Sweet Epiphany
23 Back to New York
Notas iniciais

Quando ele abriu os olhos a chuva castigava o telhado da casa, no entanto o barulho era curiosamente reconfortante. Estranhou, no entanto, seus braços vazios, tateou pela cama e percebeu que estava mesmo sozinho. Abriu os olhos e viu que ainda era madrugada.
Fazia cerca de uma semana que continuavam naquela casa, a estadia de uma noite foi se prolongando e prolongando, porque nem Bucky e nem Makayla estavam prontos para abrir mão daquele paraíso particular no intuito de voltar para Nova York. Talvez estivessem protelando o inevitável. Mas quem os culparia?
Não era raro que Makayla se levantasse primeiro, ela gostava de fazer o café da manhã e pelo menos em metade daqueles dias Bucky tinha recebido a refeição na cama. Um tipo de mordomia que ele nunca teve na vida. E outras vezes eles tinham acabado por adormecer na sala mesmo, em frente a lareira, ocasiões em que ele acordava com o cheiro de ovos e bacon no ar, apenas para ver o sorriso que mais amava no mundo enquanto Makayla perguntava se ele estava com fome. A vida nunca tinha sido tão boa...
Porém no meio da noite não era comum que estivesse sozinho. Isso o fez chamar o nome de Makayla de forma preocupada enquanto se sentava. Será que ela estava bem?
Naqueles últimos sete dias que haviam passado ali a jovem apresentava vez ou outra um mal-estar repentino ou uma dor de cabeça que ela mesma descrevia como “chata”. A própria Makayla sempre dizia logo que estava bem, porém Barnes não podia deixar de se preocupar.
Jogou as cobertas para o lado e colocou os pés descalços para fora da cama. A chuva caía sem parar no telhado, ainda assim não estava frio, muito pelo contrário até. Bucky caminhou até o banheiro e não encontrou ninguém. Chamou de novo e nada.
Isso era muito estranho.
Desceu as escadas rapidamente, tentando não cair em suas próprias armadilhas mentais de preocupação. Usava apenas a boxer branca que haviam comprado recentemente em uma das lojas da cidade, mas a brisa estava agradável o bastante para que isso não fosse incomodo algum.
Encontrou Pitico dormindo no sofá, sua caminha largada em um canto no chão. Sobre o encosto do móvel uma das camisetas de Bucky, com certeza a que Makayla estava vestindo aquela noite. Porque ela amava roubar suas camisetas. Uma das luzes estava acesa do lado de fora e foi quando ele viu exatamente onde a jovem estava...
Os olhos tempestuosos dela encontraram com Bucky no momento em que ele parou na marquise da porta dos fundos, protegido da chuva.
— Hey... — Cumprimentou, vendo o corpo feminino se mover dentro da piscina.
— Olá, senhor Barnes. — Makayla sorriu, algumas mechas do cabelo molhado grudadas no rosto e a chuva caindo sem parar sobre ela.
— Senti sua falta na cama. — Ele disse, enquanto todo seu corpo era analisado minuciosamente e com muito interesse.
E ele teria feito o mesmo, se Makayla não estivesse submersa até os ombros, e a noite aliada as gotas incessantes de chuva, não tornassem a visibilidade de qualquer coisa na piscina muito limitada.
Nunca deixava de admirar cada curva daquele corpo, pouco importava que naquele ponto já o tivesse gravado em sua mente como tatuagem.
— Estava chovendo. — Makayla respondeu simples. — Eu gosto de nadar na chuva.
Bucky sorriu, e talvez tenha se dado conta que nunca havia sorrido tanto quanto naquela última semana...
— Dizem que é perigoso, por causa dos raios. — Ele comentou, cruzando os braços fortes sobre o peitoral nu e encostando o ombro no batente da porta, ainda protegido da chuva.
— Tenho certeza que Thor tem coisas mais importantes pra fazer do que lançar raios na minha piscina. — Makayla respondeu casual, nadando para um pouco mais perto da borda e apoiando ambos os braços ali para observar Bucky.
— Podia ter me chamado... — Ele devolveu, ainda naquele tom ameno.
— Você estava dormindo tão gostoso. — Ela sorriu e Bucky duvidou que mais alguém conseguiria ficar tão linda debruçada na borda de uma piscina no meio da chuva.
— Eu posso ser gostoso acordado também. — Sorriu de canto, arrancando uma risada divertida de Makayla.
— Eu não duvido disso. — Ela concordou, e então deixou o lábio inferior escorregar por entre os dentes. — Mas por que não vem aqui me mostrar o quanto?
Dessa vez foi Bucky quem riu. Se desencostando do batente e não vendo qualquer motivo para não atender àquele pedido. Pulou na piscina, encontrando Makayla no meio do mergulho, tendo seus lábios capturados antes mesmo que emergissem. E enquanto abraçava e tocava o corpo feminino livremente, ele notou algo importante:
— Você não me disse que estava nua aqui embaixo. — Sorriu contra a boca da jovem e mordeu os lábios dela devagar. — Eu teria pulado aqui direto ao invés de ficar jogando conversa fora.
A risada alta de Makayla se misturou com o som da chuva.
— Como você é interesseiro, Bucky Barnes.
— Interesseiro, não. — Ele corrigiu, reprimindo um sorriso e roubando mais um beijo dela, enquanto a tocava com mais liberdade. — Interessado em você, é diferente.
— Ah, é? — Makayla se moveu para mais perto, suas peles roçando sob a água de forma provocante. — Interessado quanto?
— Me dá sua mão. — Ele pediu, mostrando a palma de vibranium e sendo prontamente atendido.
Conduziu o toque de Makayla para uma parte muito específica do corpo dele. Uma parte particularmente viciada em qualquer tipo de contato com ela.
— Interessado esse tanto. — Pressionou os dedos femininos contra sua ereção já completamente evidente.
— Uau, grandemente interessado, hein... — Makayla comentou em um misto de insinuação e elogio, apertando um pouco mais antes de ter sua boca capturada com avidez.
Bucky amava aqueles lábios, aquelas mãos, aquelas coxas, aquele corpo por inteiro, mas afinal como não amaria? Ele era completamente apaixonado por Makayla Devinne...
Não demorou quase nada para que o desejo incendiasse seus corpos ali mesmo na piscina. E não era a primeira vez que faziam aquilo sob a água, na verdade era bem difícil pensar em um lugar daquela casa em que ainda não tivessem transado, mas com certeza era a primeira vez que faziam isso na chuva.
E Bucky gostava de guardar essas primeiras vezes na mente como um pequeno tesouro, uma coleção de memórias boas que ele cultivava apaixonadamente e que aos poucos tornavam todas as lembranças cruéis de sua longa vida apenas um passado distante, desvanecendo aos poucos e perdendo importância dia a dia.
Era quase difícil de acreditar que estava ali, e que tudo aquilo era real. Quando se vive por uma eternidade no inferno é quase impossível ter esperanças de que um dia realmente se encontrará o paraíso.
Mas Bucky havia encontrado o dele... Ou melhor, havia agarrado esse paraíso um dia na rua, por acaso, e nada nunca mais foi o mesmo.
Makayla Devinne era seu adorável milagre particular. Sua felicidade encarnada. Sua paz em forma de vida...
— Eu te amo demais, Princesa. — Ele disse em um sopro carinhoso, depois que seus corpos exaustos de amor descansavam abraçados na borda da piscina.
Ela ergueu um pouco o rosto para que seus olhos pudessem se encontrar.
— Eu também te amo demais, Príncipe. — Sorriu, jogando os cabelos molhados para o lado.
Bucky riu, a coisa de “Príncipe” acabou virando um dos apelidos pelos quais Makayla lhe chamava esporadicamente. Não era o preferido dele, se fosse honesto, havia um que Barnes gostava muito mais. Porque sempre aquecia seu coração...
Não demorou para que o casal abandonasse a piscina, Barnes subiu para pegar uma roupa seca, porém quando voltou a descer Makayla estava debruçada na varanda da frente usando nada mais que a camiseta dele.
Deixou as roupas que tinha trazido para ela sobre o sofá, vendo que Pitico ainda dormia, e seguiu para a varanda também.
Passou por trás do corpo feminino devagar, usando a mão direita para dar um tapa leve, mas estralado na bunda dela, que estava numa posição muito tentadora.
— Gostosa. — Murmurou, abraçando Makayla por trás, se arrependendo amargamente de ter vestido uma nova boxer.
— Você nunca cansa? — A jovem riu, se ajeitando nos braços de Bucky e tendo a ousadia de rebolar sutilmente para provocá-lo.
— Super soldado, lembra? — Ele respondeu, depositando um beijo no pescoço feminino. — Mas e você, cansada?
— De você? — Makayla riu baixinho. — Nunca...
Bucky apoiou as duas mãos na cintura feminina e virou a jovem em sua direção, capturando os lábios dela em um beijo apaixonado e quente que foi prontamente correspondido. Por um tempo eles ficaram apenas ali, parados no meio da varanda, suas línguas se envolvendo em um ritmo próprio e o toque pouco a pouco explorando seus corpos sem pressa.
Ele puxou Makayla consigo e ambos se acomodaram no sofá-balanço, tendo espaço o bastante para deitar entre as almofadas de maneira confortável. Começou a acariciá-la de forma mais ousada, por debaixo da blusa, em todos os lugares que ele já aprendido que ela gostava mais.
Sentiu o toque feminino explorar os músculos de seu abdômen, descendo mais, porque é claro que Makayla também sabia exatamente por qual caminho seguir para deixar Bucky ardendo de tesão.
Era sempre assim, o frenesi de um sexo repentino e depois o amor lento e calmo da segunda vez, quando todas as sensações conseguiam ser mais intensas e prolongadas, talvez porque eles não tinham nenhuma pressa de atender a seus desejos.
E é claro que Bucky amava todas as loucuras que eles faziam juntos, mas a verdade era que, aqueles momentos mais calmos eram os que pareciam particularmente especiais para ele. Havia uma sensação de pertencimento, cumplicidade e entrega muito maior quando ele penetrava Makayla tão devagar que era quase uma tortura.
E então tinha aquele momento... aquele segundo perfeito em que os olhos dos dois se encontravam e Barnes fazia questão de dizer que a amava, apenas para ver o mesmo sentimento nos olhos de Makayla. Aquilo era tão puro e verdadeiro que qualquer palavra seria insuficiente para descrever.
Era aquilo que Bucky desejava ter para o resto de sua existência. Aquela vida. Aquela mulher. Aquele amor.
Nunca imaginou que poderia ser tão pleno e feliz, nunca se achou digno daquela paz, mas por algum motivo havia ganhado tudo aquilo. E não deixaria que escapasse por entre seus dedos.
Era isso que Bucky Barnes prometia todas as vezes que alcançava o céu com Makayla...
— Caramba, isso foi bom. — Ela riu de encontro aos lábios dele. E havia uma certa satisfação pessoal para o ex-sargento, notar que era uma parte da felicidade daquela pessoa incrível.
Ele faria qualquer coisa para vê-la sorrir.
— Com você, cada segundo é bom, Princesa... — Bucky declarou, se ajeitando melhor entre as almofadas para que pudesse puxar Makayla para seus braços.
Então ficaram ali, vendo a chuva cair sem parar, desfrutando do silêncio da madrugada enquanto o balançar do sofá suspenso chamava o sono aos poucos...
— Então, o que vamos fazer depois daqui? — Bucky perguntou de repente, quando uma ideia lhe cortou a mente.
As conversas noturnas, eram geralmente um costume de Makayla, ela gostava de falar de amenidades quando os dois estavam abraçados e deitados no escuro. Bucky achava curioso no começo, mas aprendeu a apreciar esses momentos de intimidade casual e agora já achava uma coisa “totalmente Makayla.” Porém, daquela vez ele resolveu iniciar o assunto.
— Já cansou desse lugar? — Ela perguntou neutra.
Naquela uma semana nenhum deles tinha falado sobre sair dali, haviam alugado a casa na pressa e por uma rápida necessidade, a intenção era seguir viagem ou voltar para Nova York, porém nenhum dos dois havia sugerido aquilo em nenhum daqueles dias.
— Não, na verdade eu gosto muito daqui... Mas do que eu pensei que gostaria até. — Bucky confidenciou.
Sempre se achou um cara da cidade, quando novo, antes da guerra, sempre pensou em voltar da batalha e se estabelecer no centro de toda a movimentação, quando mais carros, comércios e pessoas, melhor seria. Depois teve gelo por décadas, fuga e recuperação... mesmo em Wakanda nunca chegou a pensar sobre isso. Sempre teve para si mesmo que ficaria em Nova York assim que estivesse pronto para o mundo.
E fez isso...
Mas naquele momento Nova York não parecia mais o que ele sempre desejou.
— Eu também gosto muito daqui... — Makayla confidenciou, se apoiando no cotovelo para que seus olhos encontrassem os de Bucky. — Mas qual é sua ideia?
— Pensei em passarmos no Sam qualquer hora dessas. — Ele sugeriu.
— Está com saudades dele, é? — A jovem riu de forma insinuativa.
— Ciumenta! — Bucky retrucou divertido. — Eu só acho que você gostaria da cidade que ele mora, as pessoas são legais lá.
— E você quer ver como vai indo o treinamento dele, não é? — Makayla presumiu certeiramente.
Eles conversavam com Sam às vezes por telefone, mas Barnes não conseguia deixar de pensar que talvez fosse bom estar por perto, porque afinal era bem claro que Wilson não pediria ajuda pra nada, mesmo que precisasse.
— Podemos ir sim. Quando você quiser. — Makayla concordou, se arrumando nos braços de Bucky outra vez.
Ficaram em silêncio por um tempo, apenas a chuva e a brisa agradável cantando entre eles. Barnes chegou a pensar que Makayla havia dormido de tão quieta que ela estava, por isso fechou os olhos também.
— Amor? — Ela chamou baixinho de repente.
E lá estava, aquele estúpido disparar de coração acompanhado da sensação quente e reconfortante que se espalhava pelo peito de Bucky toda vez que Makayla usava aquele apelido tão bobo. Parecia piegas até, mas havia algo sobre ser chamado daquela forma... Talvez Barnes simplesmente fosse um velho de cem anos completamente apaixonado, mas parecia tão importante, tão certo.
— Oi, Princesa... — Respondeu com um sorriso incontrolável no rosto.
— Posso falar uma coisa? — Ela perguntou sem erguer o rosto e Bucky notou que havia uma certa tensão no tom dela.
— O que você quiser.
Makayla respirou fundo, ficando em silêncio por pelo menos três segundos antes de prosseguir:
— É meu aniversário depois de amanhã.
— Sério? — Bucky franziu as sobrancelhas sem entender o tom que vinha com aquela revelação feliz. — E você não pretendia me contar isso?
— Estou contando agora. — Makayla moveu os ombros sem animação. — Não é um dia que eu costumo comemorar... Minha mãe biológica morreu quando eu nasci.
Bucky entendeu o tom, e apertou a jovem nos braços como se isso fosse lhe passar algum conforto.
— Eu sinto muito, Princesa. — Ele declarou com honestidade. — Mas nada disso é sua culpa. É seu aniversário, você merece um dia feliz.
— Eu entendo isso agora, talvez seja hora de apenas substituir as lembranças ruins por boas. É o que eles aconselham na Fundação. — Makayla respondeu simples. — É por isso que estou contando pra você.
Bucky sorriu, beijando os cabelos castanhos dela com carinho. Em segredo, prometeu a si mesmo que a faria a mulher mais feliz do mundo naquele dia, não importava o que custasse...
— E o que você quer no seu aniversário? — Perguntou, tocando a base do queixo dela com o dedo de vibranium, para fazer com que seus olhares se encontrarem.
— Qualquer coisa. Desde que eu esteja com você. — Ela se arrumou um pouco mais entre as almofadas para que os dois pudessem conversar com melhor visão um do outro. — Só isso. Eu não preciso de mais nada. É você, Bucky Barnes. Você é tudo que eu quero.
Ele sorriu, se movendo para que seus lábios tocassem os dela devagar.
— E eu sou seu, Princesa. — Declarou convicto, arrancando um sorriso dela e se preparando para outro beijo quando um latido cortou o ar.
Ambos olharam para Pitico no mesmo momento, ele estava parado ali fora, sentado com o rabinho balançando, típica posição que fazia quando esperava que abrissem um lugar para ele onde quer que estivessem deitados naquele momento.
— Mas aparentemente você não é só minha... — Bucky riu, se movendo um pouco para abrir o lugar que Pitico queria. O cachorro era muito apegado a Makayla, porém há uns dois ou três dias isso estava se tornando ainda mais evidente.
Makayla riu também, porém se colocou de pé, indo vestir o restante da roupa enquanto o cãozinho se acomodava entre as almofadas do sofá-balanço. Longo ela estava de volta com uma manta fina e os três se arrumaram da melhor forma possível. Ou seja, deixando Pitico escolher exatamente como queria ficar, para que eles então pudessem de adaptar a isso...
Barnes não acreditava muito em perfeição, porém aquilo... aquela vida, era a coisa mais próxima desse conceito que ele já havia experenciado. E ele não trocaria isso por nada no mundo.
— Eu vou sentir falta daqui... — A jovem comentou vários minutos depois, sua voz já um tanto sonolenta.
— É, eu também. — Bucky concordou, pouco antes que eles finalmente adormecessem...
Acordaram um pouco mais tarde do que o esperado, por isso, os preparativos para irem embora começaram imediatamente. Quando tiveram que se despedir daquela casa Barnes se arrependeu de sugerirem que eles fossem para Delacroix. Será que poderiam voltar ali outro dia?
Pegaram a estrada com Pitico no banco de trás, Makayla no volante e Elvis Presley nos falantes. Naquele ponto Bucky já tinha aprendido a entoar vários versos de algumas das canções do “Rei do Rock”.
Eles cantavam juntos às gargalhadas, e Bucky acabou não se importando quando Harry Styles invadiu a playlist com sua “Watermelon Sugar”. Não entendia muito qual era o apelo com o tal cantor, nem com os outros quatro que Makayla tanto gostava, a única coisa que Barnes sabia era que um dia eles tinham sido uma banda, mas não voltariam a se reunir de novo. Basicamente como os Vingadores... Só que melhor porque pelo menos os cinco ainda estavam vivos.
Repentinamente, Makayla apertou um pouco mais o volante e piscou algumas vezes, antes de diminuir o som e sair para o acostamento, parando o caro enquanto respirava fundo e se remexia desconfortável.
— O que aconteceu? — Bucky questionou preocupado, soltando o cinto para se mover na direção da jovem.
— Você pode dirigir? — Ela perguntou passando as mãos nos olhos.
— Está tudo bem?
— Está... eu só, sei lá, acho que estou com um pouco de dor de cabeça. — Makayla respirou fundo e desceu do carro.
Bucky fez o mesmo logo em seguida, a encontrando no meio do caminho e a examinando com cuidado, como se fosse mesmo ver algo errado, o que é claro, não aconteceu.
Makayla garantiu que estava bem e lhe deu um beijo calmo antes de seguir para o banco do passageiro. Bucky, no entanto, não ficou muito convencido nisso.
— Devíamos passar no médico... — Ele sugeriu, já atrás do volante, se preparando para dar a partida.
— Ah não... Eu ‘tô legal, sério. É só um mal estar bobo, logo passa. Sempre passa. — Makayla resmungou contrariada. — Além disso pode ser só sono. Ficamos acordados até bem tarde.
— Eu até poderia aceitar isso... — Bucky começou, sabendo que faria sentido até. — Mas o fato de sempre ter algo que precisa passar já é motivo o bastante pra se preocupar e ir ao médico, não acha?
— Não. — A jovem retrucou simples. — Sério. Não quero ir...
Bucky moveu o olhar na direção dela, em expressão clara de reprovação. Makayla por sua vez se moveu no banco de modo a ficar virada para ele, um sorriso cheio de significados surgindo em seus lábios.
— Eu te pago um boquete se você me deixar sair ilesa dessa. — Sugeriu insinuativa e aquilo foi tão inesperado e fora de hora que Bucky acabou caindo na risada.
— Você está tentando me subornar, Makayla Devinne? — Ele perguntou divertido, enquanto tirava o carro do acostamento e voltava para a estrada.
— Não sei... está funcionando? — Ela devolveu piscando os olhos várias vezes pra fingir inocência.
— Você é terrível, sabia? — Foi tudo que Bucky conseguiu dizer enquanto ainda dava risada.
— Faz parte do pacotinho. — Makayla apontou para si mesma de forma ampla e ele apenas moveu a cabeça de um lado para o outro.
Ela não tinha jeito mesmo...
— Eu ainda acho que... — Bucky não conseguiu terminar, já que foi interrompido quando Makayla repentinamente aumentou o volume do som.
— Desculpa, não estou ouvindo. — Ela apontou a orelha, gritando por cima da música, enquanto um outro Harry Styles soltava sua voz. Como aquele chamava mesmo? Zyan? Zayn?
Bucky decidiu que não adiantaria nada discutir, então apenas abaixou o som para o volume normal e deixou que Makayla curtisse a música...
Eles seguiram para Nova York, Barnes precisava pegar algumas roupas em casa, já que não podia continuar apenas com as poucas peças que haviam comprado naqueles dias, Makayla, no entanto, não quis passar no próprio apartamento, sendo assim não demorou muito para que eles estivessem prontos para Delacroix.
No entanto, é claro que Bucky tinha seus próprios planos... Havia pensado na melhor forma de fazer isso nas últimas horas e finalmente parou no estacionamento de um dos hospitais da cidade.
— O que a gente está fazendo aqui? — Makayla cruzou os braços feito uma criança de cinco anos emburrada.
— Você sabe muito bem o que a gente veio fazer aqui... — Bucky respondeu absolutamente calmo.
— Ah não... — Ela resmungou e pareceu ainda mais birrenta. — Você me enganou!
Barnes tentou segurar o riso, para passar a firmeza certa.
— Não, senhora. Eu nunca concordei em não te trazer.
— Me fez uma armadilha! — Makayla retrucou contrariada.
As bochechas dela estavam tão bonitinhas naquele momento, que Bucky teve que roubar um beijo.
— A gente vai viajar por horas e eu preciso ter certeza que você está bem. — Ele declarou apaziguador. — Provavelmente não é nada e você está certa, mas não custa prevenir. É o mínimo.
Makayla respirou fundo, mas não pareceu disposta a dar o braço a torcer.
— Mas e os meus poderes? Alguém pode descobrir... — Ela tentou, se fazendo de inocente.
— Que poderes, espertinha? — Bucky retrocou cruzando os braços.
Se ela ainda tivesse suas habilidades certamente um hospital comum estaria fora de cogitação, porém naquele instante era o melhor que tinham e bastaria. Não era como se fizesse sentido ligar para qualquer Vingador restante por causa de um mal estar passageiro afinal...
— Ah, poxa... vai que colava. — A jovem resmungou em um misto de diversão e birra, então apontou para o banco de trás repentinamente, como se tivesse achado a solução perfeita. — O Pitico não pode entrar no hospital, vai abandonar o pobrezinho no carro?
— Não. Ele vai ali. — Barnes apontou o outro lado da rua onde havia um petshop. — Ele vai tomar um banho pra chegar no Sam limpinho.
Tinha procurado o hospital da cidade com o petshop mais próximo pela internet, enquanto fazia as malas em seu apartamento e Makayla cuidava de dar água para Pitico. Era o plano perfeito.
— Você pensou em tudo? — Ela cerrou os olhos em um misto de desconfiança e desagrado, que naquele ponto já parecia só fingimento para esconder sua diversão com a situação.
— Mais ou menos. — Bucky admitiu com um mover de ombros.
— Traidorzinho. — Ela soltou antes de dar um beijo nos lábios dele e finalmente descer do carro. — Mas pelo menos o Pitico vai ficar lindinho.
Caminharam até o petshop juntos, deixando o cãozinho sob os cuidados da equipe responsável e voltando para o hospital.
Era um bom lugar, com médicos solícitos e atendimento de primeira classe. Assim que fez a triagem com o plantonista, respondendo uma infinidade de perguntas de rotina, Makayla foi encaminhada para alguns exames. O doutor disse que provavelmente o de sangue e urina seriam os únicos necessários, porém como havia a dor de cabeça resolveram fazer mais alguns primeiro só pra garantir. Bucky desconfiou que, pelo lugar estar vazio, eles queriam era alguém com que os internos pudessem testar toda aquela aparelhagem de primeira linha.
— A gente vai perder o dia todo aqui. — Makayla resmungou, depois que haviam saído de uma das salas que tinha uma máquina enorme, que sequer dava pra adivinhar para quê servia.
— Disseram que é rápido, e além disso, vai valer a pena. — Bucky a abraçou no corredor, beijando o topo de sua cabeça com carinho.
— Já que eu sou obrigada a ficar aqui entediada, você bem podia me comprar um milkshake. — Ela pediu dengosa.
— Sério? Agora? — Ele devolveu com um franzir de sobrancelhas.
— Eu não mereço? — Makayla fez um bico adorável.
— É claro que merece, você merece o mundo, Princesa, mas não quer companhia? — Bucky perguntou, estranhando aquele pedido tão fora de hora.
— Companhia pra fazer xixi em um pote? — A jovem retrucou, e ficou claro que ela simplesmente não o queria ali para aquele tipo de exame em especifico.
— Tudo bem. — Ele riu, dando mais um beijo dela antes de sair para procurar o tal milkshake...
Já estava em uma das ruas ao lado do hospital quando seu telefone vibrou, na tela o nome de Sam Wilson brilhava. Bucky atendeu no segundo toque.
— E aí, cara, tinha uma ligação sua perdida mais cedo, algum problema? — Sam perguntou do outro lado da linha, assim mesmo, sem qualquer introdução, era evidente seu tom de preocupação.
— Não, eu só estava ligando pra perguntar se eu e a Makayla podíamos dar uma passada por aí, acho que ela gostaria de conhecer a sua cidade. — Bucky respondeu casual, caminhando por entre as pessoas, enquanto tentava encontrar um lugar para comprar milkshake.
— E precisa ligar? — Wilson pareceu aliviado, mas não deixou de reclamar. — A Makayla não te ensinou que existe mensagem, não?
— Eu acho ligar mais prático. — Barnes moveu os ombros em displicência.
Odiava ter que ficar mandando mensagens, seus dedos eram grandes demais pra isso.
— Velho. — A voz do outro lado da linha veio em um misto de deboche e divertimento. — Vem logo, acho que já treinei o bastante pra te dar uma surra.
— Nem em sonho. — Bucky retrucou no mesmo tom. — Logo que a Makayla sair do hospital a gente pega a estrada.
— Espera, como assim você fala isso do nada. — Sam devolveu e novamente a preocupação em sua voz estava lá. — Ela está bem?
— Está, é só um mal-estar que ela anda tendo esses dias, mas ele vem e passa logo. Ela já está bem inclusive. Mas eu insisti para que passássemos no hospital pra ter certeza.
— Hum... — A forma como Wilson puxou aquele som ao máximo fez com que Bucky franzisse as sobrancelhas desconfiado.
— “Hum” o que?
— Esse mal-estar por um acaso acontece pelas manhãs, é? — É resposta veio em um misto de insinuação e divertimento.
— Às vezes, mas o que isso tem a ver? — Barnes começou a atravessar a avenida enquanto falava.
Estava em uma área comercial, lojas de ambos os lados e muito movimento.
— Ah, pelo amor de Deus, Buck! Você não nasceu ontem, cara. — Sam retrucou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Você vai virar papai, idiota.
Bucky parou exatamente onde estava, bem ali no meio da avenida, preso em um segundo eterno, as palavras rodando sua mente em um looping infinito, vindo acompanhadas de imagens desconexas e misturadas de todo um futuro hipotético que se dividia em duas vertentes distintas. Sonho e pesadelo. Tudo em uma mesma vida. Aquilo era bom ou ruim?
A buzina alta dos carros e os xingamentos nada educados arrancaram Barnes de seu choque e ele deu alguns passos em direção a calçada, uma repentina fraqueza nas pernas fazendo com que ele tivesse que se encostar na parede do primeiro beco, enquanto as pessoas continuavam a ir e vir.
— Bucky?! — A voz veio do celular que o ex-sargento tinha simplesmente esquecido que ainda estava segurando. Ergueu o aparelho de volta para o ouvido e murmurou uma resposta. — Não é pra infartar, seu velho. Agora você tem uma criança pra alimentar, não pode ter nenhum piripaque de idoso não!
Wilson ria alto, como se aquela fosse a melhor piada de todas, porém Bucky ainda estava tentando processar tudo aquilo.
— Cala Boca, Sam... — Mandou sem qualquer convicção. — Além disso, não faz o menor sentido. A gente se protege.
Quer dizer, Makayla disse que tinha um DIU, e ele simplesmente aceitou isso como proteção e nunca mais pensou no assunto. Devia ter pensado. Droga. Devia mesmo ter pensado...
Mas era o século XXI, evidente que essas coisas deviam funcionar perfeitamente, a medicina havia evoluído demais. Isso, tudo era mais moderno, o tal DIU daria conta. Estava surtando à toa.
— Nenhum contraceptivo é cem por centro eficaz. — Sam declarou muito seguro do que dizia, então voltou para o tom divertido. — Além disso, eles fazem essas coisas pra segurar porra de cara normal. Não de velhos super turbinados.
— Não tem graça, Samuel! — Bucky retrucou, cortando a risada do suposto amigo.
Devia ter pensado nisso, devia ter... Merda. É claro que ser um super soldado teria efeito sobre tudo. Não é?
Meu Deus, ele tinha cem anos... As pessoas mal viviam até essa idade, quem dirá terem filhos aos cem anos... Puta merda, e se fosse um pai horrível? E se não soubesse o que fazer?
— Pior que tem. Não. Não. Espera. Como é que você fala? — Sam continuava a rir do outro lado da linha. Bucky hiperventilava. — “Tem sim, eu estou rindo, olha só”.
Se acalma, se acalma.
Começou a repassar as coisas em sua mente rápido demais, tentando encontrar furos na teoria de Wilson.
— Além disso, sua conta não bate. — Tentou argumentar, mas a verdade é que estava se agarrando a desculpas frágeis. — Faz só uma semana que estamos viajando.
Isso. Não dava tempo de nada. Sam era totalmente maluco.
— E antes, espertão? — A respostava veio rápida e certeira. — E sua noitada romântica no ninho de amor do Zemo? — Wilson era um misto de deboche e presunção. — Makayla passou duas semanas na Fundação, vocês passaram uma semana por aí de Lua de Mel. Faz mais de vinte dias já, papai.
Puta merda, ele estava certo...
— Vinte dias não é o bastante pra dar sintoma de gravidez em ninguém, Samuel Wilson. — Barnes rebateu, tentando manter o tom firme. — Ou é?
Tentou se lembrar de cada gravidez da mãe, mas era novo demais para prestar atenção ou sequer se importar com alguns detalhes, além disso sua mente parecia um grande vazio naquele instante. Se alguém perguntasse como se faz uma conta básica, Bucky com certeza erraria.
— Vai que sua prole seja tipo a Renesmee? — Sam opinou descontraído.
— Quem é Renesmee? — Barnes perguntou confuso.
— Aí, ‘tá vendo! Essa é a prova! — Wilson acusou. — Vocês estão colados faz uma semana e essa mulher ainda não te fez ver Crepúsculo, ou seja, vocês não têm tempo nem pra respirar porque estão trepando como coelhos serelepes. Sabe o que mais vocês e os coelhos tem de parecido? Pencas de filhos.
— Pelo amor de Deus, Sam. — A voz de Bucky era um misto de súplica e irritação. —Eu não aguento mais você, vou desligar. Mais tarde estamos aí.
— Certo, eu vou pedir pra Sarah separar as roupas de neném dos moleques, que esse tipo de coisa é sempre útil. — A resposta engraçadinha veio mesmo assim.
— Samuel! — Barnes repreendeu, mas ganhou apenas outra gargalhada.
— Até mais, papai! — Sam se despediu antes de desligar.
Bucky ficou ali parado no mesmo lugar, a mente girando ao redor de todas as coisas que ele não sabia, o assombrando com que ele achava saber e pintando futuros hipotéticos que pareciam assustadores... E se fosse um péssimo pai? E se machucasse o bebê?
Porém, mesmo no meio de toda aquela incerteza e medo, houve algo que fez as cores inundarem aquela cena... Estaria com Makayla.
A simples visão imaginária da mulher que ele amava, com um bebê nos braços foi o bastante para encher os olhos de Bucky de lágrimas. Teria uma família com ela.
Uma casa com um cachorro, a risada pura de uma criança e Makayla Devinne.
Um bebê dos dois.
Isso soava... Bom. Muito bom.
Era muito mais felicidade do que Bucky jamais havia imagino que teria.
Ainda era confuso e assustador, ainda fazia com que suas pernas tremessem e seus pulmões captassem o ar ao redor de forma errada. Porém, com Makayla Devinne ao seu lado, tudo parecia maravilhoso, inclusive um bebêzinho.
Eles podiam fazer isso.
Bucky se moveu, finalmente desencostou da parede que o apoiava e deu um passo para fora do beco. É, podia sim fazer isso.
Olhou para o outro lado da rua e, como em um sinal divino, viu algo que lhe chamou a atenção. Atravessou e parou em frente a vitrine, olhando com mais cuidado a peça...
Bucky se deu conta que não fazia ideia de qual seria a reação de Makayla se aquilo fosse verdade, será que ela queria um bebê? Porque ela tinha apenas vinte anos, provavelmente nova demais para tudo isso, com sonhos que talvez não incluíssem ser responsável por outra vida, ainda mais depois de tudo ela que havia vivido... Era tudo bastante incerto naquele momento.
No entanto, enquanto ainda olhava a vitrine, ele soube que, com filho hipotético ou não, aquela peça dourada parecia um ótimo presente de aniversário...
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Os pés da jovem balançavam freneticamente, estava sentada na sala de espera, contabilizando todas as coisas que odiava naquele ambiente. Por que tinha que ser tão branco? Percebeu que odiava hospitais. Talvez por causa do ambiente frio e impessoal, ou vai ver era por causa do acúmulo de lembranças ruins que tinha dentro de paredes iguais àquelas.
Mesmo o laboratório do Doutor Wilfred Nagel em Madripoor não parecia tão desconfortável. O que era uma grande loucura de se dizer sobre um cientista louco...
Makayla riu sem humor desse pensamento solto, olhando em retrospecto sua viagem para Madripoor fora uma loucura imensa e agora, mental e emocionalmente estável, ela conseguia ver isso com clareza.
Pessoas fazem coisas estúpidas quando estão no fundo do poço. A pior parte é que toda a dor daquele momento faz com que a maior das estupidezes pareça mesmo uma boa ideia...
Makayla podia até usar a desculpa que Madripoor colocara Bucky definitivamente em sua vida, porém ela tinha certeza que seria uma grande mentira, eles se encontrariam e se resolveriam, não importa onde ela estivesse, não importa quanto tempo levasse. Eles não estavam juntos por causa de Madripoor, estavam juntos porque se amavam.
— Pelo menos vou ter uma história e tanto pra contar quando ficar bem velha. — Sussurrou para si mesma, foleando uma revista antiga sem de fato ver seu conteúdo.
Já tinha feito todos os exames e estava aguardando a médica chamar para os resultados finais e aquela espera parecia infinita naquele ponto, mesmo Bucky já demorava demais. Estava quase arrependida de ter pedido um milkshake que nem queria tanto assim...
Era extremamente fofo que ele se preocupasse tanto, porém a pior parte é que Makayla sabia que tudo aquilo era desnecessário, estava bem afinal. Sim, teve aquele mal-estar passageiro frequentemente na última semana, além das dores de cabeça, que às vezes eram um grande saco. Mas não era nada demais.
Talvez precisasse de óculos, só isso.
Olhou para a revista e teve que piscar algumas vezes pra focar nas letras. Seu pai usava óculos para ler, talvez fosse genético. Ela riu da lembrança de todas as vezes que Dan procurava os óculos pela cassa inteira, quando o tempo todo eles estavam em sua cabeça.
Sentia falta do pai...
Depois do seu tempo na Fundação, Makayla lidava melhor com a dor que a perda causava, mas também havia aprendido que a saudade sempre estaria ali, seria eterna, por isso era tão importante transformá-la em um sentimento agridoce.
Seu celular vibrou no bolso, e a jovem pegou rapidamente pensando ser Bucky. Não era, porém o nome na tela também a fez sorrir.
— Oi, Doc.
— Makayla. Me ligaram, você deu entrada em um hospital? — Brooks perguntou e seu tom de voz tinha um quê de preocupação.
A jovem fez uma nota mental para tirar o número do terapeuta dos contatos de emergência na rede médica. Parecia injusto que ele tivesse que se preocupar tanto, mesmo que ela se sentisse muito acolhida por isso.
— Não é nada, Doc. É só o Bucky sendo neurótico. — Respondeu casualmente. — Eu tive dor de cabeça e um mal-estar uns dias e ele deu uma surtada, mas estou ótima, não precisa nem correr até aqui. Sei que é muito ocupado.
A risada descontraída e aliviada de Brooks veio do outro lado da linha.
— Ah, com certeza não preciso mesmo. Pelo visto é coisa de família. Parabéns, inclusive.
— Não entendi... — Makayla franziu as sobrancelhas, mas então se deu conta do motivo de mulheres terem mal-estar frequentemente. — Espera... Não. Nada a ver Doc, que bobagem.
— Se você está dizendo... — Brooks deixou no ar. — Mas e de resto, como você tem se sentido?
— Incrível. Eu nunca estive tão feliz na minha vida, Doc. — A jovem respondeu com convicção. — Obrigada por me ajudar a chegar nesse ponto.
— Sempre que precisar. — O terapeuta respondeu solícito.
Eles trocaram mais algumas palavras amenas e logo desligaram, mas Makayla ficou com aquela insinuação rondando sua mente enquanto seguia para a recepção, a fim de tirar o nome de Brooks dos contatos. Não podia ser, podia?
Verdade que há pouco, quando o médico da triagem perguntou sobre a última menstruação, ela não soube o que responder. Não se lembrava. Mas também, depois de tudo que havia vivido naquelas últimas semanas, era normal que aquilo estivesse bem longe de suas preocupações. Além disso, sua menstruação nunca foi muito regular mesmo...
Era bobagem, Makayla riu dessa hipótese, a descartando no mesmo instante, sem remoer demais a teoria. Tinha um DIU, não ficaria se preocupando à toa com futuros hipotéticos, porque isso estava fora de seu controle. Era isso que havia aprendido na Fundação.
Terminou com o seu novo cadastro, colocando Bucky no contato de emergência e finalmente foi chamada no consultório e, enquanto se levantava, se arrependeu realmente de ter mandado o cabeça sair. Queria que ele estivesse ali para ouvir da boca da médica que ela estava perfeitamente bem.
— E aí, doutora? — Ela entrou na sala, vendo a mulher loira atrás da mesa, com os exames em sua frente. — Deixa eu adivinhar, gastamos tempo à toa e eu não tenho nada?
A médica respirou fundo, uma expressão que era difícil de identificar no rosto.
— Acho que você devia se sentar, senhorita Devinne...
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