Notas iniciais
Esse é um capítulo bastante emotivo, na qual eu escrevi ouvindo a música Angel da Sarah McLachlan. Espero que gostem.

A partir dessa madrugada, minha relação com o Damon só piorou. Mesmo morando juntos, tinha vezes que nós não nos falávamos, ou pior, nem nos olhávamos. Meus pais estavam cada vez mais preocupados, mas resolveram esperar para ver como tudo se encaixaria. Eu continuei meu namoro com o Matt e passava o maior tempo do dia fora de casa. Nos dois meses que sucederam essa madrugada eu saia de casa para o colégio, voltava para me arrumar e ia para a casa de alguém, ou para alguma festa. Eu tentei ocupar ao máximo minha mente, porque assim eu não pensava no Damon e no estranho amor que tinha por ele. O que ele e a Alexis tiveram foi passageiro. Alexis me disse que eles transaram e depois disso ele nunca mais ligou, ela sofre com isso ainda e por causa disso estamos mais amigas, eu me sentia na obrigação de estar com ela. Carr e eu estamos inseparáveis, ela começou a namorar com o Tyler Lockwood e vivemos fazendo programas de casal.

Meu aniversário estava cada vez mais próximo, só faltava duas semanas.

Acordo super lenta, eu estava realmente cansada. Toquei-me de que era quinta-feira e eu precisava ir para o colégio. Pus uma roupa preta e uma blusa de flanela xadrez amarrada na cintura, por causa do frio. Terminei de me arrumar e desci para o café, que como sempre passei direto, Matt já me esperava lá fora.

Matt: Bom dia linda Elena. – beijou-me os lábios.

Elena: Bom dia meu amor, vamos? – sorri.

Ele acelerou e fomos para a escola. O dia passou incrivelmente rápido e eu já planejava ir para a casa da Carr, mas meus pais pediram para eu ir pra casa.

Elena: Eu realmente preciso ir. Meus pais mandaram-me uma mensagem dizendo que é importante.

Matt: Tudo bem. Eu te ligo de noite.

O beijei e então mordi seu lábio inferior.

Matt: Eu amo quando você faz isso. – passou em seguida a língua pelos meus lábios.

Elena: Eu preciso ir.

Desci da sua caminhonete e entrei em casa. Meus pais e meus irmãos estavam sentados no sofá.

Elena: O que está acontecendo?

Alaric: Sente-se.

Eu olhei apavorada, mas sentei ao lado do Stefan.

Jenna: Você anda agindo muito estranho Elena. E eu e seu pai tememos que seja culpa do Matt. Você não fala mais com a gente, não toma nem café da manhã. Anda cada vez mais distante dos seus irmãos, me diz sinceramente o que está acontecendo?

Alaric: Você está se drogando?

Elena: O QUE? Vocês estão realmente me perguntando se eu estou me drogando? Eu sempre faço tudo certo, só tiro notas excelentes, sempre aviso onde eu estou, sempre atendo aos seus telefonemas, nunca vou á lugares impróprios e vocês ainda me perguntam isso? – disse decepcionada.

Stefan: Não é isso Elena, é que estamos preocupados. Mas ela tem razão pai, a Elena anda no colégio com os amigos de infância, não faz besteira e ela nunca levou uma chamada na escola.

Elena: Obrigada Stefan. – sorri pra ele – Que injurio, eu vou subir.

Se eles pudessem saber que o motivo de toda essa rebeldia era o Damon, minha tentativa de me manter longe dele. Subi para o meu quarto e me taquei embaixo do chuveiro. Quando saí minha mãe estava sentada na minha cama. Sentei junto dela e ela me olhou ternamente. Eu adorava minha mãe, eu amava-a. Ela era uma inspiração, um exemplo. Seu jeito doce, ela nunca perdia a classe.

Jenna: Eu e seu pai estamos preocupados porque teremos que fazer uma viagem. – disse direta.

Elena: O que? Por quê? Pra onde?

Jenna: Seu pai foi chamado para supervisionar uma empresa em crescimento no Canadá. Precisaremos passar algumas semanas lá e como vocês já estão adultos, estamos pensando em deixá-los aqui. Serão poucas semanas e nós contrataremos uma empregada.

Elena: Quando?

Jenna: Amanhã pela manhã. É algo realmente muito importante meu amor, seu pai irá crescer na carreira.

Elena: Eu sei mãe, eu sei. – abracei-a.

Passei a tarde junto de minha mãe e pela noite ela foi para o seu quarto. Passei duas horas no celular com o Matt e finalmente pude dormir.

Era de manhã quando eu e meus irmãos estávamos nos despedindo de nossos pais.

Alaric: Meninos vocês precisam cuidar da Elena, ouviram? E ter paciência. Ela já é moça. – beijou o topo da cabeça dos dois meninos tristes. – Se comporte minha princesa, sentirei muito a sua falta. – beijou-me a bochecha.

Elena: Boa viagem pai, eu te amo. – disse com os olhos cheios de lágrima.

Jenna: Amo vocês. – abraçou-nos. Ela não precisava dizer mais nada.

Eles então entraram no táxi á caminho do aeroporto. Arrumei-me para o colégio nada contente, eu já sentia saudade deles. Eu e o Stefan fomos juntos para o colégio, Damon por sua vez foi para a faculdade. Passei o dia cabisbaixa, meus amigos todos tentaram levantar meu astral, principalmente o Matt, mas eu estava triste.

Carr: Hoje é sexta-feira. Festinha na minha casa! – gritou no nosso grupo de amigos.

Elena: Vou pra sua casa me arrumar, tá bom?

Carr: Tá ótimo!!

Fui junto com a Caroline pra casa dela e ficamos a tarde vendo os preparativos da festinha: bebidas, petiscos, iluminação, música e MUITA pegação. “House Party” é o melhor tipo de festa, só entre conhecidos, sem tumulto e uma vibe ótima.

Caroline: Vamos nos arrumar, já já o pessoal chega.

Vasculhamos o armário da Carr em busca de combinações diferentes, mas nada muito chique para uma House Party. Escolhi um short preto e um cropped, pois eu adorava deixar a barriga de fora. Carr escolheu um short menos “dark” e uma blusinha. Vestimo-nos, fizemos uma maquiagem bem rapidinha com muito rímel e então demos uma geralzinha no quarto dela, afinal seria o point dela e do Tyler. Só descemos quando a campainha tocou.

Todos os nossos amigos já estavam lá, era um total de 20 pessoas. Entre elas: Matt, Tyler, Nic, Daniella (Dan), Alexis, Stefan e outros amigos nossos.

Elena: BEER PONG! – gritei quando nós todos estávamos em volta da mesa e tudo estava pronto.

Eu fui a primeira e acertei a bolinha, Stefan teve que beber. Fomos fazendo isso até os 14 copos do Stefan acabarem.

Elena: GANHEI! — todos gritaram comemorando.

Eu já estava com muito álcool no corpo e eu só sentia meu corpo dar espasmos por causa da música alta, eu precisava dançar. Puxei a Carr e fomos as primeiras á estrear na “pista”. Estava tocando um “twerk” e então começamos a movimentar nossos quadris e a rebolar. Alguns amigos homens já estavam fazendo uma rodinha em volta de nós, eu estava me divertindo muito. Alguém já disse que vários adolescentes juntos só dá merda? É verdade. Todos estavam acima do limite, gritando, dançando e bebendo ainda mais.

Matt: Vamos você já passou do limite. – segurou-me pelo braço.

Elena: Deixa de ser idiota. – larguei-me dele.

Ele insistiu e então eu me despedi do pessoal.

Stefan: Vamos Matt, eu te ajudo.

Eu não estava bêbada, disso eu tinha certeza. Eu não perdia a sobriedade nunca. Fomos os três para o carro do Stefan.

Matt: Ligo-te amanhã. – beijou-me a testa.

Elena: Tá, pai. – resmunguei.

Entrei no carro junto com o Stefan e fomos pra casa.

Stefan: Você está bem?

Elena: Claro Stefan. – ri

Stefan: Vê se toma um banho e dorme.

Ele beijou-me a testa e cada um foi pro seu quarto.

Tomei um banho e pus um pijama quente. Deitei na cama e por não estar com sono eu fui obrigada á pensar nele, no Damon. Eu me sinto tão idiota por ter esses pensamentos com ele, por ver ele além do que ele é e por tê-lo decepcionado. Meu aniversário estava próximo e meu desejo era esquecer esse sentimento e voltar á ser sua irmãzinha. Acabei por dormir, exausta.

Meu celular bipou muito alto me fazendo acordar, olhei a hora... 4hrs da manhã. Peguei o celular e vi que era uma mensagem de um número que eu não tinha na agenda.

“Boa madrugada Elena. Onde está seu namorado? Matt Donovan? Você sabe porque ele quis sair tão apressadamente da festa?” e então tinha uma imagem. Demorou um pouco para carregá-la, mas quando abriu... Era o Matt sentado numa cadeira e uma garota em cima dele o beijando. Eu sabia que a foto era de hoje, a blusa era a mesma. Como ele pôde fazer isso comigo? COMIGO? ELENA SALVATORE. Meus dedos gelaram e apertaram com força o celular. Larguei-o na cama e comecei a andar dentro do quarto inquieta. Esse filho da puta, eu dediquei mais de dois meses da minha vida pra ele, ele olhou nos olhos do meu pai e me pediu em namoro. Meu maxilar trincado, as lágrimas nos olhos e a raiva possuindo meu corpo. Depois de alguns minutos assim veio à segunda fase do chifre: Tristeza. Eu sentei á porta do meu quarto com os joelhos dobrados e me pus a chorar. Eu não podia encarar isso sozinha. Meu primeiro namorado me traiu, não é dizer que eu amava o Matt, mas eu gostava MUITO dele. Foram dois meses convivendo com ele, todos os dias e saber que ele me traiu... Hoje... Agora ainda. Terceira fase do chifre: Baixa autoestima. Porque ele fez isso? Ela deve ser melhor que eu. O que eu tenho de errado? Pus-me a chorar novamente.

Eu não queria saber o quanto isso ia me machucar, eu só sabia o quanto eu precisava dele agora, do meu irmão mais velho. Ele não precisava saber disso, ele ia rir da minha cara e falar “eu avisei” e era tudo que eu não precisava agora.

Limpei o rosto no banheiro, respirei devagar e expirei 4 vezes, eu não estava mais tão vermelha. Peguei meu travesseiro e fui até a porta fechada do quarto do Damon. Bati levemente como da última vez. Minha garganta travou com o choro que queria vim e eram agora duas tristezas em mim: O Matt e a madrugada há algumas semanas atrás. Ele não atendeu e eu bati de novo. Ele abriu a porta com violência.

Damon: Que é? – disse mal-humorado.

Elena: Eu... – travei de novo.

Damon: São 4hrs50min da manhã Elena.

Elena: Não vim perguntar o horário.

Damon: O que foi?

Elena: Posso... – foi mais doloroso do que eu pensei.

Damon: Fala duma vez.

Elena: Posso dormir aqui?

Ele pareceu surpreso e eu pude ver o olhar dele se amansando. Mas ele fechou a cara novamente depois de breves segundos.

POV DAMON:

Eu passei a noite esperando pela Elena e fiquei tão feliz quando ela voltou com o Stefan. Consegui finalmente dormir. Eram quase 5 da manhã quando ouvi batidas na porta. Eu sabia que era ela, mas eu não podia ter mais contato com ela, meus pensamentos impuros não eram certos. Tentei dormir, mas ela bateu de novo. Com um pesar, abri a porta. Lá estava ela com aqueles olhos bondosos, aquela carinha inocente que escondiam uma mulher feita. Ela me lembrou de quando éramos crianças e ela vinha bem mansinha com o travesseiro querendo dormir comigo. Eu dormia melhor sabendo que ela estaria em meus braços, eu amava cuidar dela.

Elena: Eu... – ela ficou calada.

Eu disse logo as horas.

Elena: Eu não vim perguntar o horário.

Damon: O que foi? – falei insensível, eu queria que ela fosse embora.

Elena: Posso... – ela ficou calada novamente.

Ela não podia falar e eu torcia para que ela não falasse, mas eu sabia exatamente o que ela queria.

Elena: Posso dormir aqui?

Meu coração derreteu e por um instante eu me permiti ficar feliz por minha Elena querer ficar comigo após todas essas semanas. Mas eu não podia fraquejar, não podia! Eu não podia correr o risco de mais uma noite com pensamentos impróprios sobre a Elena.

Damon: Não, fique no seu quarto, é melhor. – disse rápido e ríspido.

Elena: Por favor, Damon. – ela pediu

FIM POV DAMON

Eu não acredito que estava implorando para dormir com ele, só minha alma sabia a urgência dos seus braços. E só Deus sabia o vazio que eu estava sentindo.

Damon: Elena... Vá para o seu quarto. Além do mais, eu estou grande e não cabemos os dois na cama.

Eu pensei muito no que ia falar se ia embora, se pediria mais... Eu estava sendo patética.

Elena: Eu não vou dormir na cama, mas eu não quero ficar sozinha. – disse com o coração na mão.

Damon: Elena...

Elena: Damon, por favor.

Eu não acredito que ele ia me negar isso, ele realmente tinha mudado.

Damon: Tá Elena.

Engoli o choro na hora e busquei o edredom no meu quarto. O pus em cima do tapete ao lado de sua cama para ficar macio, eu já havia feito isso antes. Ele se jogou na cama sem pestanejar. Deitei em cima do edredom e eu me senti verdadeiramente melhor por estar perto dele. Eu pensei, inocentemente, que ali o Matt não me machucaria mais. Eu tentei dormir, mas era impossível com aquela bomba. Ajoelhei-me perto da cama do Damon e fiquei bem pertinho dele, apoiando os cotovelos em sua cama.

Elena: Porque eu me sinto assim Damon? Porque você me trata assim? Afastando-me cada vez mais de você. Eu desisto desse jogo. Eu não quero mais tentar ficar longe. Eu prefiro ser uma irmã junto do que um amor separado.

Vagamente pensei em beijar sua bochecha, mas ele poderia acordar. Depois de ter finalmente desabafado eu deitei no edredom e cogitei dormir. Passado alguns minutinhos o ouvi falar algo.

Damon: Elena.

Abri os olhos e me virei para sua cama. Olhei para cima e ele estava na beirinha me olhando.

Damon: Vem. – sorriu

Meus olhos se iluminaram e então eu deitei em sua cama. Ficamos estranhos um com o outro, não nos tocamos e tinha certa distância entre nós.

Elena: Eu te amo. – disse bem baixinho, eu não queria que ele escutasse.

Damon: O que disse?

Elena: Eu não disse nada.

Ficamos em silêncio novamente. No escuro, senti seus braços abraçando-me e então recostei minha cabeça sobre seu peitoral, ficando bem pertinho dele e recebendo o calor de seu corpo. Ele aproximou a boca de meu ouvido e disse “Eu também te amo”.

Notas finais
Finalmente eles estão juntos novamente, mas isso é só o começo. Gostou? Comente. Não seja um leitor fantasma, deixe seu comentário, eu prometo que leio TODOS. Obrigada á vocês que estão comentando sempre.