Sweet Emotion
30 Capítulo 30 - Final
Notas iniciais
Todos me aguardavam no saguão do aeroporto quando me viram chegar com o fiscal da imigração, sem entender nada. Anthony segurava Everly no colo e seu olhar era apreensivo e eu já sentia os olhos cheios de lágrimas quando dei a noticia.
Chad e Flea imediatamente tentaram convencer o fiscal a me deixar entrar no país, mas ele se mostrou irredutível em sua decisão. Olhei para Josh e seus olhos também estavam cheios de lágrimas, o que me deixou mais triste ainda. Por fim, não restava mais nada a fazer a não ser me despedir de um por um, abraços calorosos e afetuosos me fizeram sentir que eu realmente era querida por todos e me despedir deles foi tão duro quanto o dia em que deixei minha família para viver em Londres.
- Você nunca mais voltar, Mari? – Everly perguntou.
- Vou voltar sim, querido. Não sei ao certo quando, mas voltarei.
- Mas por que você tem que ir?
- Eve ... – e Anthony interviu. – Papai explica pra você depois o que aconteceu, o que importa é que logo logo a Mari vai voltar pra gente. – e ele beijou a testa do filho e colocou-o no chão, que foi correndo para o colo de Clara.
O fiscal nos observava de longe e parecia bastante impaciente, percebi que era a hora de encarar a realidade.
- Vai dar tudo certo. – e Anthony secou algumas lágrimas que ainda rolavam pelo meu rosto.
- Me beija. – pedi de olhos fechados e senti seus lábios suavemente sobre os meus, sua mão sobre a minha cintura e meus braços sobre o seu pescoço.
- Não vai ser a distância que vai acabar com tudo, Mari! A gente vai dar um jeito. Se cuida! – ele disse depois do nosso beijo de despedida, eu não queria largar o seu corpo.
Dei um último beijo e um aceno com a mão para todos e acompanhei o fiscal para comprar a passagem, sem olhar para trás.
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Já haviam se passado quase 2 meses e eu ainda estava no Brasil, a entrevista para a renovação do visto aconteceria em um mês e eu era a ansiedade em pessoa.
Nesse tempo, Anthony não conseguiu vir me visitar devido a um imprevisto com a agenda da banda e também uma forte gripe que Everly pegou, então só nos restava o telefone e emails, mas a saudade machucava muito e eu rezava para viver um dia após o outro.
Por sorte ou destino, Verônica estava de férias e antes de ir para os Estados Unidos para ficar com Josh, teve a bondade de ficar uma semana comigo, o que alegrou os meus dias.
- Ai, Mari, vai dar tudo certo, eles não vão te negar o visto, tenho certeza disso! – ela disse enquanto dávamos um passeio pelo Ibirapuera e ela percebeu a minha cara triste ao ver uma família brincando com um menino que deveria ter a idade de Everly.
- Bom ... – suspirei. – O que importa é que você está aqui e logo vai ver o Josh! – e dei um abraço apertado nela. – Ain, manda um beijo pra aquele branquelo, tenho muitas saudades das nossas conversas.
- Ele também sente sua falta, Mari! Quando nos falamos, ele sempre pergunta de você!
Meu celular começou a tocar e identifiquei o número de Flea no visor:
- Fleaaaa!!!!! Que saudades! Como você está? – não consegui esconder a animação na minha voz.
- Mari! Saudades também! Estou bem! Clara e Sunny mandam um beijo e dizem que estão com saudades! – e pude ouvir as vozes das meninas ao fundo. – Mas Mari, eu queria te pedir um favor.
- Claro, querido! No que eu posso te ajudar? – perguntei enquanto eu e Vero nos sentávamos na grama.
- Bom, tenho um amigo australiano que está indo aí para o Brasil, mas o cara não sabe uma palavra em português e não conhece nada aí, então pensei que você talvez pudesse recebê-lo no aeroporto e mostrar a cidade pra ele. O que você acha?
- Sem problemas, Flea! – e a idéia me animou. – Vai ser ótimo pra distrair a minha mente. Que horas ele chega?
- Por volta das 10 da manhã, o nome dele é Luca Corleone. – ele respondeu.
- Mas ele é australiano ou italiano, porque esse nome ta mais com cara de italiano! – brinquei com Flea, que apenas riu e eu imaginei o seu sorriso e o vão entre seus dentes. – Sem problemas, amanhã eu e a Verônica iremos receber o seu amigo.
- Obrigada, Mari! Sabia que podia contar com você! Agora tenho que ir! Beijos! – e ele desligou antes que eu pudesse me despedir ou perguntar do Anthony.
Na manhã seguinte, eu e Verônica estávamos a postos no portão de desembarque internacional do aeroporto segurando uma plaquinha com o nome do amigo australiano de Flea quando várias pessoas começavam a sair empurrando seus carrinhos com malas e dois rostos conhecidos aparecem ao final da multidão:
- Josh? – Vero gritou.
- Tony? – e foi a minha vez de gritar.
Saímos correndo ao encontro dos nossos amados, o encontro das nossas bocas era quase uma cena de cinema, o beijo de tirar o fôlego como eu nunca havia experimentando antes.
- Então, qual dos dois é o Luca Corleone? – Vero perguntou depois que cumprimentei Josh com um abraço esmagador.
- É o Josh, ficou todo metido depois que cantou em italiano. – Anthony respondeu e caímos na risada, enquanto Josh corava, como sempre.
Percebi que junto com as malas de Josh ele também trazia um violão protegido por uma capa de nylon e achei curioso ele trazer o instrumento, já que não estavam em turnê. Quando estávamos quase na saída do aeroporto para chegar ao estacionamento, perguntei qual a finalidade do violão:
- Mas Josh, por que você trouxe um violão?
- É, verdade, pra quê? – Verônica também se mostrou curiosa.
Ele não respondeu, sorriu e olhou para Anthony, que segurava um riso. Verônica me olhou e continuamos sem entender nada, quando Tony para de nos acompanhar e para no meio do caminho, tira o violão da capa e começa a dedilhar algumas notas que eram desconhecidas ao meu ouvido.
- Eu nem sabia que ele tocava alguma coisa! – Vero cochichou ao meu ouvido.
Mais alguns dedilhados e a música começa a tomar forma, algumas pessoas diminuíam o passo para ver a cena e eu começava a ficar com vergonha.
- Vem, Tony, já sei que você sabe tocar violão, agora vem! – e de repente ele se ajoelhou na minha frente e começou a tocar e cantar, olhando profundamente nos meus olhos:
“Something inside the cards
I know is right
Don´t want to live
Somebody elses life
This is what I want to be
And this is what I give to you
Because I get it free
She smiles while I do my time
I could die for you
Oh this life I choose.”
Logo que ouvi a frase “I could die for you” imediatamente me veio à mente a lembrança do dia que em Anthony me contou que havia feito a música e que um dia cantaria olhando nos olhos da sua amada. Meu coração disparou quando entendi que a música era pra mim e comecei a sorrir abobalhada.
Mais pessoas se aproximaram e paravam para ouvi-lo cantar, vários celulares e câmeras tiravam fotos e filmavam, eu sentia meu rosto roxo de vergonha:
“Come again and tell me
when you wanna go
What it means for me
To be with you alone
Close the door and
Nonne has to know
how we are
Come along and go
Along with me
Wonder with me yo
It´s all for free
I could die for you
What you wanna do
oh this life I choose.”
Eu tapava o rosto com as duas mãos quando Anthony terminou de cantar e as pessoas aplaudiram, ele ainda continuava ajoelhado quando senti Verônica puxando as minhas mãos e meus olhos deram de cara com os olhos dele, ele sorria e não pude deixar de me encantar com o seu sorriso.
Ele se levantou, entregou o violão ao Josh, me puxou pela cintura e puxou o meu cabelo para trás:
- Não era assim que eu planejei ... – Anthony olhou para os lados, aos poucos o público aglomerado começava a se dissipar. — ... mas Mari ... – ele beijou a minha mão. — ... você quer se casar comigo?
Antes que eu pudesse dar alguma resposta, ouvi um grito histérico de Verônica e um “psiuu” de Josh em repreensão ao grito da namorada.
Suspirei fundo, seus olhos me encaravam ansiosos pela resposta:
- Sim, eu quero, Anthony! – e nossos lábios selaram-se num beijo ardente e molhado, nossos corpos pressionando um contra ao outro e nada mais importava naquele momento: o homem dos meus sonhos finalmente estaria ao meu lado para todo o sempre.
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