Sweet Desire
11 Capítulo 11 - O Suga não existe mais?
Notas iniciais
Capítulo 11
Não sei quais seriam minhas reações caso alguém contasse que tudo que passei durante minha vida foi fantasioso, mas de uma coisa tenho certeza, eu enlouqueceria. E por esse motivo que me surpreendi ver o Suga tentando agir de forma natural com as suas amigas.
Ele forçava um sorriso quando elas lhe dirigiam a palavra e respondia educadamente, já comigo e com o V, ele nem nos dirigia o olhar. Parece está nos culpando por estar passando por uma situação dessas.
—Sua gata está na janela amanhã todo nos vigiando — Sra. Grace apontou para Pooh que cansou de bater as patinhas na janela.
—A Pooh não gosta de ter o Suga longe — expliquei.
—Falando nisso, ela nem me deu atenção — V notou agora que foi trocado.
Olhei o Suga aguardando algo comentário maldoso sobre isso, mas apenas continuou comendo.
—Suga, você está chateado com alguma coisa? — Sra. Amelia indagou preocupada.
Fiquei boquiaberta não acreditando que havia reparado, ela já o conhece tão bem assim? Acho que nem mesmo eu notaria se não soubesse o ocorrido.
—Aconteceu algo contigo? — Sra. Grace logo parou de tomar a sopa e o avaliou.
Na verdade para ser mais sincera elas comeram mais a sopa que supostamente o Suga preparou.
—Não aconteceu nada — respondeu dando um sorriso tranquilizador — Só estou angustiado por não está dançando corretamente — mentiu dando de ombros.
Se o Suga fosse um pouquinho mais próximo, eu o abraçaria e diria que não precisa se preocupar com nada que me encarregaria de continuar sendo seu porto seguro. Pena que minha ajuda só pode ser financeira no momento.
—Não se preocupe, você está se saindo muito melhor que o meu parceiro! — Sra. Lisa entrou na conversa depois de ter ficado o almoço todo só comendo — Ele é um lerdo!
—Lisa, ele tem oitenta e sete anos, o quer se requebrando? — Sra. Grace perscrutou séria.
—Não se requebrando, mas pelo menos dando dois passos sem muita demora — balançou sua bengala quase a acertando o V — Desculpa anjinho!
—Nada não — V mostrou um sorriso fofo.
O V ficou um pouco triste por ter sido a pessoa que despertou o Suga para perceber a realidade da situação todo, tinha muitas apostas que seriam melhores amigos.
—Depois do almoço vou com o V e a Sulkin ajeitar as coisas para o dia da apresentação, quando eu chegar volto a ensaiar, tudo bem? — Suga falou já terminando de comer.
—Ótimo! Compra gravata rosa, por favor — Sra. Amelia pediu — Assim combina com o meu vestido — deu um sorriso fofo.
—Pode deixar.
Será que o advogado do meu pai vai vim perguntar sobre os meus gastos terem aumentado drasticamente essas últimas semanas? Torço muito para que passe despercebido, detesto o jeito que ele me olha, sinto-me sendo um ET.
—Vão ficar lindos de rosa — falei já imaginando o Suga no meio da pista de dança e eu chegando com um vestido de debutante, ele oferecendo a mão para iniciar uma dança e durante a valsa nossos lábios selarem formando o melhor beijo de todos os séculos… Seria tão emocionante no meio daquelas luzes e…
—Hey heeey — acordei percebendo que todos me encaravam.
—O-oi oi oi? — fiquei assustada com toda atenção.
—Você está assustando a todos com seu sorriso e olhos vidrados — V cochichou me fazendo corar.
—Eu estava pensando em coisas românticas! — justificativa que todos com certeza aceitariam.
—Olhando para seu próprio irmão? — Sra. Lisa ficou boquiaberta de tão horrorizada.
— Que?!!! Que? — comecei acenar dizendo que não era isso — Não estava estava… Quer dizer, nunca nunca varia is-isso com meu … irmão?
—Estava sim, todos vimos! — Sra. Grace mostrou convicção.
Um sorriso foi se formando bem no cantinho dos lábios do Suga e ele franziu os olhos.
—Tenho que explicar um erro que cometi, nós não somos irmãos sanguíneos — elas arregalaram os olhos — Sou afilhado da mãe dela e como precisei de ajuda, ela se ofereceu de braços abertos
Então minha imagem perante elas pode ter melhorado, afinal, fiz o almoço maravilhoso, mesmo que tenham preferido a sopa do “Suga”, e ele me fez parecer uma pessoa caridosa.
—Ela está de olho em você — Sra. Grace disse com toda certeza e arregalei os olhos — Trouxe para seu ninho para ser conquistado, cuidado com pessoas como ela! Deve está tentando te seduzir esse tempo todo!
—Que? Eu não , não, não estou apaixonada!! — arregalei os olhos.
—A Sulkin tem interesse em outra pessoa no momento — V se meteu no assunto percebendo que me embolei.
—E quem é? — Sra. Lisa perguntou — Por acaso conhecemos o infeliz? — por que considerar o rapaz infeliz? Eu posso não ser perfeita, entretanto, não sou uma verme.
—Prefiro manter segredo! — respondi antes que o V respondesse por mim que era o Peter, o que é uma enorme mentira.
—Vamos logo resolver as coisas — Suga levantou saindo da mesa e parou para informar: — Vou escovar os dentes e já volto.
Depois estávamos nós três no carro indo para o centro de Londres, olhei o Suga pelo retrovisor notando que estava olhando a paisagem. Os dois calados chega ser mais irritante do que o V tentando manter um assunto na conversa deles.
—Acho que podemos agir normalmente — ele reclamou — Eu não estou com raiva de nenhum dos dois, vocês não têm culpa de eu ser ninguém — suspirou exausto.
—Já que você está sozinho nesse mundo, eu posso ser seu amigo — V quebrou o nosso silêncio praticamente se dando.
—Por que eu te aceitaria como amigo? — indagou não acreditando no que ouviu — Não é porque sou ninguém que vou sair aceitando qualquer tipo de amizade — rolou os olhos.
V riu sentindo-se nada ofendido.
—Você não tem amigos e eu também não, podemos fazer companhia um ao outro — lançou um olhar mostrando que seria uma ótima solução.
Ele não tem amigos também? Opa, desde quando?
—Yah, desde quando não tem amigos?! — se eu não tivesse dirigindo, ele estaria ferrado no momento.
—Calma, quis dizer no sentido amizade masculina — explicou e se virou para o Suga — O que diz?
Suga cruzou os braços parecendo pensativo com a proposta.
—Você já tem amigos — falou com convicção — Você faz parte de um time, claro que tem um grupo de amigos — arqueou uma sobrancelha e o V ficou calado vendo que foi pego.
—Mas eles não tem essa conexão que nós dois temos — eu tive que dar uma risada não acreditando nessa história.
Ficamos em silêncio por um tempinho, meu amiguinho levou um fora do Suga mais uma vez.
—Tudo bem, podemos tentar — Suga não parecia muito animado — Nada mais faz sentido mesmo… — suspirou voltando ao seu momento depressivo.
—Vamos se animar amigo, você tem a mim agora — tossi — E a Sulkin também.
—Isso era para ser animador? — perguntou entediado.
E um gordinho cheio de espinhas nos encarando sério e avaliando se ia nos ajudar ou não com os documentos falsos, ajeitou o óculos e bebeu um gole demorado.
—De novo? — indagou não muito contente — Eu disse que nunca mais tentaria algo tão arriscado novamente — o lembro.
Encarei o V confusa querendo entender porque fez documentos falsos antes.
—Dessa vez é muito mais importante que antes, eu juro — implorou juntando as mãos e fazendo beicinho.
—É muito arriscado, se eu for pego, me colocará em grandes problemas! — continuou negando.
—Mas o V disse que você sabia fazer de um jeito que nem fiscalização de aeroporto descobriria — contei o que as fontes, V, informou — Como pode está tão preocupado?
—Mocinha, isso é por que não trata de seu emprego e estilo de vida em risco- chamou minha atenção para algo importante.
Suga bufou colocando o seu hambúrguer ainda não tocado em cima da mesa, V inventou de ir ao McDonalds, o meu queridinho comprou e pelo visto nem estava assim de comer.
—Diga o que você quer? Eu conheço o seu estilo, você quer algo em troca — apostou — Confesso que não esperava já que você é um colega antigo do meu amigo…
—Ele me chamou de amigo! — V se emocionou.
—Mas vá enfrente e peça o que quiser — deu as honras.
Eu não posso esbanjar dinheiro dessa maneira, ele acha que posso gastar minha herança de qualquer maneira?
—Hm — o gordinho se mexeu na cadeira sem jeito e olhou para baixo ficando corado — Quero o seu hambúrguer! — apontou para o hambúrguer na mesma.
—Que?!! — V perguntou incrédulo — Você fez esse drama todo por isso?!
Ele sorriu sem jeito pro V.
—Esqueci de tomar o café da manhã hoje — justificou.
—Menos mal — mostrei meu alívio.
—É todo seu, consegue preparar tudo até depois de amanhã de tarde? — Suga perscrutou recuando e o olhando sério.
—Consigo hoje mesmo, é fácil. Tem um esquema todo já montado — garantiu pegando o hambúrguer.
—Vamos demorar muito tempo aqui? — perguntei.
—Um pouco — respondeu enquando mastigava.
Então dar tempo o suficiente para fazer outra coisa…
—V fica aqui com o Suga, preciso fazer algumas coisas nesse tempo — orientei enquanto me levantava.
—Vai aonde? — Suga me encarou franzindo a testa.
—Vai ser rápido! — fui caminhar, entretanto segurou meu braço.
—Você não conhece ninguém alguém no centro, o que tem tanto para resolver? — perscrutou.
—Não posso posso dizer …
Ele respirou fundo desistindo de perguntar, mas não soltou meu braço.
—Leve meu celular — o tirou do bolso — Sabe o número do V e da polícia né?
—Sim.
—Certo, pode ir — o papai me liberou.
E assim que saí do apartamento o V me chamou atrapalhando minha saída novamente e me encostei na parede do corredor.
—Pegue o meu, o dele é mais complicado — me entregou e devolvi o celular do Suga — O tenho nos contatos — pausou.
—Obrigada — sorri agradecida.
—Cuidado — mexeu em minha franja e voltou para dentro do apartamento.
Parei da frente de dois rapazes encostados no meu carro e já tinham comprado o terno.
— 4 horas andando sozinha — Suga disse se desencostando.
—Onde estava? Até mesmo já aluguei o terno para adiantar as coisas… Por que o celular está desligado? — V tomando minhas sacolas plásticas.
—Estava procurando algo — respondi apenas.
—Comprou um vestido? — V ficou boquiaberto.
Eu pensei no meu encontro com o Peter, como só saio muito pouco de casa, não tenho roupas bonitas para um encontro, então resolvi comprar.
—Estava precisando de um — respondi tomando as sacolas — Seu celular descarregou — entreguei e entrei no carro.
—Por que logo agora? — continuou perguntando sobre o vestido entrando junto com o Suga.
—Porque nunca usei um! — não um que eu escolhi e fui a única usando o modelo.
Dei partida voltando para casa.
—Talvez esteja apaixonada — Suga prestei atenção nele, me perguntando se percebeu — Deve está querendo exibir as pernas para essa pessoa…
—Não tente me insultar — o alertei — Se eu quiser posso… posso.. muito bem! Minhas pernas são… bonitas?
—São as melhores que já vi! — V fez joinha.
—Anda reparando muito? — Suga arqueou uma sobrancelha.
—Não bem assim… Suga, não me faça parecer um tarado pelas pernas da Sulkin — reclamou — Quer dizer, Yoongi
—Yoongi? — quase parei o carro em pleno trânsito.
—Min Yoongi é o seu novo nome — V sorriu.
—Você trocou seu nome? — eu não acredito nisso… O nome dele era tão perfeito, combinava com sua aparência.
— Sou real agora, preciso de um nome normal — justificou sua escolha.
—Posso te chamar de Suga ainda? — perscrutei mesmo ainda não aceitando essa mudança.
—Nem sonhando! — bufou.
—Suga, deixa! — fiquei o perturbando a viagem inteira.
De noite Suga chegou do ensaio na casa da Sra. Amelia, lá eu e o V ficamos impedidos de ir por conta do medo que a Sra. Amelia tem do V. Mas nosso tempo juntos foi mesmo assim engraçado, ficamos traçando planos de nossas vidas com o Suga e dançando músicas da Arábia.
— Que cheiro é esse? — indagou curioso e cansado.
—Eu preparei comida coreana para você! — mostrei nosso jantar na mesinha de centro — Espero que goste, me esforcei muito…
Ele observou tudo parecendo bastante surpreso.
—Por que fez isso? — perscrutou.
—Você mencionou... algo sobre comida coreana e… e quis salvar seu dia assim — sorri ficando corada — Lave as mãos e venha comer.
—OK — foi para o banheiro e depois voltou se sentando ao meu lado no chão — Cadê o V? — perguntou.
—Foi para casa, seu time perdeu nas disputas da série e vai chegar amanhã cedo — tudo por causa dele ter desistido de ir.
— Hm — observou — Arrumou a mesa e os pratos como o costume, se esforçou bem — ele elogiou?
— Prove.
Ele pegou um pedaço de um dos pratos, respirou fundo, pegou fôlego e levou a boca. Fiquei vendo sua reação que não parecia muito boa.

— Está ótimo — e continuou a comer.
— Sério — não consegui disfarçar a empolgação.
— Por que mentiria? — rolou os olhos — Coma também.
E tivemos um jantar bom, muito melhor do que eu esperava, conversamos e até discutimos sobre ele ter mudado o nome.
Mas no final da noite quando ele estava indo dormir, parou perto do sofá só para dizer.
— Eu te permito me chamar de Suga, mas só você — deixou claro.
— Por que?
— Pois você que o escolheu — rolou os olhos e foi para o quarto.
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