Notas iniciais
Olha só quem está aqui? Eu! A mesma pessoa que tinha dito que não ia demorar e no final acabei tardando décadas. Desculpa por isso, gente. Estou com um bloqueio de criatividade incrível pra essa Fic, mas já estou com umas ideias mirabolantes. Agora que a copa acabou eu já estou mais concentrada, embora não consiga entender como, senhor, COMO o Brasil perdeu de 7-1 para a Alemanha, que na final quase levou para os pênaltis. Acho que realmente vendemos a copa. Enfim, vamos esquecer isso e ler o capitulo! XD

Tão logo abri meus olhos já os fechei. Uma luz fortíssima era apontada para meu rosto e tenho certeza que estava vendo mais de cinco pontos brancos piscando sem parar.
– Tia Lucy? — A voz de Trevor preencheu o silêncio que antes tomava conta do dormitório feminino, que por acaso estava vazio.
– Trevor, pelo amor de deus abaixe essa lanterna! — Cobri os olhos com o antebraço e suspirei quando senti que ele subira em minha cama.
– Desculpe...
– Que horas são?
– Não sei ver horas, tia Lucy. — Ele disse com a língua um pouco enrolada. — Mas todo mundo já acordou.
– E por que diabos você está aqui?
– Tio Elliot me mandou vir brincar com você. — Suas palavras eram inocentes, mas sabia que Elliot tinha em mente que Trevor iria me torturar.
– Ele mandou? — Me sentei na cama e tentei focar minha visão coçando um pouco os olhos. Confirmei no relógio sobre a porta e já era meio dia. — Deus, dormi por quase quinze horas!
– Mamãe pensava que você tinha morrido. — Ele se levantou, acompanhando meu passo.
Parei em frente do espelho do banheiro e prendi o cabelo em um rabo de cavalo frouxo. Meu rosto estava todo amaçado e minha roupa amarrotada, mas não estava me importando muito com isso agora. Alisei a blusa larga e o short de moletom que recentemente adotei como pijama e sai do quarto indo até a cozinha, onde ouvia grande alvoroço.
– Aqui tio Elliot, a lanterna que você me deu. — Trevor estendia o braço para Elliot, que estava sentado conversando com Luria e Alois enquanto Carly e Andrew cozinhavam alguma coisa e Marry ajudava Jun com algumas listas na dispensa.
– Fez de acordo com o combinado? — Ouvi ele murmurando para a criança com um sorriso brincalhão. Trevor concordou e tocou animadamente na palma estendida de Elliot para ele. — Muito bem, fedelho!
– Vai ver só onde essa lanterna vai parar depois, Pettil. — O ameacei sentando-me ao seu lado e em frente das garotas.
– Lucy, amável como sempre. — Ele passou um braço por sobre meus ombros e me deu um beijo na bochecha.
– Bom dia, Lucyzinha. — Alois apoiou o queixo sobre as mãos olhando para mim com os olhos ansiosos. — Como dormiu?
– Como uma pedra. — Suspirei. — Já fazia um bom tempo desde que dormi pela última vez em um colchão.
– Deus, mulher. O que aconteceu com você esses tempos? — Luria perguntou com um sorriso. — Além do que nos contou ontem, claro.
– O que as contou ontem? — Elliot perguntou um pouco desconfiado.
– Nada mais do que como foi a minha vida de isca atraindo homens e os vendo mortos minutos depois. Interessante?
– Não realmente.
– Foi o que eu pensei. — Lhe dei um tapinha leve no ombro e agradeci à Mary o copo com suco que ela me estendera.
– Então, como se sente? — Ela perguntou com um sorriso nos lábios e com Trevor já nos braços.
– Em casa, eu diria...
– Isso é bom. — Luria esticou o braço por sobre a mesa e segurou minha mão com firmeza. — Não era a mesma coisa sem você.
– Eu sei... Elliot não tem cara de que contratou outra faxineira.
– Não, ele nos escravizou. — Sorriu ela e piscou para mim. — Estou feliz que nossa faxineira voltou. O que significa que não vou precisar esfregar o chão da cozinha hoje!
– Nenhuma faxineira voltou. — Elliot dobrou uma perna e apoiou o braço sobre o joelho. — Lucy não limpará mais esse navio do que qualquer um aqui. As tarefas serão divididas.
– Oh, ótimo. — Alois revirou os olhos mas deu um sorriso. — Lucy Sortuda. Amarrou justamente o capitão.
– Sortuda sou, eu suponho. — Sorri de volta para ela.
– Eu não fui amarrado. — Elliot arqueou uma sobrancelha. — Elliot Pettil nunca será amarrado à ninguém. Eu pertenço ao mundo e... — Ele se calou ao perceber meu olhar ameaçador sobre ele. — Ou talvez eu esteja um pouco amarrado.
– Bastardo estúpido. — Empurrei seu corpo, o fazendo se desequilibrar e quase cair, o que causou risos entre os outros.
– Graças a você. — Ele se ajeitou sobre o banco e empurrou o cabelo para trás.
– Ótimo casal. — Arkane constatou abraçada em James, seu namorado. — Não sei por que demoraram tanto tempo para ficarem juntos.
– Eu não sei. Nunca fui com a cara de italianos. — Respondi para ela, que achou graça. — Além do mais, Elliot também não é meu tipo.
– O que? — Ele se virou para mim como se eu o tivesse ofendido. — E qual o seu tipo, Ragazza?
– Da cabeça aos pés, alguém totalmente o oposto de você.
– Sério? Bom, acho que devo dizer, nossa faxineira voltou! — Com um sorriso ele segurou meu pulso e estendeu meu braço, fazendo todos ficarem animados.
– O que? — Arqueei uma sobrancelha. — Você não pode estar falando sério.

(XXX)

– Ele estava realmente falando sério. — Alois me observava limpar o balcão da cozinha sem sequer me oferecer alguma ajuda.
– Ah, não diga! — Revirei os olhos e joguei o pano úmido contra ela, que fez cara de nojo. — Eu quero matar esse inútil.
– Nunca vou entender o tipo de casal que vocês são. — Ela me seguiu até a dispensa. — Vocês vivem brigando.
– Acho que somos parecidos demais...
– Ou diferentes demais. — Ela me passou o pote com álcool para que eu o guardasse. — Vem, preciso entregar isso para ele.
– O que é isso? — Observei o papel em sua mão.
– Jun escreveu. Acho que é algo importante.
– Certo. Vamos, ele deve estar na cabine. — Desci do banquinho e fui com ela até a cabine de Elliot, que tinha a porta fechada, mas Alois não hesitou em bater com força.
– Capitão!
– Entre... — Ouvimos sua voz pouco concentrada e entramos na sala.
– O que está fazendo...? — Alois franziu o cenho ao vê-lo folheando alguns papeis, sem prestar atenção em nós duas.
– Vendo algumas coisas do meu pai.
– Sério? Deixa eu ver! — Alois saiu correndo na minha frente até o outro extremo da sala, onde Elliot via os papeis. Fui atrás dela em um passo mais lento e apoiei o corpo na mesa de Madeira, ainda dando um gelo em Elliot.
Observei que em suas mãos haviam algumas cartas e bem abaixo de alguns outros papéis já amarelados, havia uma foto. A puxei para ver mais de perto. Na foto havia um homem extremamente bonito, encorpado; deveria ter cerca de 1,90m. O rosto quadrado e a barba por fazer lhe davam uma feição sexy e atraente. Os cabelos eram escuros e bagunçados e os olhos eram claros, e mesmo a foto sendo em preto e branco podíamos notar que seu sorriso era extremamente branco.
– Uau. — Alois puxou a foto de minha mão e ficou olhando para ela por alguns segundos. — Quem é esse?
– Meu pai.
– Seu pai? — Eu me juntei à Alois e ficamos olhando para a foto. — Ele era... Perfeito. Sério mesmo, esse homem é totalmente o mau caminho.
– Caramba, Elliot. Por que não me disse como seu pai era gostoso? Puta merda, isso é um homem bonito.
– Deus! Estamos realmente fazendo isso? — Ele puxou a foto da mão de Alois e jogou dentro da gaveta, a fechando no mesmo instante.
– Ele com certeza era do meu tipo. — Comentei sem querer.
– Querida, aquilo é do tipo de qualquer um. Se mostrarmos até mesmo para o Neon ele vai dizer que esse homem é maravilhoso. — Alois ameaçou abrir a gaveta para resgatar a foto, mas Elliot girou a chave que a trancou.
– Querem parar de ficar dizendo coisas obscenas sobre meu falecido pai? — Ele suspirou e juntou todos os papéis sem muita delicadeza. — Isso é perturbador.
– Você está com inveja. — Finalmente me dirigi diretamente para ele, que arqueou uma sobrancelha.
– Inveja? Inveja de que?
– Inveja, porque ao invés de ter nascido como ele você está aí, com seus 1,75m, olhos castanhos e ainda por cima metade albino.
– Saiba que tenho 1,77, mas isso não vem ao caso. Decidiu falar comigo, depois de ter me ignorado o dia todo? — Dizia como se eu fosse a vilã.
– Eu te ignorei e com razão! Você me botou pra limpar os quartos, os banheiros, a cozinha e arrumar a dispensa sozinha! — Listei tudo que ele havia me feito e o empurrei, fazendo com ele ele saísse de sua pose durona. — E não decidi voltar a falar com você. Aliás, não vou falar com você tão cedo, querido.
– O que?! — Ele se virou para Alois, buscando ajuda, mas ela apenas deu de ombros. — Ok. Ahn, Lucy? — Ele deu a volta na mesa e segurou minha mão entre as suas. — Você vai me perdoar, certo?
– Não! — Puxei minha mão e cruzei os braços. — Eu trabalhei o dia inteiro hoje feito uma condenada e você estava sem fazer nada.
– Por favor? — Ele iniciou sua chantagem emocional. — Você acabou de chegar... Não vamos brigar agora. — Ele começou a brincar com meus cabelos.
– Engraçado você dizer isso agora que eu já limpei metade desse navio. — Saí caminhando e o deixei para trás fazendo uma careta.
– Mas...
– Aliás, se quer realmente fazer as pazes comigo.... — Sorri para ele, já pensando em algo que ele podia fazer. — Você devia tentar fazer algumas das coisas que eu faço.
– Tipo o que...? — Alois perguntou, desconfiada. Quase me esqueci de que ela estava aqui, mas me virei para ela e sorri.
– Elliot, que tal limpar essa sala? Está cheia de papéis e poeira. — Cruzei os braços enquanto via sua expressão se transformando para algo mais perturbado. — O que? Não gostou da ideia?
– Sério mesmo? — Ele sabia que eu falava sério, mas tentava convencer a si mesmo com tal pergunta.
– Quando terminar me avisa. — Me direcionei para a porta e lhe dei um tapinha no ombro. — Alois, você não tinha algo pra dar pra ele?
– Depende do que. Eu tenho muita coisa para dar para meu capitão. — Ela sorriu maliciosamente para Elliot, que olhou para mim como quem diz "não tive culpa de nada".
– O papel, Alois. Só o papel. — Resaltei a palavra "papel" nas duas vezes que a pronunciei e ela me mostrou a língua.
– Dessa vez vai ser só o papel. — Alois se levantou da cadeira e passou um braço por sobre os ombros de Elliot. — Mas só dessa vez.
– Pelo visto vou ter que manter os olhos bem abertos com você, Pettil. — Disse antes de sair da sala. Sabia que Alois não faria nada, e era até divertido vê-la atacando Elliot.
– Lucy! Elliot está aí dentro?? — Arkane vinha correndo e perguntou-me desesperada quando tombou comigo.
– Sim... O que aconteceu?
– O navio de Billy Bond está se aproximando, e bem rápido.

Notas finais
Eu queria revisar o capitulo, mas de verdade, eu estava já sem paciência e não queria deixar vocês esperando. Espero que tenham gostado e a partir de agora vou poder decolar com essa Fic e, quem sabe, já direcioná-la para o final. Enfim, não se esqueçam de comentar e, claro, agradeço por ainda lerem essa Fic! Até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.