Sweet Dreams
1 Youth- C.1
Notas iniciais
— Lembra quando a mãe e o pai foram pra a Europa? Nós achamos que tinham nos abandonado, você lembra? por que não nós escreveram? Ai descobrimos que tinham escrito varias cartas mas elas se perderam pelo caminho, lembra-se que os e-mails deram falha e ficamos a semanas sem noticias? Você lembra como nos sentimos culpados de pensar mal deles? É a mesma situação. — Eu disse, puxando-o pra perto de mim, acariciando seu cabelo e tentando acalma-la. Sem sucesso.
—Não é não. —Ela disse, ainda chorando. — Você sabe Akkie, eles não vão voltar agora, as cartas não vão chegar depois que eles já estiverem em casa, conosco, e não vamos sorrir ao percebermos que foi tudo um mal entendido. Nem veremos o papai pegar o jornal todos os dias na porta de entrada de casa muito menos a mamãe nos acordar dizendo que acabou de tirar os cookies do forno. Eles não estão na Europa...
Dois dias Antes...
Mamãe não parava de gritar do andar de baixo dizendo o quanto estávamos atrasadas e o quanto estaríamos encrencadas se perdêssemos o voo para a Florida. Ótimo. Férias, com uma irmã de 13 anos, querendo se achar mais esperta que você e não para que não para um segundo de falar, poderia ser melhor?. Novamente, mamãe gritou e finalmente fechei o zíper da mala, a desci no chão, ao lado da cama, e puxei-a até a porta do quarto mais uma vez olhando em volta tentando perceber se não tinha esquecido nada. “Celular, carregador, fones de ouvido. Okay. câmera, biquíni, livros. Okay” pensei, enquanto nomeava-os nos dedos tentando de algum jeito não me distrair. Fechei a porta e desci, pra variar, Syrena subiu novamente as escadas da sala para o corredor e dizendo que tinha esquecido alguma coisa.
— Anda logo pirralha, vamos perder o voo e a culpa será sua. — Eu gritei.
Mamãe me olhou com um olhar reprovador sobre oque acabará de fazer, eu ri da situação e logo a pestinha de cabelos longos e castanhos desceu as escadas, correndo feito louca e ofegante disse que já poderíamos partir. Depois que fizemos o check-in embarcamos no avião e logo as aeromoças começaram com toda aquela ladainha, as coisas chatas que falam o mesmo em toda viajem, as quais, decidi não ouvir, colocar cinto de segurança era uma delas, avisos de turbulências e blá blá blá. Agradeço aos meus fones essa hora, a eles e a Imagine Dragons que me privou de ouvir Syrena reclamar e falar a viajem toda, o quanto está animada para nadar com os peixes no aquário do parque em que ficaremos hospedados, tio Phillip trabalho lá, ele prometeu que conseguiria uma entrada bônus pra nós, nadaríamos com os peixes raros e se já estivessem treinadas as baleias também. Chegamos a cerca de doze horas de viajem e o nosso tio já estava lá, nos esperava com uma plaquinha, ela era escrita em letras cursivas Família Baudelaire e um pequeno coração ao lado, amável, pensei. Embora não me lembrasse do quão parecido papai e ele fossem, não eram irmãos gêmeos, os dois eram magros e altos, cabelos grisalhos e usavam terno e gravata. Pareciam seguranças de filmes estrangeiros, era engraçado andar com eles dessa forma. Logo chegamos no tal parque que passaríamos cerca de sete dias. Eu e Syrena dividiríamos uma suíte, mamãe e papai ficariam ao lado.
—Quinhentos e vinte dois pra crianças e quinhentos e vinte três pra vocês, pode ser? —Tio Phillip disse.
—Está ótimo Phil— Papai disse e pegamos as chaves em cima do balcão na recepção.
—Não há de que Mark— respondeu.
Conversamos por mais algum tempo nós aconchegantes sofás da grande e luxuosa recepção do parque, embora fosse noite, era lindo ainda assim, as luzes que iluminavam poucas piscinas que podíamos ver do hall de entrada. Mamãe contou como estava sendo na clinica, disse que agora estava sendo reconhecida como a grande medica veterinária Bethany Baudelaire e que tinha ganhado varias promoções, papai contou sobre como gostava de trabalhar com direito e defender as causas e apelos das pessoas, eu contei sobre a faculdade que queria ingressar em breve, inclusive mamãe fez um comentário nada agradável sobre “mesmo sendo essa rebelde e teimosa que é, às vezes, fico feliz em saber que queira se formar” piscou pra mim enquanto eu revirava os olhos e todos riam do ato. Uns trinta e tantos minutos de conversa, duas latas de refrigerantes adicionados a doze horas de viajem deixaram todos nos cansados. Subimos e o tio Phil nos ajudou com as malas, logo eu me joguei na cama e minha doce e amável irmã reclamou, novamente:
— A não, Akkie, anda logo que eu preciso de ajuda pra arrumar minhas roupas nas gavetas. — Ela disse.
—Isso é serio? — Eu disse e ela concordara com a cabeça. — Lembrando que, não quero saber se esteja com medo do escuro ou não, comigo você não vai dormir pirralha.
Eu disse e me levantei pra ajudar-lhe com as malas, ela riu e resmungou algo. Depois de tudo arrumado nos deitamos ela sussurrou mais algumas coisas porem dormi facilmente. Sem pensar em muita coisa, ao contrario de Syrena, que provavelmente ficou imaginando como seria nos juntarmos aos peixes adestrados e raros pra nadar no dia seguinte, como ela contaria animadamente pros seus amigos na escola das férias na Flórida e como isso impressionaria o menino do primeiro ano no colegial que ela gosta.
Acordei com a mamãe no nosso quarto, sussurrando uma “Hora de acordar meus anjinhos” pra mim e pra Syrena enquanto se sentava na cama nos levantamos e novamente ela reclamou:
—Eu tomo banho primeiro, Akkie! — Ela disse.
—Mas vê se não demora... —falei.
Assim que ela entrou no banho, eu e mamãe podemos conversar por vinte e quatro minutos que pareceram uma eternidade, ambas sentadas na cama, mamãe disse que sem contar nada a Syrena eu podia escolher oque faríamos de inicio pela manha, para que ela não ficasse de birra nem nada sussurramos alguns planos e nos abraçamos assim que o chuveiro foi desligado. Em seguida foi minha vez, enquanto ela se vestia e conversa com a mamãe e escovava seus cabelos fazendo uma trança lateral perfeita, eu tomei meu banho rapidamente e coloquei um vestido azul, acima dos joelhos com estampas de florzinha. Íamos tomar café, depois caminharíamos pelos aquários e iriamos a um pequeno museu de coisas e antiguidades encontradas no fundo do mar. Oque ia de boneco gigante de madeira a anéis de ouro e outras porcarias encontradas na praia.
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