Notas iniciais
Oi gente.s em tempo aqui, mas tentei de tudo para postar ainda hoje esse capitulo. Espero que tenha ficado bom, embora ache que o final ficou um pouco corrido, mas eu fiz o que pude pra garantir esse capitulo ainda hoje. Enfim, como passaram o natal? Eu espero que bem, porque o meu foi bom. Meus tios estão aqui em casa e como não os vejo tem tempo então está sendo bem proveitoso. Espero que gostem e também irei responder os comentários dessa vez, ok? Boa leitura, então. :)

– Capitão! — Arkane começou a seguir Elliot, que caminhava apressado por entre as estantes. — Hey, Capitão! Não ande tão depressa!

– Nós não podemos ficar nesse lugar. — Elliot tentava caminhar, falar e respirar direito ao mesmo tempo.

– Por que não? É perigoso? — perguntei com ironia, mas esqueci que ele acordou com TPM.

– Você não consegue entender, Lucy? — Ele se virou rapidamente e parou de caminhar, fazendo Arkane bater contra ele. — Eu prefiro que Billy Bond sambe em cima de mim com um salto alto durante meu velório do que encontrar essa mulher a qual eu pensava estar morta.

– Ok, Ok... — Já estava doente e cansada; não tinha tempo pra discutir com a mocinha. — Mas sabe que você ainda tem que encontrar a pros... Emily. Não acho que possa ir embora.

– Mas posso me trancar no meu quarto até que ela apareça.

– Capitão, as chances de encontrarmos com ela são muito baixas, sabe? Uma em um milhão. — Arkane tentava acompanhar o passo rápido dele sem se perder, considerando que haviam muitas pessoas nas ruas mesmo naquele horário e não perdiam o animo. — Arg, com licença. — Ela afastou algumas pessoas e continuou o seguindo.

– Desculpe! — Me agachei para pegar as laranjas que rolaram da sacola de papel quando esbarrei com uma moça.

– Ah, deixa que eu te ajudo. — Ela se agachou junto comigo e começou a recolher as que não estavam ao meu alcance, mas percebi que pousou o olhar sobre minha espada presa na cintura.

– Ahn, eu não vou machucar ninguém, se é isso que está pensando. — Tentei parecer o mais amigável possível. A última coisa que queríamos era um escândalo aqui.

– Não, só... — Ela tinha um olhar um pouco perdido, distante. Era uma mulher jovem, não podia lhe dar mais de quarenta anos. Tinha as feições cansadas, mas era bonita. Seus cabelos eram loiros e longos, os quais prendeu sobre um ombro. Os olhos, gentis, eram esverdeados, mas não tão claros e sua pele branca, mas não pálida. — Nada. Só me fez pensar em uma pessoa.

– Ela se levantou assim que terminamos de recolher todas as frutas. Tinha um sorriso amigável, além de tudo. — Muito obrigada.

– Ah, não foi na... Ai não! — Olhei em volta, percebendo que eu estava sozinha no meio da multidão. — Droga!

– O que foi? — Ela pareceu um pouco curiosa com minha mudança de humor repentina.

– Perdi minha amiga e meu capitão. — Cobri o rosto com as mãos, batendo um pé no chão. — Ah... — Resmunguei manhosa. — Elliot vai me matar quando descobrir que eu me perdi.

– Quem?

– Meu capitão. Mas... Não foi minha culpa! Se ele corre como um gato assustado não é dever meu o seguir. — Estava murmurando mais para mim mesma. Senti uma pequena tontura e minha cabeça latejando, por isso me apoiei no poste ao meu lado.

– Você está bem? — A moça pousou uma mão sobre meu ombro.

– Sim. — Me endireitei e suspirei. Fiquei na ponta dos pés pra tentar ver a cabeça branca de Elliot, considerando que Arkane não era muito alta. — Como posso perder alguém com um cabelo daquele jeito?

– Menina... — A mulher me chamou com a voz baixa. — De quem está falando? — Segurou meus ombros com as duas mãos, um pouco apressada para a minha resposta.

– Ahn? Do meu capitão, oras. Já te disse. — Comecei a achar a mulher um pouco estranha.

– Ele seria... Elliot Pettil? — Seus olhos tinham um desespero que logo reconheci. Aquilo era sem sombra de dúvidas o desespero de uma... Mãe.

– Ellie...- Sussurrei para mim mesma, mas ela, ao confirmar suas suspeitas, afrouxou o aperto em meus ombros.

– Lucy! — Senti alguém me puxando o ombro e vi Que era Elliot. — Onde você se meteu?! — Parecia um pouco estressado. — Eu e Arkane estávamos loucos atrás de você!

– C-Cap... — Podemos ir agora? Você está doente. — Ele revirou os olhos e suspirou. — Não quero que fique aqui fora e se perca de novo. Você realmente só me dá trab...

– Elliot...

Não sei explicar direito, mas pareceu que Elliot tinha rachado ao meio quando ouviu aquela voz pronunciar seu nome. Ele ficou pálido e estático; mais do que quando encontramos Billy Bond. Acho que se eu encostasse nele ele quebraria ou simplesmente cairia duro no chão. Seus olhos castanhos olharam por sobre meu ombro e confirmaram suas suspeitas.

– Lucy, estamos indo agora. — Ele me segurou pelo braço e sua mão desceu até se encontrar com a minha. Pude senti-lo tremendo por sob a luva e os anéis.

– Elliot, não se mexa. — A voz dela ficou autoritária de uma hora para a outra, o fazendo parar de andar. — Podemos ao menos conversar?

– Conversar sobre o que? — Ele tinha a voz dura e séria, a qual fazia pouco uso no dia a dia.- Não vamos conversar porra nenhuma.

– Você sabe que temos muito o que falar. — Ela deixou a sacola de antes sobre um banco de Madeira ao nosso lado.

– Não temos o que falar. — Ele arqueou as costas e levantou o rosto. — Nossa relação terminou tem dez anos, e não acho que conseguirá me provar do contrário.

– Elliot, eu fui uma idiota. Billy Bond tinha dinheiro.

– Meu pai também tinha. Te deu do mais puro ouro e do mais robusto diamante, mas pelo visto você tem um estranho fetiche por gordos barbudos, ou seu lado como puta apenas falou mais alto.

–... — O som da voz erguida carregada com o sotaque italiano de Elliot e o tapa que ela deu sobre o rosto dele fez alguns olhares curiosos se voltarem para cá, mas nós em si não dissemos nada. Fiquei olhando a cena um pouco chocada, pois nunca esperaria aquelas palavras vindas dele e aquele ato vindo dela.

– Eu continuo sendo sua mãe e você me deve respeito!

– Mas parece que quem perdeu o respeito por mim foi você, a partir do momento em que decidiu chifrar meu pai! — Elliot tentava não elevar sua voz mais que o necessário. — Eu tenho cara de idiota pra você? Acha que pode me pisar como antes e sair como se nada? — Ele levou a mão até o punho da espada, mas não o deixei puxá-la para fora da bainha.

– Acalme-se, capitão. — Apertei minha mão sobre a sua. Percebia que ele estava tenso devido ao diálogo que estava tendo. — Estamos em uma ilha cheia de guardas que não iriam hesitar em entregar sua cabeça aos seus superiores em troca de uma recompensa extremamente gratificante. Tem sorte que ninguém aqui reconheceu seu rosto.

– Certo. — Ele soltou de leve o punho da espada e abaixou a cabeça em um suspiro, mas voltou em sua postura de sempre. — Tome isso. — Elliot tirou do bolso algumas moedas de ouro e entregou com frieza para a mãe. — Não tenho noção de sua situação financeira, mas creio que isso pode lhe pagar boa comida e vestimenta. O inverno será rigoroso.

– Mio Figlio... Ti prego perdonami. (*Meu filho... te emploro que me perdoe.) — Ela tinha os lábios finos trêmulos. Derrubou as moedas que lhe foram entregues e se aproximou do filho, que tinha tornado-se maior que ela.- Se fiz o que fiz é porque precisava daquele dinheiro e era algo que não queria que seu pai pagasse.... Que pagasse por meus erros. Eu devia aquele dinheiro e era algo que me matariam caso não o pagasse. Se deixei a ti e ao seu pai foi por querer proteger vocês. Queria ter certeza de que você cresceria com saúde e segurança, e caso não pagasse essa dívida, viriam atrás de mim e de quem amo. Fiz aquilo para garantir sua vida, il mio piccolo angelo (*Meu anjinho), mesmo que isso imponha ter que me privar de ver-te crescer e guardar teu ódio por mim. Saiba que viverei e morrerei amando apenas dois únicos homens... você e seu pai. — Ela atreveu-se a pousar uma mão sobre a bochecha de Elliot.

–... — Não consigo descrever a expressão que tomou o rosto de Elliot, mas continha uma magoa misturada com alívio... Alívio de ter uma explicação da qual foi privado de saber já tinha quase dez anos. A única coisa que vi fora uma lágrima que desceu dos olhos de meu capitão, escorrendo pelo contorno da mão de sua mãe.

– Capitão... — Murmurei para mim mesma. Era algo inesperado, de fato. Ele não era do tipo de pessoa que se permitia chorar perante os outros.

– Pegue o dinheiro. — Ele se afastou rapidamente dela e limpou a lágrima mais rápido ainda. — Vou ficar aqui até depois de amanhã pela manhã. — Ele abaixou o chapéu, o que fez a sombra tomar seus olhos. — Nas condições em que estamos, não sei quando poderei voltar, mas o dinheiro será suficiente. — Ele ficou quieto por um tempo, mas virou o rosto repentinamente para mim. — Lucy, esteja no navio logo. Você está doente e não quero que fique andando por aí sozinha. Se não voltar em dez minutos, mando a tripulação inteirinha atrás de você, Ragazza tormentata (*Garota problemática).

Não demorou nem mais um segundo para que ele saísse andando apressado e empurrando quem quer que estivesse em seu caminho até o navio. Por sorte nenhum deles era um guarda.

– Ahn... — Me virei para Ellie de novo. Não sabia o que dizer para ela agora, então apenas tentei fugir de seu olhar. — Sinto muito por isso...

– Não me arrependo de nada que fiz no passado. Penso que fiz certo, vendo-o hoje.

– É... Eu acho que sim.- Pensei pelo menos duas vezes em perguntar para ela sobre Harry, se sabia como ele estava, mas acabei dispensando a ideia.

– Quando Elliot era pequeno ele era o bebê mais lindo do mundo. Bem pálido e o cabelinho branquinho. As pessoas morriam para vê-lo. Filho de Reaven Pettil, era considerado o príncipe dos sete mares. — Ela sorria enquanto lembrava.

– Devia ser mesmo.

– Bem... — Ela se agachou para recolher as moedas. — Fico feliz que ele agora seja quem é. Está bonito, parece ser um bom capitão e tem uma linda namorada.

– Ahn? Está se referindo a minha pessoa? — Perguntei com um dedo apontado para mim mesma depois de perceber que ela estava me encarando com aquele olhar significativo.

– Claro. — Ela me sorria com gentileza. — Posso perceber como ele se preocupa com você e você com ele.

– Ah não... — Soltei uma risadinha nervosa. — É apenas uma relação entre capitão e marujo. Só isso.

– Sei. — Ela me olhava como se não acreditasse no que eu digo. — Enfim, é melhor você voltar, antes que seu capitão... Mande a tripulação inteira atrás de você. — Essa foi uma indireta das grandes. Essa mulher é cruel.

– Ah... Claro... — Eu preciso ir. Elliot é-

– Muito impaciente, eu sei disso. — Ela completou minha frase. — Nos vemos amanhã?

– Eu espero que sim. — Acenei com a mão. Elliot era louco, não batia bem da cabeça; nunca se sabe quando ele iria enviar a tripulação inteira atrás de alguém.

Quando cheguei ao Porto já conseguia ouvir alguns sussurros sobre o navio. Algo como "Esse não é Sutton Hoo?" Ou "É a embarcação de Elliot Pettil".

Subi a bordo e já ouvia alguns gritos vindos da cabine de Elliot, por isso pensei duas vezes antes de entrar, mas assim o fiz.

– E ela simplesmente me diz o que devia ter dito tem tanto tempo! Arg! Eu odeio minha vida! — Elliot desabafava com Jun, que realmente parecia interessado no que ele dizia.

– Gente, cheguei no meio de um chilique adolescente. Que foi, o namorado te deu um pé na bunda? — Sempre há chances de zombar de Elliot, o que é algo muito bom!

– Em primeiro lugar, você não consegue ver que eu estou no meio de uma crise? — Ele se virou pra mim. — E em segundo, você está dois minutos atrasada! O que te prendeu lá fora por tanto tempo?!

– Nada. Só caminhando. — Tentei fugir de seu olhar acusador. — Bem... Só vim pra avisar que eu cheguei. — Bati de leve a mão no batente da porta. — Vejo vocês amanhã.

Saí da cabine e voltei ao dormitório feminino, que ainda tinha a luz acesa.

– Lucy, por que demoraram tanto? — Marry perguntou sentada sobre sua cama, já com os colchões.

– Longa história. — Fui até a minha e me joguei, ouvindo a Madeira rangendo ao fim do ato. — Mas já sinto que amanhã vai ser um loooongo dia.

Notas finais
Uau! Percebi o quão pequeno ficou esse capitulo, mas deu um certo avanço na história, certo? O próximo a Emily vai aparecer e vai desencadear diversos problemas para todo mundo, acreditem. Estou com sono e, como posto por iPad, tenho que separar cada parágrafo e falas pois o nyah! Estraga toda a diagramação e junta tudo em um único e imenso parágrafo. Da muita raiva. Enfim, espero que tenham gostado. Como sempre, comentem, favoritem e recomendem :3