Svard Black (Espada de Tinta)
1 Prologue - Otur (Azar)
Notas iniciais
Espero que gostem e deixem reviews, se possível! Escrevi esse capítulo com um pouco de sono e meio nas pressas, mas prometo melhorar nos próximos.
Pingos de chuva eram sentidos na pele como pequenas agulhas que caiam do céu. O trovão que ecoava ao longe era também ouvido, como leões prestes a devorar sua presa, num urro de triunfo. Os relâmpagos que dançavam entre as nuvens formavam algo parecido como uma grande teia de aranha que impediam até mesmo os pássaros de atravessá-la.
Sentiu as palmas de suas mãos pequenas ficarem molhadas e quentes ao tocar o pequeno corpo que repousava no chão, como se tivesse caído do céu, era impossível ver a quem pertencia, estava coberto por um grande pano marrom. Ao virar o corpo, seus olhos se arregalaram. Ali, estendida á sua frente, estava o frágil corpo da Princesa Malina. Seu rosto estava branco como a neve e sua pele estava tão fria quanto a chuva que caia ali no grande tapete azul do corredor principal do castelo. Seu rosto demonstrava a mais perfeita paz de espírito, como se estivesse dormindo e tendo um sonho bastante agradável. Contudo, suas vestes outrora brancas agora estavam manchadas de vermelho escarlate e marrom avermelhado. Pouco abaixo de seu pescoço, se encontrava cravado uma pequena estalactite vermelha. Seria... Rub? Uma “arma” feita de Rubi? Nunca tinha escutado falar em alguém que portasse algo do gênero, aliás, não sabia nem que era possível se fazer uma.
Retirou a estalactite vermelha devagar dos interiores da princesa, o sangue pingava da arma e, curiosamente, a ponta dela brilhava de forma fraca e suave. Seus pensamentos foram interrompidos por um estrondoso trovão que ecoou nos céus, o que estava fazendo ali? Ele não deveria estar ali, tinha que correr e fingir que nada tinha acontecido, se levantou com a estalactite em mãos quando ouviu a última voz que queria escutar no momento.
-- Leif Eklund...? – Uma voz grossa e imponente ecoou no corredor, vindo de trás de Leif.
Leif sabia muito bem a quem aquela voz pertencia, era o capitão da Brigada de Brand, Hallmar Sten. Tinha uma posição bastante elevada no reino e era temido por muitos malfeitores, assim como idolatrado por diversos aspirantes a cavaleiros. Era grande, robusto, com cabelos curtos e castanhos e uma barba curta e volumosa, também castanha, deveria ter por volta de 45 anos.
Se virou devagar na direção de Hallmar.
-- Capitão Hallmar, senhor, E-Eu... – Não conseguia falar nada, talvez nem mesmo Leif acreditaria se alguém lhe contasse sua história.
-- Garoto... Largue... seja lá o que você tem nas mãos... E venha pra cá, é uma ordem.
-- Não, senhor, e-eu não fiz isso...
-- Largue isso... e venha pra cá – Sua voz começou a ficar mais pesada e imperativa.
-- Ma-Mas eu... – percebeu que Hallmar começara a se aproximar devagar e começou a desembainhar sua espada.
Não teve tempo de pensar, como se outra pessoa estivesse comandando seu corpo ali, se virou na direção oposta e começou correu o mais rápido que conseguiu passando por corredores e salas daquele grande castelo, olhou mais uma vez para a estalactite em suas mãos cobertas de sangue real. Por que isso estava acontecendo com ele...?
-- Vinte minutos antes –
Escutou as batidas do relógio da biblioteca, onze horas da noite, o dia se aproximava do fim, assim como seu horário de serviço. Aliás, já deveria ter parado de trabalhar havia uma hora, foi uma das poucas vezes que não viu o tempo passar durante o serviço.
Leif Eklund é seu nome. Nunca chegou a conhecer seus pais de verdade. Sempre fora criado por Vyce Eld, bibliotecário e cartógrafo do castelo de Holt, localizado no extremo oeste do continente. De acordo com Vyce, Leif fora deixado nos portões do castelo enrolado num pano fino com o seu nome bordado nele quando não tinha mais do que nove meses de idade e, graças à boa índole do líder do clã Holt, foi criado dentro do castelo. De fato tivera uma boa criação, por ser o castelo onde a família principal do clã Holt vivia, o castelo tinha uma boa infraestrutura e pessoas com vasto conhecimento. Vyce nunca teve filhos, portanto, aceitou cuidar de Leif de bom grado. Quando atingiu seus doze anos, passou a ajudar Vyce em seu trabalho, o ajudando a organizar e catalogar mapas e livros, assim como escrevendo ou desenhando alguns pequenos trechos de mapas para Vyce. Foi adquirindo gosto por aquilo e queria ser o sucessor de Vyce quando tivesse conhecimento o suficiente.
Sete anos se passaram e, mesmo sabendo que fora abandonado nos portões do castelo, já não se importava muito, era feliz ali, não havia necessidade de ficar investigando seu passado assim.
Colocou mais três livros em uma das prateleiras próximas à mesa de Vyce e deu seu dia de trabalho como terminado. Ajeitou suas vestes, uma camisa de mangas curtas em tom branco com alguns poucos detalhes em verde nas mangas e gola e uma calça também na cor branca com algumas poucas faixas em verde. Eram as cores do clã Holt, branco significando a pureza e verde significando a resistência. Pouco depois, apagou as luzes e se retirou da biblioteca.
Andou por alguns minutos nos corredores do castelo em direção aos seus aposentos, esfregando os braços com as mãos, estava ventando frio e ele não tinha vindo preparado para isso. Ao chegar no corredor principal, tropeçou. Um dos cadarços de seus sapatos havia desamarrado. Se ajoelhou para amarrá-lo novamente quando percebeu que ali o chão e a tapeçaria estavam molhados e o vento vinha mais forte daquela direção, assim como o barulho da chuva e dos trovões.
Após se levantar, foi a passos rápidos na direção do local, teria que ir por ali de qualquer forma e estava bastante curioso para descobrir o motivo de o chão estar molhado. Foi então que, ao chegar próximo ao fim do corredor, foi como se todos os sons desaparecessem por um instante. No teto de pedra havia um grande buraco, como se alguém tivesse explodido aquela parte do teto e ali, naquele buraco onde a chuva entrava juntamente com a luz da lua, estava o corpo da princesa... Que péssimo dia para ficar até mais tarde no serviço.
Agora corria do capitão, não deveria ter feito isso, apenas aumentou a suspeita sobre ele, mas não conseguiu se controlar. Algumas poucas lágrimas escorreram de seus olhos enquanto corria, seria executado...? Depois de tantos anos ali no castelo, seria executado por algo que não fez?
Seu corpo trombou com alguém e foi jogado para trás, caindo sentado no chão ainda com a estalactite em mãos. Ao abrir os olhos, viu uma lâmina de espada em frente aos seus olhos, com a ameaçadora ponta da espada apontada para o meio de seu rosto. À sua frente, estava Dane Olander, vice capitão da brigada de Brand. Era jovem, alto, possuía cabelos loiros e compridos, acompanhados por dois olhos azuis claros. Se Leif se lembrava bem, tinha 25 anos.
-- Leif Eklund, você vai para a prisão do castelo e aguardará por julgamento, se tentar fugir, juro que não chegará ao fim do corredor ainda vivo.
Notas finais
Logo logo o primeiro capítulo será postado também~
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