesto ele não sentia a menor falta da ação que os problemas traziam. — Mas, recebi a terrível noticia de que sou péssimo explicando as coisas para meu próprio filho, porém pelo lado positivo, segundo ele próprio, sou ótimo fazendo tudo que importa, como empinar pipa e transformar escadas em escorregadores usando apenas papelão.

O casal riu junto, Dean sempre enfeitava os dias deles com algo que brilhava feito estrelas, nunca ficava monótono. Era tudo que Bucky poderia ter desejado para si mesmo.

Não... na verdade era mil vezes melhor.

— Bom, eu só queria dizer que fui a primeira a conhecer o talento que você tem com as mãos, senhor Barnes. — Makayla insinuou, se aproximando um pouco mais dele, como se estivessem compartilhando um segredo.

— Meu deus, senhora Barnes, que depravação. — Bucky sorriu de canto, sua mão direita no rosto feminino, fazendo com que os dois ficassem ainda mais perto um do outro.

— Mas eu não disse absolutamente nada... sua mente que maliciou as coisas. — Ela se fez de inocente, o que era um contraste instigante já que cada palavra fazia seus lábios roçarem nos de seu marido. — E eu amo isso, sabia, amor?

— Pois saiba que minha mente sempre malicia as coisas quando eu estou perto de você, Princesa... — Ele confidenciou, a puxando para um beijo que nada tinha de inocente.

Com uma criança em casa aqueles pequenos momentos de privacidade tinham que ser extremamente bem aproveitados. Certamente não duraria muito, afinal estavam no meio da sala, mas Bucky não se importava com isso.

Valorizava cada segundo que passava sozinho com Makayla, mas também amava cada pequena memória que estavam construindo enquanto família. Logo o jantar chegaria e Dean desceria as escadas com seu cabelinho molhado enquanto gritava para qualquer um sua clássica frase pós-banho:

“Tô fofinho, Tô fofinho!”

Eles ririam juntos, Makayla diria que o filho estava muito cheiroso, eles compartilhariam o jantar, encontrariam algum jogo ou filme para verem juntos, e depois colocariam o Pinguinho na cama. Uma história bem contada de Bucky, dois beijos de boa noite e, por fim, o casal estaria de fato sozinho.

Barnes levaria sua esposa para o quarto, então faria amor com ela debaixo do chuveiro, e depois novamente na cama, e talvez na manhã seguinte, antes mesmo que o sol raiasse.

Sim, a vida era boa...

E ela continuaria sendo, apesar de tudo, com qualquer coisa que visse pela frente. Dali mais alguns anos talvez Dean finalmente tivesse o primeiro contato com seus poderes, seu gene X estava ativado desde que o pequeno nasceu, porém as habilidades nunca haviam se manifestado. Bucky e Makayla sabiam que um dia aconteceria, mas estavam prontos para isso.

E mesmo se não estivessem, eles dariam um jeito, assim como tinham dado contra tudo e todos em seu caminho naqueles últimos anos. Super soldados, madrastas que acabaram coma, governo intrometido, guerras multiversais secretas, uma bruxa caótica pedindo ajuda... Já tinha acontecido de um tudo para Bucky e Makayla naqueles oito anos em que se conheciam, e provavelmente ainda aconteceria muito mais.

As provações, adversidades, surpresas, vilões, obstáculos e todo o resto no caminho deles sempre seria imprevisível e incerto...

No fim do dia havia apenas uma única certeza: Bucky e Makayla se amavam mais que tudo. E eles ficariam bem.

FIM

Notas finais
Link para o vídeo: https://youtu.be/fM8k1_C1hOE Bom, é isso... Espero de verdade que vocês tenham gostado desse capitulo, porque chegamos ao fim de mais um projeto... Se bem que é injusto chamar Sweet Epiphany de “mais um”, porque nunca foi só uma história pra mim, nunca foi apenas “mais uma” ideia com o Bucky. Sweet Epiphany surgiu em um momento particularmente complicado, eu estava passando por um bloqueio horrível e ela simplesmente nasceu um dia, passou na frente de muitos outros projetos e cresceu no meu coração por meses até que saísse pela ponta dos meus dedos e conquistasse um lugarzinho no Wattpad. E depois disso, foi essa história aqui comigo enquanto eu passava por uma fase muito dolorosa na minha vida pessoal. É uma conquista particular chegar ao epilogo de Sweet Epiphany, porque teve muitos dias que eu pensei que não conseguiria, que essa seria a última coisa que eu escreveria na minha vida, e que seria uma história sem fim, quando o fim chegasse mais cedo pra mim... No decorrer desses capítulos eu coloquei em palavras muitas coisas que eu precisava dizer para mim mesma, acho que no fundo eu esperava que alguém acreditasse nas pequenas mensagens por trás dos parágrafos para que eu pudesse acreditar também. Não foi fácil, mas aqui estamos. Sempre foi questão de honra que Buckayla tivesse um final feliz, porque era essa a mensagem que eu queria deixar... Para além do simples fanficar com Bucky Barnes e construir teorias do MCU; mais importante que poderes especiais e super soldados; acima da química inegável e do amor épico do casal principal. Sweet Epiphany sempre foi sobre essas duas pessoas quebradas e destruídas por dentro, entendendo que eram dignas de amor e felicidade. E espero que isso tenha ficado com vocês: pessoas imperfeitas merecem felicidade, merecem seguir em frente sem estarem acorrentadas pela dor, seja essa dor causada pela perda, pelo passado, ou por uma família tóxica. Você merece amor, alegria e paz. Em vida. Então, se você chegou até aqui, eu quero agradecer muitíssimo cada comentário, favorito e visualização. Saiba que nunca vou ser capaz de colocar em palavras o quanto é importante e comovente todo o apoio e carinho que vocês têm não só por minha história, mas por mim também. Obrigada de verdade, saiba que eu valorizo cada um de vocês e fico muito feliz quando vejo um user conhecido migrando de uma história pra outra. Falando em histórias, tenho que confessar que meu futuro enquanto autora é um tanto incerto no instante, eu vou tirar uma “folga” de algumas semanas pra colocar a cabeça e os planos em ordem, tenho ideias demais, tanto originais, quanto de fandons e personagens distintos, e preciso estabelecer uma prioridade pra tudo isso. E se quiser deixar uma sugestão aqui do que você gostaria muito de ver eu escrevendo, pode ter certeza que vou levar em consideração. Enfim, com certeza volto em breve com algum projeto e provavelmente com uma mudança no perfil, vamos ver... Por enquanto eu desejo apenas que, assim como Buckayla, a gente se esbarre nas esquinas da internet qualquer dia desses. Obrigada novamente. Beijos e até!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!