Swan Lake - Swan Queen
1 Prólogo - Once upon a time...
Notas iniciais
Era uma vez,
Em dois reinos distantes, duas princesinhas que nasciam na mesma hora, e que, mesmo sendo de mundos diferentes, seus caminhos não se tardariam a cruzar, as mesmas tragédias lhe aguardavam.
A primeira princesa se chamava Lilly, tinha cabelos loiros e olhos verdes, seus pais eram o rei e a rainha Branca de Wonderland. Ela nasceu em tempos difíceis, seu reino estava em guerra, pois uma feiticeira trazida de outro mundo queria acabar com o reinado de seus pais, e, infelizmente, conseguiu.
O Rei e a Rainha tiveram os corações arrancados e esmagados pela bruxa, que mais tarde seria chamada de Rainha de Copas, e a pobre Lilly foi presa ainda um bebê de poucos meses pela nova rainha.
Alguns meses antes, a segunda princesinha também nascia, mas em segredo, pois o rei casado com sua mãe não era seu pai, esse foi morto antes dela nascer. Seu nome era Rachel, sua mãe era Regina, mais tarde conhecida como Rainha Má, e seu pai era Daniel, um homem que cuidava dos cavalos. Rachel tinha cabelos negros como o da sua mãe, e olhos castanhos bem claros, como seu pai.
Alguns meses após nascer, o rei, casado com Regina, mandou-a levar para longe, em um lugar que ela não poderia ser encontrada:
– Leve-a embora daqui. — Disse, olhando com repugnância a bebê.
– Não! Por favor! — Implorava Regina sem força. — Deixe minha filha comigo!
O rei se aproximou da rainha e acariciou seu cabelo.
– Ora, minha querida, você acha que eu vou aceitar no meu reino, uma criança filha de minha mulher com outro homem?
– Por favor...
– Não! — Gritou o velho. — Nunca! Leve-a! Mate-a! Jogue-a no rio! — Ordenou para o guarda que segurava a criança.
– Não... Minha filha... Rachel... Não faça isso... — A morena se contorcia na cama, tentando em vão alcançar a filha.
– Escute, Snow White é a única herdeira desse reino, e sempre será. — Se virou para o guarda. — O que está esperando? Vá!
E o guarda foi, mas o que o rei e a própria rainha não sabiam, era que Cora, a Rainha de Copas e mãe de Regina, antes de ser mandada para Wonderland, tinha feito um acordo com Rumpelstiltskin para levar a criança até ela, seja lá onde e em que circunstância estivesse.
Então, quando o guarda levantou o punhal para acertar o coração da pequena, paralisou no lugar, o senhor das trevas chegara a tempo de impedir o pior. Rumple arrancou e esmagou o coração do soldado, em seguida pegou a princesinha no colo e jogou um feijão mágico no chão, que abriu um portal, e os levou para outro mundo.
Era madrugada em Wonderland, Rumpelstiltskin caminhou em silêncio, com a bebê tão quieta quanto ele, no colo. Logo chegaram ao castelo da Rainha. Com cuidado ele colocou a princesa no chão em frente aos portões de madeira, bateu com força e sumiu com uma fumaça negra.
Alguns minutos depois um guarda pessoal abriu os portões, com a rainha logo atrás, devidamente vestida e com uma máscara vermelha cobrindo-lhe o rosto.
– Quem ousa interromper o sono de vossa majestade, a Rainha de Copas? — Perguntou o guarda assim que abriu os portões, irritadiço, pois além de interromper o sono da rainha, tinha interrompido o seu também. Sua expressão mudou para confusa quando não viu ninguém.
Foi quando Cora abaixou os olhos e viu o pequeno embrulho. Ela apontou para o chão e o soldado acompanhou seu olhar, caminhando rapidamente até lá e pegando um papel que vinha acompanhado com o pacote. Ele se levantou, ereto.
– "Rachel Mills" — Leu. — Só isso. É uma criança, o que devo fazer com ela, vossa majestade?
Cora ficou estática por um momento, foi abaixando a máscara lentamente e olhando para a pequena com os olhos arregalados, como se não acreditasse no que visse. Então, seus lábios se curvaram em um sorriso. Ela caminhou até lá e pegou sua neta, aninhando em seus braços.
– Oh, minha querida, eu deveria te matar agora mesmo como vingança por sua mãe ter me mandado para esse lugar e também por ter o sangue impuro daquele criador de cavalos, mas você é tão bonita. — Acariciou o rostinho de boneca. — Tão bonita quanto Regina. — E como se reconhecesse o nome da mãe, a pequena abriu o berreiro. — Shh.. Shh.. Não chore. Eu estou aqui, você será uma princesa agora. Tenho certeza que não será tão burra quanto sua mãe foi, eu vou te ensinar tudo que eu sei, pois se algum dia eu não puder, você irá se vingar por mim.
E assim foi, o tempo passava, a pequena Rachel Mills crescia a base de porções, pois em Wonderland não era possível crescer normalmente, e junto com ela, crescia Lilly White como uma prisioneira, que Cora beneficiava dando suas porções também.
Todo mês, no mesmo dia, Cora juntava as duas para dar as porções, Rachel com seus vestidos de seda e uma coroa de rubis na cabeça, e Lilly com seus trapos velhos e as correntes amarradas em seus punhos.
Rachel, ainda muito pequena, foi aprendendo magia negra, mas odiava usá-la, só o fazia por influência da avó. Tinha ouvido pouco sobre sua mãe, e as vezes, pegava sua avó vendo em um espelho a imagem de Regina, sabia que ela era uma mulher poderosa atualmente, uma verdadeira rainha só que muito má. E isso também a influenciava, queria ser tão bonita e tão poderosa quanto Regina, queria ser uma rainha má como sua mãe e sua avó fora.
Com o tempo passando, ela aprendera a usar perfeitamente a sua magia, sentia até prazer de usá-la. Se dava muito bem com a avó, era a única pessoa que amava, mesmo essa dizendo que o amor é uma fraqueza.
No aniversário de 12 anos das duas princesas, Cora mandou chamá-las para dar a porção de crescimento, mas antes de fazer, recebeu a notícia de que tinham um novo prisioneiro, um pirata, vindo de Fairytale Land.
– Terei que me retirar. — A rainha de copas disse assim que o soldado acabou de falar o acontecido em seu ouvido. — Por que não termina para mim, Rachel? — Entregou dois frascos para ela.
– Com muito prazer, vovó. — Respondeu, e Cora saiu. Começou a misturar alguns frascos, nas medidas certas.
– Como você consegue saber em qual tem que misturar? São todos tão iguais! — Lilly pela primeira vez na vida falou com Rachel, essa última levantou o olhar espantada.
– Como ousa se referir a mim?! Eu não devo me envolver com prisioneiros para sua informação. — A garota a olhou de cima, mas lhe entregou um frasco, as duas beberam juntas.
– Então você não sabe? — A loirinha perguntou, lambendo os lábios, pois essas porções tem um gosto deliciosamente doce.
– Não sei o que?
– Eu era a princesa desse reino. Mas sua avó o tomou de meus pais alguns meses depois de eu nascer.
– Isso é uma grande mentira!
– Não, não é. Pergunte a Rainha de Copas. Pena que eu não vou poder ficar para ver sua cara quando perguntar e ela dizer que é verdade. — Lilly deu de ombros.
– Como não vai poder ficar?
– Não percebeu ainda? Estamos sozinhas aqui. Todos os guardas saíram. Olhe. — Elas olharam em volta. — Parece que houve algo ali que eles não querem perder. Esta é minha chance.
– Você não ousaria. Eu sou uma feiticeira, eu posso te matar antes disso. — No momento seguinte, Rachel tinha uma bola de fogo na mão.
Lilly gargalhou.
– Oh, não. Você não é capaz de matar uma mosca.
– Não me provoque. — A morena falou entredentes. — Eu te provarei como isso não é verdade. — E jogou a bola de fogo em direção da loirinha, que levantou o braço na frente do rosto, o feitiço bateu nas correntes, as quebrando e a libertando.
Lilly se curvou em uma reverência rápida, e antes de sair correndo, gritou:
– Foi um prazer falar com você, vossa alteza!
– Não! Não! Guardas! Guardas! Ela está fugindo! Peguem-na! Agora! — Saiu correndo em direção contrária da loira, que era onde sua avó e todos os soldados estavam. — Ela está fugindo! Lilly está fugindo!
– O que?! — Cora, que estava de frente para um homem que não tinha uma mão, se voltou para a neta. — Não! Vão seus imbecis! Não fiquem parados!
E os soldados saíram correndo atrás de Lilly, mas já era tarde demais, a loirinha já ia longe demais para ser pega. Mas a rainha não deixou barato, pegou um livro antigo de maldições e proferiu umas palavras, as soprou e as palavras pareceram irem voando até a garota. E no momento, nem Cora e nem Rachel perceberam, que a última, aspirou um pouco das palavras, isso era um problema enorme! E que só foi percebido quando já não havia nada a ser feito.
Horas mais tarde, Cora convocou sua neta para uma reunião, que Rachel não sabia, mas era uma despedida. Sua avó estava deixando-a.
– Vai me abandonar? — Perguntou, olhando para o chão.
– Eu preciso ir. Vou me encontrar com Regina, sua mãe.
Com esse nome, a menina sorriu abertamente.
– Me leve junto! — Juntou as duas mãos. — Eu imploro, por favor...
– Minha criança. — Cora se ajoelhou na frente dela e segurou seu queixo. — Você sabe muito bem que se duas pessoas foram, duas pessoas devem voltar. E bem, eu já tenho um acompanhante.
Rachel se lembrou do pirata. Maldito!
– A senhora pode matá-lo, e me levar no lugar dele.
– Eu não posso, querida, ele faz parte do meu plano.
– Então é assim? O seu plano?! Você disse que nunca me deixaria! Você prometeu! — Gritou, mas Cora pareceu não se abalar nem um pouco.
– As vezes promessas devem ser descumpridas.
– Você é uma mentirosa! Eu te odeio!
– Suas palavras não me machucam, Rachel.
– Eu pensei que nós fossemos uma família... — Choramingou a menina.
– E nós somos, e é por isso que estou indo. É chegada a sua vez. — Cora tirou a coroa de princesa da cabeça de Rachel e em seguida tirou a própria coroa, colocando-a na cabeça da neta. — Você é a nova rainha de Copas. E se algum dia seu reino for conquistado, lembre-se, você ainda é a princesa má de Fairy Tale Land.
Lágrimas escorreram nas bochechas rosadas da garotinha, ela olhou para o chão.
– Eu preferia você aqui comigo.
De repente a porta do cômodo foi aberta. Era aquele pirata, agora ele estava com um gancho no lugar da mão.
– Está na hora, Rainha. Sua filha nos espera.
Cora deu um beijo na testa de Rachel e se levantou. A menina olhou no fundo dos olhos da avó e perguntou uma última coisa:
– Se tivesse seu coração, você me amaria, vovó?
A antiga rainha deu de ombros e se virou.
– Adeus, querida. — E se foi.
Aquela foi a última vez que Rachel viu a única pessoa que amava, e sem amor, seu coração começou a ficar mais negro e amargurado do que já era. No dia que Lilly se foi e disse que ela não matava uma mosca, estava um pouco certa, mas depois, aquilo se tornou a mentira mas deslavada do mundo.
A morena matava sem nenhum escrúpulo, não tinha pena de ninguém. Havia uma pequena parte no seu coração que achava tudo aquilo tão errado. Mas era uma parte tão pequena... Um sussurro com a voz doce de um homem chamado Daniel.
Rachel cresceu de mente, de coração e alma, mas seu corpo ficou pequeno — com 12 anos — por opção própria. Se algum dia iria ver a avó novamente, queria que fosse como a tinha deixado.
Mas a esperança de um reencontro desaparecia a cada ano que passava, 28 anos para ser mais exato.
E o pior ainda, lembram-se das palavras aspiradas pela menina? Pois bem, era uma maldição terrível! E que só começou a ter efeito quando sua avó já não estava mais. Todas as noites, quando a lua se tornava alta no céu, se transformava em um monstro: Seus olhos ficavam vermelhos, nos seus braços cresciam penas negras e seu rosto ficava pálido. Ela era um cisne. Um negro e arrogante cisne.
E Lilly? Você deve estar se perguntando. Bem, alguns dias depois que fugiu, a mesma coisa aconteceu com ela, só que seus traços ficaram mais delicados: Seus olhos ficavam apenas negros ao invés de vermelhos, nos seus braços cresciam penas brancas e suas bochechas ficavam rosadas. Era um cisne branco, com todo o seu esplendor.
Um dia, encontrou um coelho falante que viajava entre os mundos, e com "delicadeza" pegou-o pelas orelhas e o obrigou a mandá-la para outro lugar, um onde ela não chame muita atenção, que possa se misturar, onde as pessoas são iguais a ela. E assim o coelho fez, ela só não imaginava que aquele lugar poderia ser tão ruim.
Acompanhem o raciocínio: Um lugar onde todos são orfãos, todos são crianças e adolescentes e ninguém cresce.
Sim, Lilly foi parar em Neverland. E foi lá que encontrou um garoto de um mundo muito diferente de todos, e sua família, mas precisamente uma princesa, um herói, um pirata, uma rainha e uma salvadora, que por sinal, era muito parecida com ela, os mesmos cabelos loiros, olhos verdes e tudo mais.
E esse é apenas o começo de uma história emocionante... Você está disposto a me acompanhar?
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