“Não teve tempo para refletir, ouviu a porta sendo aberta e passos vindos em sua direção.”

Ela recostou-se na mesa, segurando a xícara de café à espera do desconhecido que a conhecia, irônico pensou. Estava vestindo uma camiseta de cor rosé, shorts jeans, um confortável par de chinelos e seu cabelo estava preso num rabo de cavalo perfeito.

–Está bonita. -Elogiou o homem entrando na cozinha.

–Presumo que você seja Ares, a pessoa quem me acordou alguns minutos atrás.

–Eu mesmo. -Concordou ele exibindo um sorriso.

–Então... você esta pronta para ir?

–Ir onde? -Perguntou ela, dando ênfase na primeira sílaba da palavra.

–Encontrar com o resto do pessoal, eles também estavam preocupados.

–Não sei o porquê dessa preocupação. Estou muito bem e gostaria que você se retirasse da minha casa.

–Da nossa casa. -Corrigiu ele.

Ela arqueou a sobrancelha direita.

–Desculpe, nossa casa? -Indagou Karen.

Ares confirmou com a cabeça.

–Interessante... nós somos casados?

–Posso responder a todas as perguntas, quando estivermos a caminho da reunião. Por isso eu gostaria que fôssemos o mais rápido possível, afinal o caminho é longo.

–Tenho uma segunda opção? -Perguntou esperançosa.

–Na verdade não.

–É realmente estranho, entrar num carro com um desconhecido e ir para sabe se lá onde.

–Não se preocupe com isso. Agora eu gostaria de ir.

Eles saíram e foram para o carro, Ares estava dando marcha ré quando Karen deu início a conversa.

–Bem... você ainda não me disse seu nome.

–Ryan.

–E então, nós somos casados?

–Não.

Ambos ficaram em silêncio.

Agora com calma, Karen começou a analisar Ryan. Um homem alto, cabelos escuros e curtos, sem barba, olhos castanhos e, possuidor de um sorriso marcante. Aquele sorriso ela já o tinha visto em algum lugar, só não se lembrava onde. Não se esforçou muito em lembrar, focou na ideia que teria apenas seis dias para corrigir um erro, mas qual erro? Seus pensamentos voltaram para a noite em que ela estava deitada no sofá, o que havia acontecido antes? Quem ela era? Olhou para o lado e viu aquele desconhecido, será que ele saberia algo sobre ela? Bem, não custava nada tentar.

–Ryan.

–Sim?

–Quem sou eu?

–Explique o que quis dizer com "quem sou eu?"

–Pode começar dizendo meu nome completo se o souber.

–Vejo que mandar você pelo portal não foi uma de nossas melhores ideias. -Falou ele torcendo a boca para baixo.

–Portal? Isso existe? Não é coisa de desenho ou efeitos especiais em filmes de fantasia?

–Sim existe, mas só para algumas pessoas. Pessoas como nós. Chegamos. -Ali você terá todas as suas respostas. -Falou ele descendo do carro e apontando o dedo para uma casa em meio ao nada.

Ela abriu a porta do carro e desceu, sentia o vento acariciar-lhe o rosto, começou a caminhar para acompanhar Ryan que já estava a frente tocando a campainha da casa. Alguns segundos depois a pesada porta rangia ao ser aberta.

Notas finais
Desculpa a demora para postar.