Sussurro dos Pássaros
1 Amor
Amor.
Uma palavra tão mal usada.
Mal empregada.
Sabemos o que é o amor, mas não sabemos o que ele significa.
Sabemos quando amamos, mas não sabemos explicar o porquê que amamos.
Sabemos o que é amor, sabemos o que é amor, sabemos o que é amor.
Mas mentimos.
Mentimos, achando que sabemos.
Usamos essa palavra de forma errada.
Amor.
Mas o que amor?
Todos querem alguém. Do nosso jeito, do nosso gosto, ao nosso agrado.
Mas, amor não é EU.
Por mais que falamos “eu te amo”, nunca saberemos realmente se realmente amamos o outro.
Porque é inexplicável.
O amor de verdade não é o cupido, que atira flechas nos corações, deixando-os, apaixonados.
O amor de verdade não é o que a gente sente de primeira vez. É algo lento.
É impossível domar o amor.
Impossível.
O amor de verdade, só é amor, quando o que sentimos é retribuído na mesma intensidade, no mesmo grau.
Amor é abandonar-se.
Amor é largar-se.
Amor, é, nada mais, esquecer-se.
Nós não “amamos” alguém, assim, do nada. Sentimos um carinho especial. Sentimos algo estranho. Sentimos insegurança. Sentimos felicidade. Sentimos remorso. Sentimos afinidade. Só.
Não é amor.
Não.
É um “gostar”, algo que queremos em especial.
Talvez seja isso. O amor, nada mais é, que um gostar especial.
Será?
Talvez, eu disse. Talvez.
Amor que é amor, é dar sem receber em troca.
Amor é um “prazer extinto”.
Amor de verdade, é aquele que enfrenta tudo, sem se importar com as consequências.
Amor.
Nós sonhamos com amor.
Sonhamos com nossa “alma gêmea”.
Cada alma é única e incompleta.
E o amor une duas almas, para que, sendo uma, elas se construam, de novo, formado um ser.
E seremos um só.
O amor quer isso.
Sermos um só.
Sermos o outro, e vice-versa.
Amor. Sentimento inexplicável.
Ele nos cega.
Cega.
Cega de paixão.
Paixão! O que é paixão?
Paixão é um tipo de atração. O amor “instintivo”, mas necessariamente, ele não é amor. Ele é só algo passageiro. Não dura.
Relações, baseadas na paixão, morrem,
Relações baseadas no amor vivem eternamente.
Amor! Por que tento te explicar? Por quê? Por quê?!
Por que você me faz sofrer.
Amor que é amor, faz sofrer. É a troca.
Amor dá prazer, mas faz sofrer.
Por que, o amor, às vezes, demora pra voltar. Tem vez que não volta.
Tristeza.
Ele nos deixa frágeis. De corpo e alma, isso sim é amor.
Ele nos deixa vulneráveis. Ele nos deixa depressivos, ele nos deixa tristes, deixa a gente em silêncio.
Ele me deixou assim.
E quando ele volta, ah!
A maior felicidade do mundo.
O maior prazer do mundo.
Uma gnose.
Uma sensação estranha.
Estranha.
É.
Amor-perdão.
Um amor que nasce com o perdão. O perdão do erro fatal.
O amor perdoa tudo.
Perdoa o imperdoável. Esse sim é amor.
Cura o que está machucado.
Liberta que está preso.
Amor.
Amor-ódio.
As pessoas que se odeiam são mais propensas a se amarem até o infinito. Vejamos o porquê.
O ódio, nada mais é do que a falta de amor, sua ausência.
Falta de tudo.
Falta, até, de paz.
Mas, principalmente, falta de amor.
Quando o perdoa reina no meio do ódio, o ódio some. E no lugar, nasce a compaixão. E se o ódio é entre opostos, ele se transforma em amor. Um amor profundo, único, simples, choroso, amigo, feliz, alegre, prazeroso. Por que os rivais lutavam por causa das diferenças, mas agora que se perdoam, se o amor nascer no meio deles, esse amor viverá muito, por que o amor nasceu de suas diferenças, de sue ódio. Já conhecem o lado ruim do oposto. O amor apresenta o lado bom, o lado gostoso, o lado prazeroso.
Um lado desconhecido, encoberto pelo ódio.
Um lado secreto.
Amor, é isso que você faz?
Amor, por quê?
Amor! Diga-me!
O que você faz? O que você realmente é?
Por mais que eu diga que você é, não sei quem você é, o que você faz.
Desconheço-te, amor.
Não sei seu nome, Não sei dizer.
Não sei, mais, falar.
Não sei, mais nada.
Nunca te conheci, Amor.
Jamais senti tudo aquilo que você traz de bom. Só a dor.
Mas a sua dor me fez mais forte.
Muito.
E agora, eu te espero.
Espero-te de braços abertos, te espero ansiosamente.
Espero-te, Amor, com esperanças de uma vida sofrida.
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