Sweet Dream or... Beautiful Nightmare?
3 Capítulo 1 - parte 2
Notas iniciais
No dia seguinte pela manhã, o grupo estava reunido no auditório. A maioria ainda estava na quadra, conversando e tomando café. Eles haviam entrado, pois Bella gostava da melodia do piano. As teclas do instrumento musical sempre a acalmava. Por fim, compartilhavam de uma conversa bem amigável, relembrando histórias engraçadas, rindo de si mesmos.
Ao ouvir a melodia de River Flows in You, comentou, em uma voz que continha uma nota de tristeza:
— Eu adoro essa música. Já a dancei, sabiam? Foi em uma competição de jazz adiantado. Ganhei em segundo lugar na categoria de solo, mas não pude receber o prêmio por precisar me ausentar. – não queria dar mais detalhes.
— Lembra da coreografia? – indagou Jasper.
— Sim.
O amigo prosseguiu:
— Esse ano não participou do grupo de dança daqui... Por que não dança essa música pra gente?
— Ah, já tem muito tempo...
— Vai logo, menina! – incentivou Emmett – Somos seus amigos. Tirando aquele garoto na frente, só tem a gente aqui. Não somos desconhecidos.
Sem interromper a discussão, Rose se afastou do grupo para trocar simples palavras com o pianista. Ao retornar, informou, explicando o motivo de as notas pararem subitamente:
— Olha, falei com Bill. Disse-me que só voltaria a tocar quando você se posicionar no palco, amiga. Contou-me ser apreciador das artes em geral, então seria desfeita se não ir lá.
— Minha roupa não é adequada.
Gesticulou apontando para a peça – um vestido amarelo claro, bem justo os seios e solto nos quadris.
— Olha, seu vestido é até o joelho e sei que sempre usa um shortinho por baixo. Vai lá de uma vez, mulher!
— É! Ouço dizer que você dança muito bem, mas não tive ainda a oportunidade de ver. – pontuou Sam – Vai lá, Bella. Mostre o que sabe fazer.
Em um sorriso, avisou ao descalçar as rasteirinhas douradas:
— Ok, gente. Eu me rendo. Vocês venceram.
Enfim, subiu ao palco. Após se posicionar, a música voltou a ser tocada.
Alice se encaminhava para junto dos amigos ao se deparar com Bella no palco e Edward, bem perto da saída do auditório, observando-a.
Algo mudara após cantar Part of the List. Não captava o que, entretanto a postura havia mudado. Parecia realmente que uma máscara ou armadura – ou parte, pelo menos – se desintegrou. Até parecia um pouco mais relaxado. Foi justamente esse motivo que a levou a sentar-se ao lado do amigo silenciosamente.
— Ela está linda, não é? – Alice indagou ao ver os belos movimentos da menina.
— Sim. Parece um anjo dançando. – ele não desviou os olhos para a pequena. Só uma pessoa prendia sua atenção no momento.
A admiração lhe banhara o semblante. Até mesmo evitava piscar. Não queria perder um só movimento dela. Havia se inclinado, descansando os braços nos joelhos.
— É uma boa definição. Sabia que coreografou essa música pensando no relacionamento de vocês? Quero dizer, em como tudo começou, assim como nos momentos passados juntos.
— Estranho. Não lembro dela dançando isso durante o namoro.
— A apresentação foi no dia em que terminaram. Queria lhe fazer uma surpresa. Lembra que naquela noite Isabella iria se apresentar? Era essa a coreografia. Usou um vestido vermelho, cabelos soltos... Lembro-me de me avisar que queria balancear uma dança tão suave com o toque de sensualidade do vestido, porém de forma bem discreta. Aparentemente deu certo. Ganhou o segundo lugar na competição.
A reação dele foi contida. Franziu as sobrancelhas e respirou fundo ao receber a notícia. A garota poderia jurar que conseguiu ver algo similar a dor no rosto antes de ser escondida.
Após breve silencio, Alice pediu, em tom díspar, mais grave do que costumava usar, num murmúrio cúmplice:
— Conte para ela.
— Contar o que?
Recebeu a resposta depois de a menina calar-se.
— Não. – descartou a ideia em um aceno de mão ao se recostar na cadeira – Não adiantaria nada.
— Por quê? Beneficiaria a ambos se ela soubesse.
— Nós dois seguimos caminhos diferentes. Não seria justo para gente.
— Será?
Foi o suficiente para a dúvida surgir na face masculina.
— Olhe, se Bella souber, descobrirá que não esteve tão ausente nesse tempo quanto pensa. Tenha coragem, meu amigo. Esclareça esse assunto pendente. Nem sempre as coisas são da forma como pensamos. Após contar a verdade, veja o que acontece. Não há nada para perder, mesmo.
A ceia acontecia na quadra, após a apresentação de teatro – todo ano alguém da comunidade permitia que contássemos o seu trajeto de vida para aqueles jovens e crianças por meio das artes cênicas, por meio das quais aconteciam identificações individuais por parte dos adolescentes. Bolos, biscoitos, sucos naturais eram postos em uma longa mesa para as pessoas se servirem. Eu sempre ficava junto de Jacob. Assim como nas noites anteriores, o perguntei se queria sair dali, ir para o corredor onde tinha banco. Não era porque eu queria me sentar ou me sentia cansada. Por ironia do destino, não importava o lugar que eu me posicionava na quadra, Edward entrava em meu campo de visão. Não era proposital. Isso começava a me incomodar. Eu o via lá, rindo, cercado de meninas. Além de querer estar ao lado dele, de abraçá-lo, sentia agonia devido a tantas garotas lhe fazerem companhia. Nunca aconteceu antes e me deixava angustiada. Gostar de alguém é uma coisa. Agora, a ver flertando com outras é o prelúdio do inferno.
— Jake, vamos lá pra fora? – perguntei guardando os pedacinhos do bolo cortados em desenho quadrado no guardanapo.
— Claro.
Encontramos Ângela sentada no banco. Dávamos bem com ela. Tinha quase sessenta anos. O trabalho era voltado para a assistência social. Sentamos ao lado dela e ofereci as fatias do doce. Para meu azar, em menos de cinco minutos o homem se posicionou de tal forma que era impossível não vê-lo ao olhar para frente. Isso não era de Deus. Era obra do demônio para me infernizar, certeza!
Eu já não conseguia acompanhar o raciocínio da conversa. Lentamente, toda a emoção reprimida por mim foi tomando forma, crescendo no peito. Dei uma desculpa qualquer para me afastar. Pela multidão estar na quadra, me distanciei dali, longe dos olhares curiosos cheios de perguntas inconvenientes para serem respondidas.
Pela primeira vez naqueles dias meu semblante se encheu de pesar ao caminhar lentamente. Cheguei numa área gramada cercada de árvores. Sentei na cadeira abandonada contra a parede. Ali, escondida, sozinha, aonde a única iluminação vinha da lua e das estrelas, permiti que as primeiras lágrimas descessem pelo rosto.
Não podia enganar a mim mesma. Era extremamente doloroso ter de conviver com Edward. Era um terrível lembrete de que as coisas jamais voltariam a ser como antes, que eu nunca poderia voltar a tocá-lo, abraçá-lo ou beijá-lo novamente. Droga, porque, inferno, ainda sinto tanta saudade dele? Por que a sua presença me causa tanto impacto ainda? Eu não queria carregar esse sentimento. É patético chorar por quem não te ama. A dor no peito era forte, tão resistente quanto o nó formado na garganta. Usei a mão para tampar a boca para que meus soluços não fossem ouvidos. Não poderia ser vista naquele estado, tão vulnerável, sem barreiras para me proteger. Curvei o corpo, apoiando os cotovelos nos joelhos e enterrando as mãos nos cabelos. Eu estava lá, em choro praticamente convulsivo, enquanto Edward ria. Como pode uma pessoa dizer que te ama e esse sentimento evaporar tão rápido? Eu não entendia. Tentava elucidar sem êxito. Essa afeição não nasce da noite para o dia, nem morre facilmente. Por que eu não podia, pelo menos, sentir raiva? Seria mais fácil. Eu não estaria deste modo devido a raiva. Droga, não quero sentir essa dor! Não é certo! Meus amigos estavam do meu lado, porém, a cada dia que passava, eu me sentia pior na presença de Edward. Controlei-me demais. Só agora minha máscara resolveu cair revelando a avalanche de emoções.
Não sei por quanto tempo fiquei assim. Não poderia presumir. Por fim, tocaram minhas costas e a voz suave de Ângela ressonou.
— O que houve, Bella?
— Nada, tia. – consegui falar entre os soluços, a voz completamente embargada – É coisa minha.
— Por que está assim?
Balancei a cabeça em negativa, demonstrando não querer responder.
— Ah, filha... Se não me contar, não há como ajudá-la.
— Não quero voltar a falar sobre esse assunto, tia. Não quero.
Era incrível se ela conseguia entender alguma das palavras proferidas por mim.
— Se não falar, muito provavelmente não vai se sentir melhor. A dor não vai passar. O que você precisa nesse momento é de desabafar. Não vou julgá-la em nada, menina.
Ouvi algo sendo arrastado pelo chão.
— Estou bem, não se preocupe. Passei mais de um ano falando sobre isso. Não quero voltar falar mais. Não quero.
Resisti por minutos. Por fim, devido à boa vontade dela e a confiança que lhe atribuíam – ela era uma das responsáveis por conversar com qualquer participante quem tivesse problemas sem espalhá-los – falei:
— Prometi a mim mesma que não choraria mais por Edward, mas... Dói muito. Não sei o que fazer. – neste ponto me direcionei para Ângela.
— Ainda o ama?
Acenei um sim.
— E ele sabe disso?
— Não. Não quero que ele saiba. Se souber será pior porque não suporto a ideia de ele tomar conhecimento que estou mal por causa dele.
— É melhor. Às vezes, os homens, devido à fragilidade feminina, podem agir de forma errada por causa do orgulho. A opção mais sábia é sempre nos precavermos para evitar esses cenários desagradáveis.
— Eu não queria sentir isso. – funguei completamente desolada – Passou esse tempo todo cagando e andando pra mim. Não é certo eu chorar por um cara que não se importa comigo. – sequei mais lágrimas, as quais desciam teimosas.
— Não surgiu nenhum menino por quem se interessou durante esses anos?
Ergui o tronco, encostando a cabeça na parede.
— Ah, tia... Não vou mentir. Jacob me chamou a atenção, mas... – dei de ombros – Foi só. Eu até tentei gostar dele, pra ver o tamanho do meu desespero de lutar contra esse maldito sentimento. Não consegui. Já notei que existe a possibilidade dele gostar de mim, porém não seria justo investir para que aconteça alguma coisa entre a gente se eu não retribuo o sentimento. Ele é legal demais para ser magoado desse jeito. Eu daria qualquer coisa para amar Jake. Não dá pra abrir o peito e retirar um sentimento. – fechei os olhos, me sentindo totalmente esgotada – Estou farta, completamente farta dessa situação miserável, só que... – os lábios tremeram e as palavras jorraram junto ao pranto – Droga, eu não consigo parar de sentir isso!
— É, não dá para lutar contra. Nós, mulheres, precisamos tomar muito cuidado para quem entregamos nossos corações. Facilmente podemos ser magoadas.
— Eu sei. – funguei – Como alguém pode passar tanto tempo dizendo que te ama e, do nada, isso mudar? Eu queria ser fria como algumas amigas minhas. Elas não se preocupam em beijar algum cara que não conhecem. Eu sou sentimental demais, infelizmente. Já é característica da minha personalidade. Aí eu acabo ficando assim, chorando porque amo um cara e ele está pouco se fodendo pra mim. Até me foquei em ficar ao lado dos meus amigos, conversar com outras pessoas...
— É mesmo. – a concordância foi tão intensa que virei a cabeça para Ângela – Você tem conversado com outras pessoas além de Jake, Emmett, Alice e os outros. Eu percebi isso.
— Pois é.
O diálogo continuou por longos minutos. Em nenhum momento eu parei de chorar. Ouvia as palavras de Angel atentamente, assim como ela fazia comigo. Demorou bastante até sermos interrompidas por Zafrina, que compunha o grupo da alimentação.
— Está tudo bem aí? – se ficou curiosa por eu estar conversando com Ângela enquanto chorava desesperadamente, não demonstrou – As meninas do alojamento da Bella estão dando falta dela. É quase meia-noite. Só falta ela para todas dormirem.
— Ok. – respondeu – Já estamos subindo.
Quando Blair se afastou, me perguntou:
— Se sente melhor?
— Talvez. – murmurei.
— Venha. – segurou minha mão – Amanhã será outro dia. Vai se sentir bem melhor após uma boa noite de sono.
Subi para meu dormitório. Ao entrar, as meninas me perguntaram se eu me sentia bem. Pelas expressões de susto e preocupação delas, eu deveria estar com cara de quem morreu, só faltou avisar. Respondi que sim, pegando a roupa para trocar. Não dei explicações, mesmo elas pedindo. Não queria falar nada. Apenas dormir, torcendo para me sentir melhor amanhã.
Sábado Bella lia O Príncipe dos Canalhas, sentada no sofá de casa. Era amante de leitura, então sempre havia livros espalhados pela residência.
Terminando a última página, pegou o celular para enviar uma mensagem.
De: Bella
Para: Edward
Amor, traz camisinha amanhã?
A vida sexual do casal era ativa, não havia como negar. Até por que... Bem, nenhuma outra amiga relatou que o namorado a masturbou numa reunião de amigos. Ora, ela simplesmente tinha levantado para pegar a coberta no quarto de Alice por sentir frio. Dividia o sofá com Edward e Jas e mais dez pessoas estavam lá assistindo filme na companhia deles. Realmente não imaginou que o namorado iria fazer aquilo com ela – não era uma reclamação.
Adorava a sensação de que eram verdadeiros cúmplices de momentos assim.
Até aquele dia já acontecera muito entre eles, menos consumar o ato, de fato. Edward não a pressionava, mas podia sentir certo grau de insatisfação nele por não poder avançar. Também começava a sentir incômodo. Queria que as coisas avançassem, queria partilhar isso ao lado do namorado. Esperou alguns meses para ter certeza de que não se magoaria e qual seria a postura de Edward. Afinal de contas, estava apaixonada. Uma garota apaixonada, infelizmente, pode ser magoada facilmente.
Não demorou para a resposta chegar.
De: Edward.
Para: Bella.
Tem certeza, amor?
Domingo já tinham marcado de irem para a casa de Rosalie para passarem a tarde na companhia de outras pessoas. Os pais de Isabella só chegariam no dia seguinte. Viajaram para uma conferência fora do estado. Portanto, poderiam passar o tempo juntos sem interferências e com mais liberdade.
De: Bella
Para: Edward
Sim.
De: Edward
Para: Bella
Posso chegar que horas?
De: Bella
Para: Edward.
Oito da manhã está de boa.
No dia seguinte abriu a porta no horário marcado, terminando de comer uma maçã.
— Bom dia, bebê. – disse após lhe beijar os lábios, entrando na sala.
— Bom dia. Sua pontualidade me surpreendeu.
Sentaram no sofá. Aproveitou para se acomodar no peito do namorado.
— Hey! Eu sou pontual. – disse contra a cabeça feminina, beijando os cabelos.
— É, mas não imaginei que chegaria nesse horário. Deve ter acordado bem cedo.
— Acordei há duas horas. Acredite, há motivos fortes o bastante para fazem um homem se levantar da cama às seis.
— Imagino. – sorriu antes de engolir o último pedaço – Já volto. Jogarei isso fora.
Foi para a cozinha, onde jogou o resto da fruta na lixeira. Lavando as mãos, Edward a abraçou por traz.
— Vamos pro quarto, amor. Quero ficar contigo. Senti muita saudade de você nesses dias.
— Eu também. – se virou para ele, envolvendo os braços no pescoço dele para mexer nos cabelos – Sempre fiquei agoniada quando minhas provas chegam por ansiedade. Agora, é também porque ficarei um tempo sem nos ver pra estudar.
— Sabe que podemos mudar isso agora, né? – mordiscava a orelha de Bella, fazendo a garota arranhar-lhe as costas. O ponto era sensível para ela.
— Como?
A pegou no colo, depositando a namorada na cama.
Edward não teve pressa. Já sabia do que ela gostava ou preferia. Isabella sabia o mesmo sobre Edward. O prazer mútuo os fez pedirem por meio dos gestos cada vez mais do outro. Bella cravava as unhas na pele do rapaz enquanto ele a apertava contra si.
Conhecia a garota há anos, entretanto, se no passado tivessem lhe dito que estariam juntos, não acreditaria. Não havia explicação para a forma como a menina entrou em sua vida. Na verdade chegara à conclusão de que era um idiota por não se aproximar dela antes. Isabella era tímida, mas, após conhecê-la melhor, viu a quão companheira, engraçada, simpática e humilde era. Tinha um bom coração, diferente de várias pessoas ao lado de quem conviveu.
Ao chegar a hora – já tinha posto a camisinha – sussurrou em seu ouvido:
— Posso, meu amor?
— Eu quero você dentro de mim.
Entrou nela devagar. Não era de seu desejo causar qualquer tipo de desconforto. Ao sentir a barreira do hímen o impedindo de prosseguir, usou só um pouco mais de força para ultrapassá-lo. Ouviu o guincho de dor dela.
— Shiii... Já passou.
Ocupou de beijá-la em todos os lugares onde tinha acesso, tomando mais tempo nos lábios e orelha para deixá-la mais relaxada e lubrificada – se é que era possível. Somente quando ela arranhava as costas dele completamente entregue ao prazer que lhe era proporcionado, Edward começou a se mover.
Não usou força, nem movimentos rápidos. Simplesmente deslizava por ela. Prestava atenção em cada gemido, em cada expressão dela. Não queria que sentisse dor. Seria um imbecil se viesse algum dia ferir aquela garota de algum modo. Ela o amava. Não merecia derramar lágrimas de dor ou de tristeza por ele. Ela o amava tanto quanto Edward a amava.
Quando o ímpeto de penetrá-la mais forte chegou ao ápice, avisou:
— Amor, eu vou parar. Eu...
Foi interrompido. As pernas de Bella entrelaçaram na cintura dele, prendendo-o no lugar.
— Amor, não pare. – suplicou em voz grave – Você está nos proporcionando muito prazer. Continua.
Foi impossível não acatar ao pedido. Os movimentos tornaram-se mais rápidos aos poucos. Os gemidos de prazer e pedidos para continuar apenas o mostrou o quanto ela se deleitava. Os corpos brilhavam levemente de suor e em determinado momento os quadris femininos passaram a se mexer, mesmo sem o comando dela. Ao vê-la gozando, achou que era a imagem mais lindamente erótica já vista na vida.
Acordei disposta a não permitir o ocorrido da noite anterior se repetir. Por isso escolhi uma bela roupa – uma linda blusa de cor roxa a qual contrastava na minha pele, rasteirinhas brilhosas e um short preto de algodão estampado. Deixei os cabelos soltos, prendendo uma mecha com um ponto de luz discreto. Pelo meu rosto ainda exibir as marcas características do forte choro – bolsas nos olhos, face avermelhada e semblante triste – optei por uma maquiagem discreta para minimizar os sinais: base, batom rosa e rímel. Funcionou. Ao terminar de me maquiar eu não parecia triste devido à maquiagem esconder os traços característicos.
A tristeza ainda estava lá, era inegável. Após a catarse de horas antes, era impossível não haver uma aura de certo pesar ao meu redor. Entretanto, a colocaria em segundo plano. A ideia de Edward mais uma vez se sentar-se à mesa onde me alimentava acompanhada pelos meus amigos não era agradável. Todavia, tínhamos amizades em comum. Eu precisava controlar minhas emoções, lidar com a droga desse contexto. Não havia nada que eu pudesse fazer para mudar a situação. Só me restava respirar fundo e colocar um simples sorriso no rosto. Eu tinha mais de vinte anos. Era necessário encarar esse problema. Não podia fugir. Tive anos para me preparar – tirando o aniversário da Alice, menos de três meses antes, não me deparara com ele. Sou uma garota forte, quem já passou por bullying em dois lugares diferentes por anos, família meio complicada e encarei a depressão dos dez anos até quatorze, onde tentei suicídio duas vezes. As coisas só melhoraram nos quinze. Se tudo isso não me derrubou, não é a presença de Edward que vá.
— Bom dia, gente. – de costume, dei um beijo na cabeça de todos presentes. Menos, é claro, de uma pessoa.
— Só vai tomar isso, amiga? – estranhou Rosalie – Está se sentindo bem?
Acenei ao levar a bebida aos lábios.
— Só estou sem fome. – depositei o copo na mesa, forçando um sorriso – O café vai me bastar. Relaxa.
Notei que Edward me analisava, mas escolhi ignorar. Quem me conhece sabe que eu nunca dispenso uma refeição – só se eu estiver extremamente doente ou o emocional bem abalado.
— Dormiu bem essa noite?
Havia preocupação na voz de Jake, ao lado de quem sentei.
— Sim. O normal, né? – dei um sorrisinho.
— Sabe o que quis dizer.
De repente, tive um insight.
— Foi você quem chamou Angel.
— Sim. – encolheu ligeiramente os ombros – Notei que você não estava bem. Achei que se sentiria mais confortável conversando com uma mulher do que comigo sobre esse assunto.
Deixei o copo, agora vazio, sobre a mesa antes de me levantar e inclinar o corpo para abraçá-lo por trás.
— Obrigada, meu amigo. – murmurei contra seu ouvido.
— Disponha. – me deu um leve beijo na bochecha.
Por um segundo meus olhos se depararam com os de Edward, quem nos encarava sério. A imagem era esquisita – narinas dilatadas, vinco nas sobrancelhas, mãos fechadas em punhos.
— Pode ir ao salão comigo?
— Claro.
Levantou-se para me acompanhar.
— Pra onde vão? – indagou Emm.
— Ao salão. Vem conosco? – respondeu.
— Claro.
Antes de nos encaminharmos, pedi para a baixinha:
— Amiga, pode jogar uma água nesse copo e me devolver depois?
— Sim.
Elas sabiam que havia algo de errado comigo. Só não perguntariam na presença de Edward.
Chegando ao salão, Emmett começou:
— Bella, você está...
— A presença dele me faz mal. – respondi de braços cruzados ao nos sentar nas cadeiras – Por isso pedi para Jake pra virmos pra cá. Quero passar menos tempo possível na companhia de Edward. Esses últimos dias finjo que nada me incomoda, mas não é verdade. Não tenho me sentido inteiramente bem. Ontem eu era um verdadeiro caco emocional e não quero que isso se repita, tá? – completei, os olhos marejados – Só quero rir, me divertir ao lado de vocês. Vim pra isso, não pra me entristecer por algum retardado qualquer quem partiu meu coração em milhares de pedaços.
— É assim que se fala, menina!
Jasper sem dúvida ouviu as minhas últimas palavras. Virei de costas para me deparar com ele, quem vinha ao nosso encontro.
— Se você não se sentir bem de novo, é só procurar por nós três. – avisou Jas, abraçando-me por trás – Não vamos abandoná-la.
— Exato! Já tínhamos percebido que você não estava tão bem quanto gostaria de aparentar. – disse Jake, usando o polegar para secar uma lágrima de meus olhos – Então... Estaremos aí para o que der e vier.
Emocionada devido à tanta solidariedade, falei emocionada:
— Vocês são os melhores amigos do mundo!
Não demorou a encher o salão. A banda tocava músicas latinas. Todos permaneciam sentados nas cadeiras, remexendo-se. Eu e os meninos conversávamos animados quando a música Refugio de Amor tomou conta do ambiente.
Observando que Edward não estava longe e que o grupo se mantinha no campo de visão dele, Rosalie se aproximou de Jacob.
— Por que não a chama para dançar?
— Quem?
A loira indicou Bella com um aceno de cabeça.
— Olha como ela está. Certeza que aceitaria se a convidasse.
Levou poucos segundos para os dois segurarem as mãos e começarem a dançar o ritmo de salsa. Usou o momento para avaliar a reação de Edward. O homem conversava animado com o pessoal da banda, mas, ver Bella sorrindo e envolvida numa dança provocante – ora, a salsa em si era sensual – bastou para fechar a cara. Mesmo ao longe foi visível o desconforto – passava as mãos nos cabelos, o rosto era nuances entre raiva e ciúme. Definitivamente, não gostava do que via. Até imaginava a questão que se passava pela cabeça dele: por que, diabos, nunca aceitou dançar com ela?
— Foi sua jogada?
Alice se posicionara ao lado da amiga, observando os dois dançar.
— Sim. Apenas joguei a isca. Ele pegou numa facilidade incrível.
— Menina esperta.
— Obrigada. Nós duas somos um perigo à sociedade.
— Sem dúvida!
— Saca a cara de Edward.
A sonora gargalhada foi ouvida.
— Está se mordendo de raiva! – deduziu animada – Não para de olhar para os dois.
— O que será que está se passando pela mente dele?
— Provavelmente está se xingando horrores, amaldiçoando Jake ou se perguntando a razão de não ter dançado com Isabella antes.
Aquele era o dia da visita. No quarto dia do evento era separado para os familiares e amigos visitarem os jovens dali. Então, às dez da manhã, eles começavam à chegar. Durante esse tempo as pessoas começavam a ficar ansiosas. Eu e meus amigos carregamos mais cadeiras e mesas para a quadra. As tias da cozinha tinham mais trabalho, já que precisavam preparar o dobro da quantidade normal de comida.
Esme apareceu acompanhada por Tânia para visitar Edward. Ótimo. Ao menos eu não teria de conversar na presença dele – nem mesmo ser obrigada a me dirigir às duas. Durante o almoço os três se sentaram longe de nós. Tânia parecia se sentir vitoriosa – passava a mão pelo peito dele, o abraçava... Por receber olhares maldosos vindo dela, a ignorei. Esme nem sequer olhou para a minha cara. Além de já esperar por essa conduta, não queria trocar palavras com ela. Minha experiência foi ruim demais para ser repetida.
Subi para o dormitório a fim de buscar a maquiagem. Quando voltava, me deparei com Tânia encostada na porta. A calça preta delineava as pernas. Usava uma camisa branca levemente transparente. Os saltos a deixavam mais alta que eu. Os cabelos emolduravam o belo rosto e a maquiagem lhe acentuava a beleza. Se não fosse tão maldosa, sem dúvida a classificaria como linda. Entretanto... Bem, já a sabia como era. Não a achava mais tão bonita.
— É aqui onde vocês dormem?
A mulher analisou o ambiente com tamanho desprezo que senti repugnância dela.
— Sim. Ao contrário de você, estou aqui por uma causa nobre.
— Desculpa, queridinha, mas não entendi. Na verdade, estou aqui para visitar alguém muito especial para mim, quem não sente a mínima falta de você.
— E se dispôs a perder seu tempo para tentar me insultar? Realmente, não perde a oportunidade de ser desagradável, né?
— Mais cedo ou mais tarde ele veria a pouca coisa que você é. Qual é? Ainda é aspirante a bailarina? Comparada a mim, quem está trabalhando como advogada criminalista, você é nada.
Eu já tinha decidido passar os últimos momentos feliz, acompanhada pelos meus amigos. Pessoas que se importam comigo. Não iria permitir que aquela mulher me insultasse um segundo mais sequer. Entretanto, para o azar dela, aparentemente, toda a raiva que passei durante os anos passados em sua companhia vieram à tona. Portanto, me exasperei.
— Na boa, não tenho saco para ouvir tanto veneno saindo da sua boca. Por que não me deixa em paz? Se quer tanto Edward, siga em frente. Ele é seu. Ah, não. Espera. Ele não liga pra você. Ou acha que não notei? Em momento nenhum o cara a tocou. Você é como uma cadela de rua atrás dele. Se liga, garota! Ele nunca a quis! Quando vai entender isso? É patético correr atrás de alguém que não te quer. Ao menos mantenha a dignidade intacta. Se o homem não a quer, procure outro, por favor! É patético demais ver isso tão explícito. Agora, se me permite, voltarei para o lado dos meus amigos. É bem melhor do que sustentar essa conversa ridícula.
Passei pela mulher num jato. Mais tarde cheguei à conclusão que teria sido melhor eu não me guiar pela emoção. Não poderia saber o que viria a seguir depois, ora. Não imaginei que as palavras “porca imunda” sairiam da boca de Tânia e que seria empurrada da escada.
Despertei na sala onde os membros do projeto eram levados ao se machucarem ou passem mal. Identifiquei logo pelas cadeiras e dois sofás. Antes de enfim abrir os olhos, senti a impressão de beijarem minha testa. Ouvi a porta sendo batida e virei a cabeça para ver quem havia saído. Não consegui distinguir a forma. De relance vi apenas uma grande figura desfocada.
Preparei-me para sentar, mas fui impedida.
— Calma, calma. Não se levante ainda. – Victoria pediu – Você caiu da escada. É melhor continuar deitada.
— Caí é o caramba. – resmunguei passando a mão na testa dolorida – Fui jogada pela vadia da Tânia. Eu sabia que a mulher não valia nada, mas não que seria capaz de machucar alguém fisicamente.
— Bom, isso já foi resolvido. Seu amigo praticamente a expulsou daqui. Só não fez uma cena porque hoje está cheio. Quando fui ver, a pegou pelo braço e praticamente a jogou na rua. Você é sortuda. Tem amigos muito fiéis.
— Bem feito pra aquela vadia! Não sou vingativa, mas ela mereceu. Aliás, como vim parar aqui?
— Emmett a trouxe. Ficou bem preocupado contigo. Só saiu daqui quando você começou a recuperar os sentidos.
Só tive uma dúvida. Por que, diabos, o cara saiu quando eu acordei?
Emmett e Edward conversavam no corredor enquanto a grande maioria do público já se dirigira para o auditório. Os familiares já haviam ido embora. As músicas tocadas pela banda eram altas. Devido ao horário de folga às duas horas da tarde, aproveitou para interagir com Emm e Riley, um menino três anos mais novo, quem sempre tinha uma piada acompanhada por um pingo de maldade nos lábios.
— Já vi que perdeu a garota. – comentou o mais novo.
— Como assim? – quis saber Edward.
— Olha para trás.
Ao se virar, se deparou com Bella e Jacob conversando em um banco, de costas para eles. Os corpos estavam bem próximos. Dava para perceber que se sentia confortável na companhia dele ao ponto de deitar a cabeça em seu colo – ela se mantinha deitada, ele sentado. Jacob aproveitava para acariciar-lhe os cabelos sem desviar o rosto do dela. Os dois se mantinham alheios a tudo, em sua própria bolha particular.
— Cada um tem sua vida, né? – retrucou Edward.
— Está com ciúmes, Ed? Garotas sabem como deixar um homem ciumento.
— Opa, baixa a bola aí. Eles são amigos. Bella não é do tipo quem tenta provocar ciúmes ou fazer joguinhos idiotas. – defendeu Emmett. Pela primeira vez em dias a voz não soara simpática.
— Você é cego? Esse é exatamente um exemplo ao vivo disso.
— Garoto, comparado a você, eu conheço a personalidade dela suficientemente bem para afirmar convicto de que não faria isso. Então, se há alguém que possa ter uma opinião relevante sobre ela, sou eu. Jamais fale de quem você não conhece e Bella, meu caro, é uma dessas pessoas.
— Pode até ser, mas... Bem, duvido que Jacob não esteja cuidando muito bem dela. E aí, Ed? Como se sente ao ver que sua garota está dando para outro cara?
Emmett não esperava por tal reação. Bem, de fato, o moleque merecia uns maravilhosos socos no rosto – ele próprio os daria sem pensar duas vezes. Entretanto, as coisas andaram por um caminho diferente. O desgraçado deveria perceber que era melhor mudar de assunto. O outro se mantinha estranhamente quieto. O semblante, antes descontraído, tornara-se taciturno na simples menção da garota. Ora, ao menos, de repente poderia aprender a lição e ter mais tato, pensando antes de anunciar alguma besteira.
Edward segurou o menino pelo pescoço em um movimento rápido para, em seguida, jogá-lo contra a parede. Por um segundo Emmett se perguntou se o impacto foi forte o bastante para fraturar uma costela ou duas – o som do impacto não foi agradável. Os pés do coitado não tocavam no chão.
O rosto era sem expressão ao perguntar, as palavras ressoando tão cortantes quanto a lâmina de uma faca afiada:
— Fale de Bella assim de novo e terá de ser rebocado em uma maca de hospital. Fui claro o bastante?
O outro, calmo, apenas observou a mão de Edward se fechando mais a cada segundo na garganta do outro. Parecia manter-se alheio ao fato de que isso o impossibilitaria de articular. Devido a preocupação, interviu:
— Edward, eu posso não ser médico, mas garanto que essa coloração roxa azulada na face dele não é um sinal exatamente saudável. Ao contrário de nós dois, o imbecil aqui é menor de idade. Não que eu concorde por ele falar igual a um retardado idiota, mas... Homem, você não vai querer parar na polícia só porque enforcou um imbecil. Sugiro largá-lo para Riley respirar.
As palavras tiveram o efeito esperado. Soltou o garoto, quem despencou em um som abafado no chão.
— Enlouqueceu? – conseguiu articular entre as tossidas, erguendo-se desajeitado – Eu só disse a verdade sobre Isabella.
Antes de Edward se mover, Emmett puxou Riley, o posicionando em sua frente:
— Me ouça atentamente, tá? – disse como se lidasse com uma criança ignorante – Se eu fosse você, sairia daqui. Procure outra pessoa para chatear.
— Não sou covarde! O errado foi ele!
— Não é questão de covardia, sim de inteligência. Acha mesmo que esse cara blefou sobre Bella? Não. Garanto-lhe. Agora, se há um solitário neurônio funcionando na sua cabeça desmiolada, o aconselho a se afastar de Edward. Se provocá-lo de novo, não vou salvar a sua pele.
Aparentemente funcionou. O garoto lhes lançou um olhar furioso antes de entrar no auditório.
Ao notar que ninguém poderia escutá-los, indagou:
— Está tudo bem?
O outro se surpreendeu.
— Sim. É que... – completou sem encará-lo – Simplesmente não gosto de ouvir alguém insultando Bella.
Eu vivia um verdadeiro pesadelo. Não era possível. Às 15:00, assim como os demais, já nos encontrávamos em nossos respectivos grupos de estudo. O problema é que assistíamos a um filme numa sala bem arejada, onde Edward se sentara ao meu lado. Por sorte ou azar – ainda não consegui decidir qual termo se encaixaria melhor – uma das amigas dele, Jéssica, se sentara entre nós dois. Nada me perturbaria se eles não tocassem frequentemente, ou então trocassem comentários aos sussurros. Não havia nada que eu pudesse fazer. Ora, era visão periférica.
Um misto de tristeza e raiva tomou conta de mim por quase uma hora. Em vão procurei posições as quais não conseguia ver os dois. A maneira como ele a olhava me incomodava demais. Infelizmente, nada eu poderia fazer para mudar algo.
Por fim, antes de surtar, escolhi sair dali. Inventei uma desculpa qualquer, mais precisamente que iria beber água. Essa mentira é bastante útil em várias ocasiões. Não queria que o episódio da noite anterior se repetisse, principalmente assim tão cedo. Já chorei o que era pra chorar. Agora, era hora de me divertir, de me sentir bem ao lado dos meus amigos. Não devo me entristecer por esse garoto.
Se eu não poderia – ou melhor, não queria nem poderia, para a minha própria paz de espírito – permanecer na sala, procurei por algum trabalho. Era o que mais tinha por lá. Encaminhei-me para a cozinha. Lá sempre havia algo para se lavar.
— Blair. – chamei por uma das responsáveis, me aproximando do amplo espaço – Precisam de ajuda aí?
— Só se estiver disposta a prender seus cabelos.
Não queria prender eles, não. Os cachos formados eram bonitinhos demais para serem desmanchados.
— Aliás, não era para você estar no seu grupo de estudo? – desconfiada, ergueu uma sobrancelha, num tom que sugeria que não era para eu estar ali naquele determinado momento.
Por que a maldita mulher não deixava passar nada? Eu só desejava lavar louça o suficiente para ocupar minha cabeça, poxa! Não era um crime!
Quase agradeci quando uma voz ecoou:
— Que faz por aqui, gata?
Virei-me. Emmett segurava a alça de um balde numa mão enquanto na outra segurava rodo e vassoura.
— Procurando alguma coisa pra trabalhar. – fui ao encontro dele, quem estava meio metro longe de mim.
— Mas e seu grupo de estudo?
— Vamos dizer que hoje um serviço manual seria mais útil para mim.
— Saquei. Bem, você por vir comigo para lavar os banheiros. Jas ia me ajudar, mas me abandonou. Ainda estou achando que ele está simulando a enxaqueca para não cumprir com essa determinada tarefa.
— Maravilha! São dez banheiros para serem limpos aqui em baixo.
Enquanto caminhávamos, me olhou desconfiado ao proferir essas palavras.
— Nunca vi alguém tão animado para realizar esse serviço. Deve estar desesperada, mesmo.
— Acredite, menino, não imagina o quanto!
Antes de chegarmos ao primeiro banheiro, fui buscar outra vassoura e rodo para auxiliá-lo.
Quando já quase terminávamos o primeiro banheiro, Emmett proferiu, retirando um celular do bolso traseiro
— Isso aqui está bem sem graça. Nada funciona sem uma boa música.
Purple Lamborghini começou a tocar do aparelho
— Agora está bem melhor! Arrasou!
Segundos depois, falei:
— Droga, essas músicas me deixam doida pra dançar!
— Então dance, menina. Terminamos de lavar aqui. – avisou.
— Só se você me acompanhar.
Os minutos seguintes foram extremamente divertidos. Emmett, mesmo não sabendo dançar, se soltou junto comigo. Balançávamos nossos corpos acompanhando o ritmo da melodia. Eu, como sempre, puxei pra um lado mais sensual. Simplesmente adoro movimentos provocativos, que atiçam a imaginação masculina. Então, foi isso o que eu fiz, até que, por fim, Emm se posicionou atrás de mim enquanto eu dançava de maneira, no mínimo, sexy. Nós éramos só dois amigos se divertindo juntos. Não havia maldade.
Ríamos de nossas performances quando a porta se abriu bruscamente e Edward surgiu. Ele parecia colérico ao nos ver. O rosto mudou em segundos de neutro para raiva. Congelou ali, agarrado à maçaneta.
— Que foi? – meu amigo mantinha as mãos na minha cintura, posicionado atrás de mim.
— Desculpa interromper. – havia um toque irônico na voz – Bella, você precisa vir comigo. Pediram-me para procurá-la, já que ainda não subiu.
— Avisa que vou passar a tarde ajudando Emmett. Não vou voltar. – respondi.
— Não depende só de mim. Acredite, por mim eu não estaria aqui, então anda logo.
— Já falei. – retruquei numa voz firme – Vou ajudar Emm. Se for necessário, inventa uma desculpa. Diz que estou impossibilitada devido à dor de cabeça. Vão entender se eu estiver passando mal.
— Não vou mentir por você. Deixa de ser criança.
Edward fez a menção de vir em nossa direção. Pela mão dele ter se estendido na direção do meu pulso, imaginei que ele literalmente tentaria me arrastar de volta. Pelo visto, isto também se passou na mente de meu amigo.
Emmett deu um largo passo para frente, ficando entre nós dois. Sua expressão era contrária ao que eu estava acostumada. Tornara-se séria, com um vinco formado entre as sobrancelhas.
— Você não vai obrigá-la a ir pra nenhum lugar enquanto eu estiver aqui.
— E quem é você para dizer o que devo ou não fazer? Só estou cumprindo um favor. Não vejo motivos para ela não retornar. Aliás, me desculpe por ter interrompido um momento tão íntimo entre vocês. Não foi a intenção.
— Como é?
Em voz carregada de sarcasmo maldoso, explicou:
— Sejamos honestos. Há lugares propícios para certas coisas serem feitas. Estamos no meio de um projeto social. Não custaria nada para vocês esperarem até chegarem na sua casa, onde poderão desfrutar do quarto de maneira a lhes ser bem prazerosa.
A tensão entre ambos já era inegável. Agora, após esse pronunciamento, piorou. Ela se tonou tamanha que eu não me surpreenderia se a sentisse na ponta dos dedos. De tão perplexa sequer consegui elaborar uma resposta em minha defesa. Meu corpo congelou diante a ofensa. Não era do feitio de Edward agir assim. Tive a oportunidade de desfrutar da companhia dele por anos nunca presenciei sequer algum tipo de grosseria saindo de seus lábios. Era o tipo de pessoa quem se dava bem com todos. Não havia porquê de agir como um perfeito idiota. Eu não era mais nada dele.
Enquanto eu me encontrava congelada, Emmett, diferente de mim, esboçou reações. Fechou as mãos em punhos. De alguma forma seu tronco ficou mais ereto, realçando o porte grande físico e muscular. Não duvidava nada que o maxilar estivesse trancado. O conheci meses antes do término do namoro. Saímos vezes o suficiente e conversamos o suficiente para poder chamá-lo de amigo. Entretanto, nunca antes, devido à personalidade tão descontraída e simpática, pensei que ele pudesse assustar alguém. Não posso manter essa opinião.
Sobressaltei-me. O riso sem humor – que quebrou o pesado silêncio – me pegou desprevenida.
— Vamos deixar uma coisa bem clara. – iniciou Emmett – Você não é ninguém para questionar como eu me comporto ao lado dela. Alice falou várias vezes o quão legal você era. Eu realmente acreditei nela. Admito o meu erro. Ora, eu não o conhecia para formar um julgamento da sua pessoa. Agora, eu realmente não compreendo como alguém que é tão bem quisto por Alice, quem é extremamente seletiva em suas amizades, se comporta como um escroto de merda sem a porra de um motivo sequer. Isabella não sairá daqui se ela não quiser. E pelo o que ela disse, já deixou claro que continuará ao meu lado. Se eu fosse você, daria meia volta e iria para a sala de onde veio. Do contrário, amigo, terá problemas comigo.
Sem alternativas, me lançou um olhar irritado antes de ir embora.
Aproximei-me devagar, envolvendo os braços na cintura masculina.
— Valeu, Emm.
— De nada. – virou-se para mim – Só me explica uma parada?
— O que?
— Como uma garota tão maneira como você pode gostar de um troço escroto como aquele?
A minha gargalhada foi genuína.
Emmett não entendeu o motivo de Edward ser o protagonista de uma cena tão desagradável. Não havia lógica. Um ponto que o fazia chegar à conclusão de que o homem ainda sentia algum sentimento por Bella, foi o olhar lançado antes de sair. Podia jurar que vira ciúmes ali.
Alice pedira o celular de Edward mais cedo usando a desculpa de que a bateria do aparelho telefônico dela acabara. Mentiu, é claro. Bateu várias fotos de si – já era de se esperar –, do evento, dos amigos... A resolução da câmera era ótima, se aproveitando a bel prazer. Entretanto... Esse não foi seu objetivo principal.
De súbito lembrou-se de uma conversa com Edward pelo Whatsapp. Bem, na verdade, um áudio meio comprometedor. Nada muito revelador. O conteúdo apenas indicou algo que poderia estar no celular dele. Não era certo fuxicar a privacidade do amigo. Mas... Oras, era um mal necessário! Se quisesse ajudá-lo, precisava ver o conteúdo.
Isso a levou a abrir a pasta de fotos. Procurou até achar o que queria. Havia várias as quais Bella postou nas redes sociais. Rapidamente notou que ali também continha algumas após o término – inclusive que ela publicou duas semanas antes. Se sua memória não falhasse, era pra Jake estar ao lado da amiga numa em especial. Estranhamente, foi cortado.
Era por isso que se sentara na quadra, onde estava vazio e poderia ver quem se aproximava. Precisava chegar o celular do amigo, mesmo sem permissão. Na semana anterior recebera uma mensagem pelo Whatsaap de Edward e era necessário verificar a veracidade da informação.
Ao terminar de lavar os banheiros, Bella se encaminhou para ajudar na louça da cozinha. Emmett se sentou em uma cadeira na quadra – as mesas já haviam sido arrumadas para o jantar. Encarava um ponto fixo há vários minutos perdido nos pensamentos quando uma voz o interrogou.
— Qual é o problema?
Virou-se assustado para se deparar com Alice acomodada na cadeira ao lado, batendo uma foto pelo celular.
— Nenhum em especial. – deu de ombros.
— Qual é. Quantas vezes você ficou completamente alheio ao que ocorria a sua volta? Nem me notou aqui.
De súbito, virou-se completamente para ela.
— Olha, eu vou perguntar uma parada... Você vai achar muito estranho, mas ou me responde isso ou serei obrigado a dar o endereço de um psiquiatra para Edward.
— Nossa, agora fiquei até curiosa! O que foi? – bateu mais uma foto fazendo biquinho.
— Não há outra forma de perguntar, então lá vai. Edward superou o fim do relacionamento entre ele e Bella?
Imediatamente o celular foi largado na mesa, em segundo plano.
— Qual o motivo da pergunta?
— Presenciei duas situações distintas hoje onde o foco eram eles e realmente não sei o que pensar. Dependendo da sua resposta, explicará tudo. Do contrário, o encaminharei para um psiquiatra.
— Não posso responder sem o material necessário. Conte o que aconteceu.
Após um breve relato, Alice disse, escondendo a animação:
— Bem, não posso afirmar se Edward sente algo por ela. O próprio não comentou nada sobre esse assunto comigo. Agora, se baseando nisso o que você me disse... Qual seria a sua conclusão?
— Que o cara é um retardado idiota por não se aproximar da garota de quem obviamente ainda ama.
Em uma hora finalizamos o serviço. Então, ao passar pela cozinha, vi que havia duas tias lavando a louça.
— Precisam de ajuda?
— Está de folga, menina? – indagou a morena.
— Sim.
— Graças à Deus! A gente precisa se juntar ao resto do pessoal na outra cozinha para auxiliar na preparação do jantar. Consegue dar conta dessa louça pra gente? – pediu retirando a toquinha dos cabelos.
— Sem problema.
Me posicionei onde elas estavam enquanto saíam apressadas. Meu celular estava descarregado. Emmett foi ajudar com as crianças, portanto eu estava sozinha. Minha mente não demorou a elaborar uma série de pensamentos enquanto secava parte dos pratos.
— Se ele acha que sou burra ao ponto de ficar triste por causa dele, está redondamente enganado! Sou linda, gostosa, gata e maravilhosa demais pra isso! Quem pensa que é ao exigir que eu subisse?! Ainda bem que Emmett estava lá. Do contrário o retardado iria me levar a força. Ele bem que podia tentar, né? Eu iria arranjar um escândalo horroroso! Por um momento pensei que o cara se incomodou de me ver dançando tão feliz com Emm. Ora, se não fosse por ele, eu não teria saído de lá! Não é possível, Edward está fazendo de propósito! Só pode estar brincando! Rindo horrores da minha cara! Porra de retardado imbecil! Mas eu sou burra mesmo, né? Ainda me sinto mal por causa de uma merda quem nem liga pra mim! Aí quem se fode nessa porra? Eu! Isso não é justo, poxa! – olhei para cima, como se me direcionasse para Deus – Pode falar, é algum carma do passado, né? Sacaneei uma porrada de homem e agora estou pagando pelo erro, certo? Nesse exato instante tem uma dúzia de espírito de homem olhando pra mim cara e dizendo: “bem feito, trouxa, pra saber o que sofri por sua causa”, né? É a única explicação! – voltei à encarar os pratos – Na boa, cansei de ser burra! O outro está lá, se agarrando às meninas durante todos esses dias! Vai se foder, filho da puta! Aí, do nada, sem mais nem menos, o idiota tenta me levar à força? Ah, vá pro inferno! A pior parte é que estou aqui, abandonada, sozinha, na rua da amargura, sem ninguém! Droga, não é justo!
Por um movimento de cabeça, vi um vulto parado atrás de mim. Ao me virar, deparo-me com minhas amigas encarando-me imóveis.
— Que foi? – perguntei.
As duas caíram na gargalhada.
— Não sei. – respondeu a loira – Só passamos por aqui e vimos você discutindo com o pano de prato. Algo completamente normal.
Terminei de secar a louça quase às sete da noite. Corri para me arrumar. Precisava urgente de um banho. Em menos de uma hora encontrei com os meus amigos na mesa para o jantar, o prato de comida já em mãos. Escolhi um macacão azul marinho que ia até o meio das minhas coxas com estampa de belas flores vermelhas. Meus pés estavam cobertos por um tênis branco. Como era de praxe, um forte batom vermelho estava nos lábios. Prendi os cabelos num rabo de cavalo.
Alice, ao me acomodar, anunciou na ponta da mesa:
— Agora que ela chegou, finalmente posso contar!
— Contar o que?
— Você discutindo com o pano de prato.
— Como? – indagou Emmett, sentado ao meu lado.
— Exatamente o que ouviu. – respondeu Rose, visivelmente prendendo o riso.
— Amiga, eu não discuti com o pano de prato. – repliquei num tom divertido.
— Ah, não? Vou contar e vocês me dizem o que acham. – falou a baixinha – Eu e Rose estávamos indo para o banheiro. Até aí, sem problemas. Quando passamos pela cozinha, onde Bella secava louça, a amiga de vocês estava numa discussão ferrenha. Segurava o pano de prato numa das mãos, revoltada, balançando ele para todos os lados, falando sozinha, gesticulando e balançando a cabeça.
— Alice, poderia, se possível, simular essa discussão? – pediu Jasper rindo.
— Sem dúvida.
Alice fingiu segurar um objeto em uma das mãos e passou a gesticular, numa expressão revoltada, como se discutisse com uma pessoa.
— Eu não estava assim! – protestei.
— Pior que estava, Bella. Você não deve ter notado. – retrucou a loira gargalhando – Eu presenciei isso, amiga.
— A melhor parte foi quando virou e viu que nós a observávamos. Ela simplesmente perguntou, numa voz inocente: Que foi? – completou Alice.
— Afinal, por qual motivo você brigou com o pano de prato, Bella? – quis saber Jake.
— Bem, na verdade...
Eu ia contar a verdade. Ora, não havia necessidade de esconder. Eles sem dúvida já sabiam a razão do meu desconforto nos últimos dias. Entretanto, precisei mudar meus planos. Nesse momento, Edward escolheu surgir – sabe-se lá Deus de onde – e se acomodar na minha frente. Congelei por três segundos o encarando, antes de continuar.
— Sabe que eu nem lembro? – minha voz se tornou aguda, saindo rápido, enquanto eu usava as mãos para gesticular – Era tanta coisa que se passava pela minha cabeça. Já nem lembro. Eu sou esquecida. Esquisito, né?
A minha reação só serviu para todos, inclusive eu, cairmos na gargalhada – menos Edward.
— É aquela falha de memória momentânea. – comentou Rose.
— Excelente para escapar de situações comprometedoras, por sinal. – completou Emmett.
— Bella, você é ótima! Suas histórias são as melhores! – comentou Jake ao meu lado direito antes de encostar sua cabeça contra a minha por meros segundos.
— Queriam o que? Meu celular está descarregado e não tinha ninguém lá comigo. Eu viajei na maionese.
Não sei por qual motivo, mas, do nada, a discussão se voltou para a minha vida amorosa – cuja existência, venhamos e convenhamos, não estava lá essas coisas.
— Gente, falta esse homem aparecer. Se alguém tiver informações me passa, por favor! – respondi.
Começaram a dar as características que enquadravam no homem perfeito para mim. Curiosamente, Edward e Emmett mantinham-se quietos. Não falavam nada.
— Qual o nome que você gosta, amiga? – perguntou Rose.
— Gabriel.
— Tem algum Gabriel aqui? – quis saber Jas.
— Conheço um. É bonitinho. 20 anos.
— Está fechado! Bella, esse daí será o amor da sua vida!
— Se formos parar pra pensar, o amor da vida da Bella é uma pedra no sapato dela. – disse Jake.
Por debaixo da mesa chutei a perna dele.
— Ai! – se encolhei pela dor.
— Triste realidade. Jamais foram ditas palavras tão verdadeiras.
De súbito, Emmett soltou:
— Não. O amor da vida dela é um retardado imbecil quem prefere não fazer porra nenhuma e agir como filho da puta. – completou, virando-se para Edward, em tom de desafio – Se discorda comigo, é só ele falar.
Em expressão sarcástica, Edward se levantou e se retirou a passos firmes.
A noite já caíra e poucas pessoas permaneciam na quadra. A grande maioria já se descolara para o salão, onde a banda tocava antes de iniciar uma peça de teatro.
— Ah, nem contei. – iniciou Alice. Nesse ponto estávamos eu, Jas, Emmett e as meninas – Ed conseguiu um emprego e saiu de casa dos pais.
— Mentira que não mora mais com aquela bruxa dos infernos? – minha voz saiu mais aguda que o normal por causa da surpresa.
— Bruxa? Eu já a vi uma vez. Ela não passa essa imagem. – falou Jasper terminava de devorar o pedaço de pudim o qual dividi com ele.
— Esse é o ponto, meu amigo. As piores bruxas são as que têm uma aparência impecável. – respondeu Emmett.
— Espera aí. Eu e Alice estamos boiando. – interviu a loira – Achei que vocês se davam bem.
— A velha é uma megera horrorosa! Bem, de início ela soava tão educada e bondosa que não notei. Depois as coisas mudaram demais! – expliquei.
— Só aconteceu uma coisa boa disso daí. – Emm jogava uma porção de balas na boca.
— Qual? – quis saber Jasper.
— Você me conheceu, Bella.
— É verdade. Foi o único ponto bom daquela tarde.
— Bella, eu e as meninas estamos de fora. Pode explicar, por favor, o que houve? – pediu Jasper inclinando o corpo na minha direção.
— Pensei que havia dito... Enfim, a situação foi a seguinte... Ou melhor, as situações. Vou contar como as coisas começaram.
Bella quase não dormiu de noite. Passou a madrugada preparando vários doces e o bolo de aniversário do namorado. Ela, junto a James, Leah, Tayler e afins, juntaram as economias para comprar o material dos doces preparados. O bolo de chocolate, sabor preferido dele, ficou excelente. Até ela se surpreendeu com o resultado. Preparou três camadas. Usou brigadeiro e doce de leite para o recheio e chantilly para a cobertura. Decorou com morangos, granulados, bombons e castanhas. Quando os novos colegas viram as gotas do resultado final, elogiaram-na por uma semana, mesmo sem jamais poderem saboreá-lo.
Combinaram tudo três meses antes. Edward não queria nada em especial de aniversário, mas, assim como os demais, sabia que o namorado sempre quis um aniversário surpresa. Então conversou em segredo com os amigos que ele e James tinham em comum. Nenhum esbanjava dinheiro, porém cada membro do grupo colaborou para os doces. Inclusive, preparou torta de limão e pavê, as sobremesas favoritas dele. Sempre a bajulava e era mais carinhoso ainda depois de comê-los.
Foi quando completavam dez meses de namoro. Renée pediu folga do hospital. Charlie chegaria de noite. Esme se encarregou dos preparativos para enfeitar a casa. Tudo estava combinado. Saíram com o grupo de amigos para passar o dia fora em comemoração, com o auxílio de Renée e Carlisle. A programação era passar o dia fora, retornando somente às sete da noite.
Escolheu o melhor vestido – azul marinho, decotado na frente valorizando os seios e outro maior atrás, deixando as costas de fora. Quando estavam retornando, enviou uma mensagem para Esme sem ele saber.
Edward abriu a porta da sala, murmurando:
— Ué, porque está escuro assim...
Os convidados surgiram dos esconderijos cantando parabéns e a luz foi acesa por Alice. Edward abriu um sorriso tão quando que Bella registrou na memória.
— Parabéns, meu amor! – o abraçou fortemente.
Afastou-se, abrindo espaço para as pessoas se aproximarem dele.
Encontrou James e Leah sentados no sofá.
— Oi, gente!
— E aí, gata?
Os dois se levantaram para cumprimentá-la.
— A sua ideia foi ótima! – comentou o homem – Olha como ele está sorrindo.
— Minha só, nada. Se vocês não tivessem topado, nada disso estaria acontecendo. – retrucou encabulada.
— Sua, sim! – insistiu Leah – Foi você quem deu o ponta pé inicial.
Passaram quase uma hora conversando. Entretanto, ao notar que as sobremesas oferecidas não eram as minhas, falou:
— Ué, cadê as coisas que preparei? Minha mãe trouxe tudo pra cá no carro.
— Bem observado. Deveriam estar servindo elas.
— Já volto. Darei um pulinho na cozinha para checar.
Direcionou-se à cozinha, mas, por ouvir as vozes vindas de lá, parou. Não queria entrar num momento inapropriado.
— Acha mesmo que eu iria permitir servirem os doces preparados por essa sem graça no aniversário do meu filho? – a voz era de Esme – De jeito nenhum.
— Sem dúvida. A propósito... Ele já está há quase um ano com ela. Se não tomar cuidado, Esme, ela se tornará sua nora.
— Só por cima do meu cadáver. Isabella não é lá grande coisa pro meu filho. Não o eduquei para namorar uma aspirante à bailarina. Só não criei caso porque não vai demorar a largar Isabella.
— Espero que isso aconteça logo. Há anos estou de olho no seu filho. Não vai demorar a perceber o tipo de mulher que sou e que essa menina é zero a esquerda. Ah, o que fez com aqueles doces?
— O óbvio. Joguei fora. Não prestavam para nada.
Ia entrar para tirar satisfação, mas a puxaram. Leah e James a levaram para um dos cômodos vazios e fecharam a porta.
— Não confronte elas, amiga. – pediu Leah, solitária.
— Vocês ouviram?
— Cada palavra.
— Olha, tenta ignorar isso, tá? As duas sempre foram assim.
— Mas... É maldade! Nós juntamos o dinheiro e ainda por cima passei a madrugada acordada preparando tudo. Não dá pra simplesmente fingir que não aconteceu.
— Escuta, Tânia sempre foi uma cobra. – explicou James. Visivelmente estava revoltado pela situação, pois respirava fundo vezes seguidas para se acalmar – Sempre quis a oportunidade perfeita para fisgar o Ed, mas o cara nunca deu bola para ela. Ele só tem olhos pra você.
— E você não é nenhuma sem graça. – a jovem a abraçou por trás, consolando-a – É linda, ao contrário daquelas bruxas. Edward demorou a se apaixonar. Esperou a garota certa, pode crer. A nossa palavra vale mais do que das megeras horríveis.
A comemoração continuou sem grandes incidentes. A menina procurou esconder a decepção, então voltou a dialogar normalmente.
Esme reuniu todos na frente da mesa do bolo. Os convidados se posicionaram.
— Então... Gostaria de agradecer a presença de vocês. – iniciou Edward – Eu realmente não fazia ideia de tudo isso, nem quem organizou.
A mãe, quem estava ao lado dele, falou, numa voz carregada de simpatia:
— A ideia foi minha, mas não teria acontecido nada sem a ajuda de todos.
— Velha mentirosa! – a voz de James foi o motivo de Bella segurar o riso.
A garota passou os olhos pelas pessoas e viu nitidamente que quem sabia da verdade encarava Esme indignados.
— Então... Obrigado, de coração. – finalizou o aniversariante.
— Falta bater foto para registrarmos esse momento, gente. – Carlisle lembrou.
O pai se postou ao lado do filho. Todavia, o garoto falou:
— Amor, vem pra cá. Bella, venha aqui.
A menina foi, mas, ao ver o pedido acatado, Esme chamou Tânia.
Quem visse a foto bonita, jamais imaginaria que Tânia queria o namorado de Bella, que Esme jogara fora os doces preparados por Bella e nem que a menina segurara a choro para ao descobrir o quanto Esme a desaprovava.
Estava atrasada. Tinha apresentação de flamenco do outro lado da cidade de noite. Precisava ir pra minha casa se arrumar. Do lado de fora da sala – onde estava – todos se divertiam na piscina. Na primeira vez que foi pra casa dele se surpreendeu. Ora, não esperava que a família tivesse dinheiro assim. Os pais de Bella trabalhavam no hospital público ajudando pacientes com baixíssimo poder econômico. Então, não desfrutavam de tanta grana. Não passamos necessidade, mas também não era o suficiente para esbanjar.
Edward parecia muito feliz lá. Os amigos desfrutavam da piscina junto de algumas garotas. Para seu azar, Tânia também foi. Detestou a mulher de cara. Era amiga de infância do namorado, mas tinha a impressão que Esme a empurrava para ele. Inicialmente, a sogra recebeu Isabella bem carinhosa, cheia de beijos e agrados. Aos poucos fui notando que o comportamento dela mudara. Nada muito explícito, é claro. A mulher era fina demais para transparecer a sua hostilidade de maneira grosseira. Eram olhares desprezíveis, um tom de voz que poderia facilmente qualificar como nojo ao pronunciar meu nome... Enfim. Não era nada agradável.
Outro ponto negativo eram os amigos de Edward. A menina nunca pertenceria àquele grupo. Diferentes dos outros, esses eram esnobes. Quando Ed estava por perto, a tratavam bem. Do contrário, excluíam-na de qualquer roda de conversa. Só lhe restava cruzar os braços ou usar o celular para ler ou conversar com algum amigo. Eles deixaram claro que não era uma pessoa bem-vinda. Em contraste deles, as roupas dela não eram de marca e não passava as férias no exterior. Aparentemente, não acreditaram que seu objetivo era ser bailarina profissional. Pelos olhares lançados por algumas meninas, ela era encorpada demais para me sustentar em uma sapatilha de ponta de ballet. Eram justamente esses comportamentos que a faziam não ir a algum evento com essas pessoas. Infelizmente, eram frequentes demais e o namorado queria que o acompanhasse. Não me sentia confortável lá. O único quem se portava bem com Isabella era Carlisle, sempre simpático. Dentre eles, era o único quem dizia que ela seria uma excelente coreógrafa e bailarina – sempre havia troca de olhares debochados entre as meninas e sua esposa quando essas palavras saíam de sua boca.
Saiu do banheiro já seca e vestida – short e blusa simples, um par de chinelos nos pés. Direcionava-me para o os jardins, onde a festa acontecia, quando Esme a parou.
— Vai para algum lugar, querida?
O belíssimo vestido longo de cores frias caía-lhe impecável. Certamente gastou cerca de mil dólares nele, já que só usava roupas de grife. As rasteirinhas carregadas de pedras apareciam nos pés ao caminhar. Argolas douradas pendiam-lhe das orelhas e várias pulseiras balançavam nos braços. Um sorriso falso desenhava o rosto.
— Eu já tenho que ir, Esme, desculpe. – foi a mais educada possível. Sempre era, já que a mulher a detestava – Vou apresentar uma coreografia num teatro do outro lado da cidade. Se eu não sair agora, chegarei atrasada.
— Ah, então está bem, mas... – usou uma das grandes unhas para apontar para o lado – A porta fica ali.
— Eu ia chamar Ed. Ele havia dito que me acompanharia...
— Oi? – interrompeu-me piscando os olhos em uma expressão agradável – Não, querida. Você está confusa. Meu filho não sairá daqui esta tarde.
— Ele falou isso? – indagou em uma voz mais grossa, apertando os olhos.
— Eu disse.
— Claro... – murmurou – Bom, então só vou dar um beijo de despedida nele antes de sair.
— Não, não, não. – se pôs em seu caminho em poucos passos – Ainda não entendeu, querida?
Cansada daquilo, a voz soou extremamente grave.
— O que é para eu entender?
— Vamos, olhe pra frente.
O fez. Deparou-se com todos do lado de fora rindo, se divertindo. Tânia estava na piscina, sentada nos ombros de Edward enquanto jogavam bola na água.
— Sabe o que eu vejo sempre que está lá com eles? – começou Esme – Vejo que você não se encaixa. Vejo que nada se relaciona em nosso mundo. Sabe quem é uma garota ideal para o meu filho? Tânia. Ela está estudando direito em uma grande universidade, não essa coisinha sem importância estudada por você. Não percebe? – segurou seus ombros, posicionando-se atrás dela – Tânia é lindíssima! Vem de boa família, é extremamente inteligente, articulada... Não pensa em ser uma reles bailarina, um sonho o qual nunca irá se concretizar. Ela pensa alto, querida, ao contrário de você. Será advogada criminalista. É ao lado de uma mulher assim que quero ver meu filho, não uma garota igual a você. Ao analisar a cena, me diga: Edward sente a sua falta ali?
Já sabia a resposta. Eles riam tanto... Ausentara-se por quase trinta minutos. Por que ele não ira ao seu encontro ou simplesmente não a procurara? Melhor, por que, mesmo após um bom tempo, não percebeu o desconforto, o quanto ficava de fora nessas reuniões? Um nó extremamente apertado se formou em na garganta à medida que prendia o choro. Não ia transmitir fraqueza perante Esme. Era uma cobra criada. Eu não daria esse gostinho.
— Eu sei, querida. Dói se dar conta que a sua presença é insignificante entre nós. – continuou. Durante a conversa a mulher conseguiu manter-se completamente polida. Todavia, Bella detectava a maldade por detrás das palavras – Agora, que acha de ir embora? Ninguém sentirá a sua falta. Garanto.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Resolveu fazer exatamente isso. Apanhou minha bolsa e se apressou ao máximo para se afastar dali.
O vento fresco jogou os cabelos para trás ao chegar à rua. Fez sinal para o primeiro táxi que passou e adentrou nele. Passou o endereço ao motorista. Segundos se passaram em silêncio, observando a rua, lutando contra o choro, quando ouvi as palavras.
— Ah, não. Ok, agora se tornou pessoal. Uma menina tão bonita como você não pode chorar assim. Deixa-me ver... Não foi despedida do trabalho. As roupas são informais. Acho que estava em um evento, provavelmente acompanhada de familiares, amigos ou do namorado. Acertei?
Estranhou o fato de o tom simpático provocar reações positivas em nela – a fez querer sorrir.
— Não vai falar nada? Menina, ouça a voz da experiência. Por ter guardado coisas demais, acabei doente. Que acha de levar uma conversa descontraída com o motorista de táxi? Afinal, quais são as chances de nos vermos de novo?
É. Talvez fosse bom simplesmente dialogar no caminho pra casa.
— Mínimas, eu acho.
— Ah, consegui arrancar três palavras dela. – comemorou erguendo o punho direito – Tá, agora a segunda parte. O que houve?
— A minha sogra é uma bruxa. Meu namorado é ótimo. Em compensação, a mãe e alguns amigos dele apenas me suportam.
— Ih, já que vi que o troço é complicado... – comentou – O cara sabe disso?
— Não. – secou a lágrima a qual teimou descer pelo rosto – Prefiro não contar nada. É delicado, entende? Tipo, conheci outros amigos dele numa festa. Eles são completamente diferentes. Acolheram-me, me incluíam nas conversas... Esses, não. Simplesmente me ignoram. Nenhum se aproxima de mim. Sem mencionar que não acreditam que eu estude para ser bailarina profissional.
— Jura, menina? Você dança?
— Sim.
— O que?
— Ballet, flamenco, sapateado, contemporâneo, moderno, jazz, hip-hop...
— Maneiro! Aí, ia ser ótimo se eu tivesse uma namorada bailarina. Iria me ensinar a dançar. Parece até que tenho dois pés e braços esquerdos quando o assunto é mexer as cadeiras.
Havia tanto humor naquela frase que foi impossível não rir.
— Aliás, qual o motivo dessa gente toda não acreditar no seu talento?
— Provavelmente porque não sou tão magra quanto as bailarinas famosas e sou tímida.
— Olha, vou dar uma dica. Minha vozinha, quem descanse em paz,era uma mulher forte, vivida. Uma noite, cheguei em casa cabisbaixo. Ela me perguntou o que aconteceu e eu respondi. Nisso, ela, em sábias palavras, me aconselhou o seguinte: menino, mande tudo pra puta que pariu que está resolvido!
Realmente não esperava por isso. Caiu na gargalhada.
— É sério! Funciona! É tiro e queda!
Continuaram a conversa nesse tom leve. Quando chegaram onde ela morava, Bella desceu do carro.
— Espera aí. – pediu ele, estendendo um simples cartão – É meu número. Se tiver mais um dia como o de hoje, me ligue pra ir buscá-la, beleza?
— Sim. – estendeu o dinheiro para pagá-lo – A propósito, me chamo Bella.
— Emmett. Prazer. – abriu um largo sorriso enquanto acenava para mim ao se afastar.
— Que filha da puta! – Alice exclamou.
— Deve ser mal de família. – a voz de Emmett era séria demais, assim como suas feições.
— Emm, você está bem? – quis saber Jasper – Você está esquisito hoje.
— Verdade. Nem ao menos falou com Edward. E olha que vocês estavam se dando tão bem. – pontuou Alice.
Meu amigo me lançou um olhar profundo. Ao afirmar num aceno de cabeça, avisou:
— Alice, na boa, você precisa dar algum jeito nesse seu amigo. Ele tentou carregar Bella à força pro grupo de estudo. Ela tinha saído porque não queria continuar ali. Lavava os banheiros comigo, mas, do nada, o cara praticamente invadiu o lugar, alegando que ela tinha de voltar pra lá. Só praticamente não a arrastou pelo braço porque não deixei.
— Espera, espera. Conte do começo, por favor. – pediu Rose.
— Emm, a bola é sua. Vou beber água e já volto.
Infelizmente, joguei o peso do corpo no pé direito ao levantar. O tornozelo ainda doía por causa da queda na escada. A repentina fisgada de dor me obrigou a desabar na cadeira.
— Que foi?
O ocorrido não passou despercebido pelos olhos de Jasper.
— Meu tornozelo está doendo.
— Torceu ele?
— Quando caí da escada, sim.
As reações foram diferentes, mas convergiam em saber se eu estava bem e o que tinha acontecido.
— Resumindo. – quase precisei gritar para minha voz sobressair – Tânia me empurrou da escada após uma discussão insignificante.
— Ah, vadia desgraçada! – esbravejou a loira – Foi essa quem conversou com Esme, né?
— Sim.
— A mulher é louca! – guinchou Alice.
— Na verdade é ruim, mesmo.
— Por que não contou antes? Eu adoraria quebrar a cara dela por você, amiga. – Alice mantinha no rosto uma expressão raivosa.
— Primeiro, eu tinha desmaiado. Segundo, Emm cuidou disso.
Emmett desviou o rosto para mim rapidamente, demonstrando confusão.
— Eu fiz o que? – indagou numa careta.
— Me levou pra sala. – expliquei – Ângela me avisou. Segundo ela, você me levou às pressas para a salinha. Inclusive, praticamente expulsou Tânia daqui, de tão puto que estava.
Após segundos de silêncio, confirmou minhas palavras de maneira bem esquisita.
— É, porra. Eu que a levei pra lá, mesmo. Afinal de contas, passei por lá naquele momento. Se teve uma coisa que fiz enquanto estive aqui foi salvar você e logo depois expulsar Tânia! Quem mais poderia ter feito isso, né?!
— Certo... Bem, já volto. Na boa, suas reações estão bem singulares hoje. Enfim... Emmett, explica pra elas o que rolou com Edward.
Em poucas palavras elucidou, dando mais detalhes do ocorrido.
— Escuta, entendo que pode não estar confortável com Bella aqui, entendo que ainda possa gostar da garota, mas não lhe dá o direito de agir como um retardado. Porra, se eu não estivesse lá, teria arrastado a garota pelo braço. Acreditem, não é exagero.
— Então acha que ele nutre algum tipo de sentimento por ela? – indagou Jasper.
— Sem dúvida! É só observar as reações do cara. Rapidinho chega nessa conclusão. O problema, pelo visto, é não aceitar. Eu fico puto com isso. Os dois se gostam, isso é óbvio, mas não querem fazer nada. Ok, Bella não dará nenhum passo para inverter a situação porque tem certeza de que ele a esqueceu, só... Droga, Edward não a esqueceu!
— Emm, vem cá... – Jasper se inclinou na direção dele – Sua reação antes da Bella sair daqui foi estranha. Você disse a verdade pra ela?
— Não. Alguém usou meu nome pra levá-la lá pra cima.
— Eu posso apostar quem foi essa pessoa. – disse Alice.
— Só você? – Jasper bufou – Todos nós sabemos quem foi.
O aniversário de Bella foi na sexta-feira. No mês anterior, conversando com Edward, ele lhe pediu para ela não marcar nada para o fim de semana. Não houve maiores detalhes para isto, mas a deixou bastante curiosa.
De: Edward
Para: Bella
Amor, faça as malas. Coloque roupas leves e biquíni. Eu não vou explicar o motivo, mas garanto que vai gostar.
De malas prontas, saiu de casa às quatro da manhã – Renée sabia o que acontecia, porém não contava nada. Os dois foram para a rodoviária. O namorado não revelara nada, tirando a passagem. A menina demorou em dormir na viagem.
Às oito da manhã chegaram a uma pequena cidade, onde as casas eram completamente diferentes da cidade e a natureza era predominante, cujas flores davam ar paradisíaco.
— Onde estamos? – indagou ao descerem do ônibus.
— Vancouver. – respondeu.
— Como...
— Me encarreguei de tudo. – explicou sorrindo – Tive a ideia de passar o final de semana aqui contigo e contei pra Renée. Concordou, dizendo ser uma excelente surpresa pra você. Então... Aqui estamos nós.
Segurou-a pela cintura ao ser beijado em tamanho fervor.
O quarto do hotel onde iriam permanecer era grande e aconchegante para ambos. Possuía um banheiro com chuveiro e banheira e uma cama de casal. Definitivamente, fizeram bom proveito, em particular, da cama e da banheira.
O café da manhã era maravilhoso, assim como as demais refeições. Fizeram amizade com outros dois casais, os quais passaram a dividir a mesa de almoço e jantar. Passearam, visitaram diferentes lojas e exploraram a praia lá perto. A água era tão cristalina que conseguiam ver a areia branca nos pés ao entrarem lá e os pequenos cardumes de peixes passando perto de si. Também bateram várias fotos para levarem de recordação, inclusive de Edward dormindo.
O namorado se sentia orgulhoso por proporcionar tamanha felicidade em Isabella. A ideia de que cada sorriso no rosto da menina era devido à viagem lhe enchia o peito de felicidade genuína. Nunca a vira tão alegre quanto naqueles dias. Gostava de ser o responsável pelo feito.
A última noite do projeto foi motivo de grande felicidade para os participantes. Fomos liberados uma hora antes do esperado para nos arrumar. Foi indicado para levarmos roupas soltas para curtirmos a noite – combinações, macacão, short, blusas, saias, bermudas e rasteirinhas. Eu optei por um vestido longo estampado de cores escuras, decotado nos seios e deixando parte das costas de fora. A rasteirinha preta chamava atenção para as pedras incrustadas. Usei maquiagem marcante – olho preto esfumado, boca vermelha, lápis preto e máscara de cílios. O cabelo ficou meio preso, meio solto, jogado para o lado esquerdo. No direito prendi a rosa artificial cor de vinho. Pendurei argolas douradas nas orelhas. O colar preto de pingente em forma de coração descansava sobre meus seios. Ao todo... Eu estava provocante.
Para a nossa surpresa, as meninas arrumaram o dormitório como lhes foi pedido. Não havia plástico de bala no chão e os pertences estavam devidamente juntos e guardados. Fiquei até admirada. Quem visse o lugar duas horas antes, não conseguiria sequer ver o piso do chão.
Não tinha mais ninguém no dormitório. Alice, quem saíra para escovar para terminar a maquiagem no espelho do lado de fora onde a luz era melhor, retornou. Terminei de prender a flor e indaguei em pé.
— Como estou?
Após me avaliar de cima abaixo por cinco segundos completos, disse:
— Menina, na boa, Edward vai se arrepender pra cacete essa noite por ter terminado contigo quando a ver. É hoje que isso acontece!
Gargalhei graças ao tom usado na frase.
— É ruim disso acontecer, amiga! – peguei a pequena bolsa de mão, checando se o celular e batom estavam devidamente guardados – Ele não liga pra mim.
— Se você está dizendo...
Deixou a frase no ar e foi ajeitar o cabelo.
— Estou mentindo? Ora, passamos dias no mesmo lugar e o cara mal dirigiu a palavra a mim.
— Fez o mesmo com ele na minha festa, esqueceu? Provavelmente está meio puto por isso.
— É claro que levei essa situação em consideração. Só há uma coisa que me intrigou.
— O que?
— A porra do homem passou os últimos quatro dias olhando pra porcaria da minha cara no grupo de estudo e não veio falar merda nenhuma comigo!
A garota ergueu a cabeça de supetão, os olhos arregalados.
— Como é a história?
— Ele ficou me encarando nesses últimos quatro dias e não me disse nada. Sabe o quanto isso me incomoda. – cruzei os braços.
— Explica melhor essa parada aí.
— Bem, você sabe que eu não tenho amizade com o pessoal quem participou do meu grupo. Aí eu ficava quieta, na minha. Eu notei que o cara sempre posicionava a cadeira na frente da minha ou me esperava sentar para se acomodar bem na minha frente durante essa semana. Teve outra vez que eu conversava com Rose embaixo da escada cujo acesso dá para o dormitório masculino. Rosalie estava de costas pra escada, eu de frente para ela. Aí vi alguém descendo. Olhei rapidamente pra cima e me deparei com o cara sorrindo, me observando enquanto descia. De outra feita, quando aquele palestrante veio falar sobre drogas, Edward se posicionou na frente. Tinha cadeira vazia, porém o cara não se sentou. Ficou encostado na parede. Consequentemente, a plateia ficava no campo de visão. Toda hora, ao invés de prestar atenção no palestrante, varria os olhos pelo público, parando durante alguns segundos justamente onde eu me sentei, no meio. Inúmeras vezes o peguei olhando diretamente pra mim. Por três vezes sustentei o olhar dele. Ali, juro, uma dessas vezes nos encaramos por mais de dois minutos direto. Eu fico puta com essa merda! Não tenho saco pra essa droga, não. Se tiver alguma coisa pra falar comigo, fale de uma vez!
Após o meu relato, a baixinha sorriu em descrença.
— Se deixar vocês vão acabar voltando.
— Só voltaríamos se estivéssemos num conto de fadas. Prefiro ser mais realista.
— Aham. Afinal, você está bem? Tipo, você passou cinco dias inteiros na presença dele.
— Assim... Bem é uma palavra forte demais. Demonstra que não houve nenhuma alteração negativa emocional, física, psicológica ou comportamental. Entretanto... Você me conhece. Deu pra perceber que não foi exatamente o que aconteceu. Então prefiro dizer que me fodi, mas estou de boa agora. Não vou desperdiçar meu tempo precioso triste ou chorando por alguém. Prefiro gastá-lo estando ao lado de quem me ama e fazendo o que eu amo.
Alice se levantou e veio em minha direção.
— Você está certa, gata. Não dá pra mandarmos no nosso coração, mas podemos enviar pra puta que pariu o cara quem o quebrou.
— Valeu.
Jacob, Jas, Sam e Emmett nos esperavam lá embaixo. Os quatro vestiam bermudas escuras, camisa de botão e chinelos. Não passou despercebido por mim que o rosto de Jas se suavizou, tomando um ar de plenitude ao colocar os olhos em Alice.
Jacob comentou:
— Já vi que tem pegada flamenca aí. –me recebeu sorrindo – Está linda, Bella.
O abracei em resposta, parando em seu lado.
— Na boa, Edward vai se sentir o cara mais idiota do planeta quando a ver. – falou Emmett – Abriu mão de uma garota linda em todos os aspectos por nada.
— Já ouvi isso antes... – encarei Alice, quem apenas piscou para mim com um olho.
— Ah, então foi você quem namorou Edward?
A pergunta de Sam me pegou de desprevenida. Por instantes esqueci que ele era o único quem não acompanhou a história. Passei a falar com ele naqueles dias. Bem, Ememtt também não acompanhou tudo, porém esteve a par do que aconteceu e teve participações necessárias.
— Sim. Já faz um tempinho.
— Por que terminou com ele? O que houve? Agora entendo o motivo do clima esquisito entre vocês.
Querendo fugir da segunda pergunta, só esclareci parte da primeira.
— Na verdade, foi ele quem terminou comigo.
O rosto dele mudou completamente para indignação.
— Garoto idiota! – caí na gargalhada enquanto ele completava – Emm, você tem razão. Ele vai se achar o retardado mais imbecil do mundo! Uma mulher dessa não é pra se jogar fora, não! Se eu fosse hétero, querida, tentaria conquistá-la.
— Adorei o elogio, gato.
— Bom, está faltando Rosalie. Onde ela está? – quis saber Emm.
— Podemos ir lá em cima chamá-la.
— Não precisa. – Sam respondeu, apontando para a escada – Ela já está descendo.
O queixo de Emmett caiu ao ver Rose. De fato, ela estava linda. O vestido branco ia até os joelhos, delineando o corpo torneado. A maquiagem apenas aumentara a beleza estonteante. Os cabelos, soltos, emolduraram o rosto. A bela rasteirinha prata descansava nos pés. Pelo visto, já haviam dois casais ali.
— Oi, gente. – nos cumprimentou.
— Você está magnífica! – quase puxei um lencinho para secar a baba do cara – Me acompanha?
— Sem dúvida. – sorrindo, segurou o braço dele.
Jasper aproveitou a deixa e estendeu a mão para a baixinha, indagando em voz respeitosa, numa postura galante:
— Me daria a honra de aproveitar a noite ao meu lado?
— Sim.
E assim saíram, de mãos dadas.
— Poxa... Não tenho nenhum cara pra fazer isso comigo... – reclamei em muxoxo.
— Que nada! Não está vendo dois homens lindos aqui, não? – Sam se aproximou de mim, segurando minha mão.
— Acho que Bella esqueceu momentaneamente da gente, Sam. – se posicionou do meu lado esquerdo.
— Olha a audácia dela! A acompanhamos por cinco dias e a garota simplesmente nos trata assim. Realmente não é certo.
— Não é certo mesmo, não.
— Ok, ok. Foi mal, meninos.
— Quer ser nossa convidada para aproveitar a noite? – indagou Jake.
Dei os braços aos dois.
— Seria maravilhoso!
— Então vamos! – sorrindo, adentramos na noite fresca e estrelada.
Fomos os últimos a chegar. Ora, só faltávamos eu e as meninas. O ônibus estacionou na rua às seis e meia. Até eu, crescida naquele evento, me surpreendi. O luau foi lindamente organizado. As ondas podiam ser ouvidas ao longe. Tochas foram postas para iluminar o ambiente, dando um tom rústico. Mesas de diferentes alimentos, desde frutas apetitosas até o delicioso jantar de frutos do mar. Uma banda distinta tocava ritmos envolventes sobre o tablado de madeira. Pufes foram espalhados e em um canto várias cangas foram depositadas para quem sentisse frio. Perto havia uma estante para guardarmos nossos calçados. Barracas foram organizadas oferecendo coquetéis e outras bebidas – nenhuma de teor alcoólico.
Aproximamos-nos embasbacados.
— Que coisa mais linda! – exclamou Alice.
— Ai, gente, na boa, que bater muitas fotos! Não é sempre que vamos a um luau. – já puxava o celular para os registros.
Rosalie e Alice procuraram por Edward de forma discreta ao acompanharem a amiga. O viram conversando com Jessica e transferindo o refrigerante para um copo. Porem, quando desviou os olhos e viu Bella, paralisou de tal modo que não percebeu o líquido transbordando na areia. As duas seguraram as gargalhadas para não darem explicações.
A noite foi excelente! Dançamos, conversamos, rimos, contamos piadas...
Conversávamos entre nós. O cheiro do mar era reconfortante e eu adorava sentir a areia branca nos pés. Quando tocaram Corazón Partio, Jacob falou:
— Bella, agora é a sua vez!
— De que? – eu terminava de comer uma porção de uvas.
— Subir lá pra dançar, ué!
— Afastei o cabelo do rosto.
— Vou nada!
— Não vai fazer o que? – Sam se intrometeu.
— Dançar flamenco. – respondeu Jake.
— Olha, essa música nem é flamenca. – expliquei – Flamenco é diferente.
— Gata, você está toda produzida e não vai dançar? Até colocou a rosa vermelha no cabelo! – a baixinha argumentou.
— Só porque me inspirei nos vestidos flamencos não significa que eu vá bailar. E outra, o violão flamenco não é muito conhecido no Ocidente.
Pegando as três últimas uvas roxas da minha mão, Jake indagou, jogando uma na boca:
— Se eu encontrar quem saiba tocar alguma música flamenca você dança?
— Pode ser.
Só concordei porque duvidava que tivesse alguém ali que soubesse o suficiente de flamenco para tocar.
Em menos de dez minutos Jake voltou com Emmett, quem vinha da mesa de doces. Senti o calafrio percorrer a espinha.
— Emm, meu amigo de longa data. – começou sorrindo.
— A gente se conhece a menos de dois anos. – pontuou lambendo o dedo indicador.
— Tanto faz. – descansou o braço nos ombros dele – Lembra que há um ano você substituiu um dos caras quem ia tocar na apresentação de música ao vivo de Bella?
— Lembro.
O sorriso travesso passou a se formar no rosto do meu amigo aos poucos. No meu caso, minha expressão sem dúvida transbordava medo genuíno.
— Você tocou música flamenca, né?
— Sim.
— Lembra-se da canção?
— Rosa Maria.
— Lembra a letra?
— Como não, se precisei ensaiar a maldita música por cinco semanas por não estar familiarizado com o idioma?
— Ah, droga. – resmunguei.
— Então... Presumo que você poderia tocar e cantar Rosa Maria pra ela dançar, né?
— Agora?
— Sim.
— Ótimo. É só me arranjarem um violão que o resto eu resolvo.
Jake se afastou em direção aos músicos. Segurando o braço de Emmett, indaguei:
— Por que não me ajudou, poxa?
— Eu nem sabia o que estava acontecendo! – se defendeu.
— Era só ter levado em consideração a minha expressão facial!
— Verdade. Entretanto... Acha mesmo que vou perder a oportunidade de vê-la nervosa por causa de uma apresentação de última hora?
Se desviou com destreza do tapa na cabeça.
— Hey, relaxa! – ria da minha ação – Vai dar tudo certo. Você é bailarina. Consegue dar conta disso sem problemas. Afinal de contas, é nossa flamenca favorita.
Não demorou para subirmos ao palco. Emmett se posicionou sentado ao canto. Segurava o violão e o microfone pendia em sua frente. Quando os primeiros acordes começaram, dancei feliz. Praticamente todos pararam para assistir a gente. A voz rouca do meu amigo combinava perfeitamente. Ouvi alguns “olês” vindos da plateia. Foi bastante divertido. Logo ignorei o nervosismo para me entregar à canção. Alternava entre olhares mais penetrante e expressão carregada com sorrisos, ora divertidos, ora levemente maliciosos. Cheguei a errar a coreografia, mas rapidamente emendei num improviso. Eu conhecia a melodia, então não foi difícil improvisar. Ao término, fomos ovacionados.
Às nove da noite começaram a tocar músicas mais antigas, como Cry to Me, a qual dançava com Sam perto da água, mais ao longe, destacada da multidão. Por ser bem sensual, não poderíamos nos movimentar de outra forma. Quem não nos conhecesse, provavelmente pensaria que flertávamos. Eu me sentia segura ao lado dele para ousar mais nos movimentos. Além de termos estreitado o laço de amizade, Sam era gay. O meu desejo era curtir bons momentos em companhia das minhas amizades – e era justamente o que eu estava fazendo.
De tão entregues, não notamos a aproximação de Jacob.
— Assim vou sentir ciúmes. – comentou bem-humorado.
O vento batia contra a camisa de tecido leve dele, fazendo o peito musculoso se destacar.
Sam estava atrás de mim, segurando minha cintura, mexendo os quadris junto aos meus ao ritmo da canção.
— Se acostume porque ela é todinha minha. – risonho, me abraçou.
— O que o traz aqui, Jake?
Não parávamos de dançar.
— Vim perguntar quando vai dançar comigo.
— Me empresta por uns minutos, Sammy? – indaguei.
— Sim, mas a quero de volta.
— Valeu!
Beijei a bochecha gorducha antes de segurar a mão de Jacob.
— Escolheu alguma música em especial? – perguntei ao nos aproximarmos das pessoas.
— Sem dúvida.
Imediatamente ouvi a melodia de Save the Last Dance for Me.
— Adoro essa música!
— Sabia que iria gostar. Bem, já estamos aqui. Agora é só aproveitarmos.
Paramos bem no meio da multidão. Iniciamos a dança assim que o cantou começou a cantar. Acompanhamos a melodia entre risos divertidos. Ora dançávamos como se fosse dança de salão, ora mais ousados. De frente um para o outro, ele segurou em meus quadris, acompanhando. Depois, se abaixou um pouco, batendo palma levemente, indicando para eu continuar enquanto ele apenas apreciaria. Brinquei com os cabelos, murmurando baixinho a letra. Puxou-me contra si de supetão, mais uma vez tomando o lugar de meu par. Não ligamos para quem nos cercava. Simplesmente aproveitamos felizes. Eu poderia facilmente classificar aqueles minutos como sensual ou divertido. Dependeria do ponto de vista.
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