Notas iniciais
Oi, oi gente! Em primeiro lugar, sei que demorei bastante para postagem desse capítulo, mas é que eu queria caprichar nele. Ele tinha, inicialmente, quase 5 mil palavras, por isso eu cortei ele. Acho que, infelizmente, começa a parte meio clichê da história. Certo. Não entendeu? Leia o capítulo e nos falamos lá embaixo, ok?

Não passavam das cinco e meia da manhã quando eu levantei. O clima estava ruim, o mar estava ruim e além de tudo eu teria que limpar toda a proa essa manhã.

Assim que encostei os pés no chão, os ergui no mesmo instante. O chão parecia ser feito de gelo de tão frio que estava, mesmo sendo de Madeira.

O ar estava pesado para se respirar e com certeza era um ótimo dia para ficar na cama, mas quem disse que eu ia poder fazer isso?

Sem ver outra solução, calcei uma meia grossa e sai do quarto enrolada no cobertor, dos pés até a cabeça. Todas as pequenas janelas do corredor estavam embaçadas, por isso não consegui identificar algum movimento em Sally, mas ainda eram cinco e quarenta da manhã, então não esperei ver muitas pessoas acordadas, muito menos ver Elliot acordado.

Elliot estava escorado sobre a grade de Madeira com um olhar um pouco perdido, mas não era isso que chamava atenção nele esta manhã.

Pela primeira vez, desde que o conheci, estava vestido como uma pessoa normal, não como um capitão. A camisa branca cheia de abotoaduras e o sobretudo largo e majestoso foram trocados por uma simples camiseta preta sem ao menos uma estampa. Sua calça de pano sempre coberta por facas e espadas, agora fora substituída por uma bermuda em tons claros de xadrez e quase era impossível não perceber sua comodidade com os pés descalços.

– Isso é uma surpresa. — Caminhei quase como um pinguim até ele, devido ao cobertor que enrolava meu corpo. Ainda assim o vento soprava em meu rosto, mostrando ainda mais como Elliot era louco em estar vestido daquele jeito. — É a segunda vez que vejo-te, Pettil, acordar antes do sol nascer. Caiu da cama de novo?

– Hm... — Ele deu algumas leves batidinhas no corpo do cigarro que agora eu vi que segurava, deixando as cinzas caírem no cinzeiro de metal sobre a grade. Seus olhos analizaram-me dos pés a cabeça com uma expressão duvidosa. — Teria sido engraçado se ao menos eu tivesse conseguido dormir. — Novamente deu uma tragada no cigarro e simplesmente soprou a fumaça na minha cara, sem se importar com meu ataque de tosse que veio logo em seguida.

– Esteve aqui a noite inteira, então? — Continuei abanando a fumaça cinzenta que pairava próxima de meu rosto, se misturando com a que saia de minha boca por causa do frio extremo.

– Não. Acho que decidi sair do meu quarto só as quatro da manhã. Então o gato pediu comida e eu fui até a cozinha. — Ele dizia com uma careta, parecendo difícil de lembrar dos acontecimentos. — Depois disso vim pra cá.

– Está destruindo seus pulmões a praticamente duas horas? — Levantei o rosto para poder olhar para ele, que olhava para outra direção.

– É só um cigarro, Lucy. — Podia vê-lo revirar os olhos como se eu fosse idiota sem nem mesmo precisar que ele se virasse.

– Elliot, minha mãe fumava. — Disse séria, tirando uma mão de meu "casulo" e segurando com força seu antebraço, o fazendo olhar para mim. — Ela fumava para esquecer que meu pai nos tinha abandonado. Fumava porque pensava que de algum modo isso a deixaria melhor ou pagaria nossas dívidas. Se não tivessem-na assassinado antes, ela teria morrido com câncer na porra dos pulmões! — Lhe dei um empurrão forte contra o peito, o fazendo cambalear e meu cobertor cair de uma vez no chão. — Desculpe se eu me preocupo com você e não quero que acabe como ela. — Dei de costas e comecei a tomar meu rumo para a cozinha.

– Hey! — Ele me segurou pelo pulso antes que eu pudesse avançar muito. Me livrei de sua mão com raiva, puxando meu braço.

– O que?!

– Pronto. — Ele levantou as mãos como quem se diz rendido e soltou o cigarro que segurava na mão esquerda. — Nada de cigarros, ok? — Tirou a caixa de dentro do bolso da bermuda e a jogou no mar por sobre o ombro. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele deu as costas e pegou meu cobertor do chão, me lembrando o quão frio estava. — Aqui. Está um dia ruim hoje.- Ele parou em minha frente e passou seus braços em torno de meu corpo, pousando o cobertor sobre meus ombros, mas eu não conseguia me concentrar nisso quando ele estava tão perto. Era a segunda vez que ele fazia isso, e era a segunda vez que eu reagia assim.

– O-Obrigada! — Dei um passo apressado para trás, acabando por bater contra algumas caixas e fazendo a pequena pilha cair no chão. Por sorte não estávamos sobre nenhum dormitório. — Ahn...

– Tudo bem... Não tinha nada dentro... — Ele se aproximou para erguer as caixas.

– Elliot... — Segurei seu ombro sem saber porque, deixando o cobertor cair novamente. Fora quase como um reflexo, e agora eu não sabia o que dizer enquanto ele olhava para mim, e assim ficamos por cerca de um minuto.

Elliot me empurrou de leve contra a grade do navio, aproximando seu rosto do meu e, consequentemente, fazendo meu coração acelerar.

– Lucy... Você está me provocando. — Ele dizia ao pé de meu ouvido. — Eu juro que tento me controlar...

– Então não tente. — As palavras foram mais rápidas que meus pensamentos, mas ainda tive tempo de me arrepender delas depois.

– Você está escutando o que está me pedindo, Lucy? — Ele afastou o rosto de meu ouvido, ficando frente a frente comigo.

– Sim... E temo que eu tenha algum problema mental; que seja louca ou algo assim. — Não conseguia tirar meus olhos dos dele. — Acho que devemos procurar um hospital, capitão.

– Outra hora.

Um de seus braços enroscou-se em minha cintura, me puxando rapidamente contra ele. Não demorou nada até seus lábios acharem os meus e, Oh meu Deus, percebi como ansiava aquilo.

Cada movimento de nossos lábios era apressado, como se aquela sensação tão boa pudesse se extinguir de um momento para o outro. Sua língua se enroscava na minha e buscava algum canto em minha boca que lhe parecesse inédito, enquanto suas mãos frias corriam por minha cintura.

Tudo estava claro agora. Não sei como me enganei por tanto tempo, fugindo disso.

Elliot era um idiota! Era sem dúvidas um egoísta, mimado e, com certeza, um total arrogante, egocêntrico e infantil... Mas eu... Me apaixonei por esse Elliot, porque além de tudo aquilo, ele era inteligente, bonito e de vez em quando até divertido. Ele era simplesmente... Elliot Pettil.

– Deveríamos estar fazendo isso? — Perguntei quando nós afastamos para tomar fôlego, mas ainda muito próximos.

– Não deveríamos? — Retrucou ele, de modo que sempre fazia comigo.

– Elliot, você é o capitão e não deve...

– Exato. Eu sou o capitão. — Suas mãos apertaram minha cintura contra a grade novamente e, com um sorriso no canto dos lábios, começou a destribuir alguns beijos por meu pescoço, me fazendo suspirar. — E o que eu falo... Você faz.

– Boa tentativa. — Lhe dei um leve empurrão no peito, mas não surtiu tanto efeito, sendo que ele continuava me prendendo contra a Madeira. — Não sou uma puta, Elliot. Eu tenho cérebro, coisa que a maioria delas não tem ou não faz uso.

– Eu sei disso, e é por isso que eu sofro tanto por você. — Levou o indicador até meu queixo, levantando meu rosto e deixando um leve beijo sobre meus lábios. Novamente segurou com firmeza minha cintura e me colocou sobre a grade de Madeira, fazendo com que eu ficasse um pouco mais alta que ele.

– Se eu cair daqui... Saiba que eu posso matá-lo, Pettil.

– Você é a única que pode.

– E eu não hesitaria em fazê-lo. — Dobrei uma perna, apoiando o pé em seu ombro e o empurrando de leve.

– Eu sei que não. — Ele sorriu e puxou meus braços em torno de seu pescoço, abraçando minha cintura logo em frente da sua, considerando que agora eu já não tinha 10cm a menos que ele.

Seu nariz já roçava contra o meu e eu não conseguia tirar o pequeno sorriso de meu rosto. Apenas aproximei um pouco mais nossos rostos para que finalmente eu pudesse sentir seus lábios sobre os meus de novo e sentir novamente aquele choque percorrer todo meu corpo.

Mordi seu lábio inferior enquanto minhas mãos brincavam com os cabelos de sua nuca, distraídas. Podia sentir seu dedo enrolando a ponta de meu cabelo em minhas costas. Eram raros os momentos em que eu e ele não estávamos discutindo ou brigando, e seria muito bom se pudéssemos resolver essas discussões sempre assim, afinal, ninguém fala então ninguém briga.

Mas no final das contas, eu tinha em mente desde nova que eu era simplesmente... Eu. Não era a garota mais bonita, mais engraçada e muito menos a mais talentosa, seja em duelos ou em qualquer outra coisa. Como minha mãe sempre me dizia em seus momentos não-sóbrios, quando ela se deixava consumir pelo álcool, eu não era nada, e sei que Elliot merecia muito mais e podia encontrar esse alguém se eu deixasse de ser tão egoísta e de querê-lo só pra mim.

Entrelacei sua cintura com minhas pernas e o puxei para mais perto de mim, com as mãos segurando o tecido de sua camiseta.

– Eu te odeio, Elliot Pettil. — O encarei com expressão brava enquanto ele mantinha seu sorriso no canto dos lábios.

– Eu sei disso também.

Desprendi minhas pernas de sua cintura e o empurrei com os braços que antes enlaçavam seu pescoço. Arg! Eu não podia gostar de Elliot Pettil!

– Por quê?! Por que você faz com que eu me sinta assim?! — Pulei da grade e continuei o empurrando, vendo o divertimento em suas risada. — Eu não posso gostar de você! — Gritei por fim, quando suas costas bateram contra a parede externa de sua cabine. Ele parou de rir, me fazendo dar conta do que havia dito.

–...

–...

– Por que?

– Porque você é um bastardo convencido. — Rangi os dentes com um dedo acusador apontado para ele.

– Bastardo? Isso é o máximo que conseguiu pensar? — Ele suspirou. — Geralmente as mulheres são mais criativas na hora de me xingar. — Lhe dei um tapa sem pensar muito no que estava fazendo. Estava com raiva dele... Com raiva de mim. Ele levou uma mão até a bochecha, incrédulo. — E mais fortes na hora de me bater. — Soltou o ar pelo nariz, fazendo um bico.

– Arg! — Grunhi, frustrada. Tentei avançar nele de novo, mas me surpreendi quando ele segurou meus dois pulsos e trocou de posições, me colocando contra a parede. — Me solta. — Ordenei com raiva.

– Por que você está brava!? — Ele tentava me segurar enquanto eu me debatia e tentava agredí-lo. — Lucy!

– Porque isso não está certo! Não posso gostar de você!

– E por que não?

– Porque eu não sou boa o suficiente. — Senti seus músculos fraquejarem, me dando a oportunidade de me soltar de seus braços.

– Não é boa o suficiente...? — Tinha uma expressão confusa no rosto. Parecia ter sido atingido por algo e isso o machucava.

– Elliot, olhe pra mim! — Dei um passo para longe dele. — Eu não sou nada. Não tenho nenhuma característica especial, não passo de 1,65m, minha mãe era uma viciada em álcool e em cigarros, o que a impossibilitou de trabalhar e nos afundou em dívidas. Meu pai viu que a situação estava beirando o extremo e se mandou. Tenho em mente isso, Elliot. Eu sou um nada. Não conquistei nada em minha vida, tanto que se alguém em minha antiga vila desse por falta de mim agora seria um milagre. — Prendi as duas mãos na cabeça, irritada. — Agora olhe pra você, Elliot! Você é tão... Inteligente, bonito... Você salva a vida de quem precisa. Tem o respeito de todos dessa tripulação... Sem contar com sua família... Todos fizeram grandes conquistas e você é conhecido no mundo todo....

– Lucy, por que está dizendo coisas tão idiotas? — Ele apoiou-se na parede de Madeira e abaixou a cabeça. Sua voz era baixa, mas firme e raivosa.

– Porque é a verdade! — Gritei com mais raiva ainda.

– A verdade?! — Ele levantou o rosto e vi a fúria em seus olhos. — Lucy, eu mato por diversão! Eu estava pouco me fudendo se tinham crianças, bebês ou idosos na sua vila quando eu a mandei queimar, porque eu queria minha mãe morta! — Ele aumentava gradativamente o tom de sua voz. — Eu não consigo nem ao menos honrar o nome de meu pai que poupava até a mais miserável alma se lhe parecesse justo. Eu roubo dinheiro de quem me dá vontade, tesouros de navios os quais eu ataquei para pelo menos manter essa porra desse título de "Pirata mais procurado", "Mais perigoso". Além de tudo isso, para completar meu perfil de completo idiota, eu nunca consigo fazer uma garota gostar de mim, e sabe por que? Porque eu sou um problemático, infantil, orgulhoso e arrogante. Eu faço as pessoas se sentirem mal!

– Você tem razão... Não me sinto muito bem agora. — Fora doloroso, mas naquele momento em que disse aquelas palavras, tomei uma decisão. Sei que havia magoado Elliot com aquilo, e que o magoaria ainda mais, mas eu precisava e Iria deixar aquele navio ainda hoje.

Tão logo descobri o que sentia por ele e já sabia que precisava me afastar.

(...)

– Elliot, ela chegou. — Jun avisara ao capitão assim que o navio de Emily havia ancorado ao lado do seu. — Não vai se trocar?

– Para que? Direi a ela que apenas entre aqui e resolvemos o que devemos resolver.

– Tem certeza? Devia ao menos por um casaco. — Jun abriu a porta da cabine e deixou o vento frio entrar.

– Não estou com frio. — Elliot se levantou rapidamente e saiu andando porta afora, mas parou para falar com Jun. — E... Eu ainda vou falar com a Ellie hoje. Pretendo zarpar pela madrugada, apenas. Qualquer sinal de embarcação se aproximando, me avise.

– Certo.

Assim que Elliot saiu de sua cabine, cabisbaixo, levantou o olhar para o barulho de salto alto contra a Madeira. No fundo, no fundo tinha esperanças que fora de Lucy, mas ela se trancara no quarto desde a discussão dos dois. Não conseguiu esconder a decepção ao perceber que, na verdade, Aquele salto era de...

– Quem te deixou entrar? — Ele cruzou os braços ao ver Emily caminhando pela prancha larga de Madeira que ligava o Porto ao convés de Sutton Hoo.

– Estava ali, eu puxei e entrei, mio amore. — Ela tinha um sorriso sedutor nos lábios pintados de vermelho e caminhava movendo os quadris, parando logo em frente de Elliot. — Por que essa cara de quem comeu e não gostou, Elliot, querido?

– Você engordou. — Ele arqueou uma sobrancelha, vendo o sorriso da garota se desfazer. Embora aquilo não seja verdade, Elliot apenas queria que ela ficasse irritada. Talvez resolvessem logo as coisas e ela iria embora mais rápido, mas é claro que com Emily não seria assim.

– Sincero, como sempre. — Ela voltou com o sorriso, agora mais cínico. — Senti sua falta, amoré. — Emily deslizava sua mão pelo peito de Elliot, não se importando com os olhares de alguns marujos pertencentes ao navio dele que pairavam sobre eles. Ela sempre gostou de chamar atenção, afinal.

– Oferecida, como sempre. — Ele revirou os olhos.

– Não é assim que conseguirá minha ajuda, querido. — Ela forçava um sotaque italiano que Elliot tinha naturalmente, ato que o irritava profundamente, por ofender sua cultura.

– Não carregue tanto nos "r", Emily. não estamos mais na Itália.

– Vamos para seu quarto e resolveremos o problema maior, certo? — A garota deslizava as mãos agora por seus ombros, mas ele simplesmente deu de costas e saiu andando com os braços atrás da cabeça, despreocupado como sempre. Não gostava que ela o ficasse tocando, coisa que Emily fazia com gosto e quando lhe desse na telha.

– Vamos na minha cabine. Temos muito o que conversar.

– Gr... Elliot, espere! — Ela o alcançara, seguindo-no. Sempre se irritava com ele, mas não se dava o valor. Queria apenas que ele ficasse com ela e que a satisfizesse, mesmo que a humilhasse como costuma fazer.

– Entre logo e vamos falar. — Ele segurou a porta para ela, que viu o ato como uma brecha à suas investidas sobre ele.

Emily se sentou na cadeira em frente da mesa de Elliot, jogando os longos cabelos loiros e lisos para trás. Sua roupa exibia um profundo decote em V e suas botas vinham até em cima do joelho, sem contar que seu espartilho estava tão apertado que ninguém sabia ao certo como ela podia respirar.

– Você fica bem vestido tão casualmente, Elliot,querido. — Ela cruzou as pernas, deixando grande parte das coxas visível.

– Fico mesmo não? — Ele se jogou na cadeira de couro e finalmente a olhou nos olhos verdes. — Bom, primeiramente acho que deveríamos analisar todo esse mapa. Sei a localização de Billy Bond e com isso podemos traçar um...

– Realmente quer ficar falando sobre isso agora? — Ela se levantou, começando a contornar a mesa em paços lentos e arrastando um dedo pela mesa. Elliot virou a cadeira, observando-a, desconfiado.

– É para isso que estamos aqui, afinal, Emily. Realmente acha que de uma hora para a outra eu senti sua falta?

– Sei que sentiu... — Ela dobrou um braço atrás das costas e puxou a fita que lhe prendia o corpete na cintura, o deixando cair no chão.

– O que...

– E sei que sentiu falta disso também... — Ela desabotou os botões frontais do próprio vestido, o fazendo cair até parar nos quadris, deixando exposto seu sutiã vermelho e a barriga lisa, porém com uma tatuagem na cintura.

– Emily...

– Sabe que gosto de me divertir antes de trabalhar, certo, capitão... — Ela subiu em seu colo com uma perna dobrada em cada lado de seu corpo e um sorriso seduzente. Se aproximou para deixar um beijo em seu pescoço e se permitiu continuar, vendo que ele não a impediu.

– Elliot, temos que conver... — Jun abriu a porta sem bater antes, como costumava fazer. Surpreendeu-se ao ver a cena por não perceber que Emily já havia entrado no navio, por isso não conseguiu virar Lucy, que o acompanhava, antes que ela visse também.

– Lucy... — Elliot, sem muita delicadeza, pegou Emily pela cintura e a colocou no chão com rapidez, a fazendo cambalear e cobrir o busto com o vestido, incômoda com a presença de Jun na sala.

Nenhum dos dois, Elliot ou Lucy, disseram algo. Apenas a troca de olhares que tiveram por alguns segundos fora suficiente para deixar claro como cada um se sentia.

– Desculpe. — Lucy virou o rosto, acariciando o antebraço. — Acho melhor conversarmos depois, Capitão Elliot. — Ela disse com certa naturalidade, mas todos sentiram a frieza em sua voz. Ela deu de costas e saiu andando, deixando os outros três em silêncio.

– Você é um idiota. — Jun bateu a porta antes de sair. Iria ir atrás de Lucy, mas pensou melhor e resolveu deixá-la sozinha. O aviso que ela daria já não era o mais agradável, e não achava que Elliot reagiria bem ao saber que ela ia ficar em Sally.

– Jun! — Elliot segurou o braço do amigo, correndo de sua cabine. — Cade ela?

– Elliot... — O co-capitão coçou a cabeça, sem saber ao certo o que dizer. Eram raros esses momentos.

– Merda... — Ele viu Emily se aproximando em passos rápidos até os dois. — Cuide da Emily pra mim, sim? Por favor! — Saiu correndo mas sem antes dar dois tapinhas no ombro de Jun.

– Claro... — Revirou os olhos, pensando em como manter Emily com ele.

– Lucy! — Elliot apoiou o antebraço no batente da porta, cansado por ter procurado ela por todo o navio. Ela estava no dormitório feminino. Luria e Alois saíram assim que o viram, deixando os dois sozinhos.

– Algum problema?

– Algum problema?! — Ele recuperava o fôlego com certa dificuldade. — Realmente vais fingir que não viu nada naquela sala?

– ...- Ela mordeu o lábio inferior, desviando o olhar do dele, incômoda. — Nada aconteceu...

– Escuta, Emily que veio para cima de mim, ok? Eu estava realmente querendo apenas traçar um plano para que ela distraísse Billy Bond. Todo mundo aqui já deve saber como eu odeio aquela garota!

– Elliot... Eu estou saindo. — Ela ignorou toda sua explicação, não querendo lembrar-se da cena tão cedo.

– O que? Saindo de que?

– Da tripulação.

–... O quê? — Ele arqueou uma sobrancelha, confuso. — Por quê? Você não pode fazer isso! Você é parte desse navio, não pode simplesmente ir embora quando quiser! — Não conseguia disfarçar sua frustração.

– Eu posso eu vou. — Ela cruzou os braços e se aproximou dele. — E eu estou fazendo isso... Porque eu quero minha vida de antes.

– Lucy...

– Eu não consigo continuar aqui, Elliot. Isso não serve para mim. — Lucy começou a sentir os olhos lacrimejarem. — Eu quero sair.

–...

Os dois ficaram quietos. A firmeza quando ela afirmou querer sair fez com que Elliot se convencesse. Aquilo não era real. Tudo que ele imaginou sentir por ela, não podia ser real. Ele tinha que esquecer.

Lucy sentia o lábio tremer a cada palavra. Abaixou a cabeça, sentindo a primeira lagrimar escorrer.

– Certo. — Sua voz soou fria e ignorante. — Esteja fora antes das três da tarde. Tens duas horas.

E assim ele saiu do dormitório, sem poder ouvir o "desculpa" que ela murmurou antes de se permitir chorar novamente naquela tarde.

– Elliot, como... — Jun fora abordar o capitão que caminhava com pressa pela proa do navio.

– Saia! — Lhe empurrou o ombro após gritar-lhe, irritado. — E não quero ouvir o nome daquela garota ser pronunciado aqui! Nunca mais! — Deixou bem claro o aviso para aqueles que observavam ao redor, interrompendo seus afazeres.

– Capitão...

– Mande Emily embora logo. Não quero olhar para a cara de ninguém hoje. — Ele cortou as palavras de Alois, que pela primeira fez tinha feições tristes no rosto.

Sem mais delongas, caminhou em passos firmes até sua cabine, batendo a porta atrás de si.

Por que as coisas sempre eram assim para ele? Nunca conseguira algo que ele pensava querer tanto. Sua cabeça mentia para ele o tempo todo, querendo vê-lo sofrer, se afogar em seus próprios pensamentos e dormir para não acordar mais.

Aquilo doía. Doía tanto que, pela segunda vez em cinco anos, ele deixou uma lágrima cair de seus olhos.

Notas finais
Então? Como ficou? Claro, tinha que ter a mocinha que se sentia inferior e que queria o melhor para ele. Gente, isso faz parte. (-q) Eu tento sempre fugir do clichê, acreditem, mas dessa vez não deu. Isso era necessário para dar continuidade na história. Espero que tenham gostado, de verdade. Nos vemos então no próximo capítulo. Por favor não deixem de comentar, certo? Até!!