Sweet
1 Capítulo 1: One shot
Notas iniciais
Ele não sabia que horas era aquela, mas sabia que era meio de noite pois ele já estava com um sono profundo quando acordou ao sentir Jane mexendo em seus braços. Não era pelos bebês pois ele estava com a mão na longa barriga de 6 meses e não havia sentido nada. Ele tirou lentamente o rosto de sua nuca, olhando por cima de seu ombro e a viu de olhos abertos. Viu que ela havia estendido os braços e logo viu que ela estava pesquisando algo no celular.
“Doce macio e colorido com nome engraçado” — ela jogou na busca do google e ele suspirou.
— O que está havendo? — Ele perguntou vendo que o google não havia respondido a pergunta de sua esposa.
Ela virou-se para ele lentamente, com a barriga cada vez mais pesada, que fazia seus movimentos durante o sono serem ainda menores que antes, embora ela sempre tenha sido quieta.
— Eu não queria te acordar — Ela disse ainda com a cara amassada encarando os sempre encantadores olhos de seu marido. — Eu só… — Ela começou, mas não quis terminar, porque ela sabia que ele iria se acordar e perder mais uma noite simplesmente para satisfazer sua família.
Ela apreciava isso, mas ela não queria cansá-lo essa noite. Não depois que ele havia passado o dia todo montando as coisas no quarto dos filhos deles. Ele não merecia, ela pensou. Mas Kurt era Kurt.
— Está com desejo? — Ele disse franzindo a testa pra ela
Ela desviou o olhar por um segundo, pra ele não decifrá-la assim tão fácil.
— Nós podemos apenas voltar a dormir. Não quero que você se levante a esse horário.
Ele sentou-se na cama, do lado dela, já procurando sua roupa mais perto, mas antes ele pegou ela pela mão, entrelaçando seus dedos e apreciando o toque de suas alianças e suas peles.
— Eu não posso mais dormir sabendo que os amores na minha vida querem algo. — Ele começou e beijou a barriga dela, já se levantando para buscar uma camisa. — O que especificamente você estava querendo comer?
Ela sentou-se na cama, suspirando porque realmente não queria incomodá-lo, mas sabendo que ele era teimoso e não ia desistir. Ela lamentou-se por ter pesquisado no celular pensando em comprar aquilo pela manhã e achando que não ia acordá-lo, mas ao mesmo tempo apreciou o esforço que ele sempre fazia para fazê-la feliz.
— Eu não sei o nome, eu apenas comi um dia desses com Patterson. É um nome engraçado.
Ela o assistiu pegar o celular e então foi até ele e pegou sua mão.
— Não é justo acordar Patterson só por causa disso. — Ela disse olhando pra ele.
Ele ergueu o celular pra ela.
“Marshmallow” estava escrito na pesquisa e imagens traziam fotos do doce em várias texturas, mas o que ela havia comido antes era colorido.
— O que você não é capaz de descobrir? — Ela disse com ironia e eles trocaram um sorriso antes de um beijo rápido.
Ele estava colocando suas luvas e ela apenas o assistia e pensava no frio que estava lá fora nessa hora da noite.
— Eu posso ir com você? — Ela perguntou e ele pegou as roupas mais quentes e a rodeou de casacos, assim como sua barriga.
Os quatro estavam agasalhados quando saíram de casa. O sono ainda estava impregnado nos olhos dela, mas ela se permitiu observar mais uma vez seu marido ao volante. Essa era um dos exercícios prediletos dela. Atualmente só perdia para dormir, pois as duas crianças que eles esperavam dentro dela sabiam como derrubá-la como ninguém nunca conseguiu.
— Você sabe onde vai encontrar isso a essa hora? — Ela perguntou observando-o.
— Alguma loja de conveniência. Eles sempre tem pacotes desses doces. — Ele disse e ela sorriu, apertando sua mão.
Seu sono porém foi maior que o caminho da loja e antes de chegar lá ela já estava dormindo.
Kurt entrou na loja. A vendedora entediada o observou e logo ia apontar para o setor de bebidas quando ele foi direto para o caixa, onde os vendedores deixavam os doces e pegou vários pacotes de marshmallows. A cara que a vendedora o fez claramente dizia o que ela pensava: aquela era uma situação estranha. Ele esboçou um riso até que apontou pro carro e ela sorriu ao ver Jane com uma barriga enorme e dormindo no banco da frente.
Ela acordou do cochilo logo que Kurt voltou. Ficou surpresa com o tamanho da sacola de marshmallow que ele trazia.
— Se eu comer isso tudo eu não vou mais desejar comer doce nenhum pelo resto da minha vida. — Ela disse com ironia até que ele entrou no carro.
Ele não partiu imediatamente, mas abriu o primeiro dos pacotes e começou a comer junto com ela. Viu uma satisfação o preencher ao ver a satisfação preenchê-la ao encher sua boca com marshmallow. Eles comeram por alguns minutos até que ela suspirou, olhando pra ele comendo.
— Pai também sentem desejos. — Ele disse comendo e ela riu com humor.
— Que bom que eles são sincronizados aos desejos da mãe. — Ela disse erguendo a testa e eles seguiram em silêncio.
Eles observaram a rua da loja. Um estranho silêncio, com movimento algum. Eles apenas estavam no meio de uma grande noite de neve sozinhos em plena avenida deserta dentro de um carro compartilhando marshmallows de madrugada.
— Você já havia imaginado algum dia que sua vida o faria você sair de casa de madrugada no meio da neve pra comprar doce? — Ela perguntou curiosa.
Ele a olhou com observação e pensou um pouco.
— Eu acho que não, — e então ele se virou, colocando a mão sob o rosto dela — mas isso é muito mais prazeroso que qualquer coisa que eu tenha pensado pra minha vida antes. Vocês são muito mais do que eu planejei pra mim e eu sou grato por isso. — Ele finalizou e beijou a testa de sua amada.
Ela sorriu em resposta e deu um rápido beijo em seus lábios.
— Eu também sou muito grata por vocês… — ela começou e riu maliciosamente pra ele — e por esses marshmallows, mas acho que já podemos ir.
— Pra onde você quiser ir. — Ele respondeu com um sorriso aquecido e eles foram para casa.
***
Eles estavam apenas voltando pra casa depois de um dia intenso no parque. Ele achava que a idade já estava chegando, ou que seus filhos tinham um poder paranormal de não se cansar pois ele apenas estava se sentindo morto. Para a sorte dele sua esposa tinha tanta energia quanto seus filhos. Eles todos estavam dentro do carro a caminho de casa quando o seu casal começou a gritar.
— Papai! Mamãe! — Gritavam Nikki e Lucca.
Jane virou na mesma hora.
— O que está havendo? — Ela perguntou a eles.
— Ali, mamãe. — Nikki respondeu. — Docinho colorido. Nós queremos!
Kurt olhou para o outro lado da pista. Era uma loja de conveniência. A loja onde ele havia ido comprar doce para suas crianças quando elas nem o conheciam ainda. Kurt e Jane trocaram um sorriso e seguindo para dentro da loja com seus filhos no braço e sua mulher ele sussurrou pra ela.
— Eu também nunca imaginei isso… — Ele disse e ela o olhou sorrindo e completou.
— Mas isso é ainda mais doce do que qualquer coisa que imaginamos pra nós quatro! — Ela sorriu e se juntou num abraço com seus filhos e seu marido, as pessoas que haviam adoçado pra sempre sua vida.
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