A guerra havia o tirado de mim. E hoje na volta para casa, a chuva e as lágrimas atrapalhavam minha visão. Chego em casa abro a porta e tento parar de chorar,o que foi inútil.

Agora já deitada na cama,sentindo o cheiro do xampu que exalava do meu cabelo recém-lavado.

Por mais que eu tente dormir,simplesmente não consigo.

-Celine.-Ouço uma voz masculina sussurrando o meu nome. Levanto num sobressalto e rolo os olhos por todo o quarto e não encontro nada.

-Celine.-Ouço novamente,dessa vez levanto e sigo a voz.

Mesmo na chuva eu andei até o cemitério não muito longe da minha casa.

Assim que encaro os portões,ouço mais uma vez.

-Celine,entre.-Eu obedeço,eu posso estar completamente louca,posso estar sob efeito dos meus remédios,posso estar sonhando,posso estar sendo induzida por algum tipo de criminoso,mas sinto que deve entrar e assim o faço.

Andando entre os túmulos seguindo até o centro do cemitério,onde Henrique meu falecido marido fora enterrado,quando chego no local o caixão está aberto e vazio.

O medo e o desespero percorrem cada célula do meu corpo,olhos para os lados temerosa do que posso ver,então quando menos espero meus olhos atingem o que eu jamais que pensei que veria novamente.

Henrique lá parado,de braços abertos,olhando para mim de forma doce.

Corro até ele e me jogo em seus braços,nesse momento eu sinto algo afiado atravessando meu corpo.

Uma faca.

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